O Mecanismo: resumo primeira temporada

O Mecanismo é um drama de crime político criado e desenvolvido para a Netflix por José Padilha e Elena Soarez que segue a mesma linha da bem sucedida série Narcos. Adaptação livre do livro Lava Jato. O Juiz Sergio Moro e os Bastidores da Operação que Abalou o Brasil de Vladimir Netto, a série trata da força tarefa policial que descobriu um esquema de corrupção generalizado e sistemático envolvendo o governo brasileiro e várias empreiteiras proeminentes. Embora a produção tenha como introdução à cada episódio o anúncio de que a história é inspirada em fatos reais, com personagens e eventos adaptados para fins dramáticos, é fácil identificar, à exceção de poucos elementos, os eventos e os verdadeiros envolvidos na investigação da polícia federal em Curitiba.

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O primeiro episódio da temporada composta por oito episódios se passa em 2003 e apresenta Marco Ruffo (Selton Mello), inspirado em Gerson Machado. Ele é o delegado da polícia federal em Curitiba responsável pela investigação de um esquema de corrupção envolvendo o Banco do Estado. O detalhe ardiloso é que ele tem uma rivalidade de longa data com o investigado, o doleiro Rodrigo Ibrahim (Enrique Diaz), inspirado em Alberto Youssef, o qual viria à se tornar elemento chave na Operação Lava Jato. Um acordo de delação premiada faz com que Ibrahim se livre da prisão à despeito de todas as evidências coletadas por Ruffo, o que deixa este, acometido por transtorno bipolar, furioso à ponto de destruir o gabinete do juiz, culminando em sua suspensão e subsequente exoneração. Esse segmento todo é basicamente o prólogo da série.

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Verena Cardoni (Caroline Abras), anteriormente mentorada por Ruffo, e inspirada na delegada Erika Marena, assume dez anos depois o comando da Operação Lava Jato ao descobrir um esquema de propina envolvendo Ibrahim e o diretor de uma estatal, João Pedro Rangel (Leonardo Medeiros), este, por sua vez, inspirado em Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás. À despeito dos confrontos com seu supervisor, que tenta frear a operação inúmeras vezes, Verena, que se torna tão obsessiva quanto Ruffo ao ponto de sacrificar sua vida pessoal e mesmo sua saúde, consegue avançar na investigação com a prisão de doze dos treze empreiteiros denunciados por Ibrahim como envolvidos no escândalo de corrupção, para depois também se ver numa tediosa espiral em que nada acaba se resolvendo à despeito dos esforços do Ministério Público Federal e da boa vontade do juiz Rigo (Otto Jr.), inspirado em Sérgio Fernando Moro, o qual acaba tomando gosto pela súbita fama com suas controversas decisões.

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O outro lado da história que envolve os bastidores da polícia na Operação Lava Jato apresenta não apenas Ibrahim ou os empreiteiros tranquilos com o desenrolar dos acontecimentos diante do envolvimento do alto escalão no mecanismo do qual fazem parte. Tem ainda os juízes da instância suprema, todos devedores de favores aos partidos dos presidentes que os indicaram para a Corte Suprema, bem como os próprios políticos inescrupulosos, independentemente do partido, e que fazem parte de um esquema enraizado na história do Brasil desde sempre, tal como evoca Rangel em seu discurso aos promotores federais em seu acordo de delação premiada. A série termina com a bem sucedida prisão de doze dos treze empreiteiros delatados por Ibrahim, e a aproximação de Ruffo da assistente pessoal do ainda intocado Ricardo Bretch (Emilio Orciollo Netto), inspirado em Marcelo Odebretch.

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Assim como Narcos, O Mecanismo se vale da fórmula da história contada através da narração de um personagem, no caso, ora Ruffo, ora Verena. Contudo, diferentemente da anterior bem sucedida produção de José Padilha, O Mecanismo tem um estilo menos clínico ao mostrar o lado humano e vil de cada um dos personagens, sem qualquer pretensão maniqueísta. É o que acontece quando vemos a insana obsessão de Ruffo por Ibrahim, a vaidade do juiz Rigo ou do promotor Claudio (Lee Taylor), e o drama quase comovente dos envolvidos no mecanismo, como o de Rangel e sua família. Mais do que isso, O Mecanismo é uma narrativa que se repete, numa clara e intencional tentativa de ilustrar o absurdo que é a realidade da corrupção desenfreada e sem fim nos grandes e pequenos setores do Brasil.

Nesse ciclo vicioso que é o mecanismo descrito por Ruffo, resta agora saber como a segunda temporada, caso oficialmente confirmada, trará à tona o desenrolar da próxima fase da Operação Lava Jato, seus bastidores, as polêmicas escutas telefônicas e o envolvimento dos últimos presidentes da República, eleitos pelo maior partido popular do país, o qual, tal como narrado por Ruffo ao inicio da série, prometia ser diferente, mas acabou sendo igual aos seus igualmente corruptos opositores ao optar também fazer parte da “máquina de moer gente”.

O Mecanismo está disponível via Netflix.

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