Review do episódio piloto de Gotham

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Depois de vários meses, e inúmeras críticas favoráveis, Gotham finalmente estreou na noite de ontem pelo canal Fox. Criada e desenvolvida para a televisão por Bruno Heller, responsável por grandes sucessos como Roma e The Mentalist, a série tem como excelente premissa tratar os eventos que antecedem o surgimento do adorado personagem Batman, sem, porém, decepcionar os fãs com as ótimas referências e cânones do universo DC Comics que provavelmente irão permear todo o seu desenrolar.

Diferentemente de tudo o que já se viu sobre o nascedouro do Homem Morcego, Gotham gira em torno de tramas de crime e de mistério havidas nos bastidores da sombria e decadente cidade cujo nome dá título à série, mas que são protagonizadas por James “Jim” Gordon (Ben McKenzie), o qual surge no piloto da série como o recém promovido detetive no Departamento de homicídios, e novo parceiro do controvertido e imoral Harvey Bullock (Donal Logue).

E se Gotham não tem seu mais célebre cidadão como herói, tal fato não desaponta, já que o Jim Gordon de Ben McKenzie é o que de melhor já viu do personagem e soma tudo aquilo de bom e de melhor Batman tem a oferecer, elevando o futuro Comissário da polícia de Gotham a um nível de magnanimidade como jamais se viu antes. Com interpretação densa e arrojada, McKenzie demonstra não apenas ter evoluído como ator, como desempenha com soberba qualidade e convencimento, conferindo temeridade e magnetismo a um personagem deveras importante no universo do Cavaleiro das Trevas, mas jamais profundamente considerado e explorado.

Íntegro e generoso, Gordon é a força humana que pretende combater um sistema inteiro envolvido com a criminalidade. Sua incorrutibilidade será sua maior desvantagem numa Gotham que ainda não tem um vigilante mascarado apto a combater o crime, e que, conforme anunciado por aquele que será um dos grandes vilões do personagem, enfrentará uma grande guerra, em clara alusão à uma disputa de poderes nos bastidores do crime organizado. Mas na ausência do Batman, a prequela de Heller não pretende deixar por menos ao explorar velhos conhecidos até então relegados a papéis de coadjuvantes, e que provavelmente irão inspirar o herói encapuzado. Assim, ainda que Gotham não tenha como premissa a história que dá origem àquele que um dia se tornará o vigilante mascarado, o evento que mudou para sempre sua vida não passa despercebido, e é o grande mistério da temporada, e talvez da série como um todo.

Enquanto tem o primeiro vislumbre do que é o trabalho policial num sistema decadente, Jim Gordon é encarregado da investigação dos assassinatos de Martha e Thomas Wayne. E na mais icônica cena de crime do universo dos quadrinhos, Jim imediatamente se aproxima do jovem Bruce (David Mazouz), que logo mostra seu talento como o grande detetive vigilante que um dia será ao descrever minuciosamente o pouco que viu do assassino, ao passo em que Gordon faz ali a sua promessa de que irá capturar o responsável pela morte de seus pais.

Os problemas para Jim e a sua luta contra o sistema começam a partir de então, e os também detetives da Unidade de Crimes Especiais, Montoya (Victoria Cartagena) e Allen (Andrew Stewart-Jones) surgem para disputar o caso, na certeza de que não será resolvido, apontando Harvey como o policial sujo que é. A pressão do alto escalão para a rápida resolução do crime é igualmente tensa, e com a ajuda do especialista forense, Edward Nygma (Cory Michael Smith), que um dia se tornará o implacável Charada, Gordon descobre que o assassinato dos Wayne pode ter sido encomendado.

Fish Mooney (Jada Pinkett Smith) surge na trama como o braço direito de Carmine Falcone (John Doman). Ela é também o contato de Harvey. Gordon agora não tem mais dúvidas do caráter do parceiro, mas comprometido com seus valores e a promessa feita ao jovem Wayne, não tem qualquer problema em transitar à margem da criminalidade, prova de que o veremos inúmeras vezes coagido a sucumbir, e é a partir de então que descobriremos o quão valoroso o personagem é e, talvez, na série, o grandioso significado que sua conduta terá para o jovem Bruce. É nesse cenário sombrio, ainda, que somos introduzidos a um dos temíveis e violentos capatazes de Fish, Oswald Cobblepot (Robin Taylor), o futuro Pinguim, que delata a Montoya o envolvimento de Falcone no assassinato do casal de bilionários.

Num plano arquitetado em conjunto pela polícia e pelo crime organizado, um suspeito pelos disparos alvejados contra os Wayne aparece: Mario Pepper (Daniel Stewart Sherman). Ele é pai de Ivy (Clare Foley), a futura Poison Ivy. Com ele, é encontrado o colar de pérolas de Martha. Morto pelas mãos de Harvey, Mario é apontado como o assassino dos Wayne e o caso é finalmente dado por encerrado.

No funeral dos Wayne, Gordon encontra Bruce para informar sobre a resolução do crime, mas Montoya confronta a namorada de Jim, Barbara (Erin Richards), sobre a possibilidade dele ser corrupto, já que o verdadeiro assassino está solto, segundo informações de Cobblepot. Barbara, por sua vez, relata o ocorrido a Gordon, e este decide retomar o caso por conta própria ao descobrir novas evidências, enfrentando todo um sistema, ao passo em que também é instigado e ameaçado a fazer parte dele pelo próprio Falcone.

O episódio de estreia encerra com Jim sendo obrigado por Harvey a entrar para o “programa” do qual toda a força policial de Gotham faz parte. Para tanto, ele é forçado a executar Cobblepot, responsável por delatar Falcone, mas deixa-o vivo sem que o parceiro saiba, não sem antes ser alertado pelo mesmo de que uma grande guerra está para começar. Após, Jim confidencia a Bruce e a Alfred (Sean Pertwee) que os verdadeiros assassinos de Martha e Thomas estão vivos, que a polícia e o crime organizado estão envolvidos, mas que fará tudo o que estiver ao seu alcance para que não permaneçam impunes.

Com uma première digna e extremamente competente, Gotham tem tudo para ser um sucesso arrebatador. E a ausência de Batman, embora sentida, é bem suprimida por Jim Gordon, que ganha o reconhecimento solo merecido ao assumir o manto de herói em seu confronto direto com todo um sistema falido. Claro que ele não está só, e talvez tenhamos em Montoya uma forte aliança. Não bastasse isso, a pista de que Barbara também parece envolvida com um grande segredo surge como a deixa para o fato de que talvez ela seja a Oráculo, e que também poderá vir a ajudar Jim no combate ao crime. E se Falcone é o grande vilão nessa primeira instalação ou de toda a série, podemos também nos contentar com várias outras icônicas aparições, com destaque também para a jovem Selina Kyle (Camren Bicondova), a futura Mulher-Gato, que surge em vários momentos no piloto e que terá episódio centrado na próxima semana.

Gotham tem tudo para ser uma grande série, e aos que a refutam pela ausência do Cavaleiro das Trevas, vale lembrar que o surgimento do grande herói encapuzado já começou a partir do primeiro instante contado da morte de Martha e Thomas Wayne, e que embora não o vejamos com o manto de herói, é Jim Gordon, o principal protagonista da produção, que absorve tudo o que de melhor já se viu do Batman, somado ao fato de que sua importância será certamente decisiva na construção do vigilante mascarado, como muito bem percebido nas excelentes sequências em que contracena com o jovem Bruce, em especial, após surpreendê-lo “desafiando o medo” no telhado da mansão Wayne. Sem sombra de dúvidas, uma série imperdível aos fãs do universo do Homem Morcego!

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