Orange is the New Black : resumo quinta temporada

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Depois de uma quarta temporada sombria finalizada com um gancho tenso e inesperado que quebrou a monotonia das duas temporadas anteriores, Orange is the New Black retorna para um quinto ano de forma inovadora e consegue provar ser capaz de se reinventar como série.

Produzida pela Netflix e inspirada no romance autobiográfico de Piper Kerman, Orange Is The New Black: My Year in a Women’s Prison, a série já deixou há tempos de seguir à risca o roteiro de sua versão original, onde a personagem autobiográfica cumpre a pena inicialmente imposta e se casa com o noivo que deixou do lado de fora do complexo penitenciário. Com uma trama independente à partir do segundo ano, a série queridinha da rede streaming enfrentou diversos percalços justamente por não ousar demais. A falta de empatia por aquela que deveria ser a protagonista da história e as situações repetitivas e repletas de clichês fizeram com que a audiência perdesse o interesse durante a segunda e a terceira temporada.

Agora, em seu quinto ato, Orange is the New Black dá continuidade à lúgubre temporada anterior e mostra não ter medo de mudanças ao apresentar um arco inteiro de treze episódios que se passa nos três dias da rebelião iniciada no último episódio da quarta temporada. Nesse cenário inovador, a produção segue entretanto fiel ao gênero que a consagrou: o humor negro.

Fazendo um retrospecto, o grande motivo para a rebelião se passa nos exatos dois últimos episódios do quarto ano. Após o que deveria ser o protesto pacífico para a demissão do autoritário Piscatella (Brad William Henke) e seu bando de agentes penitenciários inescrupulosos termina desastrosamente mal com a morte de Poussey (Samira Wiley). Pressionado pelo centro de serviço correcional, Caputo (Nick Sandow), que pretendia noticiar o fatídico evento, toma uma posição diferente frente à imprensa ao esconder a falha dos mal treinados agentes penitenciários na morte de Poussey, fazendo com que Taystee (Danielle Brooks) dê a voz inicial para a revolta.

E se de um lado a impunidade pela morte de Poussey é motivo de motim, de outro o problema ganha proporções desastrosas quando Dayanara (Dascha Polanco) acidentalmente tem em suas mãos uma arma inadvertidamente trazida para dentro do complexo penitenciário por um dos agentes. E é com a arma apontada justamente para esse mesmo agente no centro de uma roda composta por várias outras detentas gritando para que ela atire nele que o quarto ato termina. O primeiro episódio da temporada começa justamente à partir desse gancho. Nos instantes iniciais do quinto ano, descobrimos que Dayanara dispara, mas contra o teto. Num momento de agitação, ela acaba intencionalmente também atirando no agente penitenciário propriamente dito, acertando-o na perna. É o começo da revolta que deve durar três dias.

E é em meio à essa esfera de caos e desordem que impera no complexo de segurança mínima de Litchfield que a temporada gira. As detentas tomam conta agora do lugar, aprisionam os agentes correcionais submetendo-os aos mesmos maus tratos que sofriam e mostram um lado jamais antes visto. É uma verdadeira “Revolução dos Bichos”. Agora, elas tem plena liberdade dentro do universo prisional para fazerem o que quiserem, e se nos quatro primeiros anos da série vimos um pouco da cada personagem dentro e fora da penitenciária em cenas de flashback, e pudemos separar o lado humano do lado detenta, agora passamos a conhecê-las por inteiro.

Nessa quinta instalação, Piper (Taylor Schilling) continua com sua complicada relação com Alex (Laura Prepon). Desta vez, no entanto, a audiência é poupada das idas e vindas amorosas e dos dramas dessa dupla protagonista da narrativa mais enfadonha ao longo da segunda e terceira temporadas. E enquanto Alex quer distância de tudo que seja relacionado ao motim afim de não sofrer as consequências com um provável aumento da pena – traumatizada ainda com a subtrama de Lolly (Lori Petty) no arco anterior –, Piper continua com sua sede pelo perigo ao participar ativamente de tudo o que seja relacionado à impunidade no assassinato de Poussey e mesmo nas negociações das detentas com as autoridades. Alguns dos seus melhores momentos são justamente quando ela faz uma dobradinha com Taystee, ajudadas ainda por Cindy (Adrienne C. Moore) e Janae (Vicky Jeudy), que dividem o tempo também tentando cuidar de Suzanne (Uzo Aduba), que segue descontrolada com a morte de Poussey e com a súbita quebra da rotina prisional que a faz enlouquecer.

