You Were Never Really Here: crítica de filme

You Were Never Really Here é um drama de mistério escrito e dirigido por Lynne Ramsay inspirado no livro homônimo de Jonathan Ames que conta a história de um traumatizado e suicida ex-veterano e ex-agente do FBI que trabalha como investigador na localização de crianças desaparecidas e que tem como última missão uma tarefa que o faz perder o controle na medida em que se descobre envolvido num emaranho de intrigas e conspirações políticas.

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O filme começa mostrando a vida de um bastante abalado Joe (Joaquin Phoenix). Ele é um ex-veterano de guerra e ex-agente do FBI que usa seu talento e sua força bruta na localização de crianças desaparecidas. Sem vida amorosa, ele tem no mundo apenas a mãe (Judith Roberts), com a qual tem uma convivência harmoniosa na casa onde sempre viveu em Nova York, à despeito de suas crises de ansiedade. Como se não bastasse, estranhos e indecifráveis flashbacks de sua infância e de seu passado no exército e no FBI dão conta de mostrar grandes traumas do passado que o assombram na medida em que o filme avança.

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As coisas mudam para Joe quando McCleary (John Doman), responsável por lhe arrumar trabalhos, informa de um novo caso. Trata-se da localização da filha de um senador de Nova York, Albert Votto (Alex Manette). Uma grande soma em dinheiro é oferecida para quem encontra-la e resgata-la. Joe aceita o serviço e vai direto ao bordel apontado por Votto como pista anônima. Ali, Joe mata violentamente vários seguranças e funcionários até finalmente encontrar uma bastante abalada Nina (Ekaterina Samsonov). Mas o que deveria ser um trabalho simples para Joe acaba se tornando um pesadelo quando, à espera de Votto no quarto do hotel combinado para o reencontro de pai e filha, dois policiais corruptos aparecem. Um deles leva Nina e o outro vigia Joe, que reage e o mata, sabendo que será executado logo em seguida.

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Quando descobre que o desaparecimento de Nina não foi um simples sequestro, mas uma conspiração política de grandes proporções, Joe se vê numa espiral de eventos que colocam em perigo não apenas sua vida e integridade física, como também à de seu intermediário e de sua própria mãe. Com fins de cessar a violência que o cerca, ele decide que a única coisa que precisa fazer é encontrar e salvar Nina, a qual mais uma vez está nas mãos de seus abusadores. Assim, Joe precisa definitivamente enfrentar seus fantasmas do passado na medida em que gradativamente perde o controle, e mergulhar num universo de corrupção, intrigas e violência extrema.

Considerado um dos melhores trabalhos da carreira de Joaquin Phoenix, o filme decisivamente não é para os fracos de estômago. Extremamente lento e arrastado em seus primeiros vinte minutos em que mostra a enfadonha rotina de Joe com sua mãe, ao passo em que vemos pequenos flashes de seus traumas, a narrativa ganha fôlego apenas à partir do intenso resgate de Nina, quando então segue uma vertente sombria, profunda e de uma violência gráfica sem limites, mesmo quando em certos momentos sequer vemos Joe usar seu martelo, único objeto usado por ele como arma. Como se não bastasse, em que pese a brutalidade e a ausência de medo de Joe em seus bem sucedidos confrontos físicos, o personagem é de um abatimento e esgotamento deprimente, o que faz a audiência concluir, tal como revelado ao final, que ele apenas encontra forças para viver fazendo o que faz: salvar inocentes.

You Were Never Really Here não tem data de estreia no Brasil.

 

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