Filmes do mês de novembro

Walter-Mitty

A vida secreta de Walter Mitty (2013)****

Ben Stiller dirige e estrela a comédia de aventura escrita por Steve Conrad, The secret life of Walter Mitty, que conta a história do tímido sonhador funcionário do departamento de imagens da Life Magazine, que decide embarcar numa jornada global após se dar conta do quão frustrante é sua vida por conta de sua habitual inércia.

Enquanto nutre uma paixão platônica por sua colega de trabalho, Cheryl (Kristen Wiig), e tenta descobrir o motivo pelo qual não consegue receber flertes num site de relacionamento, Walter (Stiller) torna-se vítima de constantes provocações de seu novo chefe, Ted (Adam Scott), que coloca não apenas o seu, como o futuro de todos os demais funcionários da empresa em perigo com a virtualização da imponente revista Life. As coisas ficam complicadas para Walter quando a fotografia capa da última edição de uma era do periódico não está no rolo de filmes enviados pelo excêntrico fotógrafo Sean O’Connell (Sean Penn).

Decidido a conquistar Cheryl e a honrar seu compromisso profissional de encontrar a fotografia faltante, Walter vai ao encalço de Sean na Groenlândia, e vive diversas aventuras até finalmente encontrá-lo, e que irão fazê-lo tomar coragem para enfrentar seus problemas quotidianos.

O filme, que conta ainda com a presença de Shirley MacLaine como Edna, mãe de Walter, é uma agradável surpresa, daquelas que ficam como referência para a vida toda porquanto um verdadeiro manual de auto-ajuda aos que não se sentem motivados a sair da rotina. O fato é que Ben Stiller realmente se supera. Vale a pena ser conferido!

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A Culpa é das Estrelas (2014)****

Adaptado do romance homônimo de John Green, Josh Boone dirige A Culpa é das Estrelas, filme que pode muito bem ser considerado como uma versão atual de Love Story, e que segue a mesma linha de clássicos como Ensina-me a Amar, Doutor Zhivago ou Ghost, valendo-se da fórmula infalível de Nicholas Sparks em seus aclamados The Notebook A Walk to Remember, no qual dois personagens descobrem o amor e precisam lidar com as difíceis e terríveis circunstâncias que irão separá-los.

Como no dramático filme de Arthur Hiller, a tragédia na vida do casal de protagonistas é a morte e as consequências da existência de uma contraparte na vida do outro. E é no momento anterior a essa relação que irá transformar a vida de duas pessoas que somos introduzidos à rotina de Hazel (Shailene Woodley), vítima de um tipo raro de câncer, que sobrevive com a ajuda de um tanque de oxigênio que precisa carregar por onde quer que vá. Fatalista, sua maior preocupação é com o que será de seus pais, Frannie (Laura Dern) e Michael (Sam Trammell), após sua morte.

Ao decidir frequentar um grupo de apoio por conta da insistência de sua mãe e de sua médica, Hazel conhece o extrovertido e otimista Gus (Ansel Elgort), recém-sobrevivente do câncer que precisou amputar uma perna, e cujo objetivo é deixar sua marca no mundo. Os dois imediatamente se apaixonam, e partem em busca do autor do romance favorito de Hazel, Van Houten (Willem Dafoe), no intuito de descobrirem o final da história que acaba com uma frase incompleta. Após contatarem a assistente do escritor, eles viajam para Amsterdã, isso a despeito de uma crise de recaída sofrida por Hazel. Embora o encontro seja uma das piores experiências por eles vivida, os dois consumam a relação para então depois Gus revelar que sua doença voltou agressivamente, causando uma grande reviravolta na história.

O filme é uma ótima pedida no quesito tragédia romântica, e ainda que tenha final previsível, no qual o telespectador sabe de antemão que um dos protagonistas (ou ambos) não irá sobreviver ao mal que lhe acomete, fica a dica para a louvável lição de vida deixada, aliada às estupendas performances dos até então desconhecidos Woodley e Elgort.

chinatown-nicholson

Chinatown (1974)***

Inspirado na história de Robert Towne, Roman Polanski dirige Chinatown, thriller de mistério que segue a mesma linha dos consagrados filmes noir dos idos dos anos de 1930 e de 1940.

