Review do episódio #1.03 de Gotham

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Com apenas três semanas desde sua estreia, Gotham introduz o elemento “vigilante”, ainda que Bruce Wayne esteja longe de se tornar o Cavaleiro das Trevas.

Intitulado Balloonman, o terceiro episódio não apenas dá uma pista sobre o futuro de alguns personagens, como também da própria série, e em sequência a Selina Kyle, episódio em que temos os controvertidos vilões Patti (Lili Taylor) e Doug (Frank Whaley) atuando em nome do Ventríloquo, surge agora o vigilante anônimo conhecido apenas como “Balloonman”. Com o rosto coberto, ele aprisiona sua vítima a um balão a gás, e o solta para subir longe aos céus.

Longe de ser um vilão clássico do universo de Batman, o Balloonman surge apenas como uma referência necessária para o combate ao crime, mas condenável pelo simples fato de matar suas vítimas, tal como aponta o próprio jovem Bruce Wayne (David Mazouz) ao final do episódio, quando explica para Alfred (Sean Pertwee) ser ele um criminoso como todos os demais, estabelecendo o caráter e a moral do futuro Homem Morcego.

Falando no jovem Bruce, o personagem tem momentos mais leves na série, ao finalmente voltar a abraçar a infância com a ajuda de Alfred. Os dois brincam com espadas na biblioteca, e temos ai um momento muito mais crível que nos episódios anteriores entre o órfão Wayne e o fiel mordomo. Tal sequência também se presta para afastar um pouco a ideia de uma criança constantemente sombria, antipática e amargurada, o que causa certo desconforto, por mais que se trate do futuro Batman. Claro, eventualmente Alfred o confronta sobre as fotos que encontrou de Thomas e Martha Wayne mortos no beco, ao que Bruce explica estar atrás de pistas sobre os assassinatos, deixando claro não confiar tanto assim em Jim Gordon (Ben McKenzie).

Gordon, por sua vez, também revela um lado seu até então não mostrado na série. Dois episódios após testemunhar uma verdadeira rede de corrupção envolvendo todo o departamento de polícia, e após conseguir uma pista concreta sobre a morte dos Wayne com a ajuda de Selina (Camren Bicondova), ele finalmente revela para Barbara (Erin Richards) o que sente sobre a corrupção ao admitir que “a cidade está doente, e de um jeito como jamais imaginou”. E ela não tem dúvidas de seu caráter, embora mais uma vez provocada por Montoya (Victoria Cartagena), ao ser informada do envolvimento do noivo na morte de Copplepot (Robin Lord Taylor). E Gordon se sobreleva como aquele personagem de moral intangível e que um dia chamará a atenção do Cavaleiro das Trevas frente a essa nova classificação de vilão em Balloonman, que, travestido como “vigilante”, mata de forma calculada e impiedosa.

Quanto a Barbara, não resta dúvidas de que ela guarda alguns segredos de Gordon. Se o indício aparece no episódio piloto, aqui já não restam dúvidas. Novamente confrontada por Montoya sobre Gordon ser ou não um policial corrupto, Barbara mais uma vez se mostra ser muito mais do que aparenta, e a torre de relógio está lá em seu apartamento para não deixar dúvidas de que ela talvez já seja ou eventualmente venha a ser a Oráculo. O fato é que Barbara também faz suposições sobre Montoya acerca de suas constantes insinuações sobre Gordon, mas fica totalmente descartada a possibilidade das duas terem um relacionamento. Sobre seu passado, porém, fica a dica para algo que poderá fazer Gordon perder do sono.

E claro que não fica de fora o grande arroubo da série até o momento. Copplepot, o grande vilão declarado do momento, a despeito de ainda não assumir o apelido que o consagra como o terrível Pinguim, não está muito longe de seus objetivos, sejam lá eles quais forem. De volta à Gotham, a despeito da promessa feita a Gordon ao final do episódio piloto, ele mais uma vez aponta o fato da cidade ser o seu destino, o que provavelmente dará muito pano para a manga, e passa a trabalhar no restaurante do mafioso Don Maroni (David Zayas), do qual escuta os nomes “Arkham” e “Falcone”.

Do outro lado da bandidagem, Fish (Jada Pinkett Smith), que reassume a postura dissimulada frente a Falcone (John Doman) após os eventos sucedidos do episódio anterior, também o confronta sobre seus planos sobre Arkham, e fica a pista de que as famílias de criminosos de Gotham estejam envolvidas com algo grandioso e que diz respeito ou ao manicômio que um dia abrigará os mais temíveis vilões do universo da DC Comics ou a uma pessoa que usa o nome Arkham.

Enfim, Balloonman se presta para mostrar as nuances dos personagens principais da série, e já dar as pistas para o ponto que marcará a mudança de Jim Gordon frente à corrupção e à necessidade de um vigilante em Gotham, exatamente como para Bruce Wayne – de forma muito bem pontuada na cena em que ele assegura a Alfred ser o Balloonman um criminoso como qualquer outro pelo fato de matar. Essa mudança provavelmente fará com que o detetive siga em frente contornando a rede que envolve todo o sistema de Gotham na medida em que cumpre seu dever como policial correto, ao ponto de eventualmente tentar acabar com a corrupção. Claro, Gordon não está lá à toa, e parece ser o joguete nas mãos de personagens como Fish e até mesmo Montoya, assim como talvez de Copplepot, de modo que precisará passar por muitas provações até finalmente se tornar o homem em que Batman confiará com sua própria vida num futuro distante.

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