Dark: resumo primeira temporada

A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente.

Albert Einstein

Dark é uma série de ficção-científica alemã criada e desenvolvida para a Netflix por Baran bo OdarJantje Friese. Ambientada na fictícia cidade de Winden no ano de 2019—e nitidamente inspirada nos trabalhos de David Lynch e de Stephen King—, a série tem como narrativa uma saga familiar com um toque de thriller sobrenatural envolvendo o desaparecimento de duas crianças num intervalo de trinta e três anos, o que expõe uma fraturada conexão entre quatro famílias assombradas por segredos, mentiras e conspirações. Composta por dez episódios com cerca de uma hora de duração cada, a primeira temporada traz reviravoltas que envolvem vários outros acontecimentos inexplicáveis havidos na mesma cidade nos anos de 1953 e 1986 e que se interconectam através de viagens no tempo.

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A trama começa nos idos do mês de junho de 2019, quando Michael Kahnwald (Sebastian Rudolph) comete suicídio deixando uma carta que não deve ser aberta antes de 4 de novembro às 10:13 da noite. Sua mãe, Ines (Angela Winkler), esconde a tal carta. Quatro meses depois, Jonas (Louis Hofmann), o abalado filho adolescente de Michael com Hannah (Maja Schöne), retorna de um tratamento psiquiátrico, e descobre que seu melhor amigo, Bartosz Tiedemann (Paul Lux) começou à namorar Martha Nielsen (Lisa Vicari), a garota por quem ele sempre foi apaixonado. Quando um adolescente desaparece misteriosamente, o detetive Ulrich Nielsen (Oliver Masucci) assume o caso, enquanto seus três filhos, Martha, Magnus (Moritz Jahn) e Mikkel (Daan Lennard Liebrenz), juntamente com Jonas e Bartosz, saem à noite para explorar uma caverna local no meio da floresta, onde Mikkel, o caçula da família Nielsen, desaparece nas mesmas circunstâncias. Tudo fica mais tenso quando o corpo de um outro garoto sem identificação é encontrado no dia seguinte com os olhos e as orelhas completamente destruídos por extrema pressão. O desaparecimento de Mikkel assombra a familia Nielsen, principalmente Ulrich, que revive o também desaparecimento de seu irmão mais novo, Mads (Valentin Oppermann), em 1986, o que o faz concluir haver uma relação entre o sumiço dos três garotos. Paralelamente, a chefe de policia local, Charlotte Doppler (Karoline Eichhorn)—criada pelo enigmático relojoeiro H.G. Tannhaus (Arnd Klawitter), autor de um livro de viagem no tempo—começa à suspeitar que a estranha chuva de pássaros mortos tem correlação com um evento similar havido trinta e três anos antes.

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A narrativa avança quando revelado que Mikkel foi transportado para o ano de 1986 através de um portal de viagem no tempo no sistema de cavernas abaixo da usina nuclear local que se encontra sob a administração de Claudia Tiedemann (Julika Jenkins), avó de Bartosz. Levado ao hospital pelo chefe de policia de Winden em 1986, Egon Tiedmann (Christian Pätzold), Mikkel cai nas graças da enfermeira Ines (Anne Ratte-Polle), e tenta voltar para casa através das cavernas, mas não consegue. Nesse cenário, Mikkel cruza caminho com seus pais ainda adolescentes, e descobre que o tio que jamais conheceu, Mads, está desaparecido há quatro semanas. Enquanto isso, em 2019, Jonas começa à investigar os segredos das cavernas por sua própria conta e risco valendo-se de pistas que lhe são evasivamente fornecidas por um misterioso homem encapuzado (Andreas Pietschmann). Paralelamente, entra em cena o inescrutável Noah (Mark Waschke), um padre com intenções obscuras que transita entre os anos de 1986 e de 2019 e que interage com Mikkel, Elisabeth Doppler (Carlotta von Falkenhayn)—a filha surda-muda de Charlotte—e Bartosz. Ele é eventualmente revelado como o responsável pelo desaparecimento de Mads e de outras crianças. Acreditando ser uma espécie de salvador que visa um bem maior, Noah busca elevar a humanidade controlando as viagens no tempo com fins de reorganizar a história e evitar o ciclo pré-determinado de sofrimento. Uma das primeiras grandes reviravoltas da temporada acontece no quinto episódio, intitulado “Truths,” quando, ajudado pelo homem encapuzado, Jonas recebe uma versão mais antiga da carta que seu pai escreveu antes de se suicidar, e na qual ele lhe revela ser Mikkel Nielsen, que, desaparecido em 2019 e transportado para 1986, foi adotado pela enfermeira Ines, tornando-se Michael Kahnwald.

