Ícone do dia: Audrey Hepburn

Nascida em Bruxelas em 4 de maio de 1929, Audrey Hepburn experimentou os horrores e as cruéis consequências da Segunda Guerra Mundial em Arnhem, Holanda, quando criança. Filha única do banqueiro britânico-irlandês Joseph Anthony Hepburn-Ruston e da baronesa holandesa descendente de reis ingleses e franceses, Ella van Heemstra Hepburn-Ruston, ela chegou perto de realizar o objetivo de se tornar bailarina em Londres ao final do conflito. Considerada alta demais por sua instrutora, Audrey transformou o sonho perdido em algo maior ao começar a carreira como modelo para ajudar a sustentar a família, o que lhe abriu oportunidades como atriz em pequenas pontas em produções européias, como o documentário Dutch in Seven Lessons (1948) e o telefilme Sauce Tartare (1949).

1
Com Gregory Peck em A Princesa e o Plebeu (1953)

Foi com A Princesa e o Plebeu (1953), seu primeiro filme nos Estados Unidos, que Audrey se tornou mundialmente conhecida. Seu papel lhe rendeu o primeiro Oscar® de melhor atriz. Para ela, o céu agora era o limite. 

Um ano depois, veio Sabrina (1954), filme de grande sucesso de público e de crítica pelo qual Audrey recebeu sua segunda indicação ao prêmio de melhor atriz pela Academia. Nos bastidores, ela se apaixonou por William Holden, com o qual iniciou um romance que não vingou, já que ele era casado e não pretendia se divorciar. Audrey então se casou no mesmo ano com o ator Mel Ferrer, o qual conheceu numa festa na casa de Gregory Peck. E se no campo amoroso sua vida parecia se estabilizar, a carreira continuava à deslanchar. Depois de Guerra e Paz (1956), vieram os bem sucedidos Cinderela em Paris (1957) e Amor na Tarde (1957), nos quais estrelou respectivamente ao lado de Fred Astaire e de Gary Cooper. Após atuar em A Flor que Não Morreu (1959), Audrey estrelou o drama Uma Cruz à Beira do Abismo (1959), pelo qual recebeu sua terceira indicação ao Oscar® de melhor atriz.

Nesse meio tempo, ela recusou a proposta de atuar em O Diário de Anne Frank (1959) por conta dos horrores da guerra que testemunhou na Europa dominada pelos nazistas. Em seus relatos, Audrey alega ter sofrido depressão e desnutrição, tendo até mesmo que se alimentar de bolbos de tulipas para sobreviver, além de ver vagões repletos de judeus que foram levados para os campos de concentração. Tal fato, no entanto, não a impediu de apenas aos dezesseis anos de idade ser enfermeira voluntária num hospital holandês em Arnhem.

2
Com George Peppard em Bonequinha de Luxo (1961) 

O ápice da carreira de Audrey aconteceu dois anos depois com o papel de Holly Golightly na adaptação de Blake Edwards para o romance de Truman Capote, Bonequinha de Luxo (1961). Pelo filme, ela recebeu sua quarta indicação ao prêmio de melhor atriz pela Academia. Segundo Henry Mancini, a canção “Moon River” tocada no filme, e cantada pela própria Audrey em uma das cenas, foi composta especialmente para ela. O compositor disse ainda que existem inúmeras versões da canção, mas que a versão de Audrey “é inquestionavelmente a melhor de todas”. Outra curiosidade, é que George Peppard, intérprete de seu par romântico no filme, era aluno do método Stanislavsky de atuação, um estilo com o qual Audrey não se identificava, culminando muitas dificuldades durante as gravações. Tal fato não impediu que o filme fosse um sucesso e que o dois se tornassem amigos até a morte da atriz. Logo depois, veio o filme de espionagem, Charada (1963), onde Audrey estrelou ao lado de Cary Grant. Na época, Audrey foi ainda cogitada para interpretar Cleópatra na multimilionária produção de Joseph L. Mankiewicz, mas o papel acabou indo para Elizabeth Taylor.

3
Em Minha Bela Dama (1964)

Aquele que viria à se tornar um dos papéis mais radiantes de sua carreira veio no ano seguinte com o musical Minha Bela Dama (1964), onde interpreta uma mendiga com forte sotaque que é transformada em uma dama com a ajuda de um professor de fonética. Contudo, o filme não recebeu a aclamação merecida. Dublada, fato que a fez ficar deprimida durante as filmagens, Audrey foi esnobada pela Academia. Como se não bastasse, houve duras críticas pelo fato dos produtores a terem escalado para o papel ao invés de Julie Andrews, a qual fez a personagem por vários anos na Broadway.

Mais tarde, depois de perder para Geraldine Chaplin o papel de Tony Gromeko em Doutor Zhivago (1965), e de estrelar em Como Roubar Um Milhão de Dólares (1966) e em Um Caminho par Dois (1967), Audrey recebeu sua quinta indicação ao Oscar® de melhor atriz com o clássico do suspense, Um Clarão nas Trevas (1967). No filme, ela faz uma mulher cega que tem seu apartamento invadido por três criminosos em busca de uma boneca recheada de heroína.

4
Na África, como embaixadora da UNICEF

Audrey se aposentou como atriz em 1967, divorciando-se de Mel Ferrer no ano seguinte devido às suas constantes crises de ciúme. Um ano depois, ela se casou com o psiquiatra italiano Andrea Dotti, que conheceu num cruzeiro pelas ilhas gregas, mas do qual veio à se divorciar doze anos depois. Após quase dez anos inteiramente dedicados à família, Audrey decidiu voltar à atuar em Robin e Marian (1976), onde trabalhou ao lado de Sean Connery. Três anos depois, ela fez A Herdeira (1979), filme no qual dividiu a cena com Ben Gazzara, James Mason, Romy Schneider e Omar Sharif.

Em 1987, Audrey se tornou embaixadora da boa vontade da UNICEF, ajudando crianças da América Latina e da África com incansáveis viagens e missões, posição essa que assumiu até 1993, quando morreu de câncer de apêndice.

5
Com Richard Dreyfuss em Além da Eternidade (1989)

Seu último filme foi Além da Eternidade (1989), dirigido por Steven Spielberg, e no qual interpreta um anjo responsável por recepcionar o recém-falecido personagem de Richard Dreyfuss, que precisa mentorar do além um novo piloto de avião enquanto o vê se apaixonar pela namorada que deixou para trás depois de morrer.

Mãe de dois filhos do primeiro e do segundo casamento, Sean Hepburn Ferrer e Luca Dotti, fluente em cinco idiomas, musa do aclamado estilista francês Hubert de Givenchy – responsável pelo famoso longo preto de Bonequinha de Luxo -, e com mais de 25 filmes em seu currículo, Audrey Hepburn alcançou a posição de atriz amada e respeitada e também de ícone de sofisticação e estilo. Como embaixadora da UNICEF, realizou o maior papel de sua carreira, deixando como legado um amplo trabalho como atriz e humanitária.

 

Anúncios

Deixe um Comentário

Anúncios
Anúncios