Filmes do mês de agosto

waywayback

The Way Way Back (2013)*****

Nat Faxon e Jim Rash dirigem e escrevem The Way Way Back, uma comédia dramática que mostra a triste realidade de um adolescente que em muito remonta o que muitos já experimentaram ao menos em algum momento da vida.

Duncan (Liam James) é um tímido adolescente de 14 anos que parte em viagem de verão com a mãe, Pam (Toni Collette), o namorado dela, Trent (Steve Carell), e a filha deste, Caitlin (Zoe Levin). Acontece que Duncan passa por momentos muito difíceis, não apenas com Caitlin, que não esconde em momento algum o desprezo e o embaraço de dividir o mesmo teto com ele, como também com Trent, que passa a insistentemente atormentá-lo com críticas e ofensas sempre que Pam não está por perto.

Como se não bastasse o bullying sofrido pelo pretenso padrasto e o desleixo de Pam como mãe, Duncan descobre que o futuro padrasto parece mais interessado em revisitar um antigo caso amoroso com Joan (Amanda Peet) do que tentar tornar a relação entre os quatro mais saudável.

A despeito de todo esse clima pesado, Duncan acaba encontrando refúgio no parque aquático da cidade, onde faz amizade com o atípico Owen (Sam Rockwell), o qual o torna membro da equipe de monitores. Tendo no novo ciclo de amigos algo somente seu e onde pode desfrutar de plena liberdade, Duncan decide guardar segredo desse seu retiro diário, ao passo em que se torna popular entre os frequentadores do clube e supera a timidez a ponto de até mesmo confrontar Trent e aprofundar os laços com Suzanna (AnnaSophia Robb), filha da desbocada vizinha, Betty (Allison Janney).

Embora o filme pareça uma revisitação a Meatballs (1979), onde Bill Murray interpreta o monitor de um acampamento que faz amizade com o tímido adolescente Rudy (Chris Makepeace), ajudando-o, com muito bom humor, a superar suas dificuldades e a recuperar sua auto-estima, o tema não é nem um pouco enfastiante. Pelo contrário, a película é bastante agradável e promissora, enquanto Liam James é simplesmente ótimo como Duncan, principalmente quando divide a cena com Steve Carell e Toni Collette, que desempenham estupendamente bem, embora seja Sam Rockwell, como uma nova versão do debochado Tripper, que garanta alguns dos melhores momentos no filme.

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Dream House (2011)***

Desprezado e severamente criticado, o thriller de mistério dirigido por Jim Sheridan, Dream House, surge como uma boa surpresa que, ao contrário do que possa parecer, não se trata de qualquer trama sobrenatural envolvendo uma casa assombrada.

O longa-metragem começa com Will Atenton (Daniel Craig) em seu último dia de trabalho como bem sucedido editor numa grande empresa para então se dedicar única e exclusivamente à família, que agora mora no subúrbio. Na sequência, ele se reúne com sua esposa Libby (Rachel Weisz) e filhas (Taylor Geare e Claire Geare), numa edílica casa localizada num lugar aparentemente tranquilo e seguro.

Os dias seguem com o casal restaurando aos poucos a casa, até que acontecimentos misteriosos começam a perturbá-los. A vizinha da frente, Ann (Naomi Watts), por exemplo, dá indícios de que há algo de misterioso na casa, enquanto seu ex-marido, Jack (Marton Csokas), é mostrado como um homem de negócios cujo grande problema na vida é a tentativa de obter a custódia da filha adolescente, Chloe (Rachel G. Fox). Como se não bastasse, as filhas de Will começam a ver rostos rondando a casa, e um grupo de adolescentes é descoberto no porão revivendo um terrível massacre havido ali há vários anos.

A descoberta dos assassinatos de uma família inteira começa então a atormentar Will e Libby, e ele decide investigar o ocorrido, ao que descobre que o pai teria matado as filhas e a esposa, e após ter sido baleado por esta, estaria internado num manicômio. Quando alguém tenta atropelá-lo em frente à sua varanda, e a polícia nada faz, ele decide visitar Peter Ward, o suposto assassino no hospital psiquiátrico a fim de confirmar a história e tentar descobrir seu envolvimento na tentativa de assustar sua família.

Lá, no entanto, a primeira grande reviravolta da trama é desvendada. Incrédulo, Will volta à casa, e encontra consolo em sua família, enquanto revela a Libby a trágica verdade dos eventos havidos na casa. Na tentativa de confrontar a terrível realidade, Will conta com a ajuda de Ann, e numa última tentativa de ter a certeza do que é real ou ilusão, os dois acabam sendo surpreendidos com outra grande reviravolta que custará a vida de todos.