A história gira em torno do detetive particular J.J. Gittes (Jack Nicholson), que, após ser envolvido numa armação com a finalidade de comprometer a reputação de Hollis Mulwray (Darrell Zwerling), empresário renomado do ramo de abastecimento de água da região, decide investigar por conta própria os mistérios que dizem respeito ao seu posterior óbito, e que dizem respeito também à sua fascinante viúva, Evelyn (Faye Dunaway).

Gittes descobre uma rede de intrigas que envolve os escusos negócios de Noah Cross (John Huston), sogro de Hollis e ex-sócio, como também acaba se tornando alvo de bandidos sanguinários, como o personagem do próprio Polanski, que surge na trama apenas para arrancar um pedaço do nariz de Nicholson.

Claro que romance não falta, e Gittes acaba eventualmente se envolvendo com Evelyn, para somente depois descobrir um grande segredo que pode finalmente revelar os motivos e a autoria do assassinato de Hollis.

Embora o filme seja considerado um clássico, e o elenco seja impecável, a trama e o desenrolar dos acontecimentos deixa muito a desejar. Há várias incoerências e inconsistências na história, como o fato de Gittes se deixar enganar por uma falsa Sra Mulwray no início da película, ou mesmo as circunstâncias que culminam no desfecho da narrativa, e que, diz-se, teriam sido modificadas por Polanski em relação ao livro que a originou.

De qualquer modo, o longa-metragem se presta como boa referência à época em que produzido, quando a atuação, a cinematografia e a reconstituição de época eram o grande arroubo das produções hollywoodianas.

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O Homem que mudou o jogo (2011)*****

Brad Pitt estrela a cinebiografia de Billy Beane, ex-jogador de baseball e dirigente esportivo que, na qualidade de gerente geral do time de baseball Oakland Athletics, precisou, com um orçamento mínimo, e uma coleção de derrotas, criar um time competitivo para a temporada de 2002, valendo-se de uma sofisticada análise estatística dos jogadores.

Inspirado no livro de Michael Lewis, Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game, Bennett Miller dirige o filme, que também conta com Jonah Hill, Philip Seymour Hoffman, Robin Wright e Chris Pratt no elenco.

O longa-metragem se concentra especificamente no período em que Billy Beane (Pitt) precisa reunir esforços para construir um time para a temporada de baseball de 2002. Com baixo orçamento, ele acaba esbarrando em Peter Brand (Hill), analista estatístico que acaba sendo contratado para ajudá-lo em sua empreitada.

Paralelamente, o personagem rompe vários tabus, não apenas com a aplicação de um sistema considerado inapto para o imprevisível meio dos esportes, como também no da aproximação com os jogadores e na superação de seu traumático passado, o qual o assombra em cenas flashback que mostram sua trajetória pessoal como um ex-promissor jogador de baseball.

O filme é uma boa surpresa, seja no que diz respeito ao enredo, excelentemente bem construído, ou no que se refere ao desempenho de Brad Pitt, que definitivamente merecia um prêmio por sua atuação. Mas o melhor da película, é que a lição deixada, qual seja, valorização humana, pode ser facilmente empregada em diversos setores da vida.

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Gandhi (1982)*****

Não à toa, Gandhi foi o grande vencedor dos Academy Awards® de 1983, levando os prêmios de Melhor Diretor para Richard Attenborough, Melhor Ator para Ben Kingsley, Melhor Roteiro para John Briley e Melhor Filme, entre vários outros.

Cinebiografia do líder popular indiano, Mohandas K. Gandhi, o longa-metragem conta a trajetória de vida do jovem e tímido advogado que se tornou principal integrante da derrocada indiana contra o colonialismo britânico, valendo-se do protesto não violento, chegando a se tornar o que muitos apontam hoje em dia devido à sua filosofia de vida, um líder espiritual.

