Filmes do mês de dezembro

guardiansGuardiões da Galáxia (2014)****

Considerado um dos melhores filmes do ano, com direção e adaptação de James Gunn, Guardiões da Galáxia faz jus ao sucesso arrebatador.

Inspirado nos quadrinhos de Dan Abnett e Andy Lanning, o longa-metragem expande ainda mais o universo Marvel na tela do cinema, e conta a história do fictício grupo de super-heróis do século 31 que se reúne pela primeira vez para acabar com os planos do grande vilão Thanos (Josh Brolin) para a destruição do universo.

A película tem início contando rapidamente a história do personagem Peter Quill (Chris Pratt), quando ainda criança. Após a morte de sua mãe (Laura Haddock), ele foge e é capturado por uma espaçonave. Anos depois, ele se tornou caçador de recompensas, e acaba de conseguir um artefato que será uma das seis gemas que comporá a Pedra do Poder Infinito e através da qual Thanos fará uso para seus planos de conquista e destruição do universo.

Ao conseguir a pedra, Peter é atacado por Korath (Djimon Hounsou), mas consegue fugir e levar o artefato. É quando Ronan (Lee Pace) entra em cena, e para fim de obter a pedra para Thanos, envia a filha adotiva deste, Gamora (Zoe Saldana). As coisas não saem conforme o planejado quando os também caçadores de recompensa, Rocket Raccoon (Bradley Cooper) e Groot (Vin Diesel), aparecem para capturar Peter para entregá-lo ao seu ex-mentor e parceiro, Yondu Udonta (Michael Rooker), que o procura pelos quatro cantos da galáxia. Após um grande confronto entre o quarteto, eles acabam presos pela polícia de Xandar.

É na prisão que Peter e Rocket descobrem os perigos caso Thanos coloque as mãos no artefato roubado, e com a ajuda de um quinto fora-da-lei, Drax The Destroyer (Dave Bautista), que pretende se vingar de Ronan pela morte de sua família, eles se reúnem a Gamora para escapar antes que aquele e seus asseclas invadam a prisão.

Após terem uma amostra do poder da pedra nos domínios do Colecionador (Benicio Del Toro), os heróis a perdem para Ronan, que, por sua vez decide ficar com o artefato para si, contrariando os desejos de Thanos. Ele então a usa para conquistar a galáxia, mas terá que enfrentar o grupo de guardiões, que se aliam às autoridades do planeta Xandar e aos mercenários liderados por Yondu.

Com enredo leve e descontraído, Guardiões da Galáxia tem seus méritos no fato de ser uma produção extremamente dinâmica, com trilha sonora imbatível e efeitos especiais surpreendentes. Já dando a deixa para um eventual crossover com outros heróis do universo Marvel, uma vez que a trama de Thanos também se desenrola na cinessérie Avengers, podemos ter a certeza de que teremos novos filmes pela frente.

720x405-gone-girl-DF-01826cc_rgb

Garota Exemplar (2014)*****

Gone Girl é indubitavelmente a maior surpresa cinematográfica do ano de 2014. Adaptado do Best seller homônimo de Gillian Flynn, o filme do talentoso David Fincher transpõe para as telas o thriller de mistério que envolve a história do personagem Nick Dunne logo após o desaparecimento de sua mulher.

No dia do aniversário de cinco anos de casamento, após uma saída matinal, Nick (Ben Affleck) retorna para casa e descobre que sua esposa, Amy (Rosamund Pike), desapareceu. Encarregada da investigação, a detetive Rhonda Boney (Kim Dickens), ajudada pelo oficial Jim Gilpin (Patrick Fugit), descobre circunstâncias que podem incriminar Nick no provável assassinato de Amy, mas enquanto não houver um corpo, nada pode fazer.