Injustamente menosprezado, Dream House conta não apenas com um elenco de peso, com destaque, obviamente para o trio formado por Craig, Weisz e Watts, mas também com um roteiro deveras intrigante e cruel que, embora possa ser previsível num primeiro momento, surge com uma segunda reviravolta vil e inesperada. Amantes de um bom suspense certamente não se arrependerão. Recomendo!

object of my affection

A Razão do Meu Afeto (1998)**

Nicholas Hytner dirige The Object of My Affection, adaptação do romance homônimo de Stephen McCauley, que conta a história da assistente social nova-iorquina Nina (Jennifer Aniston) e do professor homossexual numa escola de ensino fundamental, George (Paul Rudd).

Após se conhecerem num jantar promovido pelo casal de amigos e comum, Constance (Allison Janney) e Sidney (Alan Alda), Nina e George se tornam instantaneamente amigos. Os dois passam a dividir um agradável apartamento no Brooklyn, e se tornam um casal perfeito, exceto pelo fato de que George é gay, e Nina namora o arrogante advogado, Vince (John Pankow). Quando Nina engravida de Vince, e decide que não pretende se casar com ele, pois acredita que ele jamais será um bom pai, ela tem um vislumbre de uma vida perfeita ao lado de George, e propõe a ele que os dois criem a criança juntos, com o que ele acaba concordando.

As coisas acabam se complicando quando Nina descobre que está apaixonada por George, o que, no entanto, não é correspondido. Embora ele a ame, não consegue deixar de evitar sua atração por outros homens, e quando ele conhece e se apaixona pelo jovem aspirante a ator, Paul (Amo Gulinello), Nina precisa decididamente colocar na balança como pretende seguir a adiante com essa complicada relação.

Embora seja um filme interessante, e tenha as ótimas performances de Aniston e Rudd, aliado ainda à presença de veteranos como Allison Janey, Alan Alda e Nigel Hawthorne, que completa o elenco, A Razão do Meu Afeto deixa um pouco a desejar em vários quesitos, seja pela inconsistência e incoerência da trama. Contudo, acaba sendo uma ótima opção como filme água com açúcar.

mansfieldpark

Mansfield Park (1999)**

Adaptado do romance de Jane Austen, Patricia Rozema dirige a história de Fanny Price (Frances O’Connor), que aos 10 anos de idade é enviada por sua família para morar em Mansfield Park, propriedade de seu tio, Sir Thomas Bertram (Harold Pinter), a fim de ter uma vida mais digna.

Lá, ela mergulha nos estudos e na escrita, sempre irônica e repleta de imaginação, e tem como seu passatempo favorito escrever cartas para a irmã mais nova, Susan (Sophia Myles), da qual sente imensa falta. Ela cresce ao lado dos primos Maria (Victoria Hamilton), Julia (Justine Waddell) e Edmund (Jonny Lee Miller), pelo qual tem plena admiração.

A chegada dos irmãos Mary (Embeth Davidtz) e Henry (Alessandro Nivola), novos vizinhos, bem como o tumultuado retorno do filho mais velho de Bertram, Tom (James Purefoy), transformam a rotina de todos, principalmente na ausência de Sir Thomas. Assim, e após Fanny perder a atenção especial de Edmund para Mary, e Henry brincar com os sentimentos de Maria e de Julia, para logo depois se interessar por ela, uma negativa ao pedido de casamento deste faz com que seu tio a mande de volta para a pobreza.

Desacostumada com o estilo de vida que precedia sua ida à Mansfield Park, Fanny dá continuidade à relação bastante próxima com a irmã, ao passo em que continua a refutar as insistentes investidas de Henry. Mas quando Tom adoece e a presença de Fanny é requisitada, o retorno a Mansfield Park faz com que algumas máscaras caiam e que sentimentos à flor da pele venham à tona.

Talvez a mais fraca de todas as adaptações de romances de Jane Austen, Mansfield Park mais parece uma tentativa – deveras frustrada – de transformar um clássico da literatura em comédia romântica. De fato, o filme só é aprazível pela excelente performance de Purefoy, que nem tem muito tempo em cena.

wanderlust

Wanderlust (2012)**

Escrito e dirigido por David Wain, Wanderlust conta a história de um casal de Manhattan que, ao ser surpreendido por uma repentina situação de desemprego, decide se mudar para Atlanta, mas que no meio do caminho acaba descobrindo uma comunidade rural que sobrevive apenas com o essencial e decide fazer parte dela.

Jennifer Aniston e Paul Rudd, que já haviam trabalhado juntos em The Object of My Affection e em Friends, fazem o estressado casal George e Linda Gergenblatt. Eles acabam de se mudar para um caríssimo microloft em West Village, mas antes mesmo que possam dele desfrutar acabam perdendo o emprego.

Quando descobrem que o irmão de George, Rick (Ken Marino), está desempenhando promissoramente em Atlanta, e surge a oportunidade, os dois também decidem se mudar para lá. Acontece que durante a viagem eles param em Elysium, uma idílica comunidade rural povoada por uma diversidade de personalidades, como seu entusiasmado e confuso co-fundador, Carvin (Alan Alda), o escritor nudista, Wayne (Joe Lo Truglio), a sexualmente aventureira, Eva (Malin Akerman), o macho alfa, Seth (Justin Theroux), e vários outros.