A história começa a partir da sua estadia na África do Sul, em meados de 1891, e vai até seu assassinato por Nathuram Godse (Harsh Nayyar), em 1948. Na África do Sul, onde passou um ano na qualidade de representante de uma firma hindu, Gandhi viveu intensamente a discriminação racial, o que lhe despertou a consciência social. Ao retornar para a Índia, e descobrir a existência de um projeto de lei para privar os hindus do voto, ele passa a se engajar fervorosamente na proteção dos direitos de seus compatriotas.

Envolvido em vários protestos, Gandhi desenvolveu o uso de ahimsa, que significa “sem dor” e que eventualmente se tornou o protesto “não violento” como base da procura para verdade. Atraído para uma vida agrícola simples, abdicou da profissão, abraçou costumes hindus, e continuou fortemente envolvido em questões políticas até a obtenção da independência para a Índia. Mas enquanto Jinnah (Alyque Padamsee), líder muçulmano que exigia a criação de um estado separado – o Paquistão -, Gandhi passa a pregar a unidade e a tolerância, fazendo os hindus acreditarem ser ele a favor dos muçulmanos, culminando num grande conflito civil, que, ao final, fez com que ele finalmente acatasse a ideia da divisão da Índia em dois países.

Produção de altíssima qualidade, que conta ainda com Candice Bergen e Martin Sheen no elenco, e o desempenho ímpar de Ben Kingsley, Gandhi é muito mais do que a adaptação da história de vida do líder popular indicado cinco vezes ao prêmio Nobel da Paz, entre 1937 e 1948, mas também um filme soberbo, que conta a trajetória de vida de um ser humano que abriu mão de seu próprio conforto para lutar pacificamente, e colocando em risco a própria vida pelos direitos de um país inteiro. Vale a pena ser conferido!

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A Firma (1993)****

Inspirado no romance homônimo de John Grisham, Sydney Pollack dirige A Firma, thriller de suspense jurídico que conta a história de um recente graduado em Direito pela Harvard que recebe uma proposta irrecusável para trabalhar numa conceituada firma em Memphis, mas que acaba se envolvendo numa rede conspiratória que poderá colocar fim aos seus sonhos e à sua própria vida.

Mitch McDeere (Tom Cruise) é o jovem advogado recrutado pela firma que dá título ao longa-metragem, e que decide se mudar de NYC para Memphis, com sua esposa, Abby (Jeanne Tripplehorn). Lá, eles passam a desfrutar de todas as regalias que a tal firma concede aos seus associados, e quando tudo parece perfeito, a misteriosa morte de dois advogados nas ilhas Cayman e a abordagem do FBI, através do agente Wayne Terrance (Ed Harris), sobre os mistérios que envolvem todos os seus sócios e boa parte dos associados fazem com que Mitch passe a desconfiar de que há algo muito terrível por trás de tudo.

Após contatar Ray (David Strathairn), seu irmão que está na cadeia, e contratar os serviços de um detetive particular (Gary Busey), as suspeitas de Mitch ganham mais força quando um novo assassinato ocorre, e ele precisa correr contra o tempo para salvar sua pele, a de sua esposa e também a de seu irmão.

O filme, tanto quanto o livro, é uma boa surpresa, e Tom Cruise está definitivamente em sua melhor forma. Excelentemente produzido, a película talvez tenha como mácula sua trilha sonora, um pouco fora de harmonia com a trama, mas de resto, a história é tão bem amarrada que os 154 minutos de duração do longa-metragem, que tem ainda Gene Hackman e Paul Sorvino no elenco, passam quase completamente despercebidos. 

