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Black Mirror: resumo quarta temporada

A quarta temporada de Black Mirror, criada e desenvolvida para a televisão em formato de antologia por Charlie Brooker, que mais uma vez escreve todos os episódios, é ainda mais sombria. Comissionada pela Netflix desde setembro de 2015, a produção segue com o gênero ficção especulativa, mas em tons extremamente funestos. Voltada ao exame da sociedade moderna, a produção continua à abordar as nefastas consequências das novas tecnologias na vida das pessoas em diferentes realidades.

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O episódio de estreia começa justamente como vários outros das temporadas precedentes ao mostrar um personagem subjugado pelos colegas e pela sociedade até finalmente mostrar sua verdadeira face. Robert Darly (Jesse Plemons) é um programador que nas horas vagas mergulha no mundo virtual da USS Callister com o auxilio de um chip. E o que parece uma inofensiva imersão no universo de um sistema ficcional é revelado como sendo sua vingança pessoal contra todos aqueles que o maltratam no mundo real. Prisioneiros na nave estelar que em muito se assemelha à USS Enterprise de Jornada nas Estrelas, clones de seus colegas de trabalho são obrigados à fazerem parte de uma aventura serial na qual Darly é um herói cruel e destemido. Tudo muda, no entanto, quando Darly também torna prisioneira a copia da novata na empresa onde trabalha, Nanette Cole (Cristin Milioti), pouco depois de ser rejeitado pela mesma. O que se segue é uma tentativa desesperada de Nanette de convencer os tripulantes da USS Callister à se rebelarem contra Darly e tentarem fugir de sua eterna prisão.

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Dirigido por Jodie Foster, o episódio conta a história de Marie (Rosemarie DeWitt), uma mãe solteira que desde o nascimento da filha sempre temeu de forma desesperada por seu bem estar. Aos três anos, quando Sara (Aniya Hodge) desaparece brincando no parque, culminando uma busca frenética por toda a vizinhança, Marie decide contratar os serviços ainda em fase de teste da Arcanjo, um sistema que permite o monitoramento da filha via câmera, rastreador e bloqueador de imagens indesejadas através de um implante instalado em seu cérebro. Quando Sara cresce desconhecendo os perigos do mundo real por conta da opção de bloqueio, acarretando problemas psicológicos sérios, Marie é aconselhada por psiquiatras à abandonar Arcanjo. Contudo, aos quinze anos de idade, Sara (Brenna Harding) desbrava novos perigos com o problemático adolescente Trick (Owen Teague), fazendo com que Marie volte à monitorar a filha de forma obsessiva, o que trará consequências irreversíveis para as duas.

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Anos depois de ser cumplice num atropelamento com fuga cometido por seu então namorado, Rob (Andrew Gower), Mia Nolan (Andrea Riseborough) é uma bem sucedida mulher de negócios, mãe e esposa na Islândia. As coisas mudam para ela quando Rob revela pretender contatar a esposa do atropelado, porquanto seu corpo jamais foi encontrado e ela ainda espera sua volta. Desesperada, Mia o agride e o mata acidentalmente, obrigando-a à se livrar do corpo. Quando um acidente de carro acontece bem em frente ao hotel onde Mia matou Rob e várias testemunhas são entrevistadas por Shazia Akhand (Kiran Sonia Sawar), uma investigadora da companhia de seguros que se vale de um sistema que monitora as últimas imagens vistas pelas mesmas, Mia aparece como a principal testemunha. Obrigada por lei à participar da entrevista, Mia precisa descobrir como burlar o sistema e fazer de tudo para impedir a descoberta do segredo que deve destruir sua vida para sempre.

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Seguindo a mesma fórmula do episódio premiado San Junipero, o quarto capítulo da temporada traz os personagens Frank (Joe Cole) e Amy (Georgina Campbell), um casal que é selecionado para um encontro através de um programa obrigatório de namoros que tem data e horário pré-estipulado para expiração. Quando descobrem perfeita sintonia um com o outro e são submetidos à vários outros encontros frustrantes que acabam em fracasso depois de serem obrigados à terminar, os dois começam à questionar a lógica da escolha dos pares e da estipulação do tempo pelo sistema e se rebelam contra ele, o que pode lhes trazer terríveis consequências.

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Também seguindo a linha de outro episódio da segunda temporada, White Bear, o quinto capítulo traz um mundo pós-apocalíptico onde uma expedição formada por três pessoas precisa chegar à um depósito para conseguir uma caixa. O problema é que o depósito está vigiado por “cães”, robôs terrestres de caça altamente sofisticados, inteligentes e quase indestrutíveis. Quando perde seus dois companheiros de empreitada na perseguição, Bella (Maxine Peake) precisa agora encontrar uma forma de sobreviver à caçada implacável e retornar para seu grupo. Propositadamente sem cores, o episódio é um dos mais violentos e tensos da temporada.

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O último episódio da temporada tem Nish (Letitia Wright), uma jovem viajante que decide entrar num museu enquanto seu carro é abastecido no meio do deserto. Ali, ela conhece o proprietário, Rolo Haynes (Douglas Hodge), o qual lhe conta histórias sobre alguns de seus artefatos, todos relacionados com alta tecnologia e com resultados desastrosos. Num primeiro momento, ele lhe relata como o neuro-receptor de estímulos que faz parte de seu acervo destruiu a vida de Dawson (Douglas Hodge), um jovem médico que queria apenas salvar vidas. Depois, ele conta a história de Jack (Aldis Hodge) e Carrie (Alexandra Roach), e como esta teve sua consciência transferida para um brinquedo de criança, o qual também se encontra em sua coleção. Por fim, Rolo conta à Nish a história de Clayton (Babs Olusanmokun), o qual, acusado de assassinato, foi transformado em holograma e passou à ter sua execução eternizada como atração principal em seu museu.

Audaciosa e chocante, Black Mirror é sem duvida uma das poucas séries de televisão que capta com perfeição a crítica à realidade atual e o prenúncio do apocalipse social com a tecnologia de ponta como elemento principal. Corajosa e provocativa, a produção não é para os fracos justamente por seu tom sombrio e depressivo. Portanto, não assista a série pensando encontrar um final feliz, porque, ainda que você ache que o encontrou em episódios como San Junipero ou Hang The DJ, pode ter a certeza de que você se enganou.

A quarta temporada de Black Mirror se encontra disponível on streaming via Netflix.

 

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