I Am Patrick Swayze: crítica de documentário

Adrian Buitenhuis dirige o documentário produzido pela Paramount Network e transmitido pelo Canal USA, I Am Patrick Swayze, que, com imagens inéditas e entrevistas exclusivas de amigos e familiares, traz um olhar íntimo da vida e do trabalho de Patrick Swayze, o simpático ator que levantou Baby para o alto em Ritmo Quente (1987), sensualizou o artesanato em cerâmica em Do Outro Lado da Vida (1990) e pagou o preço final por suas estripulias radicais em Caçadores de Emoção (1991).

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Seguindo uma vertente cronológica, o documentário faz uma paralelo entre resistência e vulnerabilidade de um dos atores mais carismáticos e subestimados de todos os tempos. Valendo-se de depoimentos de colegas e amigos de Swayze, como Jennifer Grey, Lori Petty, Sam Elliott, C. Thomas Howell, Kelly Lynch, Demi Moore, Rob Lowe e Marshall R. Teague, bem como de membros da família, como a esposa, Lisa Niemi, e o irmão mais novo, Don Swayze, o documentário revela detalhes do início da carreira daquele que foi um dos atores mais versáteis e engajados de Hollywood e sua luta até o fim da vida quando acometido pelo câncer de pâncreas que o vitimou há dez anos. Nesse aspecto, Buitenhuis não poupa detalhes da vida pessoal e profissional de Swayze, explorando sua infância e adolescência como dançarino de balé no estúdio de dança da mãe, Patsy Swayze, em Houston, Texas, onde, ao dezoito anos de idade conheceu e se apaixonou por Lisa Niemi, uma jovem bailarina de origem finlandesa com a qual viria à se casar e passar o resto da vida. Além de importantes considerações sobre a vida e a arte do astro, I Am Patrick Swayze cita os momentos de altas e baixas, como quando o ator fraturou o joelho jogando futebol na escola aos dezoito anos—o que fez com que todos acreditassem que sua carreira como dançarino estava acabada—, ou quando do imediato reconhecimento midiático e a morte precoce do pai, Jesse Wayne Swayze, por quem tinha enorme admiração, o que o levou ainda à dependência do álcool, buscando reabilitação em 1990.

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O documentário também revela através do depoimento da viúva de Swayze o abuso que ele enfrentou nas mãos de sua rígida mãe, sua também professora de dança, culminando na intervenção do pai, o qual a ameaçou de divórcio caso ela continuasse a prejudicar o filho. O documentário dá conta ainda de mostrar como a carreira de Patrick Swayze—sempre subestimado por colegas e produtores—começou à deslanchar. Se num primeiro momento Howell e Lowe, com quem o astro co-estrelou em Vidas sem Rumo (1983), explicam como ele era uma força da natureza e extremamente generoso e protetivo, Grey complementa o testemunho ao confirmar como, valendo-se de tais virtudes, ele a convenceu à fazer o perigoso e famoso movimento de dança que os lançou ao estrelado em Ritmo Quente (1987). A atriz ainda explica os rumores acerca dos desentendimentos que teve com o ator como decorrentes de uma brincadeira com bombinhas feita por ele e outros colegas de elenco nos bastidores de Entardecer Violento (1984). I Am Patrick Swayze também traz à tona como o ator conseguiu convencer Jerry Zucker a aceita-lo no papel principal em Do Outro Lado da Vida (1990). Decidido de que não havia como o protagonista do absurdamente violento filme de ação Matador de Aluguel (1989) estrelar em seu filme, Zucker acabou se convencendo com a leitura do roteiro por Swayze, o que comoveu todos durante sua audição. Depois de diagnosticado com câncer de pâncreas, sabendo que tinha 5% de chance de sobreviver, Lisa Niemi e Don Swayze explicam como Patrick não achava que era chegada a hora de parar de trabalhar, ao que filmou, nos intervalos do tratamento da doença, a série limitada The Beast (2009).

I Am Patrick Swayze mostra ainda alguns momentos hilariantes da vida e da carreira de Swayze, como quando se tornou uma das primeiras pessoas à possuir o infame DeLorean, e quando conseguiu o papel da drag queen Vida no filme Para Wong Foo, Obrigada por Tudo! Julie Neymar (1995). A produção acrescenta o amor do astro pelo perigo, como quando acordava cedo toda as manhãs durante as filmagens de Caçadores de Emoção (1991) apenas para praticar paraquedismo, bem como sua paixão pela vida rural, algo herdado do pai, o que o fez comprar um rancho nos arredores de Los Angeles para se tornar criador de cavalos.

Ao retratar a vida do ator que brilhou não apenas com o perfeccionismo polido da típica visão machista em seus filmes, mas pela variedade de diferentes personagens que retratou e mostraram seu lado mais sensível e, consequentemente sua versatilidade, o documentário encerra como um despertar sobre como a vida é curta e deve ser aproveitada ao máximo. I Am Patrick Swayze é uma produção imperdível para todos.

I Am Patrick Swayze encontra-se disponível via Paramount Network app, que pode ser encontrado via iTunes e Google Play.

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