Review do episódio #1.02 de Gotham

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Gotham segue com seu segundo episódio, com o que parece ser o padrão de esquisitices pela frente, sem perder o fôlego do piloto, e continua a explorar o dia-a-dia do incorruptível personagem James “Jim” Gordon (Ben McKenzie), sua evolução, assim como a de vários outros personagens do universo de Batman e da DC Comics.

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Os vilões da vez

A trama principal começa com crianças de rua surpreendidas por Patti (Lili Taylor) e Doug (Frank Whaley). Eles trabalham para o Ventríloquo, que não dá as caras no episódio. Com o pressuposto de lhes trazerem alimentos, os dois os entorpecem e os raptam. Selina Kyle (Camren Bicondova) é uma das crianças, mas ela consegue escapar. Um mendigo que testemunha todo o ocorrido é morto por Doug, e outro garoto também escapa no processo.

Na manhã seguinte, Jim Gordon e Harvey Bullock (Donal Logue) investigam o assassinato do mendigo. Jim se desentende com o policial que deveria guardar a cena do crime, e Selina os observa de longe.

Na delegacia, Jim e Harvey interrogam outro garoto que conseguiu escapar de Patti e Doug. Ele explica sobre a agulha com o entorpecente usado por Patti, e mostra o local onde foi picado, mas Harvey não acredita nele. O garoto diz que “Cat” pode confirmar toda a sua história, mas Harvey e Jim se desentendem, e não conseguem terminar o interrogatório.

O legista Edward Nygma (Cory Michael Smith) aparece novamente, tão bizarro quanto no piloto, mantendo a linha das adivinhações que o tornarão emblemático como o futuro Charada, e dá a pista principal: o componente químico usado para entorpecer as crianças é o mesmo outrora usado no Asilo Arkham, desativado há vários anos. A capitã de polícia, Sarah Essen (Zabryna Guevara), ordena a Jim e Harvey que não deixem o caso vazar junto à imprensa.

Ao mencionar tal fato a Barbara (Erin Richards) durante um jantar, Jim é surpreendido com a namorada ligando para o Gotham Gazette para divulgar todo o caso, contrariando-o. Ela diz que é o certo, e ele pede que ela não faça mais isso.

No dia seguinte, Essen fica furiosa com a manchete do caso em primeira página, e Harvey e Jim seguem até o local onde é fabricado o componente usado para entorpecer os garotos.

Patti e Doug estão no depósito do tal lugar para o qual Harvey e Jim estão à caminho. Lá, em seu porão, as crianças são mantidas presas. Morry Quillan (Wayne Duvall), dono do estabelecimento, está exasperado com a manchete, e pede o dinheiro que lhe devem. Há uma discussão, e Patti ataca seu segurança, mas Jim e Harvey aparecem. Doug e Patti coagem Morry a agir naturalmente, mas um tiroteio acontece e antes que as crianças sejam mortas, Jim aparece.

No dia seguinte, o Prefeito Aubrey James (Richard Kind) faz uma coletiva sobre a cidade cuidar melhor de suas crianças de rua, e que todas serão enviadas para abrigos. Na sala de Essen, ele diz a Jim que mandará as melhores crianças para sistemas de adoção e os casos perdidos para um centro correcional. Os dois se confrontam.

Selina está entre as várias crianças sendo transferidas para abrigos e centros, mas o ônibus no qual é colocada é sequestrado por Patti e Doug. Ela tenta escapar, mas Patti a ameaça.

Enquanto isso, na delegacia, Harvey espanca Quillin em busca de respostas sobre o paradeiro de Patti e Doug, mas ele não sabe de nada, e apenas menciona o símbolo que tinha na van utilizada por eles. Questionado sobre que o eles fazem com as crianças, ele informa desconhecer tal fato, e apenas especula que eles os comem.

As crianças são levadas para um depósito e colocadas em contêineres. Uma criança está faltando, e Patti volta para o ônibus para encontrá-la. É Selina, que se esconde entre os bancos, e consegue escapar.

Na delegacia, Jim consegue descobrir a que se refere o símbolo mencionado por Quillin, e os dois vão atrás de Patti e Doug. Enquanto isso, no depósito, um dos capangas é atacado por Selina, e Patti vai investigar. Selina tenta se esconder, mas é surpreendida. Antes que seja apanhada, porém, Harvey e Jim aparecem.

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Pinguim fazendo o ninho

Após ser “salvo” da morte certa por Gordon ao final do episódio piloto, Copplepot (Robin Lord Taylor) cumpre a promessa de deixar Gotham, pelo menos por enquanto. Ele está na estrada tentando arrumar carona, quando um veículo com dois garotos pára depois de provocá-lo um pouco. Eles lhe oferecem cerveja, e Oswald fala rapidamente sobre ter aprendido uma lição, e que pretende voltar para Gotham. E quando um dos garotos menciona o fato dele andar engraçado como um pinguim, Copplepot quebra a garrafa e enterra o que sobrou dela em sua mão no pescoço dele.

Enquanto isso, em Gotham, Montoya (Victoria Cartagena) e Allen (Andrew Stewart-Jones), que investigam seu desaparecimento, vão até a casa de sua mãe, Gertrude (Carol Kane). Eles não tem dúvidas de que ele foi morto, mas Gertrude acha que o filho está nas garras de alguma mulher.