Paralelamente, flashbacks da vida conjugal dele com Amy são mostrados de acordo com informações constantes de um diário de sua esposa, e que ainda não localizado pela polícia, as quais confirmam uma possível ameaça de morte da parte do marido. Como se não bastasse, Nick tem um comportamento totalmente inesperado frente ao desaparecimento, fazendo recair ainda mais sobre si as suspeitas acerca de um provável homicídio.

O filme é excelentemente produzido e um verdadeiro deleite visual, embora os méritos sejam todos da admirável história escrita por Gillian Flynn, e das performances estupendas de Ben Affleck e de Rosamund Pike.

Fortíssimo candidato às principais indicações dos prêmios dos Academy Awards® de 2015, especificamente nos de Melhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Roteiro, Gone Girl faz por merecer, eis que corresponde ao que de melhor há em thriller de mistério e interpretações ímpares. Vale a pena ser conferido!

dawn

Planeta dos Macacos : O Confronto (2014)****

Em continuação ao longa-metragem Rise of the Planet of the Apes, e com roteiro de Rick Jaffa, que também assina produções como Jurassic World, Avatar 2 e Avatar 3, Dawn of the Planet of the Apes, dirigido por Matt Reeves, acontece dez anos depois dos eventos havidos em seu predecessor, após a dizimação da raça humana por um vírus de laboratório testado em símios.

Alheios ao avanço de uma civilização símia liderada por Ceaser (Andy Serkis) em meio a uma floresta próxima de São Francisco, os poucos humanos existentes e imunes ao vírus buscam recursos e meios para localização de outros sobreviventes. Nesse cenário, somos introduzidos a um exército eficientemente organizado de símios, que vive harmoniosamente e longe do radar humano. Já denotando comunicação extremamente avançada e um sistema de leis que já apregoa a máxima de que “Macaco não mata macaco”, Ceaser é o líder absoluto.

As coisas mudam quando um grupo de humanos liderado pelo cientista Malcolm (Jason Clarke) precisa atravessar a floresta para chegar a uma represa no intuito de ativar a energia elétrica numa estação no centro de São Francisco onde um grupo de sobreviventes está reunido e acaba esbarrando com os tais macacos durante uma caçada. Um humano precipitado, Carver (Kirk Acevedo), acaba se assustando e atira num dos símios, ao que o grupo é cercado por uma horda de macacos e é recepcionada pelo magnânimo Ceaser, que os manda embora, a despeito da euforia raivosa dos demais símios.

Sem energia, os humanos se veem obrigados a retornar ao seu refúgio no centro da cidade, e são recebidos por Dreyfus (Gary Oldman), que não apenas não acredita na história dos macacos falantes, como não vê outra alternativa senão invadir a floresta e atacá-los para que possam chegar até a represa. Mas Malcolm acredita que existe diálogo, principalmente quando Ceaser e seu exército vão até o centro da cidade para ditar as normas de que a floresta é o lar dos macacos, e que os humanos não podem mais entrar lá, após devolver uma bolsa pertencente ao filho do cientista, Alexander (Kodi Smit-McPhee), perdida pouco depois da evasão durante o primeiro encontro.

Assim, Malcolm retorna ao domínio símio juntamente com a médica Ellie (Keri Russell) e outros humanos, no intuito de tentar se comunicar com Ceaser e conseguir ativar o gerador de eletricidade da represa, o que causará uma sucessão de desavenças e desentendimentos que culminarão na primeira batalha entre humanos e macacos e que irá finalmente consumir o mundo até ele se tornar o Planeta dos Macacos do romance de Pierre Boulle.

Inferior ao primeiro filme, estrelado por James Franco como o cientista que adota o ainda jovem Ceaser e o transforma no macaco inteligente e moral que irá libertar seus iguais para a construção de uma sociedade organizada e afastada dos maus tratos humanos, o longa-metragem, porém, não deixa nada a desejar no que diz respeito aos efeitos especiais e as tramas que acarretam no embate entre humanos e símios. Aos apaixonados pela cinessérie, independentemente ou não da versão original ser superior, vale a pena ser conferido.

