Black Mirror: resumo quinta temporada

A quinta temporada de Black Mirror, criada e desenvolvida para a televisão em formato de antologia por Charlie Brooker, que mais uma vez escreve todos os episódios, deixa de lado o característico tom sombrio e desfecho inconclusivo—e frequentemente ambíguo e funesto—para apresentar três histórias que embora estejam em sintonia com o universo da série, em nada remontam a narrativa lúgubre de episódios passados. Ao contrário, o quinto ano, além de medíocre e preguiçoso, parece desvirtuar por completo o estilo único e exclusivo de Black Mirror ao trazer tramas fechadas que não dão margem à livre interpretação, e que ainda por cima encerram com finais felizes, o que tem gerado inúmeras críticas desfavoráveis dos fãs mais contumazes da produção.

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O episódio de estreia, intitulado Striking Vipers, e com direção de Owen Harris, traz Anthony Mackie e Yahya Abdul-Mateen II como Danny e Karl, dois amigos de faculdade aficionados por vídeo games que se reencontram onze anos depois, quando Danny construiu um estilo de vida estável com a esposa Theo (Nicole Beharie) e o filho, enquanto Karl segue mulherengo e imaturo. No dia da festa de aniversário de Danny, Karl aparece, presenteando-o com uma versão envolvendo experiência em Virtual Reality do game que costumavam jogar, Street Fighter. Os dois se reconectam e reencontram seu velho ritmo de amizade, mas a inovação virtual desencadeia novas possibilidades que vão alterar suas vidas para sempre. Assim, enquanto jogam um vídeo game nostálgico, os dois descobrem uma nova forma de satisfação enquanto cansados de suas próprias realidades. Polêmico como todo bom episódio de Black Mirror que se preze, o grande erro de Striking Vipers é possibilitar um meio termo para todos os personagens. Apesar da trama não conferir o mesmo entusiasmo de se estar assistindo as primeiras temporadas de Black Mirror, o episódio é o destaque do quinto ano da série.

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No segundo episódio, Smithereens, com direção de James Hawes, Black Mirror retorna ao seu cenário original: Reino Unido. Na Londres de 2018, Chris Gillhaney (Andrew Scott) é um chofer por aplicativo que frequenta terapias em grupo para pessoas em luto e que tem uma estranha agenda na qual não pega clientes que não estejam saindo de prédios de um determinado setor comercial da cidade. Certo dia, ele pega Jaden (Damson Idris), empregado da companhia responsável por uma rede social chamada Smithereens, ao que é revelado ser este o seu alvo. Ele então o toma como refém com uma arma de fogo. Perseguido pela policia, Chris exige falar com o CEO da Smithereens, Billy Bauer (Topher Grace), para o qual revela aquilo que tanto o atormenta e que o transformou no criminoso sob a mira de snipers enquanto mantém Jaden sob a mira de um revólver. Com um atirador da policia ruim de tiro no melhor estilo Stormtroopers e um disparo final enquanto Chris briga com Jaden pelo revólver com o qual pretende se matar, o episódio encerra sem saber o que efetivamente ocorreu. Sem profundidade, Smithereens não passa de um thriller envolvendo tecnologias de rastreamento e o poder hipnotizante das redes sociais, e deixa de transmitir a mensagem ligada ao universo de Black Mirror.

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O último episódio da temporada, intitulado Rachel, Jack and Ashley Too, tem Miley Cyrus como o ídolo pop musical, Ashley O. Ela é a obsessão da adolescente Rachel (Angourie Rice), que recentemente perdeu a mãe, e tem uma difícil relação com a irmã mais velha, Jack (Madison Davenport). Com o lançamento das bonecas Ashley Too que empregam inteligência artificial e que são inspiradas em Ashley O, Rachel acaba conseguindo ganhar uma no aniversário. Enquanto a boneca tenta influenciar positivamente sua vida, a vida real da verdadeira Ashley O não se mostra nada colorida. Enquanto tenta reconquistar sua identidade e mudar seu estilo, Ashley O se vê prisioneira de suas obrigações contratuais, ao passo em que é obrigada por sua agente e tia, Catherine (Susan Pourfar) à tomar medicamentos. Quando Catherine descobre que a sobrinha deixou de toma-los, ela a coloca em estado de coma. Nesse meio tempo, Ashley Too entra em mal funcionamento, e quando Jack ajuda Rachel à reanimar a boneca, esta é reprogramada por acidente, assumindo a verdadeira personalidade de Ashley O, a qual pede ajuda às irmãs para salva-la. Com final feliz, o episódio é certamente o pior da temporada, com direito à perseguições de carro e tramas adolescentes sem qualquer acuidade que em muito remontam filmes B da Sessão da Tarde.

Black Mirror segue como a única série de televisão que capta com perfeição a crítica à realidade atual e o prenúncio do apocalipse social com a tecnologia de ponta como elemento principal. Sempre muito corajosa e provocativa, a produção deixa à desejar em sua quinta temporada ao não conferir o mesmo efeito das temporadas precedentes. Desta vez, seus episódios não parecem direcionados à um público mais acostumado com o universo sombrio e ambíguo repleto de histórias lúgubres com finais funestos e livres à interpretação. E se a mensagem para as temporadas anteriores era a de que a série estava restrita aos que não esperavam encontrar um final feliz—à exceção de raros episódios como San Junipero ou Hang The DJBlack Mirror retorna e encerra sua quinta instalação deixando muito à desejar nesse quesito.

A quinta temporada de Black Mirror se encontra disponível via Netflix.

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