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Marvel’s Daredevil : review primeira temporada

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Marvel’s Daredevil é uma série de televisão criada para a Netflix por Drew Goddard, roteirista de produções como Buffy The Vampire Slayer, Angel e World War Z. Inspirado no icônico personagem da Marvel Comics, originalmente criado por Stan Lee e Bill Everett, a série é co-produzida por Steven S. DeKnight, pelos quadrinistas Jeph Loeb e Joe Quesada, assim como pelos próprios Drew Goddard e Stan Lee.

Nessa produção, que confere ao herói sem medo uma adaptação decente depois do fiasco que foi a versão Daredevil de 2003, dirigida e escrita por Mark Steven Johnson e estrelada por Ben Affleck, temos um Matt Murdock/Daredevil louvável na pele do britânico Charlie Cox. Situado no atual universo cinemático da Marvel, a série tem segunda temporada confirmada, com as presenças de Frank Castle/Justiceiro (Jon Bernthal) e de Elektra Natchios (Elodie Yung) garantidas, e um crossover com Luke Cage (Mike Colter) e Jessica Jones (Krysten Ritter), na vindoura minissérie Defenders, inspirada na saga homônima, criada por Roy Thomas e Ross Andru, igualmente confirmada e produzida pela Netflix.

A primeira temporada de Marvel’s Daredevil, composta por treze episódios, apresenta o recém-formado advogado Matt Murdock (Charlie Cox), que durante o dia defende vitimas de injustiças nos tribunais com o sócio e melhor amigo, Foggy Nelson (Elden Henson), e à noite combate o crime como o vigilante mascarado sem medo, apelidado inicialmente como o « Demônio de Hell’s Kitchen ».

Desprovido de superpoderes, de invulnerabilidade e até mesmo de um uniforme decente, a série mostra rapidamente a evolução do personagem, desde sua infância, quando vitima de um acidente que o torna permanentemente cego, a perda precoce do pai, um pugilista sem muito sucesso nos ringues, até seu desejo infindável e quase suicida de enfrentar criminosos na calada da noite no violento bairro nova-iorquino de Hell’s Kitchen. Sem pormenores acerca de suas motivações pessoais, apenas talvez um anseio hereditário que o faz extrapolar seus próprios limites, a série também traz o veterano Scott Glenn no sétimo episódio como um vilão que eventualmente se revela o ex-mentor de Matt na arte das lutas, conhecido apenas pela alcunha de « Stick », por ser igualmente cego e se valer como arma de sua bengala.

Em suas violentas investidas contra os criminosos, Matt acaba esbarrando em Claire Temple (Rosario Dawson), uma enfermeira pela qual o personagem acaba se afeiçoando, na medida em que é constantemente ajudado por ela. Sem o mínimo talento amoroso, e uma forte tendência em se colocar continuamente de frente para o perigo, Matt acaba não levando o romance adiante.

Além de Foggy, que serve como alivio cômico na série, o ciclo de amizades de Matt é composto por Karen Page (Deborah Ann Woll), uma jovem acusada de assassinar um importante executivo que se torna a primeira grande cliente da dupla de advogados por insistência de Matt, o qual, por conta de seus sentidos aguçados, acredita em sua inocência. Livre da acusação, Karen acaba eventualmente se tornando secretária dos dois. Tal como nos quadrinhos, a personagem é frequentemente atraída pelo perigo e se envolve por conta própria em muitos problemas, como quando faz parceria com o jornalista Ben Urich (Vondie Curtis-Hall) para tentar desmascarar os negócios escusos de uma crescente organização criminosa, e acaba batendo de frente com James Wesley (Toby Leonard Moore), braço direito de ninguém mais do que Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio), o que provavelmente ainda terá consequências na série.

Em Marvel’s Daredevil, Fisk ainda não é o Rei do crime propriamente dito, e faz também aqui sua evolução como aquele que um dia será o grande nemesis do Daredevil. Ele é apresentado como o terceiro membro de uma associação que compõe o crime organizado em Hell’s Kitchen, e que pretende literalmente transformar a cidade. Seu objetivo é conquistar a metrópole e, como qualquer outro vilão que se preze, fazer muito dinheiro. Para isso, ele precisa não apenas enfrentar o herói emergente que vem desmantelando sua organização, como também confrontar seus próprios e trapaceiros associados — Madame Gao (Wai Ching Ho) e Leland Owsley (Bob Gunton) — e alguns de seus fantasmas do passado.

Tanto quanto Matt, Fisk também tem sua historia pessoal explorada na série, como quando revelada sua sofrível infância, marcada não apenas por constantes bullyings, mas por abusos de seu próprio pai, fazendo-o tomar uma atitude violenta e drástica que fatalmente o conduzirá para a criminalidade. Metódico, Fisk tem sua vida atribulada não apenas pelo misterioso « Demônio de Hell’s Kitchen », como também por um inusitado romance quando conhece e se apaixona por sua futura esposa, Vanessa (Ayelet Zurer), a qual o aceita como ele é, tornando-o um antagonista deleitável de se ver na medida em que se revela os dois lados de uma mesma moeda, tal como o vemos num momento vulnerável com a amada para depois vê-lo esmagar com os próprios punhos um dos membros de sua organização em In The Blood.

Além de um enredo muito nem amarrado, que revela gradativamente as fundações de um herói até então menosprezado, assim como a trama principal, que evolui de forma igualmente progressiva, tal como uma Boneca Russa, na medida em que Daredevil enfrenta gangues de pequenos criminosos locais até chegar a uma organização crescente que pretende tomar conta de toda a cidade, Marvel’s Daredevil é da mesma forma notável por suas sequências gráficas de ação. Antes da série, provavelmente nunca se viu cenas de luta em tal grau na televisão. Com coreografias estupendas, alguns momentos são dignos de registro, como a primeira cena de luta do personagem nas docas, no episódio Into the Ring:

Outra, é quando Matt confronta seu ex-mentor, em Stick:

E mesmo no épico embate entre Daredevil e Fisk, na season finale, intitulada Daredevil:

Porém, a sequência unanimemente considerada como a mais extraordinária na série é a cena de pouco mais de três minutos realizada em uma única tomada havida ao final do segundo episódio, Cut Man, quando Matt luta contra vários bandidos num estreito corredor para o salvamento de uma criança sequestrada : um espetáculo visual jamais antes visto.

Com uma segunda temporada assegurada, agora com Steven S. DeKnight na condição de showrunner, uma vez que Drew Goddard passa a assumir a adaptação de Sinister Six, e a confirmação da presença do Justiceiro, o qual é considerado um dos mais deleitáveis personagens da Marvel, e cujo confronto ideológico com o herói sem medo será provavelmente tao épica como aconteceu nos quadrinhos, podemos ter a certeza de que Daredevil está apenas inaugurando sua melhor fase como um dos poucos heróis mais humanos do universo dos quadrinhos.

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