Corrida do Oscar 2018: Star Wars – O Último Jedi

Escrito e dirigido por Rian Johnson, Star Wars: O Último Jedi é o segundo filme da terceira parte da saga cinematográfica criada e desenvolvida por George Lucas. Oitavo filme da franquia, a produção traz o passado e o presente juntos, bem como personagens icônicos e o firmamento de uma nova geração de heróis e vilões numa narrativa controversa que divide opiniões, à começar pelo título.

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Em continuação aos eventos havidos em Star Wars: O Despertar da Força, a audiência segue com o avanço da nova ordem liderada pelo Lord sith Snoke (Andy Serkis) e seu aprendiz, Kylo Ren (Adam Driver), a qual deseja o domínio militar intergaláctico. Enquanto isso, a resistência se faz representada por Leia Organa (Carrie Fisher) e tem na misteriosa personagem Rey (Daisy Ridley) uma nova esperança. Nessa nova instalação de Star Wars, os fãs são surpreendidos com uma narrativa repleta de similaridades com a trilogia original em que agora um exilado Luke Skywalker (Mark Hamill) ressurge como o último jedi e único capaz de salvar a galáxia.

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Com a traumática saída de cena de Han Solo (Harrison Ford) ao final do filme anterior (assim como Obi-Wan em A New Hope), Luke ressurge como o único capaz de treinar Rey com fins de combater uma nova ameaça (assim como Yoda em relação à Luke em O Império Contra Ataca). Enquanto isso, Poe Dameron (Oscar Isaac), que assume o manto do personagem obstinado e desobediente (à la Han Solo), está no meio do fogo cruzado entre a primeira ordem liderada pelo General Hux (Domhnall Gleeson) e a resistência de Leia Organa. Nesse cenário, os fãs podem comemorar as cenas de batalha estelar, as quais são simplesmente deleitáveis, e que devido ao avanço dos efeitos especiais, acabam sendo muito superiores às dos filmes anteriores, muito embora ainda haja controvérsia  quando aos 10 segundos de silêncio absoluto no meio do filme.

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Enquanto isso, Rey está em Ahch-To, planeta distante no qual Luke se exilou depois de perder Kylo Ren para o lado negro da força (assim como Yoda depois de perder para o Império de Palpatine e Vader em A Vingança dos Sith). Ali, personagens como Chewbacca (Joonas Suotamo) e R2-D2 (Jimmy Vee) ganham cada vez menos importância nessa nova fase da cinessérie, enquanto Rey precisa convencer um desiludido Mestre Skywalker à treina-la nos caminhos da força. É a decepção dos fãs de Star Wars ao jamais conferirem o verdadeiro e último jedi Luke Skywalker do universo estendido, o qual aparece no filme como uma versão mais rabugenta do mestre Yoda em O Império Contra Ataca. (Talvez um filme solo de “Uma História Star Wars” voltada à saga de Luke pós-O Retorno de Jedi para compensar essa perda?)

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O mote envolvendo o conflito entre resistência e primeira ordem acontece quando esta localiza a nave mãe daquela através de seus sensores de velocidade máxima. Um ataque da primeira ordem deixa Leia inconsciente numa cena questionável e atípica para o universo da franquia, ao que a Vice-Almirante Holdo (Laura Dern) assume o controle. Nesse cenário, a nave da resistência não tem mais combustível suficiente para atingir uma nova velocidade máxima, e o fim é certo na medida em que será mais uma vez rastreada pela nova ordem caso a utilize. Poe e Finn (John Boyega), recém-acordado de seu estado de coma, precisam então correr contra o tempo com uma alternativa para reverter o quadro. Para isso, eles precisam achar a única pessoa capaz de reverter o rastreador da primeira ordem, um renomado decodificador que se encontra no sistema Canto Bight.

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Luke eventualmente decide ajudar Rey depois que R2-D2 lhe projeta um antigo holograma de Leia pedindo ajuda à Obi-Wan Kenobi (Sir Alec Guinness). Mas a tarefa é árdua, e ao mesmo tempo em que Rey evolui em seu caminho com a força, ela passa à descobrir uma estranha e forte conexão com Kylo Ren, o qual gradativamente tenta seduzi-la para o lado negro da força (assim como Vader o fez em relação à Luke em O Império Contra Ataca). E do mesmo modo que a descoberta de que Vader era o pai de Luke foi a grande bomba lançada no segundo filme da primeira trilogia, a surpresa aqui fica por conta do fato de que Luke fez Kylo Ren enveredar para o lado negro da força. E assim como Luke enfrentou seus maiores temores ao adentrar nos pântanos no sistema Dagobah e precisou interromper seu treinamento com o mestre Yoda (Frank Oz) para salvar seus amigos, Rey passa pelo mesmo processo em Ahch-To ao cair num poço e se ver obrigada à abandonar Luke para ajudar a resistência convencendo Kylo Ren à se juntar à ela, acreditando ter ele ainda um lado bom (assim como Luke em relação àa Vader em O Retorno de Jedi).

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Star Wars: O Último Jedi não tem grandes reviravoltas, e é previsível do inicio ao fim, exceto por encerrar com a amarga, inútil e decepcionante baixa de outro grande personagem da história original numa cena tão controversa quanto quase todo o resto ao valer-se ainda de um poder jedi inédito. O filme também deixa à desejar no que diz respeito à narrativa, mais do que nunca repleta de personagens inconsistentes, novos heróis forçadamente impostos à uma audiência que jamais pôde conferir Leia emergir como líder da resistência ou Luke tornar-se o destemido e poderoso mestre jedi que saiu de cena em O Retorno de Jedi, repetindo, ao invés disso, escancarada e descaradamente a história contada na primeira trilogia. Como se não bastasse, a produção também segue com as lacunas deixadas no filme anterior, fazendo a audiência ficar sem qualquer explicação quanto à real origem de Rey ou o motivo de Finn ser tão importante na trama e de Kylo Ren ser tão obcecado por Vader quando jamais o conheceu.

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À despeito de ser um filme que divide a opinião dos fãs de Star Wars, a produção tem momentos dignos da franquia, como as já citadas sequências de batalha estelar entre a resistência e a primeira ordem, bem como a volta de Luke como mestre jedi, ainda que controvertidamente desesperançoso com a força e o rumo que seus detentores decidem tomar depois de experimenta-la. Outra das poucas boas coisas na produção, é o fato de que o mimado e ignóbil Kylo Ren mostrado em O Despertar da Força evolui como vilão, tornando-se a melhor surpresa da nova saga, podendo talvez até mesmo vir à se tornar um personagem tão complexo e problemático quanto Anakin/Vader, embora jamais efetivamente chegue à sua altura.

Star Wars: O Último Jedi concorre ao Oscar 2018 em quatro categorias, incluindo a de melhor efeitos especiais, melhor edição de som, melhor mixagem de som e melhor trilha sonora original para John Williams.

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