Review Séries The Crown

The Crown: resumo segunda temporada

A segunda temporada de The Crown, criada e desenvolvida por Peter Morgan para a Netflix, continua a ambiciosa biografia da rainha Elizabeth II, e adapta agora o período do seu reinado entre os anos de 1956 e 1963, movido por muito mais crises e escândalos políticos e pessoais.

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O episódio de estreia começa justamente com o tema que deve assombrar a monarca, mais uma vez brilhantemente interpretada por Claire Foy, ao longo de toda a temporada: as supostas infidelidades de Philip (Matt Smith). Os primeiros minutos do episódio são justamente o primeiro confronto de ambos quanto ao distanciamento provocado pela viagem de Philip ao longo de cinco meses pelos países da Commonwealth. No campo político, o recém-nomeado Primeiro Ministro, Anthony Eden (Jeremy Northam), não poderia estar em pior situação com a crise do Canal de Suez, retomado à força pelos egípcios.

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As coisas ficam mais complicadas para a monarquia quando Eileen (Chloe Pirrie), esposa de Mike Parker (Daniel Ings), assistente pessoal de Philip, e que também faz parte de sua viagem, decide se divorciar alegando abandono do lar, bem como adultério. Michael Adeane (Will Keen) e Tommy Lascelles (Pip Torrens), novo e antigo assessores da coroa, unem forças para tentar impedir um escândalo, mas quando uma carta enviada por Mike ao clube do qual ele e Philip fazem parte é usada por Eileen em seu processo de divórcio vem à tona, a relação entre o casal real já não é mais a mesma.

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Em sua estada na Austrália para abertura dos jogos olímpicos de 1956, Philip concorda em conceder uma entrevista à uma charmosa repórter local, mas é confrontado com um passado ainda não explorado na série. Filho de um pai autoritário e de uma mãe bastante doente que acaba internada num manicômio, um ainda jovem Philip tem como seu parente mais afim uma das irmãs mais velhas, a Princesa Cecilie da Grécia e da Dinamarca (Leonie Benesch), a qual, juntamente com o marido, faz parte do Partido Nazista. Sua morte traumatizou para sempre Philip. No presente, sua volta para casa é marcada por um acordo com Elizabeth para que a relação dos dois seja bem vista aos olhos do público. Para isso, ele propõe receber um novo título, o de príncipe.

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Enquanto isso, a princesa Margaret (Vanessa Kirby) segue cada vez mais deprimida com a ideia de que jamais irá se casar, enquanto espera noticias de Peter Townsend (Ben Miles), na Bélgica. Uma proposta de casamento de um amigo, seguido de um pedido de Elizabeth para adiar o anúncio até o nascimento de seu terceiro filho, bem como o inusitado encontro com um intrigante fotógrafo, Anthony Armstrong-Jones (Matthew Goode), aliado à uma carta de Townsend informando seu pretenso noivado com uma jovem belga, faz com que Margaret acabe finalmente se casando com Jones. Embora investigado pelos assessores de Elizabeth, os quais descobrem vários casos amorosos da parte de Jones, a rainha decide não estragar novamente os planos de felicidade da irmã.

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Num dos melhores episódios da temporada, “Marionettes”, Elizabeth é atacada pessoalmente por um jornalista, John Grigg, ex-Lord Altrincham (John Heffernan), depois de fazer um discurso numa fábrica da Jaguar. Rechaçado publicamente por seu suposto crime de traição à coroa, Altrincham é convidado à participar de uma entrevista na TV onde é confrontado sob seu ponto de vista, qual seja, o de que a monarquia precisa se modernizar aos novos tempos. Esbofeteado por um membro da League of Empire Loyalists, Altrincham acaba eventualmente se encontrando com Elizabeth, e lhe apresenta uma lista com sugestões para melhorar sua imagem. Ela aceita inicialmente duas delas, e ao final do episódio é revelado que todas elas foram adotadas pela realeza ao longo dos anos.

