Ícone do dia: Paul Newman

Nascido em 26 de janeiro de 1925, Paul Leonard Newman foi um ator, diretor, produtor, corredor de carros, empreendedor, filantropo e ativista americano. Conhecido mundialmente como o dono dos olhos azuis mais famosos do cinema, Newman frequentemente trabalhava em filmes que refletiam seu ponto de vista político. Filho de Theresa Garth e Arthur S. Newman, descendentes de imigrantes húngaros e poloneses, ele mostrou interesse pela atuação desde pequeno com participações em peças na escola.

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Expulso da Universidade de Ohio aos 20 anos de idade por indisciplina, Newman serviu o exército por três anos durante a Segunda Guerra Mundial. Daltônico, foi rejeitado como piloto de teste, e exerceu o posto de operador de rádio. Em 1949, casado com sua primeira esposa, Jacqueline Emily Witte, com a qual teve três filhos,  Scott, Susan e Stephanie, Newman assumiu a loja de artigos esportivos do pai pouco depois da morte deste, e mais tarde se mudou para Connecticut, onde estudou na escola de drama da Universidade de Yale. Assessorado por dois agentes, ele se mudou para Nova York, onde foi aluno do renomado Lee Strasberg no The Actors Studio, e fez pontas em diversos programas de televisão, como Tales of Tomorrow e Suspense, além de atuar em peças da Broadway, como Picnic (1953), The Desperate Hours (1955) e Sweet Bird of Youth (1959).

Photo by Silver Screen Collection/Getty Images - © 2013 Getty Images
Em Marcado pela Sarjeta (1956)

Depois de muito hesitar em se mudar para Los Angeles, por achar “que estaria próximo demais do bolo” e “sem ter onde estudar”, Newman estreou seu primeiro filme em Hollywood, O Cálice Sagrado (1954), o qual foi um fracasso de crítica. Desgostoso de sua performance, Newman até mesmo publicou um artigo no periódico Variety desculpando-se aos que assistiram o filme. Mas seu sucesso nos palcos lhe proporcionou uma segunda chance ao interpretar o boxeador Rocky Graziano em Marcado pela Sarjeta (1956), filme pelo qual James Dean estava sendo cogitado antes de morrer, e que rendeu à Newman vários elogios.

Paul Newman e Joanne Woodward
Com Joanne Woodward em 1958

Dois anos depois, durantes as filmagens de O Mercador de Almas (1958), Newman reencontrou Joanne Woodward, a qual ele conheceu cinco anos antes na Broadway. Com o pedido de divórcio de Witte, os dois decidiram assumir a atração que sentiam  um pelo outro e oficializaram casamento no mesmo ano em Las Vegas. Ao lado de Woodward, com a qual foi casado até a morte, Newman teve três filhas: MelissaNell Potts e Claire. Diferentemente de vários casais de Hollywood, os Newman decidiram ficar longe dos holofotes ao comprar uma casa e se estabelecer em Westport, Connecticut.

Paul Newman e Elizabeth Taylor
Com Elizabeth Taylor em Gata em Teto de Zinco Quente (1958)

Depois de estrelar como Billy The Kid em Um de nós Morrerá (1958), Newman recebeu sua primeira indicação ao prêmio de melhor ator pela Academia por Gata em Teto de Zinco Quente (1958), filme que adapta a peça homônima de Tennessee Williams, e no qual estrelou ao lado de Elizabeth Taylor, também indicada ao Oscar de melhor atriz. Com carreira solidificada no inicio dos anos de 1960, Paul Newman já era considerado astro renomado, e recebeu três outras nomeações ao prêmio de melhor ator pela Academia com os filmes Desafio à Corrupção (1961), O Indomado (1963) e Rebeldia Indomável (1967).

Paul Newman e Robert Redford
Com Robert Redford em Butch Cassidy and the Sundance Kid (1969)

Logo após estrear na direção com Rachel, Rachel (1968), filme vencedor dos Globos de Ouro de melhor diretor e de melhor atriz, no caso, sua esposa, Joanne Woodward, Newman iniciou aquela que seria outra grande parceria no cinema e na vida pessoal. Ao lado de Robert Redford, ele estrelou em Butch Cassidy e Sundance Kid (1969), clássico western dirigido por George Roy Hill vencedor de quatro Oscars. O filme foi um sucesso de bilheteria, assim como Golpe de Mestre (1973), onde o astro mais uma vez trabalhou ao lado de Redford e de Hill. No ano seguinte Newman apareceu em outro sucesso no cinema, Inferno na Torre (1974), filme também estrelado por Steve McQueen, William Holden, Faye Dunaway e Fred Astaire.

