Polar: crítica de filme

Polar (título original: Polar) é um filme de ação neo-noir inspirado na série homônima de quadrinhos da Dark Horses Comics escrita e ilustrada por Victor Santos, que traz a trama de ficção noir envolvendo o assassino internacional Black Kaiser. Dirigido por Jonas Åkerlund, o filme originalmente distribuído pela Netflix, adapta por maestria o design altamente estilizado dos quadrinhos de Santos, bem como o tom sombrio da narrativa, aliado a elementos noir como a femme fatale e muito gore num cenário gelado.

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O filme começa no Chile, quando o matador profissional Michael Green (Johnny Knoxville) desfruta de seus primeiros dias de aposentadoria. Surpreendido por uma gangue de mercenários, ele é executado por assassinos à mando de seu antigo empregador, Mr. Blut (Matt Lucas). É então revelado que Blut é forçado à pagar milhões de dólares aos seus empregados quando compulsoriamente aposentados aos cinquenta anos de idade. Seu plano, porém, é mata-los antes que completem cinquenta anos afim de não pagar sua aposentadoria, e assim embolsar para si o montante que lhes seria devido. Nesse cenário, Duncan Vizla (Mads Mikkelsen), conhecido como Black Kaiser, o mais temível de todos os assassinos por encomenda, está na iminência de se aposentar. Ele planeja morar nos subúrbios de uma desolada cidadezinha no interior gelado dos Estados Unidos, até que é recrutado pela femme fatale Vivian (Katheryn Winnick), a qual lhe oferece um milhão de dólares para um trabalho na Belarussia. Ali, ele descobre que é o verdadeiro alvo.

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De volta ao seu retiro em Montana, Duncan se aproxima de sua traumatizada e jovem vizinha, Camille (Vanessa Hudgens). As coisas se complicam quando ele é finalmente rastreado pelo esquadrão de assassinos de elite de Blut, os quais tentam surpreende-lo em sua casa. Duncan, no entanto, consegue se livrar da emboscada, mas Camille acaba sendo raptada no meio do processo. Na tentativa de descobrir os motivos de estar na mira de sanguinários assassinos, bem como de resgatar Camille, Duncan vai atrás de seu antigo mentor, Porter (Richard Dreyfuss), com fins de obter ajuda. Eventualmente capturado por Blut, Duncan é submetido à constantes sessões de tortura, até que finalmente escapa, matando uma legião de guardas de Blut. Valendo-se da ajuda de uma antiga amante, Jasmine (Ayisha Issa), Duncan se restabelece e se arma até os dentes para um encontro final com Vivian e Blut com fins de descobrir ainda o paradeiro de Camille. Obviamente que a grande surpresa fica para os instantes finais da produção, quando ele ainda precisa enfrentar um grande fantasma do passado que o assombra há vários anos. O desfecho deixa em aberto uma continuação, mas encerra a trama de forma bastante satisfatória.

Excepcionalmente bem produzido e dirigido, Polar peca talvez unicamente no que diz respeito à narrativa, mais precisamente no tocante ao motivo principal para Blut querer matar seus antigos empregados que estão prestes à se aposentar. Falha, a ideia deixa muito à desejar, principalmente por colocar em cheque a própria suspeita de seus atuais empregados (à exceção de seu infame “esquadrão classe A”) de que muitos deles estão sendo executados tão logo alcançam a aposentadoria. É algo que definitivamente subestima a inteligência da audiência. Porém, o filme se supera em outros aspectos, desde o elemento ação, que é contínuo ao longo de todo o filme, bem como dos efeitos especiais, do visual estilizado e personagens caricaturados e da violência gráfica. Mads Mikkelsen se supera como novo herói do gênero, enquanto o elenco, quase em sua maioria composto por rostos desconhecidos, funciona relativamente bem.

Polar encontra-se disponível via Netflix.

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