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House of Cards : resumo terceira temporada

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A primeira metade da terceira temporada de House of Cards começa de forma lenta e enfastiante até que finalmente o telespectador possa ter uma noção de qual é a trama principal, isso em contrapartida aos arrojados primeiro e segundo anos da série. Contudo, em se tratando de um casal de protagonistas que dispensa comentários, interpretados por uma dupla de atores extremamente competente, aliado a um elenco de apoio simplesmente soberbo e os bastidores de um universo suntuoso e decadente que atiça a curiosidade de qualquer pessoa, não demora muito para que a produção de David FincherEric RothJohn P. Melfi retorne ao seu status de uma das séries mais magnéticas e impetuosas da atualidade.

A temporada inaugura com a revelação de que Doug Stamper (Michael Kelly), de sua condição de quase cadáver abandonado em meio a uma floresta ao final do segundo ano, assombrosamente sobrevive, isso a julgar pelos vários golpes na cabeça que lhe foram desferidos com uma pedra, e passa boa então parte da temporada tentando se recuperar do trauma. Vale lembrar, que sua agressora é Rachel Posner (Rachel Brosnahan), personagem chave na incriminação de Frank Underwood (Kevin Spacey), agora Presidente dos Estados Unidos, no assassinato de Peter Russo (Corey Stoll). Assim, diferentemente do final que lhe foi conferido na versão original que se passa na série de livros de Michael Dobbs – composta pela trilogia House of Cards, To Play the King e The Final Cut – e na adaptação britânica dirigida por Paul Seed, Stamper se torna uma verdadeira incógnita ao longo da temporada, ao passo em que decide, valendo-se da ajuda do hacker Gavin Orsay (Jimmi Simpson), descobrir o paradeiro de Rachel.

Para isso, Gavin, que pretende recuperar seu passaporte e fugir do país, infiltra-se num grupo de apoio no intuito de se aproximar de Lisa (Kate Lyn Sheil), ex-namorada de Rachel, isso enquanto Stamper, ex-alcóolico, tem algumas recaídas, e é ajudado por seu irmão, Gary (Kelly AuCoin), que passa alguns dias hospedado em sua casa e tenta reaproxima-lo do convívio familiar, mostrando ao telespectador um lado mais humano do personagem, apontando inclusive a sugestão de que poderia representar algum perigo para os Underwood. Quando Frank realmente se mostra desinteressado em trazê-lo de volta ao posto de assessor, a ameaça se intensifica quando Doug se aproxima de Heather Dunbar (Elizabeth Marvel), candidata favorita do partido democrata para a corrida presidencial de 2016, e única capaz de obstaculizar os planos dos Underwood, e ele parece até mesmo disposto a macular a honra do maquiavélico casal com informações e segredos comprometedores.

Frank, por sua vez, que planejava de antemão concorrer à presidência no próximo exercício, surpreendido com a revelação de que sua popularidade está em baixa e que o partido não pretende coloca-lo à frente como candidato, precisa correr contra o tempo na elaboração de um plano com fins de reverter sua desfavorável situação. Nesse interim, ciente da possibilidade do marido não obter êxito independentemente de seus esforços, Claire também almeja uma posição de destaque, e decide se investir na função de embaixadora na ONU. Sem apoio de Frank num primeiro momento, ela começa a dar os primeiros sinais do que virá a ser uma profunda reflexão sobre sua posição como sua parceira ao longo dos vários anos em que estão juntos e de todo o trajeto percorrido pelos dois até a Casa Branca.

Quando Frank finalmente anuncia sua intenção em não concorrer às eleições de 2016, e dedica-se ao projeto America Works, desviando verba do departamento de desastres naturais afim de conseguir a recolocação de 50 000 pessoas no mercado de trabalho em Washington D.C., Claire retoma a ideia de se tornar membro de prestigio da ONU, e finalmente tem a aprovação de Frank. Essa necessidade de ter que pedir sua aprovação se soma ao elenco de fatores que passarão a fazê-la cada vez mais se sentir desconfortável.

Assim, com projetos engatilhados, um caminho longo e tortuoso surge à frente dos Underwood. Previamente ciente de que Heather Dunbar é sua rival na disputa à candidatura, Frank tenta nomea-la para uma posição de destaque na Corte Suprema no intuito de tira-la da corrida à candidatura. Conhecedora dos motivos de Frank, Heather se esquiva, o que fará com que os Underwood se desdobrem na tentativa de transformar o cenário no qual se encontram a seu favor.