500 Milhas (1969), filme protagonizado e produzido por Paul Newman, fez com que o astro se tornasse entusiasta por corridas. Dois anos depois ele concordou apresentar um especial para a televisão, Once Upon a Wheel (1971), um documentário voltado à história dos carros de corrida. Dono de vários carros esportivos, ele chegou à participar de um evento como corredor profissional em 1972, na Thompson International Speedway, em Connecticut. Frequente competidor no Clube de carros esportivos da América, Newman venceu dois torneios nacionais, e sua última corrida foi aos 82 anos de idade na Watkins Glen International, em 2007. O trailer à seguir é do documentário Winning: The Racing Life of Paul Newman (2015), de Adam CarollaNate Adams, que mostra um pouco da paixão do astro pelas corridas de carros:

Com a morte de seu filho Scott em 1978, vítima de uma overdose, a vida pessoal de Newman tomou outro rumo. Ele fundou o Scott Newman Center, uma instituição de caridade visando a reabilitação de viciados em drogas, a qual infelizmente veio à encerrar suas atividades em 2013 por falta de ajuda financeira. No campo profissional, a tragédia refletiu de forma à torna-lo um ator mais intenso. Em 1982, ele recebeu uma quinta indicação ao Oscar de melhor ator por Ausência de Malícia (1981), filme dirigido por Sydney Pollack no qual interpreta um homem vitimizado pela mídia. No ano seguinte veio a sexta indicação ao mesmo prêmio com O Veredicto (1982), adaptação de Sidney Lumet para o romance homônimo de Barry Reed co-estrelado por Charlotte Rampling, Jack Warden e James Mason.

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Nesse meio tempo, ao lado do escritor A.E. Hotchner, Newman fundou sua própria linha de produtos alimentícios, a Newman’s Own. A marca começou em 1982 com temperos para salada, e eventualmente expandiu para limonadas, pipocas, molhos, biscoitos, snacks e vinhos. Newman estabeleceu uma política segundo a qual todos os lucros e royalties deveriam ser revertidos em doações para instituições de caridade. Em 2014, foi apurado que a franquia teria arrecadado desde sua fundação mais de 400 milhões de dólares em doações. Como filantropo, Newman também fez inúmeras doações à instituições de ensino e à organizações para crianças com doenças graves, além de ajudar as vítimas e os refugiados de Kosovo em 1999.

Estrada para a Perdição (2002)
Em Estrada para a Perdição (2002)

Um ano depois de receber o Oscar honorário pelo conjunto da obra, Newman foi pela primeira vez vencedor do prêmio de melhor ator pela Academia em A Cor do Dinheiro (1986), filme dirigido por Martin Scorsese no qual reprisa o personagem “Fast” Eddie Felson de Desafio à Corrupção (1961), agora como mentor do personagem de um ainda estreante Tom Cruise. Sua oitava indicação ao Oscar de melhor ator veio com o filme O Indomável: Assim é Minha Vida (1994), onde autou ao lado de Jessica Tandy, Bruce Willis e Melanie Griffith. Seu último trabalho como ator foi na adaptação de Sam Mendes para a graphic novel de Richard Piers Rayner, A Estrada para a Perdição (2002), filme estrelado por Tom Hanks, e que lhe rendeu a décima e última nomeação ao prêmio da Academia, desta vez na categoria de melhor ator coadjuvante.

Com uma extensa filmografia que inclui quase 60 títulos, Paul Newman foi um dos melhores e maiores atores de sua geração. Como Marlon Brando e James Dean, interpretou vários anti-heróis e rebeldes, mas sempre de forma muito mais bem humorada, introspectiva e autoconfiante. Homem de muitas paixões, além de fundar sua própria companhia de comida e fazer extensivas doações à caridade, foi também ativista pelas liberdades individuais e pelo controle do uso de armas de fogo. Reservado, teve um dos mais bem sucedidos e duradouros casamentos da história de Hollywood com Joanne Woodward, e morreu de câncer aos 83 anos de idade em 26 de setembro de 2008, cercado por parentes e amigos.

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