Mindhunter: resumo segunda temporada

A segunda temporada de Mindhunter, série desenvolvida e criada por John Penhall, coproduzida por David Fincher e Charlize Theron e inspirada no livro Mindhunter: O Primeiro Caçador de Serial Killers Americano—que adapta a trajetória do agente especial do FBI John Douglas, figura lendária na perseguição de alguns dos mais famosos criminosos de todos os tempos—traz uma abordagem menos clínica e muito mais pessoal da complicada ciência comportamental dos chamados “assassinos em série.” Nesse cenário, o trio de protagonistas lida com psicopatas como “O Monstro de Atlanta,” “O Estrangulador BTK,” e segue entrevistando vários notórios assassinos, como Charles Manson.

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Ambientada no final dos anos de 1970 e inicio dos anos de 1980, a temporada conta com nove episódios, dos quais quatro são dirigidos por David Fincher, que tem em seu currículo thrillers de sucesso como Os Sete Pecados Capitais, O Assassino do Zodíaco, Millenium: Os Homens que não Amavam as Mulheres e Garota Exemplar. Diferentemente das várias produções do gênero, Mindhunter segue o mesmo caminho da primeira temporada ao adotar uma abordagem analítica dos horrendos crimes cometidos por famosos assassinos em série, dramatizando a busca desenfreada dos especialistas da Unidade de Ciências Comportamentais do FBI para entender, agir mais eficazmente e talvez um dia prever os comportamentos desviantes aparentemente inescrutáveis ​​desses assassinos. Contudo, embora a temporada continue tendo por foco o repugnante comportamento desses assassinos psicopatas e o que os leva à tirar a vida de outro ser humano de maneira sádica e violenta, o aspecto pessoal do trio de protagonistas também ganha uma abordagem muito mais ampla e intimista. Se no primeiro ano da série os agentes Holden Ford (Jonathan Groff) e Bill Tench (Holt McCallany) passaram maus bocados com burocratas como Shepard (Cotter Smith), enquanto tentavam fazer o inovador programa do FBI acontecer, o segundo ano investe em assuntos muito mais complicados para os personagens principais.

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Mais perturbadora, a segunda temporada de Mindhunter traz Holden logo depois de sofrer um ataque de pânico depois que o inteligente e eloquente Ed Kemper (Cameron Britton), conhecido como “O Gigante Assassino,” o abraça ao final da temporada anterior, implicando uma controversa conexão entre os dois. O personagem acorda num hospital, para depois passar todo o resto da temporada sob o risco de sofrer novo colapso enquanto segue agindo com imediatismo no cumprimento de seus objetivos, sempre levando em conta seu elevado e alardeado grau de intuição, o que o torna o queridinho do novo chefe em Quântico, Ted Gunn (Michael Cerveris), o qual, diferentemente de Shepard, confere ao departamento muito mais recursos e suporte. Tench, por sua vez, também enfrenta demônios pessoais ao lado da esposa, Nancy (Stacey Roca), quando o filho autista, Brian (Zachary Scott Ross), testemunha e participa indiretamente da morte de uma criança menor, fato este que Tench tenta esconder dos colegas para não comprometer seu trabalho, ao mesmo tempo em que se vê comprometido ao extremo entre suas tarefas. A consultora em psicologia comportamental, Wendy Carr (Anna Torv), segue marginalizada no mundo dominado por homens, e arrisca as primeiras entrevistas com alguns assassinos em série ao lado do igualmente proscrito agente Gregg Smith (Joe Tuttle), ao mesmo tempo em que busca alguma distração no campo pessoal ao se envolver com uma garçonete, Kay Manz (Lauren Glazier).

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A temporada traz de volta cenas pré-créditos com segmentos da vida pessoal de Dennis Rader (Sonny Valicenti), “O Estrangulador BTK.” Agindo furtivamente em Wichita, Kansas, ele é o autor de dez assassinatos entre os anos de 1974 e 1991, e entra no radar do FBI quando uma testemunha sobrevivente de um dos seus crimes em 1974 informa detalhes que deve provavelmente coloca-lo como alvo nas temporadas vindouras. A temporada mostra mais uma vez o trio de investigadores entrevistando assassinos notórios como William “Junior” Pierce (Michael Filipowich), William Henry Hance (Corey Allen), Elmer Henley (Robert Aramayo), Paul Bateson (Morgan Kelly), David Berkowitz (Oliver Cooper) e Charles Manson (Damon Herriman, que, aliás, desempenha tão bem que reprisa o papel em Era uma vez em… Hollywwod). Contudo, a trama principal gira em torno da caçada de Wayne Williams (Christopher Livingston), conhecido como “O Monstro de Atlanta,” bem como as divisões raciais, sociais e econômicas que obstaculizaram as investigações de seus horrendos crimes contra crianças e adolescentes desde o inicio. Com a ajuda do agente Jim Barney (Albert Jones), e sob a pressão das mães das várias crianças e adolescentes mortas e desaparecidas em Atlanta, Holden e Tench eventualmente conseguem fechar o cerco contra Williams, o qual, suspeito de cometer vinte e três assassinatos, acaba sendo preso por apenas dois assassinatos.

Cinematograficamente impecável, e com uma trilha sonora de época sensacional—e apropriada para cada assassino entrevistado—que inclui “The Overload” de Talking Heads, “Call Me” de Blondie, “Guilt” de Marianne Faithfull, “Intruder” de Peter Gabriel, “Darkness” de The Police, “Crime of the Century” de Jason Hill e  “Cease To Exist” de Rob Zombie, Mindhunter segue como uma série cerebral e sem muito ritmo. Tal fato não afasta o brilhantismo da produção, tampouco o potencial do material apresentado, fartamente adaptado de elementos extraídos dos depoimentos dos assassinos apresentados e adaptados na série. Inteligente, intrigante e instigante, Mindhunter é uma produção sofisticada e reflexiva, repleta de linhas memoráveis e argumentativas que a tornam muito mais do que mero entretenimento.

As duas primeiras temporadas de Mindhunter estão disponíveis via Netflix.

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