Black Mirror – Bandersnatch: review episódio especial

Bandersnatch é o primeiro filme interativo da rede Netflix, escrito por Charlie Brooker e dirigido por David Slade, onde cinco horas de filmagens se transformam em 40 ou 90 minutos de puro entretenimento dependendo das escolhas feitas pela audiência. Parte da macabra antologia serial Black Mirror, a produção é muito mais um esforço em atrair espectadores nesse audacioso experimento do que torna-lo interessante por si mesmo.

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A trama gira em torno de Stefan Butler (Fionn Whitehead), um designer de jogos de videogame nos idos dos anos de 1980 que durante a produção de um projeto de jogo interativo chamado Bandersnatch suspeita de que faz parte de uma conspiração ou de que está apenas enlouquecendo, dependendo do rumo que a história vai tomar. Nesse cenário, ele tem Craig Butler (Craig Parkinson), um pai aparentemente zeloso ao extremo, mas que, segundo flashbacks de Stefan, teve papel fundamental no triste desfecho que culminou a morte de sua mãe anos antes, bem como a Dra. Haynes (Alice Lowe), sua psiquiatra, a qual tenta afastar dele qualquer pensamento mórbido e de culpa. Ele então apresenta seu jogo à Mohan Tucker (Asim Chaudhry), responsável por lançar vários grandes sucessos de um famoso designer de jogos, Colin Ritman (Will Poulter), e as grandes decisões na vida de Stefan estão prestes à acontecer à partir do momento em que ele precisa escolher entre aceitar ou não trabalhar na companhia. Na medida em que a história avança, e Stefan trabalha no jogo, que nada mais é do que uma adaptação do livro de Jerome F. Davies (Jeff Minter), o qual teria enlouquecido depois de escreve-lo ao ponto de decapitar a esposa, ele próprio começa à se dar conta de algo estranho está acontecendo.

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Com cerca de nove finais diferentes, os quais dependem única e exclusivamente das escolhas feitas pela audiência ao longo da história, o objetivo da produção nada mais é do que apresentar ao público o que pode ser descrito como uma experiência imersiva de entretenimento onde o telespectador controla a narrativa. À despeito do entusiasmo que a experiência causa nos primeiros instantes, Bandersnatch começa à fracassar exatamente à partir do momento em que história se desenrola, desfazendo o que talvez deveria apenas ser apenas uma trama familiar em um terrível thriller psicológico. Obviamente que as escolhas oferecem o que poderia conferir muito mais à narrativa, mas de um jeito ou de outro, a habilidade da audiência em optar por múltiplos cenários se perde, e o final para Stefan acaba sendo sempre o mesmo, ou seja, ele enlouquece, mesmo quando descobre fazer parte da “suposta conspiração.” É o artifício da própria produção ao encorajar a audiência à fazer escolhas, e quando uma delas não tem o resultado esperado, ou encerra abruptamente a história, ou “força” o telespectador à fazer outra escolha num cenário onde o mundo é assustadoramente binário. Dependendo das escolhas feitas pelo telespectador, cada vez mais macabras, como gritar com o pai, destruir o computador e jogar-se de um edifício, múltiplos e grotescos assassinatos acontecem até o grande final.

Embora seja eficiente em seu conceito como experimento e demonstração de que a Netflix tem agora um novo e brilhante brinquedo à sua disposição, Bandersnatch erra feio na execução com uma história nefasta repleta de escolhas lamentáveis e autodestrutivas que sugerem à audiência que o mundo é feito de apenas duas escolhas em momentos decisivos. Se vale a pena assistir Bandersnatch e participar da experiência? Talvez, mas como forma de estudo sobre como e para onde a interatividade está se dirigindo. No mais, a narrativa é deplorável, e não merece o sacrifício de ser explorada em todos os seus níveis de escolha.

Bandersnatch pode ser conferida on streaming via Netflix.

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