Paralelamente ao projeto America Works, Frank procura melhorar sua popularidade numa investida internacional. A oportunidade surge quando dos planos para a liberação da região do Vale da Jordânia das tropas russas. Para isso, ele terá que negociar com o igualmente inescrupuloso Viktor Pretov (Lars Mikkelsen), chefe de estado russo, que surge como uma caricatura precisa de Vladmir Putin, e a temporada ganha contornos de propaganda anti-Russia. A investida não apenas é inexitosa, como acaba gerando consequências desastrosas para um segundo ato, no qual, na qualidade de embaixadora da ONU, Claire segue para Moscow com Frank na intenção de negociar o retorno de um prisioneiro estadounidense, Michael Corrigan (Christian Camargo). O que se segue a isso é mais um alento para o que culminará no desfecho da temporada.

No sexto episódio de House of Cards, quando Frank e Viktor parecem finalmente chegar a um consenso, Claire, por sua vez, abraça a causa de Corrigan, que se nega terminantemente a assinar uma carta exigida pelo governo russo para sua então libertação e na qual deve reconhecer o erro por sua conduta sexual, a qual culminou sua prisão. Uma tragédia se segue, e Claire decide deixar a política de lado para externar publicamente seu lado humano, culminando numa crise diplomática entre os Estados Unidos e a Russia. Mas esse é o menor dos problemas para Frank quando os danos em seu casamento com Claire parecem irremediáveis, e mesmo uma renovação de votos matrimoniais não parece tornar as coisas melhores quando, dois episódios depois, mais uma vez a personagem precisa ser sacrificada para que a tensão entre Russia e Estados Unidos no Oriente Médio cesse, e Frank possa melhorar sua imagem como candidato à presidência.

Nesse meio tempo, Frank também se compromete com o escritor Tom Yates (Paul Sparks),  o qual contrata para fins de divulgação do America Works. O autor, no entanto, deslumbrado pela persona por trás do politico, decide escrever uma biografia sobre o Presidente. Porém, após se juntar a Claire em seus compromissos para a campanha à candidatura de Frank, fascinado pela relação dos dois, o autor resolve escrever sobre o casal. Contrariada pelas revelações pessoais de Frank ao escritor, Claire o confronta, principalmente após ele lhes entregar o primeiro capitulo da biografia do casal. Tom é demitido por Frank, que o ameaça caso publique o livro, mas as palavras lidas em seu rascunho atingem em cheio Claire, que segue melancólica e cada vez mais reflexiva quanto à sua posição ao lado do marido, verdadeiramente decidida a não mais viajar no banco do passageiro, numa analogia por ela mesma expressa no primeiro episódio da temporada.

E se o terceiro ano muitas vezes tem por foco as subtramas que giram em torno dos Underwood, seja no que diz respeito à recuperação de Doug e o caminho que o personagem passa a seguir após ser praticamente descartado por Frank da assessoria presidencial, ou mesmo às investidas de Gavin junto à Lisa para descobrir o paradeiro de Rachel, às constantes tensões sexuais entre Jackie Sharp (Molly Parker) e Remy Danton (Mahershala Ali) e suas dúvidas em se manterem fiéis ao presidenciável, bem como ao envolvimento amoroso de Yates com a impetuosa reporter Kate Baldwin (Kim Dickens), que faz com que cada personagem pareça representar algum perigo para Frank e Claire, o verdadeiro inimigo de ambos parece estar mais perto do que imaginam. Assim, é ao longo dos dois intensos últimos episódios da temporada que temos finalmente noção clara e precisa da verdadeira ameaça para que Frank possa se sobressair em sua corrida à candidatura e para que Claire possa correr por fora com novos projetos. Nesse contexto, nem os inquietantes impasses havidos com Petrov ou mesmo o prenúncio de uma derrota para Dunbar parecem significantes.

Embora haja cogitação de um quarto ano, a julgar pela não resolução do arco da corrida presidencial, o que, contudo, ainda não foi oficialmente confirmado, o terceiro ano encerra simbolicamente tal como a versão original de House of Cards. Ao final, temos que a história convergiu de um modo a confirmar a tese de Tom Yates de que os Underwood são como um átomo composto por dois iguais, e talvez a perda de uma metade traga consequências desastrosas para a outra, a ponto de torna-la diminuta ou até mesmo nada. Afinal, tudo o que os Underwood são em House of Cards é resultado de seus esforços e maquinações em conjunto. Se Claire parece satisfeita e despreocupada com as consequências que possam advir da decisão tomada no instante final da season finale, o que será de Frank sem sua metade, sua cúmplice, e aquela que ele menciona no episódio piloto da série, « amar mais do que tubarões amam sangue »? Saberemos somente numa próxima temporada. Enquanto isso, podemos apenas especular no sentido de que se Frank e Claire puderam chegar tao longe juntos, talvez o mesmo não ocorra se estiverem separados.

As três temporadas de House of Cards estão disponíveis on streaming no Netflix.

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