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Marvel’s Daredevil : review segunda temporada

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Marvel’s Daredevil foi uma grande aposta da Netflix que não apenas deu certo, como também abriu caminho para diversas outras produções do gênero, tais como Jessica Jones e o ainda inédito Defenders. Criada por Drew Goddard e co-produzida por grandes nomes, dentre os quais, os quadrinistas Stan Lee, Jeph Loeb e Joe Quesada, a série retorna para um segundo ano, tendo novamente o britânico Charlie Cox como intérprete do advogado cego Matthew Murdock, que nas horas vagas é o vigilante mascarado conhecido como Demolidor, ao passo em que novos perigos e rostos bastante conhecidos do universo dos quadrinhos da Marvel surgem para confrontar o herói de Hell’s Kitchen.

Tão inebriante quanto a primeira temporada, o segundo arco começa de forma tensa e intensa, trazendo um personagem que é exatamente o oposto do “Demônio de Hell’s Kitchen”. Enquanto Matt Murdock e seu sócio e melhor amigo, Foggy Nelson (Elden Henson) tentam fazer a diferença frente aos injustiçados que clamam por ajuda profissional legal, as ruas de Hell’s Kitchen já não estão mais calmas quando da limpeza feita pelo Demolidor no ano anterior, e novas gangues se mobilizam para retomar o controle do crime organizado, agora que o temível Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio) está atrás das grades.

Nesse cenário, um grupo liderado por irlandeses se reúne, mas acaba sendo surpreendido por uma máquina assassina em forma de pessoa. É a entrada triunfal do personagem Frank Castle/Justiceiro (Jon Bernthal) na historia, e a promessa de que a temporada é ainda mais violenta. O Justiceiro, que ainda não atende por tal alcunha, tampouco usa a caveira estilosa grafitada em sua roupa, não apenas extermina todas as gangues criminosas, como também parece ter uma missão constante de extirpar o mal enraizado em Hell’s Kitchen, fazendo com que o Demolidor, cujo código de ética o impede de matar quem quer que seja, saia ao seu encalço. Grotto (McCaleb Burnett), sobrevivente do atentado do Justiceiro aos irlandeses, consegue ajuda do escritório de Murdock e Nelson, e a assistente da dupla, Karen Page (Deborah Ann Woll), cresce como personagem ao lutar por sua proteção, porquanto ele ainda está na mira do misterioso vigilante assassino.

As coisas se complicam para a dupla de advogados quando uma ambiciosa promotora distrital, Samantha Reyes (Michelle Hurd), usa Grotto como isca para o Justiceiro, e o inevitável primeiro encontro entre este e o Demolidor finalmente acontece, o que é um dos momentos mais emblemáticos da temporada, acontecendo de forma nem um pouco diferente do havido nos quadrinhos, como quando o Justiceiro acorrenta o “Demônio de Hell’s Kitchen” a uma coluna no alto de um prédio e ambos discutem moralidade antes que Grotto finalmente seja exterminado pelo ex-combatente militar.

Enquanto a trama envolvendo o Justiceiro ganha forma com sua subsequente prisão e julgamento, tendo Karen como protagonista na investigação que levará o anti-herói à descoberta da autoria do doloroso incidente que culminou no terrível massacre que dizimou toda sua família e que ele acreditava ser resultado de uma briga entre as gangues que ele vinha dizimando, o Demolidor tem outros problemas. A inesperada chegada de sua ex-namorada, Elektra Natchios (Elodie Yung), não apenas complica sua vida amorosa com Karen e faz reacender uma antiga chama, como também o envolve em novos problemas, desta vez com a Yakuza e uma misteriosa seita chamada de A Mão, que inclui ninjas assassinos, um ressuscitado Nobu (Peter Shinkoda) e um estranho ritual que consiste na drenagem do sangue de pessoas supostamente inocentes.