1974

Red Riding Trilogy: Part 1: 1974 (2009)****

Red Riding: Part 1 é a primeira parte de uma trama de mistério que se passa na desolada comunidade de Yorkshire, no Reino Unido, e que tem como ponto de partida eventos havidos no ano de 1974. Primeiro de uma trilogia inspirada nos quatro livros de David Peace, 1974, 1977, 1980 e 1983, a história é ambientada no ano que dá título ao filme, e começa com o brutal assassinato de uma menina que no dia do seu desaparecimento vestia um capuz vermelho.

O que começa com uma investigação do que virá a ser o desaparecimento de várias outras meninas e o possível envolvimento de um serial killer, fará com que um jornalista amador, Eddie Dunford (Andrew Garfield) descubra uma rede de corrupção que envolve praticamente todo o sistema policial e político da região, responsável ainda por acobertar a identidade do autor dos vários assassinatos de menores. O que Eddie não sabe, é que ele está sozinho nessa grande empreitada, e seu envolvimento amoroso com a mãe de uma das vítimas será sua sentença de morte.

O filme funciona perfeitamente como introdução a uma saga cujo desfecho ocorre apenas na última parte, e é excelentemente dirigido. Seu clima de suspense é instigante, intrigante e eletrizante, e as performances imbatíveis, não apenas de Garfield, que surpreende como um ambicioso jornalista em busca de redenção, como também as de Sean Bean e de David Morrissey, são um bônus que vale a pena ser conferido.   

1980

Red Riding Trilogy: Part 2: 1980 (2009)****

James Marsh dirige a continuação de Red Riding: Part 1, adaptado da saga literária de David Peace, e dá continuação a trama de mistério que envolve o sequestro e o assassinato de várias crianças na desolada Yorkshire, bem como o envolvimento da polícia numa grande rede de corrupção.

Paralelo ao desfecho havido na primeira parte da história, a trama gira em torno de Peter Hunter (Paddy Considine), que assume a investigação de um novo assassinato em Yorkshire. Aliado aos seus dramas pessoais, que vão desde o difícil relacionamento com a esposa, Joan (Lesley Sharp), e o caso extraconjugal com a colega de trabalho, Elizabeth (Julia Ford), Peter precisa lidar com os métodos pouco convencionais dos seus colegas policiais do distrito de Yorkshire para lidar com seus suspeitos, ao passo em que descobre um emaranhado de corrupção que envolve todo o departamento.

Aos poucos, a trama se alinha com os eventos havidos na primeira história, mas quando Peter finalmente junta as peças no que diz respeito ao desfecho de Red Riding: Part 1 e tudo o que pode ter sido descoberto pelo jornalista Eddie Dunford (Andrew Garfield), já é tarde demais.

Mais uma vez o filme conta com as presenças substanciais de Warren Clarke, David Morrissey e Sean Harris como os policiais corruptos de Yorkshire, bem como de Peter Mullan, como o misterioso reverendo Martin Laws, e da mesma forma como seu precedente, o filme não revela o assassino das crianças, mas se presta perfeitamente como gancho para a terceira e última parte da trilogia.

1983

Red Riding Trilogy: Part 3: 1983 (2009)****

A terceira a última parte da trilogia adaptada da saga literária de David Peace segue com Red Riding: 1983, dirigida por Anand Tucker, e conclui a trama de mistério ambientada na desolada comunidade de Yorkshire, no Reino Unido, e que tem como ponto de partida o desaparecimento e a morte brutal de uma menina no ano de 1974, cujo assassino tem conexão com a polícia e os políticos e empresários locais.

Quando outra criança desaparece dez anos após os eventos havidos nos dois primeiros filmes, e o advogado John Piggot (Mark Addy) é contratado para provar a inocência de Michael (Daniel Mays), principal suspeito do crime, uma rede de intrigas passa a ser desvelada, ao mesmo tempo em que BJ (Robert Sheehan), vítima sobrevivente do assassino de Yorkshire, decide voltar para se vingar, e Maurice Jobson (David Morrissey), policial que ajudou a acobertar todos os crimes envolvendo as crianças desaparecidas e a corrupção no departamento de polícia, tomado por grande remorso, pretende se redimir de seus erros.