MV5BMjIyNTI0MzI2OV5BMl5BanBnXkFtZTgwMzIxNjc5MDE@._V1__SX1217_SY640_

Boyhood : Da Infância à Juventude (2014)****

Roteirista e diretor de filmes como Jovens, Loucos e Rebeldes e da trilogia composta por Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-Noite, Richard Linklater tem talento de sobra quando se trata de engajar bons diálogos a uma produção relativamente simples, sem necessariamente haver uma grande história ou um grande orçamento.

É assim que acontece com todos os filmes acima citados, bem como seu mais recente lançamento, Boyhood: Da Infância à Juventude, um drama familiar inteiramente rodado ao longo de 12 anos com o mesmo elenco, e que conta a história de uma criança, Mason (Ellar Coltrane), que literalmente cresce durante as filmagens e diante dos olhos do telespectador. Despretensiosa, a película de Linklater explora a infância como nenhum outro filme, e avança para uma adolescência com viagens, acampamentos, jantares familiares e formaturas e vários outros momentos transcendentais que se completam com uma belíssima trilha sonora que inclui Yellow, do Coldplay, Let It Die, do Foo Fighters, e Deep Blue, de Arcade Fire.

Filho de pais separados, interpretados por Ethan Hawke e Patricia Arquette, Mason tem ainda uma irmã mais velha, Samantha (Lorelei Linklater), e testemunha os altos e baixos de sua mãe, que, ao longo de 13 anos, envolve-se com três homens, volta aos estudos, sofre abusos, torna-se professora universitária e os faz mudar duas vezes, bem como de seu pai, que embora lhe proporcione alguns dos melhores momentos em sua vida no que diz respeito à recreação, não é o melhor exemplo, e não tem qualquer perspectiva profissional.

Boyhood é um dos 11 únicos filmes a receber um metascore equivalente a 100, pontuação máxima obtida por críticos profissionais, o que, por si só já o torna atraente o bastante para ser conferido. E acredite, vale à pena! Considerado um dos favoritos aos principais prêmios dos Academy Awards® de 2015, inclusive na categoria de Melhor Filme, Boyhood desperta um sentimento único ao se assistir a uma película, e faz o telespectador ter a certeza, em seus mais de 160 minutos, de que não importa quem ele seja, ou onde esteja, os problemas são sempre os mesmos para cada pessoa.

Sensível e brilhante, Boyhood é uma jóia rara que vemos de tempos em tempos no cinema, e que atiça também pelo fato de ter levado 12 anos para sua inteira realização.

MV5BMTk5MzU4NzkxNF5BMl5BanBnXkFtZTgwMTk4ODE0MzE@._V1__SX1217_SY640_

A Teoria de Tudo (2014)***

Inspirado na autobiografia Travelling to Infinity: My Life with Stephen, de Jane Hawking, James Marsh dirige o bem sucedido The Theory of Everything, filme que conta a história de Stephen Hawking e sua esposa, Jane.

Sem pormenores, o filme retrata os primeiros anos da carreira do físico e cosmologista Stephen Hawking (Eddie Redmayne). Ambientado inicialmente no começo dos anos de 1960, o longa-metragem mostra Hawking em seu primeiro ano como doutorando em Oxford. É nesse momento em que ele conhece Jane (Felicity Jones), por quem se apaixona. O romance evolui, e ele desenvolve a teoria do Big Bang, mas a doença que o condenará a passar o resto de seus dias confinado numa cadeira de rodas começa a se manifestar. Diagnosticado com distrofia neuromuscular, também conhecida como Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), Stephen entra em profunda depressão e afasta Jane, a qual, no entanto, decide ficar ao seu lado.