Paralelamente, Red (Kate Mulgrew), que passou por situações extremas na quarta temporada, aproveita a rebelião para tentar descobrir os “podres” de Piscatella. Embora ela não esteja mais cercada o tempo todo por suas fiéis aliadas, Norma (Annie Golden) e Gina (Abigail Savage), as quais ficam um pouco de lado durante a temporada, Red se vale de uma ajuda inesperada da parte de Flores (Laura Gomez), que também comeu o pão que o diabo amassou nas mãos de Piscatella ao final da quarta temporada. E é de Red um dos melhores momentos em flashback da temporada que acontece no nono episódio, intitulado The Tightening, no qual a vemos jovem e sob o regime soviético na Ucrânia pouco antes de zarpar para a América.

Nicky (Natasha Lyonne), recém-retornada de sua temporada no sistema de segurança máxima, parece ter superado seu problema com drogas, mas ainda enfrenta problemas com Lorna (Yael Stone), a qual eventualmente descobre estar grávida de Vince (John Magaro). E é das duas a subtrama mais cansativa da temporada.

Gloria (Selenis Leyva) segue como a veterana no grupo das latinas, e agora que Aleida (Elizabeth Rodriguez) saiu de cena, precisa cumprir a promessa feita à amiga de ficar de olho em Dayanara, tarefa nada fácil considerando ser ela a autora dos disparos que intensificaram a revolta. Flaca (Jackie Cruz) e Maritza (Diane Guerrero) seguem como o núcleo cômico ao se tornarem pseudo-celebridades de uma série de vídeos que elas fazem dentro da penitenciária e que publicam na Internet durante a rebelião. Mas não é apenas delas o momento de leveza da temporada. Frieda (Dale Soules) também mostra um lado inédito, principalmente quando de seu divertido flashback no segundo episódio, intitulado F*uck, Marry, Frieda.

Pennsatucky (Taryn Manning), por sua vez, segue seu caminho de redenção tendo agora apenas como amiga Big Boo (Lea DeLaria), enquanto suas companheiras inesperáveis na primeira temporada, Leanne (Emma Myles) e Angie (Julie Lake), tornam-se agora suas grande inimigas, com direito a várias formas de retaliação e de humilhação.

A quinta temporada de Orange is the New Black também faz questão de nos lembrar de rostos antigos que passaram pelos quatro anos anteriores, como Pornstache (Pablo Schreiber), que faz uma ponta ao lado de sua mãe (Mary Steenburgen) no oitavo episódio, Tied to the Tracks, e Aleida, que enfrenta as agruras da nova vida do lado de fora da penitenciária. Larry (Jason Biggs) e Poussey também dão as caras, porém, em cenas em flashback, enquanto a audiência continua sem noticias de Healy (Michael Harney). Sophie (Laverne Cox), que permaneceu boa parte da temporada anterior na solitária, desta vez também sai de cena mais cedo ao se entregar às autoridades logo no terceiro episódio, antes que a rebelião tome grandes proporções, e embora sua melhor amiga, ex-freira hipoglicêmica, Jane (Beth Fowler), não apareça, a audiência descobre ao menos o seu destino. Figueroa (Alysia Reiner) é outra que volta à dar as caras como a difícil intermediária nas negociações com as detentas.

Por fim, enquanto a quarta temporada trata da “desconstrução” dos personagens em Orange is the New Blark, seja por conta de antigos traumas e mesmo morte de alguém próximo, a quinta temporada pode ser definitivamente considerada como o grito de revolta das detentas, não apenas por suas condições prisionais, mas para que todos as vejam como os seres humanos que são. Ainda, se ao longo dos quatro primeiros anos vimos sequências em flashback que mostraram a decadência de cada personagem até se tornar detenta em Litchfield, a quinta temporada mostra exatamente o momento em que essas mesmas mulheres perderam a inocência.

Como na temporada anterior, as coisas igualmente não acabam bem quando a penitenciária é invadida pela S.W.A.T. e o uso de força extrema é autorizado na captura do subgrupo de detentas composto por Red, Piper, Alex, Taystee, Cindy, Suzanne, Flores, Gloria, Frieda e Nick, e o quinto ano finaliza com outro grande gancho cujo desfecho fica lamentavelmente para o próximo ato.

Superior ao segundo e ao terceiro arco da série, a quinta temporada se equipara à quarta, e chega ainda a ser mais deleitável que esta pelo simples fato de seus treze episódios se passarem nos três dias de motim. Mais intensa, e com um pouco mais de leveza, fazendo a audiência se lembrar o tempo todo que se trata de uma série de humor negro que não deve ser levada a sério, sem deixar contudo de lado o olhar feminino dentro de um sistema prisional falível, Orange is the New Black não apenas prova ser capaz de efetivamente recuperar o mojo de seu primeiro ano, como também de inovar, assegurando seu lugar de destaque no rol das melhores séries de televisão do momento.

As cinco temporadas de Orange is the New Black estão disponíveis via Netflix.

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