Conclusão para a saga iniciada com Red Riding: Part 1, o filme funciona excepcionalmente bem, a despeito de algumas incoerências e inconsistências pertinentes ao personagem de Morrisey, especificamente no que diz respeito à sua súbita dor de consciência após tantos anos.

De qualquer modo, o filme segue a mesma linha dos seus precedentes e confere um desfecho inesperado e surpreendente. A dica, no entanto, é assistir a Red Riding 1974: Part 1, Red Riding 1980: Part 2 e Red Riding 1983: Part 3 em sequência, uma vez que os detalhes havidos em um filme fazem toda a diferente nos demais.

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Frida (2002)***

Julie Taymor dirige Frida, cinebiografia da pintora mexicana Frida Kahlo, inspirada no livro Frida: A Biography of Frida Kahlo, de Hayden Herrera.

O filme mostra a juventude da consagrada artista surrealista, desde o acidente que a manteve paralisada por mais de seis meses e que lhe permitiu o aperfeiçoamento de suas técnicas como pintora até seu conturbado casamento e reconhecimento internacional.

Salma Hayek empresta todo seu carisma como Frida Kahlo em todas as suas fases, desde a menina que se veste como homem e que vive desenfreadamente suas liberdades sexuais, até a mulher que se envolve amorosamente com o também pintor local, o mulherengo Diego Rivera (Alfred Molina). Mentor de Frida, Diego acaba se apaixonando por ela, e os se casam, ao que a jovem pintora passa a se cercar de seus excêntricos e controvertidos amigos envolvidos com o comunismo.

A película transita pelos problemas no casamento de Frida com Diego devido às constantes traições deste, a viagem dos dois aos Estados Unidos, assim como o caso amoroso de Frida com o intelectual marxista e revolucionário bolchevique russo, Leon Trotsky (Geoffrey Rush), organizador do Exército Vermelho e rival de Stalin, que, expulso da União Soviética, refugiou-se no México até seu assassinato encomendado.

Com imagens surreais, que em muito transpõem para a tela o estilo da célebre pintora, o longa-metragem conta ainda com participações de Valeria Golino, como Lupe, ex-esposa de Diego, que, após alguns chiliques acaba se tornando amiga de Frida, Diego Luna, como Alex, primeiro grande amor da vida de Frida, Edward Norton, como Nelson Rockfeller, bem como Antonio Banderas e Ashley Judd, que fazem pequenas pontas.

Embora seja visualmente impecável, o filme, que é uma adaptação da vida e da arte de Frida Kahlo com tons de humor, chega a ser um tanto quanto desconfortável e absurdo em certos momentos, considerando as várias tragédias pessoais sofridas por sua protagonista, desde o acidente e as inúmeras cirurgias a que precisou ser submetida, até a traição do marido com a própria irmã, Cristina (Mía Maestro). Ainda assim, vale a pena ser conferido pelo ótimo desempenho de Hayek.

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O clube dos cinco (1985)*****

Esse é o típico filme que precisa ser conferido de tempos em tempos, para nos fazer lembrar de valores atemporais e de uma era em que os filmes eram muito mais complexos e humanos sem que precisassem ser grandes produções.

Obra prima do saudoso roteirista e cineasta John Hughes, responsável por tantos outros clássicos da adolescência nos idos dos anos de 1980, O Clube dos Cinco conta a história de cinco estudantes ginasiais de diferentes classes sociais e estereótipos que são submetidos a uma manhã inteira de sábado de detenção na escola, e que descobrem terem muito mais em comum do que jamais imaginaram.

O quinteto de detentos é formado por Brian (Anthony Michael Hall), o típico nerd; Andrew (Emilio Estevez), o atleta fanfarrão; Claire (Molly Ringwald), a garota popular; Allison (Ally Sheedy), a esquisita; e Bender (Judd Nelson), o delinquente sem futuro. Supervisionados pelo opressor Vernon (Paul Gleason), eles são confinados na biblioteca e precisam até o final da detenção entregar uma redação na qual devem dizer quem acham que são.

