Death Note, L Change the World : crítica de filme

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Death Note, L Change the World (2008)****

L : Change the World é adaptação da novelização homônima escrita por M, e que nada mais é do que uma spin-off do cultuado manga japonês criado por Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, e publicado originalmente pela Weekly Shōnen Jump entre dezembro de 2003 a maio de 2006.

Focada no personagem L, a trama, cuja versão em quadrinhos foi o segundo maior Best-seller do Japão em 2008, é considerada por muitos como a captura perfeita dos elementos constantes da obra de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, e é a versão alternativa para o final da história envolvendo o excêntrico detetive que desmascara o serial killer Kira na saga Death Note.

Terceiro e último capítulo em live-action da trilogia iniciada por Shûsuke Kaneko com Death Note : O Filme e Death Note 2 : The Last Name, L : Change the World é dirigido por Hideo Nakata, e traz novamente o ator Ken’ichi Matsuyama como a singular personificação de L, que agora, sem a ajuda de Watari (Shunji Fujimura) ou de Souichiro Yagami (Takeshi Kaga), tem apenas 23 dias de vida, dentro dos quais precisa lidar com uma nova e terrível ameaça mundial.

Diferentemente da saga original apresentada no manga de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, ou mesmo no anime produzido pela Madhouse em parceria com a Nippon Television Network e direção de Tetsuro Araki, L : Change the World segue como trama autônoma e independente aos acontecimentos havidos na história que envolve também os personagens Light Yagami e Misa Amane. Assim, e para a desolação de muitos fãs, os primeiros instantes do longa-metragem mostram não apenas poucas cenas que remontam ao plano de L contra Light e que culminou na sua sobrevida de 23 dias, como também a destruição dos dois Death Notes, e a consequente saída de cena em definitivo do Shinigami Ryuk (voz de Shidô Nakamura).

Apesar de totalmente independente da história contada em Death Note, e que tem o personagem Light Yagami como anti-herói, o spin-off L : Change the World não deixa nada a desejar.

Após algumas cenas que remontam ao caso no qual L trabalhou com a então agente do FBI, Naomi Misora (Asaka Seto), vítima de Light Yagami (Tatsuya Fujiwara) em Death Note : O Filme, e mesmo da sequência que culminou na morte de Watari e o plano para L sobreviver à investida da Shinigami Rem (voz de Pîtâ), ao final de Death Note 2 : The Last Name, somos introduzidos à uma nova realidade ao personagem.

Resolvendo o maior número de casos que estão ao seu alcance a poucos dias de sua morte, L é confrontado com um novo e terrível desafio. Após a misteriosa notícia de que outro colega, apelidado de F (Kazuki Namioka), esteve investigando a infestação de um vírus derivado do Ebola em um vilarejo na Tailândia, e que resgatou a única pessoa não infectada, um menino com incríveis capacidades matemáticas (Narushi Fukuda), L se vê envolvido numa trama conspiratória que visa acabar com a humanidade através de uma pandemia sem precedentes.

A morte de Kimihiko Nikaido (Shingo Tsurumi), principal cientista envolvido na cura dessa terrível doença, e a descoberta por sua filha pequena, Maki (Mayuko Fukuda), de que a assistente do pai, Kimiko Kujo (Yûki Kudô), é a chefe da organização que pretende espalhar o vírus ao redor do mundo, fecha o ciclo para que L possa então correr contra o tempo para impedir o mal que assola a humanidade, ao passo em que Maki também está contaminada.

Diferentemente das produções anteriores, L : Change the World procura fazer o que até então não havia sido possível na saga Death Note por conta do grande embate cerebral promovido entre os personagens L e Light Yagami: a humanização do incrível e excêntrico detetive afastado desde pequeno de todo e qualquer contato pessoal. E se a história tem como pano de fundo a conspiração de Kimiko Kujo, que em muito remonta aos planos maquiavélicos de Light Yagami, o foco principal de L : Change the World é o próprio personagem L e sua determinação sobre-humana para que a justiça seja feita e o bem prevaleça, ainda que lhe restem poucos dias de vida.

Apesar de distante de Death Note em vários aspectos, a história tem excelentes referências, como a introdução do personagem Near, que na versão original assume o lugar de L na investigação de Kira, e mesmo Ray (Shigeki Hosokawa), o agente do FBI que se aproxima de L para tentar conseguir dele o Death Note, embora, ao final, acabe decidindo ajudá-lo por vontade própria.

O filme não chega a ser tão excepcional quanto Death Note : O Filme e Death Note 2 : The Last Name, ou mesmo quanto à própria versão em anime, mas os fãs do personagem L não ficarão desapontados com a heroica versão alternativa que encerra sua história.

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