Em 1965, os dois se casam, e na medida em que Hawking mergulha em suas pesquisas para sua tese de doutorado e que diz respeito à teoria da criação do universo, sua doença evolui gradativamente. Jane abre mão de sua carreira para cuidar dele e dos filhos, e as coisas tomam novo rumo quando o organicista Jonathan Hellyer (Charlie Cox) entra na vida dos dois como amigo e visita frequente na dos Hawkings. Jane e Jonathan se apaixonam, mas decidem não consumir a relação para fins de manter a família unida, mas quando Stephen perde a fala e começa a trabalhar em seu livro, A Brief History of Time e precisa contar com a ajuda de uma enfermeira, Elaine (Maxine Peake), o destino de todos toma novo rumo.

O filme é muito bem produzido, mas está longe de ser uma adaptação da vida e do trabalho do aclamado teorista Stephen Hawking, uma vez que tem por foco a relação deste com Jane. Aliás, é em torno de Jane que a história gira, a despeito das sequencias em que a doença de Hawking começa a dar sinais e evolui drasticamente. Os destaques, obviamente, são para as excelentes performances de Redmayne e de Felicity Jones, não sendo de se estranhar o fato de que os dois podem eventualmente ser fortes candidatos aos prêmios do Academy Awards de 2015.

GRAND BUDAPEST HOTEL_c371.JPG

O Grande Hotel Budapeste (2014)****

Wes Anderson dirige o divertido O Grande Hotel Budapeste, que conta a história de um lendário concierge de um famoso hotel europeu durante o período de guerras, e de seu protegé, que eventualmente se torna seu mais confiável amigo.

Adaptada das escrituras do escritor vienense Stefan Zweig, a trama envolve o desaparecimento de uma fictícia pintura renascentista e uma grande conspiração em torno de uma batalha para a sucessão de uma enorme quantia em dinheiro.

O filme começa com uma adolescente em visita ao monumento levantado a um famoso escritor (Tom Wilkinson). Ela então começa a ler seu livro, O Grande Hotel Budapeste, e somos introduzidos a uma cena em flashback datada de 1985, na qual o tal autor do livro relata a origem da história, oriunda de uma visita feita ao apontado hotel, em 1968.

Interpretado por Jude Law, o jovem escritor, agora em 1968, consegue informações do então concierge do Grande Hotel Budapeste, Monsieur Jean (Jason Schwartzman), sobre o proprietário do lugar, Zero Moustafa (F. Murray Abraham), e eventualmente consegue uma entrevista com ele, na qual é relatada a história de como se tornou dono do famoso hotel.

Um terceiro flashback toma forma no ano de 1933, e somos introduzidos a um jovem Zero Moustafa (Tony Revolori). Ele é o “garoto do lobby”, e se torna imediatamente o protegido do então concierge, Monsieur Gustave (Ralph Fiennes). Sem novos flashbacks, a história ganha forma quando Madame D (Tilda Swinton), uma hóspede muito afeiçoada de Gustave morre, e este vai ao seu enterro. Lá, ele descobre que ela lhe deixou como herança uma estimada pintura renascentista. Expulso da mansão por Dimitri (Adrien Brody), um dos membros da família, e tomado como golpista, Gustave se vê compelido a tomar para si a pintura, mas acaba eventualmente sendo preso como suspeito pela morte da bilionária.

Enquanto a cópia de um segundo testamento está perdida, e Jopling (Willem Dafoe), um assassino inescrupuloso a serviço de Dimitri está no encalço do ex-mordomo de Madame D, Serge (Mathieu Amalric), único conhecedor de sua última e verdadeira vontade em seu leito de morte, Gustave escapa da prisão com a ajuda de um grupo de assassinos liderados por Ludwig (Harvey Keitel), e valendo-se do suporte de outros colegas concierges ao redor do mundo, como M. Ivan (Bill Murray), bem como de Agatha (Saoirse Ronan), noiva de Zero, sai em busca de respostas no intuito de provar sua inocência.

Embora estranho, como a maioria dos filmes de Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste é divertidíssimo, e muito bem escrito, remontando a clássicos dos anos de 1970, como o hilário Assassinato por Morte. Não se pode deixar de mencionar o fato de que, mais uma vez, Wes Anderson surpreende ao trazer um elenco de peso que, mesmo com poucas aparições, faz-se notar, embora Ralph Fiennes roube a cena o filme todo, comprovando sua forte veia cômica. Completam o elenco, ainda, Jeff Goldblum, Edward Norton e Owen Wilson.