Claro que desavenças iniciais são inevitáveis, mas antes que o grupo se divida, os cinco acabam descobrindo coisas muito em comum entre eles, como abusos e pressão em casa e na escola. Num dos melhores momentos do longa-metragem, cada qual abre seu coração à sua maneira ao revelar os motivos para estar ali e o respeito e a amizade são finalmente conquistados de forma tão ímpar, que não é à toa tantos fãs da película desejarem há várias décadas uma continuação em tempos atuais.

O Clube dos Cinco é um sucesso Cult conferido por várias gerações que dispensa maiores comentários diante do grande legado deixado, mas jamais será suficiente expressar o quão marcante é e foi na vida daqueles que captaram sua grandiosa mensagem. Vale a pena ser visto e revisto!    

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A Mentira (2010)***

Will Gluck dirige o divertidíssimo A Mentira, filme que traz Emma Stone protagonizando uma história que em muito remonta os clássicos dos idos dos anos de 1980, escritos e dirigidos por John Hughes.

A trama gira em torno da personagem Olive (Stone), filha única de um casal bastante liberal formado por Rosemery (Patricia Clarkson) e Dill (Stanley Tucci). Além de ser de fácil trato pelos professores do ginásio em que estuda, como Mr Griffith (Thomas Haden Church), e de ser basicamente despreocupada com problemas tão comuns da idade, Olive tem como único problema o fato de gostar em silêncio do popular Todd (Penn Badgley).

Ao mentir para a melhor amiga, Rhiannon (Aly Michalka), ao revelar ter perdido a virgindade apenas e tão-somente para se ver livre da pressão desta, Olive acaba se tornando alvo da fanática religiosa Marinne (Amanda Bynes), que espalha suposta confissão por todos os cantos do ginásio. Ao tentar defender sua reputação quando de uma discussão sobre a protagonista do livro A Letra Escarlate, Olive é colocada em detenção, e acaba admitindo ao colega gay, Brandon (Dan Byrd), ter sido vítima de um mal entendido do qual jamais se preocupou em desmentir. Mas quando ela sugere seguir com a ideia e vestir o papel de vítima da protagonista do livro, Brandon decide lhe pedir um favor que a tornará ainda mais mal falada. Sem hesitar muito, ela aceita, e a situação ganha proporções ainda mais desastrosas.

O filme é uma agradável surpresa, e Emma Stone é de um talento simplesmente prodigioso nessa sua primeira película como protagonista. Não bastasse isso, a história é aprazível, e o elenco suporte, reforçado por Lisa Kudrow e Malcolm McDowell, não deixa nada a desejar. Vale a pena ser conferido!

expendables3 Os Mercenários 3 (2014)**

Quando Sylvester Stallone concebeu a ideia para Os Mercenários (2010), talvez o objetivo jamais tenha sido o de produzir um legado no que diria respeito a roteiro inteligente ou sequências de ação impressionantes. Mas a coisa saiu como ele queria, e tivemos Os Mercenários 2, desta vez dirigido por Simon West.

Ao optar por investir num projeto que traria a uma mesma película grandes nomes dos filmes de ação dos anos de 1980, a intenção clara de Stallone foi a de meramente fazer uma homenagem à história de cada um desses antigos astros. As tramas nos dois longa-metragens podem não ser bem elaboradas ou mesmo dignas de comparação às consistentes cinesséries de Rocky e First Blood, igualmente roteirizadas por Stallone, mas ao menos apresentam diálogos bem sacados, repleto de piadas internas capazes de serem compreendidas somente pelos que verdadeiramente conhecem o trabalho dos intérpretes dos mercenários que dão nome ao título.

Embora Os Mercenários 3, dirigido por Patrick Hughes, seja inferior aos dois primeiros filmes, a fórmula ainda está lá, e continua funcionando bem.