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No sexto episódio da temporada, intitulado “Vergangenheit”, John Lithgow e Jared Harris retornam respectivamente como Winston Churchill e George VI numa cena em flashback que revela documentos secretos descobertos por soldados americanos através de um prisioneiro na Segunda Guerra Mundial e que podem comprometer o Duque de Windsor (Alex Jennings). Tais documentos são novamente trazidos à tona dez anos depois, e colocam Elizabeth em uma difícil posição no que diz respeito aos seus deveres como rainha.

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Em outro grande episódio da temporada, “Dear Mrs Kennedy”, o palácio de Buckingham recebe a visita dos Kennedy. Inicialmente intimidada por uma jovem e espirituosa Jackie Kennedy (Jodi Balfour), Elizabeth eventualmente a vê como uma mulher exatamente como ela mesma, colocada sob os holofotes diante das circunstâncias. E como a opinião dessa estrangeira elegante e culta não pode passar despercebida, sua crítica negativa acerca da visita inspira Elizabeth à resolver pessoalmente um conflito em Ghana, à despeito dos conselhos de seus assessores. Claro que o episódio também traz o assassinato de John Kennedy (Michael C. Hall), e mostra como à despeito do pequeno atrito entre essas duas poderosas mulheres, Elizabeth pôde de colocar em seu lugar e tomar suas dores.

The Crown - Philip - Prince Philip in Scotland

O penúltimo episódio da temporada, “Paterfamilias” é outro momento deleitável da temporada, e traz mais uma vez o confronto entre Elizabeth e Philip, desta vez no que diz respeito à educação de Charles (Billy Jenkins). Apontado como extremamente tímido e sensível pelos educadores, Charles inicia sua preparação para ingresso no conceituado Eton College por sugestão de um orientador. Com a chegada de Philip de uma viagem, os planos mudam completamente quando sua decisão é a de que o filho deve ir para Gordonstoun, na Escócia, onde ele mesmo estudou. Novos flashbacks do traumático passado do Duque de Edimburgo são trazidos à tona, bem como o nascedouro do que pode ser uma difícil relação deste com Charles.

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Se a temporada teve inicio com o que seria um abismo entre Elizabeth e Philip ao longo de toda a temporada, o episódio final encerra o conflito do casal da forma mais inevitável. No auge de mais crise política que pode se tornar outro grande escândalo real quando uma foto comprometedora de uma festa patrocinada pelo osteopata de Philip envolvendo prostitutas e espiões russos vem à tona, aliada ainda à renuncia ao cargo do Primeiro Ministro, Harold MacMillan (Anton Lesser), Elizabeth, grávida de seu quarto filho, isola-se no interior, enquanto o marido faz viagens além mar que a fazem suspeitar cada vez mais de sua infidelidade. O clímax do episódio acontece quando os dois finalmente se conciliam e ele renova os votos feitos ao Rei George VI (Jared Harris) de fazer dela sua mais importante tarefa.

Mais uma vez, The Crown não decepciona. A série segue ainda mais elegante e bem produzida em sua segunda temporada, e o elenco continua estupendo, com destaques, obviamente, para Claire Foy e Matt Smith, que reprisam pela última vez seus papéis, já que os atores devem mudar ao menos duas vezes antes do final da produção, que deve acontecer daqui à quatro anos. Vanessa Kirby segue também imbatível com sua Margaret, enquanto Matthew Goode confere mais harmonia. E se a série fascina com a adaptação de eventos dos quais a maioria dos telespectadores sequer havia nascido, o que podemos então esperar quando a produção trouxer à tona acontecimentos mais recentes, como o conturbado divórcio de Diana e Charles, o casamento deste com Camila Parker Bowles e mesmo o acidente que matou Diana?

As duas primeiras temporadas de The Crown se encontravam disponíveis on streaming via Netflix.

 

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