Mais tarde, é mostrado que Oswald, que alugou um trailer longe de Gotham, tem um dos garotos vivos. Ele pede resgate, mas os pais acham que é uma armação, o que o deixa irritado.

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Fish e sua guerra pessoal

Falcone (John Doman) encontra com Fish (Jada Pinkett Smith) em seu clube, e informa estar intrigado com a última conversa que teve com Copplepot sobre a morte dos Wayne trazer problemas para seus negócios em Gotham. Ele acredita que sem os Wayne, Gotham fica desequilibrada. Fish informa que ele pode ficar tranquilo, e ele menciona outro comentário de Oswald sobre ele estar velho demais e Fish querer assumir seus negócios. Surpresa, ela aponta jamais ter dito qualquer coisa dessa natureza, e Falcone a ameaça sutilmente ordenando que seus homens espanquem violentamente seu suposto amante.

Mais tarde, Fish comenta com seu capanga Butch (Drew Powell) que está na hora de fazer um movimento contra Falcone, e que adoraria que Copplepot estivesse vivo para poder fazê-lo sofrer como merece. Mais tarde, Harvey e Jim encontram com ela para tentar obter alguma informação sobre os raptores de menores de rua, mas ela não tem qualquer informação que possa ajudá-los.

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Jovem Bruce desenvolvendo seu lado sombrio

Com menor participação que a do piloto, Bruce Wayne (David Mazouz) surge no início do episódio com a palma da mão acima da chama de uma vela. Alfred (Sean Pertwee) o surpreende, e grita com ele. Depois, o mordomo o abraça, desculpa-se e diz que tudo ficará bem.

Sabendo que Bruce parece respeitar Jim, Alfred o procura na delegacia, e lhe pede para fazer uma visita.

Lá pelo final do episódio, na mansão Wayne, Jim encontra com Alfred e os dois falam sobre os pesadelos de Bruce. O mordomo fala sobre o pedido de Thomas para não submeter o filho a tratamento psiquiátrico, e Bruce aparece, dizendo que ele não deve se preocupar. Jim diz a Bruce que ele deve conversar com alguém, e que não quer que ele se machuque. Bruce explica que está apenas testando seus limites, e então pergunta sobre o caso do rapto das crianças, e como gostaria de ajudar, ao que decide doar roupas.

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Selina faz um acordo com Jim

Ao final do episódio, depois de escapar duas vezes dos vilões Patti e Doug, e jamais descobrir o motivo pelo qual raptavam as crianças, Selina é preparada para ser levada com as crianças resgatadas do depósito para os centros. Mas ela ameaça um policial na intenção de falar com Jim.

O detetive aparece, e ela explica que não quer ser levada com os demais menores, e propõe fazerem um acordo. Intrigado, ele decide escutar o que ela tem a dizer, e a garota finalmente menciona saber quem é o assassino dos Wayne, ao que o episódio termina.

Balanço geral

Tão sinistro quanto seu predecessor, Selina Kyle, segundo episódio de Gotham, segue mostrando o submundo sombrio da fictícia cidade do universo de Batman, com criminosos insanos e suas intenções nefastas.

Na ausência dos grandes vilões que um dia habitarão as celas do asilo Arkham, seus coadjuvantes, os quais, nem por isso são menos perigosos, surgem com sorrisinhos sinistros e comportamento psicótico que em muito relembram as animações de Batman para a televisão, escritas por Paul Dini. Patti e Doug surgem como o que há de pior nos bastidores desse circo, e embora atuem em nome do Ventríloquo, que não aparece – supõe-se, por já aparecido em Arrow, ainda que seja série produzida por outra emissora – os antagonistas principais não fazem por menos com o terror que lhes é peculiar.

Ao menos tempo, fica evidente que uma guerra está prestes a ser travada entre Fish e Falcone, e o desequilíbrio é nítido. Se Fish pensa realmente ser capaz de derrubar Falcone, ela precisará de fôlego para também confrontar Copplepot logo em seguida, uma vez que ele parece disposto a voltar para sua vingança pessoal.

Jim, por seu turno, precisa continuar a fazer vista grossa para a corrupção que o cerca ao passo em que combate o crime nas ruas de Gotham. E se até mesmo Fish não parece certa de que ele realmente matou Copplepot ao final do piloto, estranho é considerar que Harvey, que trabalha ao seu lado durante todo o dia e com quem sempre tem embates morais, não tenha suspeitado de coisa alguma.

E se Jim é mesmo uma incógnita, talvez só o fato de conseguir esconder o que está em suas entranhas de sua própria namorada já é a deixa para os grandes conflitos que virão com Montoya, a qual estará cada vez mais em sua cola nos próximos episódios na certeza de que ele também está envolvido com o sistema corrupto instaurado na polícia de Gotham.

Em geral, o episódio é satisfatório, e segue a linha de seu precedente, sem perder o foco do que a série realmente é, ou seja, uma saga que conta a história da cidade das sombras, que tem os coadjuvantes do universo de Batman como protagonistas e seus icônicos vilões em evolução, isso tudo enquanto o herói ainda está longe de surgir.

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