It (A Coisa) : crítica de filme

Dirigido por Andy Muschietti, e com roteiro de Chase Palmer, Cary Fukunaga e Gary Dauberman, It, traduzido para “A Coisa”, é a segunda adaptação do livro de horror homônimo de Stephen King. Criticada desde o inicio das filmagens como uma versão desnecessária diante do sucesso da produção anterior datada de 1990 e traduzida para It: Uma Obra Prima do Medo, com direção de Tommy Lee Wallace e exibição em formato de minissérie para a televisão, a releitura cinematográfica da obra de Stephen King é uma ótima surpresa em tempos de refilmagens.

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A história do filme, primeiro de uma cinessérie com dois volumes, acontece no final dos anos oitenta na fictícia cidadezinha de Derry, no estado do Maine. Ali, sete crianças unem forças para combater uma criatura transmorfa e centenária que se alimenta do medo. Chamada apenas como “it” (a coisa), a criatura surge inicialmente na forma de Pennywise, o Palhaço Dançarino (Bill Skarsgård), e é responsável pelo desaparecimento de Georgie (Jackson Robert Scott), irmão mais novo de Bill (Jaeden Lieberher), um dos membros do “clube dos perdedores”, como o grupo protagonista de crianças é conhecido.

No final do ano letivo, e meses depois do desaparecimento de Georgie, Bill ainda está intrigado com o sumiço do irmão, principalmente em virtude do sucessivo e misterioso desaparecimento de diversas outras crianças na cidade. Ele tenta recrutar o grupo para investigar, mas Richie (Finn Wolfhard) só quer saber de aproveitar o verão, enquanto Eddie (Jack Dylan Grazer) é hipocondríaco demais e Stan (Wyatt Oleff) é covarde ao extremo para se envolverem no que quer que seja.

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Com a adição ao grupo de dois novos membros, a proscrita Beverly (Sophie Lillis), que, na verdade, sofre abusos da parte do pai e é alvo de fofocas por toda a escola, e o tímido e solitário Ben (Jeremy Ray Taylor), que é mais uma vitima dos garotos maiores liderados pelo psicopata Henry (Nicholas Hamilton), “os perdedores” começam a ter cada vez mais consciência do terrível mal que devem combater se quiserem salvar suas vidas e impedir o desaparecimento de outras crianças na cidade. A chegada de Mike (Chosen Jacobs), sétima e última integração ao clube, faz com que as crianças finalmente desvendem o mistério acerca dos primórdios dos ataques de “it” em Derry e da sua localização, culminando em dois grandes confrontos, sendo o último deles o momento clímax do filme, bem como o desfecho da primeira parte da cinessérie.

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Excelentemente produzido, o filme é uma das melhores surpresas do verão americano. Sem deixar nada à desejar em relação ao seu predecessor, “It” é assustador, violento e brutal. Anteriormente interpretado pelo fenomenal Tim Curry, o icônico palhaço Pennywise encontra em Bill Skarsgård sua roupagem mais aterrorizante e imprevisível. Sinistra e extremamente intimidante, a nova versão de “it” deixa de lado o aspecto fanfarrão apresentado na adaptação anterior, e confere muito mais terror e sustos aos protagonistas e à plateia.

Mesmo que Pennywise seja o grande atrativo do filme a cada momento em que entra em cena, as crianças protagonistas não ficam nem um pouco atrás, agora com uma exploração muito maior de suas personalidades e de suas vidas pessoais em contrapartida à versão anterior, o que acaba sendo relevante quando da utilização de seus medos pela criatura. Os destaques ficam obviamente por conta de Eddie e de Stan quando confrontados por seus maiores temores, o primeiro, de doenças e infecções, enquanto o segundo de uma horrível pintura na sala de liturgia de seu pai rabino. E claro que as visões do palhaço Pennywise por todas as demais crianças do grupo também rendem boas doses de terror.

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No aspecto performance, quem definitivamente rouba a cena, além de Skarsgård como Pennywise, são Jack Dylan Grazer, como Eddie, e Finn Wolfhard, como o tagarela Richie. Os dois rendem bons momentos de leveza e de humor em meio ao terror proporcionado pelo filme, enquanto Sophie Lillis surpreende com sua versão madura e unificadora de Beverly e Jackson Robert Scott é a doçura em forma de criança toda vez que aparece com sua capa de chuva amarela para assombrar o irmão como o desaparecido Georgie nas visões de “it”.

Com uma continuação em andamento, a qual deve estrear apenas no verão de 2019, e na qual Skarsgård deve reprisar seu papel como Pennywise, podemos apenas ter a certeza de que o final desse primeiro filme não marca o fim definitivo da criatura, e que o medo deve voltar com muito mais força. Até lá, o palhaço dançarino pode também ser conferido na vindoura série de TV, Castle Rock, que deve explorar vários personagens do universo de Stephen King, com previsão de estreia para 2018 via Hulu.

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