MV5BMTg3NTgzNTM1MF5BMl5BanBnXkFtZTgwOTA1ODI2MjE@._V1__SX1217_SY640_

O Abutre (2014)****

Dan Gilroy dirige e escreve o surpreendente thriller Nightcrawler, filme que traz um quase irreconhecível Jake Gyllenhaal, na pele de um ladrão desesperado por trabalho que decide fazer carreira no ramo do jornalismo sensacionalista no cenário noturno da violenta Los Angeles, com a ajuda de uma ambiciosa Nina (Rene Russo), editora de um famoso telejornal.

O filme começa com a apresentação de Louis Bloom (Jake Gyllenhaal), ele é um malandro que vive de pequenos furtos. Inteligente e extremamente curioso, ele esbarra com Joe Loder (Bill Paxton), um cinegrafista freelancer que aparece num acidente numa rodovia. Imediatamente, ele busca informações sobre a profissão e tenta arrumar uma vaga em sua equipe, mas acaba sendo descartado no mesmo instante. Teimoso, ele decide trabalhar por sua própria conta, e arma-se de um radio da policia e uma câmera.

Após conseguir imagens melhores de um acidente, ele tem seu primeiro vídeo transmitido no jornal que tem como editora, Nina (Rene Russo), a qual fica impressionada com sua ousadia. Ao descobrir que a eficiência de cada reportagem depende da velocidade na qual chega ao local dos acidentes, ele contrata um ajudante, Rick (Riz Ahmed), e passa a dirigir freneticamente pelas ruas de Los Angeles atrás de um furo de reportagem.

As coisas começam a ficar incontornáveis quando Rick percebe que Louis não tem limites para conseguir uma boa matéria quando chega antes da polícia numa cena de homicídio, faz tomadas impressionantes do local do crime, e esconde informações acerca da autoria dos crimes no intuito de armar uma nova sequencia de ação.

Nightcrawler é um filme bastante peculiar, que faz até mesmo o telespectador especular como poderia ter sido melhor a produção Drive, de Nicolas Winding Refn, e estrelada por Ryan Gosling. Longe de comparação, no entanto, o grande arroubo de Nightcrawler não são apenas as incríveis cenas de perseguição de carros, nas quais Louis Bloom busca ensandecidamente uma boa filmagem, ou mesmo a transformação física de Gyllenhaal – extremamente magro e com um rosto cadavérico -, mas sua própria performance como o incrivelmente inteligente e astuto pseudo-jornalista psicótico que se embrenha nas situações mais surreais na tentativa de conseguir imagens gráficas horríveis que somente outra psicótica como a personagem de Russo tem a coragem de transmitir pela televisão.

Sem dúvida, uma das melhores surpresas do ano, e que muito provavelmente constará na lista dos indicados para o Academy Awards de 2015, seja na categoria de melhor roteiro ou mesmo na de melhor ator, logicamente, para Gyllenhaal, que mostra ter evoluído ainda mais na arte da interpretação.

MV5BMTg5MTgyMjM4MV5BMl5BanBnXkFtZTgwMDEyODU3MjE@._V1__SX1357_SY698_

Predestination (2014)****

Predestination é a adaptação da short-story All You Zombies, de Robert A. Heinlein, por Michael Spierig e Peter Spierig, que também dirigem o longa-metragem.

Focado no personagem de Ethan Hawke, o filme tem como objetivo principal apresentar a teoria do paradoxo temporal, e a história não poderia ser das mais ousadas e surpreendentes. A trama começa com um viajante do tempo que tenta impedir uma bomba de explodir. Ele sofre um acidente que o deforma, e ao retornar à sua época, após ser submetido à cirurgias reparadoras que reconstituem seu rosto, é revelado que ele está há anos atrás de um terrorista conhecido como Fizzle Bomber.