Desta vez, o acréscimo ao elenco fica por conta dos igualmente “dinossauros” Wesley Snipes e Harrison Ford. Ford, que entra em cena como o personagem Drummer, substitui Bruce Willis, que sai da franquia após uma frustrada tentativa de negociação salarial. Snipes, por sua vez, é o mercenário resgatado de uma prisão russa, e uma proposital referência à sua prisão de cinco anos por sonegação fiscal na vida real é apontada aos personagens Lee (Jason Statham), Gunner (Dolph Lundgren), Toll (Randy Couture) e Caesar (Terry Crews), como motivo para seu enclausuramento.

Mas é quando o vilão da vez, o ex-melhor amigo de Barney (Stallone), ex-mercenário e agora contrabandista internacional de armas, Stonebanks (Mel Gibson), dá as caras, que uma batalha pessoal é iniciada. Com aval de Drummer, Barney é recrutado para capturá-lo, mas a baixa de Caesar durante uma emboscada o faz dispensar os demais e sair em busca de novos e mais atualizados mercenários.

Com a ajuda de Bonaparte (Kelsey Grammer), Barney, que teme pelo bem estar dos velhos amigos após o abate de um deles, recruta “sangue novo” representado por Thorn (Glen Powell), Mars (Victor Ortiz), Luna (Ronda Rousey), Smilee (Kellan Lutz) e Galgo (Antonio Banderas), e dá início à uma dura investida contra Stonebanks. Claro que as coisas não saem exatamente como o planejado, e um grupo revigorado e cheio de tecnologias ainda está longe da dinâmica da equipe experiente, de modo que Lee, Gunner e Toll aparecem para ajudar, enquanto a cavalaria fica por conta de Drummer, Trench (Arnold Schwarzenegger) e Yang (Jet Li).

Como dito, a franquia Os Mercenários está longe de ser uma série de filmes cerebrais, mas apenas e tão somente de nostagia. Nem as sequências de ação são surpreendentes. Pelo contrário, são exageradas e absurdas. Mas os filmes cumprem bem seu papel, e embora o terceiro filme da saga não seja o melhor de todos, ainda vale a pena ser conferido por ser uma das poucas possibilidades de se ver em uma mesma película inúmeros astros de uma era unidos a tantos lutadores de MMA.

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O Conselheiro (2013)**

Ridley Scott dirige o decepcionante, mas nem por isso desinteressante O Conselheiro, que conta a história de um advogado envolvido no ramo do tráfico de diamantes, que acaba decidindo também se envolver no tráfico de drogas.

O Conselheiro que dá título ao filme, e cujo nome jamais é mencionado no longa-metragem, é interpretado por Michael Fassbender. Noivo de Laura (Penélope Cruz), e com grandes projetos pessoais em vista, ele tem como principal cliente o traficante Reiner (Javier Bardem), envolvido amorosamente com a ardilosa Malkina (Cameron Diaz).

Ao decidir fazer negócios no ramo do tráfico de drogas, o Conselheiro é colocado para tratar diretamente com o misterioso Westray (Brad Pitt), e tudo parece bem encaminhado para sua nova empreitada, a despeito dos avisos deste último sobre os perigos que permeiam o ramo, até que o desvio de uma valiosa carga compromete todos os envolvidos.

O Conselheiro se vê então num grande embate que pode comprometer não apenas sua vida, mas também a de sua noiva, e quando cabeças começam a rolar, as coisas ficam verdadeiramente tensas e intensas até que finalmente o responsável pela sabotagem de seus negócios seja revelado.

Frustrante, o filme peca pela incoerência e pela previsibilidade. Embora a história seja interessante, o enredo se mostra inconsistente, e o elenco até se esforça para fazer um trabalho digno, mas pouco se salva de O Conselheiro, que por vários motivos acaba se tornando o grande fiasco da carreira de Ridley Scott. Apesar de tudo, o filme, que também tem Bruno Ganz, Rosie Perez, Dean Norris, John Leguizamo e Goran Visnjic no elenco, pode ser conferido como mero entretenimento, claro, sem maiores expectativas.

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