Boneca Russa: review primeira temporada

Boneca Russa (título original: Russian Doll) é uma comédia de drama originalmente produzida pela Netflix criada e desenvolvida por Leslye HeadlandNatasha LyonneAmy Poehler, que conta a história de uma cínica designer de jogos em Nova York que se vê vivendo o mesmo dia incessantemente à la O Feitiço do Tempo (1993), e que precisa encontrar uma maneira de descobrir como sair do looping que acontece no dia do seu aniversário.

MV5BMTkzNDE0OTk5MF5BMl5BanBnXkFtZTgwNTkzMjMxNzM@._V1_SX1777_CR0,0,1777,888_AL_

A série começa com Nadia (Natasha Lyonne) celebrando seu aniversário de trinta e seis anos numa festa promovida por suas melhores amigas Maxine (Greta Lee) e Lizzy (Rebecca Henderson). Depois de fazer sexo com Mike (Jeremy Bobb), um dos convidados, ela acaba sendo atropelada, e inesperadamente acorda no banheiro da casa de Maxine, onde horas antes a festa acontece, repetindo todos os acontecimentos à partir de então. O problema agora é que Nadia está fadada à reviver o mesmo dia toda vez que morre, sempre de uma forma estúpida e surpreendente. À cada novo looping, a audiência descobre mais sobre a personagem, a qual tenta desvendar os mistérios em torno da terrível maldição que a submete com fins de reverter o fardo de reviver o mesmo dia. Como uma verdadeira boneca russa, ao longo dos oito episódios de cerca de 25 minutos cada, Nadia vai desvendando camadas de cada dia que se repete e aprende à lidar com sua complicada relação com a vida e a morte, na medida em que vai se melhorando como ser humano.

MV5BMjE1NjQ5NTIxMV5BMl5BanBnXkFtZTgwNDkzMjMxNzM@._V1_SX1777_CR0,0,1777,888_AL_

Nesse cenário em que Nadia precisa enfrentar fantasmas do passado e mesmo dificuldades com o próprio presente, a personagem cruza o caminho de Alan (Charlie Barnett), o qual, assim como ela, misteriosamente também está revivendo o mesmo dia incessantemente à cada vez que morre. Da mesma forma como Nadia, Alan passa por um momento turbulento em que revive o dia em que foi dispensado pela namorada de longa data, e mergulha profundamente em sua própria escuridão. Enquanto lidam com problemas pessoais, os dois acabam eventualmente se tornando amigos e confidentes, e tentam descobrir o que os conecta com esse terrível feitiço do tempo que os aprisiona no mesmo dia. Na medida em que a narrativa avança, os loopings vão se tornando mais funestos, com frutas apodrecendo, e cenários e pessoas que começam a inexplicavelmente desaparecer. Embora com um final coerente, mas nem por isso conclusivo, o que sugere que a jornada de Nadia ainda não terminou, a série conclui sua primeira temporada como uma das produções mais sofisticadas e conceituais dos últimos tempos.

Brilhantemente desenvolvida, Boneca Russa reprisa sem o menor pudor a fórmula de Harold Ramis em O Feitiço do Tempo, e traz à tona a jornada pessoal de uma mulher numa busca desenfreada e aprofundada de si mesma enquanto evolui emocionalmente. Densa, intensa e sombria, a produção é uma experiência única. Com muito dinamismo, aliado ao talento arrebatador de Natasha Lyonne e sua adorável dobradinha com Charlie Barnett, os oito episódios passam de forma quase que imperceptível, enquanto a série, como um todo, é uma verdadeira montanha-russa repleta de surpresas.

A primeira temporada de Boneca Russa encontra-se disponível via Netflix, e é uma das melhores séries para maratonear no final de semana.

Anúncios

Deixe um Comentário

Anúncios
Anúncios