Na iminência de se aposentar, ele se vê forçado a recrutar um novo agente temporal para assumir sua missão, ao que viaja para 1975, onde, trabalhando disfarçado num pub, encontra John (Sarah Snook), autor de uma coluna numa revista feminina e na qual assina como The Unmarried Mother. Persuadido a contar sua história, ele revela ter crescido num orfanato como uma menina chamada Jane, e que dotado de grande inteligência, participou de um difícil processo seletivo para um grande projeto da NASA. Circunstâncias alheias à sua vontade, o impediram de ser escolhida, e Jane acabou vivendo um romance com um homem mais velho pouco depois, o qual a engravidou e a abandonou. John conclui sua história, revelando que ao dar à luz, descobriu ter os dois sexos, e complicações no parto o fizeram se tornar definitivamente um homem. Como se não bastasse, sua filha recém-nascida, foi roubada do hospital, e ela nunca mais viu o homem que a seduziu e a filha que tiveram.

Impressionado, o personagem de Hawke provoca John sobre ele querer descobrir a identidade do homem que mudou sua vida, engravidando-o quando era mulher e, intrigado, o colunista admite que sim. Os dois então viajam no tempo para o exato momento em que Jane encontrou o homem que a seduziu, e John faz uma descoberta chocante, ao mesmo tempo em que é revelado o destino da criança raptada no hospital meses depois.

O filme é uma bela surpresa, ainda que não seja uma grande produção, e o único alívio performático seja o de Ethan Hawke. A despeito dos acréscimos em contrapartida à história original, que se limitam apenas ao recrutamento de um novo agente do tempo pelo personagem principal, o filme funciona bem, e é garantia de boa diversão.

MV5BMjE0MzQ0NjkzNF5BMl5BanBnXkFtZTgwMTk3NTU2MjE@._V1__SX1357_SY698_

Senhor Babadook (2014)****

Escrita e dirigida por Jennifer Kent, a produção australiana The Babadook é uma das grandes surpresas do gênero thriller de horror do ano de 2014.

A trama gira em torno de uma jovem viúva, Amelia (Essie Davis), e seu hiperativo filho de sete anos, Samuel (Noah Wiseman). Eles tem uma vida relativamente normal, até que descobrimos o quão traumática foi a morte do marido para Amelia, e o quanto ele faz falta. Funcionária em um asilo, Amelia tem como única relação a irmã, Claire (Hayley McElhinney), que não consegue entender o estranho comportamento do sobrinho, e num dado momento, rompe contato com a mesma, bem como a vizinha, Sra Roach (Barbara West), que tem grande apreço pelos dois, e desconfia de que alguma coisa errada está acontecendo na casa.

Os problemas começam quando Amelia começa a ler o misterioso livro “Senhor Babadook” para Samuel, e não apenas o garoto fica aterrorizado, como ela também passa a notar estranhos acontecimentos até ter a certeza de que não estão sozinhos ao cair da noite. Quando um monstro passa a emergir da escuridão das sombras dos armários para aterrorizá-los à noite, Amelia precisa se recompor e proteger o filho.

O filme é uma boa pedida, mas não espere encontrar uma garantia para bons sustos. Embora o Senhor Babadook da história proporcione algum medo, não chega a ser algo aterrador. Contudo, quando a trama ganha contornos de horror psicológico, o filme se torna bem mais interessante, e o perigo mais real, principalmente para o pequeno Samuel.

Longe de ser uma grande produção, o arroubo o filme são as estupendas performances de Essie Davies e Noah Wiseman, que interpretam mãe e filho, e só por isso Senhor Babadook já vale a pena ser conferido.

Film Review Under the Skin

Sob a Pele (2014)****

Jonathan Glazer dirige o controvertido e surreal Under the Skin, filme que adapta o romance homônimo do holandês Michel Faber, autor também de The Crimson Petal and the White, que deu origem a uma bem sucedida minissérie produzida pela British Broadcasting Corporation (BBC).