Quando duas tramas paralelas não parecem ser o bastante para Marvel’s Daredevil, eis que as coisas ficam ainda mais complicadas quando Wilson Fisk ressurge na historia. Na prisão, Castle/Justiceiro é recrutado por Fisk, que finalmente abraça a alcunha “Rei do crime” ao expandir seu poder e controle por todo o sistema penitenciário no qual se encontra, tendo em seu bolso não apenas vários presos como agentes penitenciários. Mas nada é o bastante, e ele quer se ver livre de sua concorrência interna pelas mãos de Castle, com a promessa de que tal alvo tem a informação que ele precisa sobre a autoria do assassino de sua família. Nesse espaço de episódios, vemos a evolução de Fisk como o grande vilão que já é, tornando-se ainda pior. A despeito do violento embate fisico entre os dois, é com a ajuda de Fisk que Castle, sem mais quaisquer chances de reverter seu caso nos tribunais, consegue fugir da prisão para sair ao encalço do misterioso Blacksmith.

Agora, além de ter que lidar com um exército de ninjas assassinos e os grandes mistérios envolvendo o tal culto da misteriosa organização criminosa japonesa, Matt/Daredevil tem que lidar com os perigos que acredita que Karen pode se envolver com a fuga de Castle, o envolvimento deste na caça ao suposto assassino de sua família e, como se ainda não bastasse, o inesperado retorno de seu antigo mestre, Stick (Scott Glenn), e a descoberta de que ele vinha treinando Elektra desde que ela era pequena.

Os últimos episódios da temporada convergem para um confronto épico, e embora a trama envolvendo Elektra, Stick e o culto da Mão termine de forma bastante simplista e nada satisfatório, deixando – como não poderia deixar de ser, considerando o quanto foi enrolada ao longo de todo o arco de episódios – várias pontas soltas e um final em aberto, a saga envolvendo o Justiceiro foi bastante digna, e os méritos talvez sejam todos do seu intérprete e da forma como o personagem foi escrito, o que certamente, e fazendo as inevitáveis comparações com as adaptações precedentes, pode ser considerada como a melhor personificação do anti-herói da Marvel numa produção em live-action.

O segundo ano de Marvel’s Daredevil termina de forma um tanto quanto amarga. Se a trama envolvendo o culto japonês não encerrou conforme o esperado, se o Justiceiro e o Demolidor não tiveram mais a oportunidade de um novo confronto, as coisas não poderiam estar piores para Matt. Orgulhoso demais, ele não consegue admitir o quanto precisa de Nelson, o que os separa definitivamente, a ponto de não trabalharem mais juntos. Ainda, tentando fazer o certo da forma errada sem medir as consequências, Matt também decide revelar para Karen, nos últimos instantes da season finale, ser ele o Demolidor, muito embora sequer exista mais qualquer possibilidade de romance entre os dois.

A temporada traz também de volta o primeiro interesse amoroso de Matt na série, Claire (Rosario Dawson), e faz seu primeiro grande crossover com Jessica Jones, ao trazer Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss), como a nova contratante de Nelson, promessa de que veremos os outros membros do esquadrão Defenders transitando entre uma série e outra até finalmente constituírem o infame grupo de heróis.

Fica agora a deixa para a terceira temporada, seja no que se refere à revelação dos sórdidos planos do ainda misterioso culto da Mão, seja quanto à um potencial retorno de Elektra como ameaça ao “Demônio de Hell’s Kitchen”, seja ainda no que diz respeito à volta de Wilson Fisk, agora como o implacável “Rei do crime”, com fins de cumprir a promessa feita a Murdock, e até mesmo a inclusão de novos personagens do universo cinemático da Marvel,  como alguns dos membros dos Defenders.

Claro, depois do eletrizante arco envolvendo Frank Castle/Justiceiro – considerado o personagem mais sombrio da Marvel, e definitivamente uma das melhores coisas desse segundo ano de Marvel’s Daredevil – o maior desejo agora de boa parte da audiência é mesmo conferir a adaptação em série do próprio personagem, o que, aliás, ja foi confirmado na página oficial do Netflix no Facebook. Embora ainda não tenha data para estreia, tudo indica que Jon Bernthal reprisará o papel do insano vigilante assassino, de modo que só nos resta mesmo aguardar.

A primeira e a segunda temporadas de Marvel’s Daredevil se encontram disponíveis on streaming via Netflix.

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