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Depois de atravessar o portal de viagem no tempo dentro da caverna e encontrar Mikkel em 1986, Jonas—que pretende levar Mikkel de volta à 2019—é convencido pelo homem encapuzado à não mudar o passado com fins de não comprometer sua própria existência. Enquanto isso, pistas de que o garoto encontrado morto na floresta seria Mads—o qual não envelheceu à despeito dos trinta e três anos que se passaram—levam Ulrich à se aproximar cada vez mais da verdade. Ao descobrir que o septuagenário e demente Helge Doppler (Hermann Beyer)—cúmplice de Noah—foi considerado suspeito no desaparecimento de Mads em 1986, Ulrich tenta interroga-lo na clínica onde ele se encontra internado, para depois segui-lo pela floresta até a caverna, onde acaba atravessando o portal e viajando para o ano de 1953. Em 1953, onde os corpos não identificados das duas crianças desaparecidas em 2019 são descobertos, Ulrich cruza o caminho da recém-chegada à cidade Agnes Nielsen (Antje Traue) e seu filho Tronte (Joshio Marlon), respectivamente a avó e o pai de Ulrich no futuro. Ele ainda vai ao encontro de um jovem H.G. Tannhaus (Arnd Klawitter), autor do livro de viagem no tempo que Ulrich encontrou na casa de Helge em 2019. Convencido de que Helge é o responsável pelo desaparecimento e morte das várias crianças de Winden, Ulrich tenta mudar o futuro matando-o com fins de impedir os sequestros de Mads e de Mikkel. Contudo, além de não conseguir matar Helge, Ulrich acaba preso por Egon Tiedemann. Nos instantes finais da temporada sua foto como suspeito pela morte das duas crianças encontradas mortas em 1953 é descoberta num jornal antigo pela chefe de policia Charlotte no ano de 2019.

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As coisas ficam ainda mais intensas (e confusas) nos dois últimos episódios da temporada. Enquanto o homem encapuzado encontra com H.G. Tannhaus no ano de 1986 e revela a existência do portal no sistema de cavernas abaixo da usina nuclear local e pede que ele conserte um aparato capaz de fazê-lo destruir o portal, é mostrado que o tal aparato foi construído pelo próprio Tannhaus vários anos antes com a ajuda da tecnologia do celular que Ulrich esqueceu em sua loja no ano de 1953 antes de ser preso pela morte de Helge. O conhecimento do portal pelos Tiedemann também ganha forma quando Claudia faz descobertas na caverna abaixo da futura usina nuclear em 1986, revelando ser ela a grande nêmeses de Noah no controle da viagem no tempo em 2019. Noah, por sua vez, conspira com Bartosz, colocando-o contra sua própria família e contra Jonas, revelando seu grande plano para salvar a humanidade e conquistando-o como aliado. No clímax de final de temporada, Noah e Helge sequestram Jonas no ano de 1986 quando este pretende trazer Mikkel de volta ao ano de 2019 para encerrar o ciclo de desgraça com a destruição de sua própria existência. Aprisionado no bunker onde Noah e Helge fazem seus experimentos com as crianças sequestradas, Jonas é visitado pelo homem encapuzado, e este lhe revela ser o Jonas do futuro, mas que não poder salva-lo para que ele viva o que está por vir e venha à se tornar quem ele deve ser. Na tentativa de destruir o portal com o aparato de Tannhaus, o Jonas do futuro acaba abrindo uma fenda no tempo que transporta o Helge de 1953 para 1986 e o Jonas do presente que se encontra em 1986 para o apocalíptico mundo de 2052, onde é capturado por um grupo fortemente armado nas proximidades do que restou de uma destruída usina nuclear.

Dark é uma série de ficção-científica como há muito tempo não se via. Comparada à Twin Peaks, à Stranger Things e até mesmo ao subestimado O Predestinado, a produção tem como principal atrativo o fato de desenvolver os mistérios acerca da narrativa central de forma lenta, tensa e aterrorizante, culminando num gancho final arrepiante no melhor estilo sci-fi noir e que promete muito para o que ainda está por vir na segunda instalação da série. Com uma narrativa complexa, uma vasta gama de personagens ambíguos e um ritmo intenso, Dark ainda se vale de tons bastante novelescos ao trazer à tona romances, traições e vinganças que se desdobram em subtramas rebuscadas. Profunda e evocativa, Dark também não peca no quesito produção e caracterização de época, e merece ser conferida aos amantes de uma boa história de ficção-científica.

A primeira temporada de Dark pode ser conferida via Netflix.

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