Downton Abbey: crítica de filme

Downton Abbey (título original: Downton Abbey) é a continuação em formato de longa-metragem do drama televisivo de época coproduzido pela Carnival Film & Television e pela Masterpiece Theatre e transmitido pelos canais Independent Television (ITV) e PBS entre 2010 e 2015. Criada e escrita por Julian Fellowes, a produção tem direção de Michael Engler, responsável por alguns dos mais memoráveis episódios da versão televisiva, como o Especial de Natal que foi ao ar logo depois do fim da série. Cinematograficamente impecável, o filme gira em torno da visita do Rei George V e da Rainha Mary à Downton Abbey, propriedade da aristocrática família Crawley localizada na área rural do Condado de Yorkshire.

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A história começa com Robert Crawley (Hugh Bonneville) recebendo uma carta do Palácio de Buckingham anunciando que o Rei George (Simon Jones) e a Rainha Mary (Geraldine James) irão à Downton Abbey como parte de uma turnê real pelo Reino Unido. O fato da dama da corte da Rainha Mary, Maud (Imelda Staunton)—prima proscrita de Robert que se afastou da família por conta de uma briga por herança—fazer parte da comitiva, deixa a astuta duquesa de Grantham, Violet (Maggie Smith), intrigada. Mas a visita traz mais problemas do que o esperado. Os empregados de Downton Abbey são tomados por surpresa quando confrontados pela arrogância da parte da equipe real. Acreditando que o mordomo da família, o grande antagonista da ala doméstica nos tempos da série, Thomas Barrow (Rob James-Collier), é incapaz de lidar com a situação, Mary (Michelle Dockery), a primogênita dos Crawley, convida o aposentado mordomo Carson (Jim Carter) à retornar temporariamente para continuar suas tarefas de administração do pessoal, embora os próprios empregados, incitados por Anna (Joanne Froggatt) e Bates (Brendan Coyle) decidam eles mesmos restaurarem a honra de Downton.

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Como boa trama de época, a produção não deixa de lado um pouco do suspense, como quando um tal de Major Chetwode (Stephen Campbell Moore) chega à cidade e, acreditando que Tom (Allen Leech)—o chofer dos Crawley que se tornou genro de Robert e de Cora (Elizabeth McGovern) para logo depois se tornar o pai viúvo de Sybbie (Fifi Hart)—é um detetive real, aproxima-se dele, o que também chama a atenção de Mary, fazendo a história ganhar contornos de intriga de assassinato contra o rei. Subtramas também ganham forma no filme e, assim como na série, o romance é a força motriz na rotina tanto dos aristocratas quanto dos domésticos. Na ala dos empregados, tem a assistente da cozinha, Daisy (Sophie McShera), que flerta com um encanador, o que deixa o noivo, Andy (Michael Fox), com ciúmes. Patmore (Lesley Nicol), a chefe da cozinha de Downton, também tem uma rápida paquera com um comerciante local, Bakewell (Mark Addy). E até mesmo Barrow, cuja homossexualidade é um tabu na época, descobre um novo interesse amoroso através de Richard Ellis (Max Brown), bem como um mundo novo ao encontrar um clube secreto onde pode ser livremente quem ele é.

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Entre os Crawley, Tom reencontra o amor com a empregada de Maud, Lucy Smith (Tuppence Middleton), a qual eventualmente se torna herdeira desta ultima; enquanto Edith (Laura Carmichael), que por muito tempo foi a irmã víbora de Mary, e encontrou o amor com Bertie (Harry Hadden-Paton) ao final da série, descobre agora estar grávida. Mary, por sua vez, depois de protagonizar várias altas e baixas no campo amoroso durante a série depois da trágica morte de seu então marido, Matthew (Dan Stevens), finalmente encontra um pouco de paz e estabilidade ao lado de Henry Talbot (Matthew Goode), que entra em cena apenas nos trinta minutos finais do filme, perdendo assim todo o evento real em Downton Abbey por conta de uma viagem de negócios. Os momentos cômicos continuam por conta de Molesley (Kevin Doyle), que ainda aos flertes com a empregada pessoal de Cora, Baxter (Raquel Cassidy), perde a compostura diante da família real em meio à um jantar ao dirigir a palavra ao monarca sem autorização, deixando os Crawley numa verdadeira saia justa.

Excelentemente bem produzida e visualmente deleitável com incrível adaptação de época, Downton Abbey é um filme onde adultos sofisticados e polidos desfilam com figurinos imaculados e abrem a boca apenas para conversas razoáveis com seu agradável sotaque esnobe, enquanto o grande momento de ação não passa de uma briga por um revolver que não dura nem dez segundos. Downton Abbey não é um arrasa-quarteirão, e tampouco se serve de grandes efeitos especiais. Provido de uma narrativa central simples, o filme tem o imponente e majestoso Highclere Castle, situado em Bampton, Oxfordshire, como grande protagonista ao lado da produção artística e cenográfica, enquanto o elenco é apenas secundário com suas tramas pessoais. Sem a promessa de uma continuação, a produção cumpre seu papel e agrada aos nostálgicos fãs da série, deixando apenas claro que um eventual retorno ao universo dos Crawley não contará com Violet.

Downton Abbey estreou nos cinemas brasileiros no dia 19 de setembro.

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