Belas Maldições: review primeira temporada

Belas Maldições (título original: Good Omens) é uma série limitada que adapta o romance homônimo de Terry Pratchett e Neil Gaiman. Coproduzida pela Amazon Studios e pela BBC Studios, a série é composta por seis episódios escritos e desenvolvidos por Gaiman, com direção de Douglas Mackinnon. A trama gira em torno do demônio Crowley e do anjo Aziraphale, que, acostumados com a vida mundana na Terra, unem forças e fazem o possível para evitar a ascensão do anticristo e impedir a grande batalha entre o céu e o inferno.

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Com narração de Deus (voz de Frances McDormand), a história começa desde a gênese bíblica, revelando a origem dos personagens Crowley (David Tennant) e Aziraphale (Michael Sheen). Enquanto o primeiro é o demônio em forma de cobra que tentou Eva (Schelaine Bennett) e Adão (Anthony Kaye), o segundo é o anjo protetor dos jardins do Éden. Alguns milênios depois, um grupo de freiras que faz parte de uma seita satanista orquestra a troca do bebê de um diplomata americano, Thaddeus Dowling (Nick Offerman), e sua esposa, Harriet (Jill Winternitz), que estão de passagem por uma pequena cidade próxima de Londres, pelo filho de Satanás (voz de Benedict Cumberbatch). Outro casal, Arthur (Daniel Mays) e Deirdre Young (Sian Brooke), também chega ao mesmo hospital para onde Crowley é encarregado de levar o anticristo que deve ser trocado com o filho dos Dowling. Contudo, uma confusão entre as freiras faz com que o anticristo acabe com os Young. Amigos desde o início dos tempos, Crowley e Aziraphale, que se encontram às escondidas ao redor do mundo para evitarem serem descobertos por seus companheiros anjos e demônios, discutem o fim do mundo com a chegada do anticristo, e ambos concluem que não querem que o apocalipse aconteça, à despeito do desejo do céu e do inferno e das previsões bíblicas. Acreditando que a criança foi corretamente encaminhada aos Dowling, Crowley e Aziraphale decidem então educa-la de modo a fazê-la discernir entre o bem e o mal para que ela ao final repense sua decisão de trazer o fim dos dias.

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As coisas ficam complicadas onze anos depois, quando o anticristo deve receber o cão bestial dos infernos para protegê-lo, o que dará inicio à contagem regressiva para o fim do mundo, e Crowley e Aziraphale descobrem que Warlock (Samson Marraccino), filho dos Dowling, o qual acreditavam ser o filho de Satanás, não é aquele que liderará os quatro cavaleiros do apocalipse. Em paralelo, é confirmado que o filho dos Young, o meigo e amistoso Adam (Sam Taylor Buck), é o verdadeiro anticristo, o qual encontra o cão dos infernos na forma de um cãozinho nada demoníaco. O que se segue é uma tentativa desesperada de Crowley e de Aziraphale de encontrarem a criança certa com fins de destruí-la e assim impedirem o fim do mundo, ao passo em que anjos e demônios seguem com os preparativos para a grande guerra entre céu e inferno acreditando que Warlock é o destinado à começa-la. Com a contagem regressiva para o apocalipse iniciada, os quatro cavaleiros são gradativamente convocados. São eles: a Guerra (Mireille Enos), a Fome (Yusuf Gatewood), a Poluição (Lourdes Faberes) e a Morte (voz de Brian Cox). Nesse cenário, entram ainda na narrativa Anathema Device (Adria Arjona), descendente de Agnes Nutter (Josie Lawrence), uma poderosa bruxa que previu todos os acontecimentos que antecedem o fim do mundo, e Newton Pulsifer (Jack Whitehall), descendente de um caçador de bruxas que matou Agnes e que é recrutado por Shadwell (Michael McKean) para localizar a Besta. Os dois cruzam caminho para descobrir a verdadeira identidade do anticristo com fins de impedir o fim do mundo.

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Nesse contexto em que céu e inferno aguardam ansiosamente o apocalipse para medirem forças numa batalha sem precedentes entre o bem e o mal, não obstante os esforços de Crowley, Aziraphale e aliados de evitarem o fim do mundo, Adam emerge como o anticristo relutante que começa à alcançar seu potencial máximo como o destruidor à partir do quarto episódio. Surpreendentemente inspirado pelas histórias fantásticas que lhe são apresentadas por Anathema, a qual, sem saber sua verdadeira identidade o influencia à desenvolver sua imaginação e poder destrutivo com motivação—como quando faz ressurgir a cidade perdida de Atlantis e destrói navios baleeiros com a ajuda de krakens—, Adam encontra um impasse na sua ascensão demoníaca no penúltimo episódio quando confrontado pelos seus três melhores amigos, Pepper (Amma Ris), Brian (Ilan Galkoff) e Wensleydale (Alfie Taylor). E se tudo parece favorável à derrocada do fim do mundo como anunciado nos instantes finais da produção, anjos intransigentes e arrogantes, como Gabriel (Jon Hamm), Michael (Doon Mackichan) e Sandalphon (Paul Chahidi), e demônios truculentos, como Hastur (Ned Dennehy), Ligur (Ariyon Bakare) e Beelzebub (Anna Maxwell Martin), fazem de tudo para que a guerra entre as forças divinas e demoníacas seja instaurada.

Visualmente deleitável, com tema e abertura estupendos e trilha sonora imbatível, que inclui grandes sucessos de Queen nas cenas em que Crowley entra em cena com seu clássico Bentley modelo anos de 1930, Belas Maldições traz o melhor do universo fantástico de Neil Gaiman para a televisão no melhor estilo cinematográfico de renomados diretores como Wes Anderson e Tim Burton, enquanto as performances de David Tennant e de Michael Sheen tornam tudo ainda mais formidável e aprazível. Despretensiosa, a produção em muito se distancia dos tons sombrios de Gaiman que podem ser vistos em alguns de seus trabalhos mais notórios, como Sandman ou American Gods, e traz muito humor e cinismo à mitologia do apocalipse numa narrativa que enaltece o bom senso, desvirtua conceitos maniqueístas, valoriza a amizade e que pode muito bem ser conferida por toda a família.

Belas Maldições encontra-se disponível via Amazon Prime.

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