Black Mirror : review primeira, segunda e terceira temporadas

mv5bzjzmmmi3mwmtnjg5zs00zdblltg4mjqtnzczzde5mwfmnme1xkeyxkfqcgdeqxvynje0ote2mdy-_v1_

Black Mirror é uma produção originalmente britânica criada e desenvolvida para a televisão por Charlie Brooker. Em formato de antologia, na qual cada episódio é fechado, ou seja, com narrativa, personagens, elenco e cenários distintos, Black Mirror tem por gênero a ficção especulativa, mas em tons extremamente sombrios. Voltada ao exame da sociedade moderna, a produção aborda, em especial, as consequências das novas tecnologias na vida das pessoas em diferentes realidades.

Transmitida pelo British Channel 4, a série estreou em 4 de dezembro de 2011, com o polêmico episódio, The National Anthem, no qual o Primeiro Ministro britânico se vê em meio a um chocante dilema que pode colocar em risco a vida da única herdeira da família real, vitima de sequestro. O primeiro ano da série, com apenas três episódios, segue com Fifteen Million Merits, em que um personagem, escravo de sua própria existência num futuro alternativo, ajuda uma talentosa colega a participar de um programa de talentos responsável pelo lançamento de uma famosa cantora. No entanto, a nova temporada desse programa tem objetivos muito mais lúgubres, e mesmo depois de uma apresentação soberba a personagem precisa escolher entre se denegrir ou voltar à sua condição escrava.

The Entire History Of You encerra o primeiro arco com uma trama que envolve um dispositivo denominado “grain” que é implantado na parte de trás da orelha de todas as pessoas, e que pode ser controlada pela própria mente ou por um minúsculo controle remoto, que permite ao seu usuário rever imagens vividas, pausa-las, amplia-las, enfim, valer-se de todos os recursos de uma gravação em vídeo. Nesse cenário, um jovem e desempregado advogado começa a suspeitar de sua esposa e fica obcecado em rever imagens que acredita serem capazes de comprovar sua infidelidade.

O segundo ano da série, lançado dois anos depois, segue igualmente na mesma linha. Com três episódios, Be Right Back (no qual uma viúva se vale de um software que lhe permite “conversar” com o falecido marido), White Bear (em que uma mulher acorda desmemoriada e se vê caçada por estranhos mascarados enquanto diversas outras pessoas filmam e fotografam sua desgraça) e The Waldo Moment (em que um fracassado comediante e dublador de um personagem animado se vê – à la Trump – envolvido em política através de um canal de televisão), a série encerra com o especial de Natal, White Christmas, que é uma coprodução estadounidense. Nesse último episódio da temporada, o misterioso Matt (Jon Hamm) compartilha com outro amargo personagem contos controvertidos de sua vida anterior e que envolvem um estranho dispositivo tecnológico capaz de “bloquear” as pessoas no mundo real.

À partir de setembro de 2015, Black Mirror passou a ser comissionada pelo Netflix, e o terceiro ano, composto por seis episódios, foi inteiramente disponibilizado via on streaming em 21 de outubro de 2016, tornando a série internacionalmente conhecida. Os seis novos episódios são igualmente controversos e compostos por tramas isoladas que se passam ou nos Estados Unidos ou no Reino Unido, como Nosedive, em que as pessoas são avaliadas via rede social e a pontuação obtida corresponde à créditos para vantagens e serviços. Nesse episódio, a personagem Lacie (Bryce Dallas Howard) se vê obcecada em obter pontuação máxima quando convidada a ser dama de honra de sua amiga de infância, a qual, por sua vez, é um verdadeiro ícone das redes sociais. O episódio é claramente uma crítica à compulsão pelas redes sociais com nuances de mecanismos usados por sites avaliadores de performances. Playtest é outro episódio controverso da temporada, e conta a história de um viajante sem dinheiro para voltar para casa que se submete a testar um revolucionário jogo em realidade virtual e se vê preso entre o mundo virtual e a realidade. Shut Up And Dance é provavelmente um dos capítulos com final mais chocante da série, e narra a trama envolvendo um tímido adolescente que se vê numa armadilha online quando forçado a realizar perigosas tarefas. San Junipero, por seu turno, e por muitos considerado o único episódio com “final feliz”, conta a história de duas mulheres que se conhecem e se apaixonam em 1987 e que desafiam as leis do espaço e do tempo para ficarem juntas.

Criticamente aclamada, a produção, originalmente produzida por Zeppotron para a Endemol, pode ser considerada como um híbrido entre The Twilight Zone e Tales of the Unexpected com narrativas contemporâneas e que envolvem tecnologias do mundo atual. Embora se trate de uma antologia, Black Mirror não tem um host, como em Tales from the Crypt, ou mesmo como o próprio The Twilight Zone ou Alfred Hitchcock Presents, que tinham Rod Serling e Alfred Hitchcock como apresentadores antes e depois de cada episódio ir ao ar, o que a torna ainda mais funesta, permitindo ao telespectador tirar suas próprias conclusões.

Audaciosa, chocante e, por vezes, ofensiva, Black Mirror é mais do que uma sátira ao mundo moderno. É uma crítica à realidade atual e o prenúncio do apocalipse social, com ideias muito próximas da realidade, como a representação das redes sociais e os impactos que estas exercem na vida das pessoas cada vez mais obcecadas pela tecnologia como escapismo de sua própria existência. É a verdade nua e crua do mundo atual.

Além de Bryce Dallas Howard, indicada por sua performance no episódio Nosedive ao Screen Actors Guild Awards 2017 de melhor atriz, o terceiro arco de Black Mirror conta com um elenco composto por Alice Eve, James Norton, Cherry Jones, Wyatt Russell, Alex Lawther, Jerome Flynn, Gugu Mbatha-Raw, Mackenzie Davis, Michael Kelly, Malachi Kirby, Kelly Macdonald e Faye Marsay.

A quarta temporada, oficialmente confirmada e sem data ainda de estreia, deve também ter seis outros episódios, um dos quais será dirigido por Jodie Foster e estrelado por Rosemarie DeWitt, segundo trailer divulgado em outubro de 2016. Sequências para os episódios Be Right Back e White Bear também estão nos planos de Charlie Brooker, criador da série, embora ainda não seja certo que vá acontecer.

As três primeiras temporadas de Black Mirror estão disponíveis via Netflix.

Anúncios

Deixe um Comentário

Anúncios
Anúncios