Em Under the Skin, porém, a despretensiosa história com nuances de ficção científica ganha estilo e belíssimo visual que envolve não apenas a trama como a própria fotografia do filme, com tomadas inteiramente realizadas em Glasgow e nas Highlands escocesas.

A história gira em torno da personagem de Scarlett Johansson, que, sem identificação, mas que no romance de Faber se chama Isserley, após vestir-se com as roupas de outra mulher, sai pelas ruas de Glasgow conduzindo uma van. No início, não fica clara sua intenção, até que finalmente descobre-se que ela está procurando presas, em especial, homens. Ela os seduz e os conduz até uma casa na intenção clara de fazer sexo com eles, mas eles são capturados, e embora no filme não seja explicado, são entregues para seus compatriotas para que sejam mutilados e engordados a fim de serem consumidos como “vodsel”, uma iguaria em seu planeta natal.

Seu único contato no filme, é com o motociclista, que no livro seria seu superior, Esswis, encarregado de analisá-la de vez em quando para que sua missão continue de forma eficiente, e também para encobrir suas eventuais pistas.

Com consideráveis mudanças em relação à história original, a alienígena interpretada por Johansson dá a entender que a captura dos humanos é puramente para remover sua pele, para eventual utilização por outros de seu planeta de modo a se infiltrarem como se fossem humanos na Terra. A partir de um determinado momento, a personagem ganha empatia por uma de suas presas, um jovem com neurofibromatosis, e o liberta, ao que passa a ser caçada por Esswis.

Apontado como pretensioso e indecifrável, Under the Skin é, porém, mal interpretado. Com humor negro, a história não tem qualquer mistério, afinal, a mensagem do longa-metragem é bastante clara, qual seja: a de uma alienígena que rapta humanos para guarnecer sua espécie e que acaba se questionando acerca de sua missão a ponto de abandonar os seus para viver entre os humanos, com o detalhe de que jamais poderá ser uma. O cenário desolado e hipnotizante do filme é apenas um bônus que torna o filme ainda mais charmoso e interessante.

MV5BNjcyNTYyMDExMV5BMl5BanBnXkFtZTgwMDE3MTM0MTE@._V1__SX1217_SY640_

Noé (2014)**

O controvertido cineasta Darren Aronofsky dirige a adaptação da fábula da Arca de Noé em Noah, produção milionária e com grande elenco que, todavia, decepciona ao tentar transformar o longa-metragem numa ferramenta para transmitir uma mensagem existencial ou filosófica totalmente desprovida de qualquer estímulo intelectual, quando deveria unicamente se limitar a apresentar aquele que é apontado como o maior genocídio da mitologia bíblica.

Cansativo, e repleto de elementos extremamente fantasiosos que só tornam o filme ainda mais desanimador, não que devesse ser crível, Noah tem provavelmente como único mérito os desempenhos de Russell Crowe como o personagem-título, Jennifer Connelly, como Naameh, sua esposa, e Anthony Hopkins com uma pequena aparição como Matuzalém.

O acréscimo dramático fica por conta de uma tribo liderada por Tubal-cain (Ray Winstone), que quer entrar na arca antes que a inundação anunciada destrua completamente a Terra, aliado ainda a uma sucessão de confrontos embaraçosos entre Noé e seu filho mais novo, Ham (Logan Lerman), e uma gravidez inesperada de Ila (Emma Watson), mulher de seu primogênito, Shem (Douglas Booth).

Embora Noah seja uma grande produção, e mereça alguma consideração pelos espetaculares efeitos especiais proporcionados e as sustentáveis performances de seu elenco, o filme é deveras pretensioso e está longe de ser bom como deveria, uma vez que toma um rumo intenso e intrincado demais, quando deveria apenas contar uma lenda bíblica.

Anúncios

Deixe um Comentário

Anúncios
Anúncios