Após passarem uma noite no lugar, George e Linda decidem investir duas semanas no lugar para ver se realmente se adaptam a esse novo estilo de vida desestressante, e no qual se bastam apenas com o essencial. Mas as coisas acabam se complicando quando diversidades comprometem a relação e eles precisam decidir como verdadeiramente desejam viver o resto de suas vidas.

O filme é uma comédia um tanto quanto escrachada, chegando ao limite da paciência do telespectador em determinados momentos, o que nos faz pensar a que ponto chegou Jennifer Aniston, mas persistir tem sua recompensa, e o final acaba tendo um resultado no mínimo reflexivo. Assim, e a despeito dos exageros, o longa-metragem acaba surpreendendo positivamente, mas não espere ver aqui um trabalho digno da parte de Aniston ou Rudd, que estão muito melhores em suas outras atuações juntos.

Love and Other Impossible Pursuits

Love and Other Impossible Pursuits (2009)***

Inspirado no romance de Ayelet Waldman, Don Roos dirige e escreve Love and Other Impossible Pursuits, também conhecido como The Other Woman, que conta a história de uma jovem mulher que passa a se relacionar com um homem mais velho, e precisa lidar com uma difícil e nova realidade.

O filme mostra a trajetória de Emilia (Natalie Portman), uma paralegal que acaba se envolvendo com um dos advogados da firma em que trabalha, Jack (Scott Cohen). Ele é casado com a médica Carolyn (Lisa Kudrow), e tem um filho, William (Charlie Tahan). Os dois acabam tendo um caso, e quando Emilia engravida, ele decide pedir o divórcio para se casar com ela.

O que Emilia não sabe, no entanto, é que o conto de fadas no qual acreditava estar se preparando para viver acaba se tornando uma jornada de aflições que a farão ter que se superar como pessoa até finalmente alcançar a tão almejada felicidade. Logo no início descobrimos que ela tem um difícil relacionamento com o enteado, excelentemente interpretado por Charlie Tahan. Acreditando ser ele constantemente protegido pela mãe, Emilia acaba colocando sua saúde e integridade física sempre em risco, ainda que não seja essa a intenção.

Como se não bastasse, a relação com Jack acaba se desgastando, não apenas pelo complicado relacionamento de Emilia com sua ex-esposa e filho, mas também pela traumática perda do bebê, supostamente vítima da síndrome da morte súbita.

Assim, e para que Emilia possa finalmente fazer as pazes com Jack e consigo mesma, ela precisa aprender a se relacionar com William, o qual já ama incondicionalmente, embora não consiga demonstrar, bem como a perdoar o pai de uma antiga traição e a superar a difícil e dolorosa experiência da perda prematura de um filho. O que ela não sabe, é que para isso ela contará com a ajuda especial do próprio enteado.

Interessante e menosprezado, o filme é bastante agradável e transmite a boa e velha mensagem segundo a qual com amor tudo é possível, além de contar com ótimas performances, com destaque, obviamente para as de Natalie Portman e de Charlie Tahan.

Exam

O Exame (2009)***

Dirigido por Stuart Hazeldine, O Exame passa desapercebido como produção similar a O Cubo ou a Devil, porém, infinitamente menos estilizada.

Na trama, que se passa inteiramente numa sala, oito candidatos para a disputada vaga numa importante corporação participam da última fase classificatória, um exame que consiste em uma única resposta a ser dada no prazo de 80 minutos. O problema, é que não há pergunta alguma na folha deixada sobre a mesa de cada um, e há algumas regras que eles devem obedecer até o final do exame.

O filme começa com os candidatos sentados cada um em frente a uma mesa na qual há uma folha de papel e um lápis. O examinador (Colin Salmon) aparece e informa as regras: há uma única resposta, o tempo é 80 minutos. Eles não podem tentar se comunicar nem como examinador, que os observará de uma câmera, e nem com o guarda (Chris Carey), que se encontra prostrado ao lado da porta. Eles não podem, ainda, destruir sua folha de exame ou tentar deixar o recinto. Quebrar qualquer dessas regras acarreta na desclassificação.

Quando o examinador deixa a sala, e os candidatos descobrem que não há nada escrito na folha, um deles, uma oriental (Gemma Chan), começa a escrever na folha, ao que é colocada para fora da sala pelo guarda. Na sequência, um dos candidatos, que se auto-apelida de White (Luke Mably), começa a especular sobre as demais regras, e dá apelidos aos demais candidatos: Dark (Adar Beck), Blonde (Nathalie Cox), Black (Chukwudi Iwuji), Brunette (Pollyanna McIntosh), Brown (Jimi Mistry) e Deaf (John Lloyd Fillingham).

As coisas ficam extremamente complicadas quando eles deixam de unir forças para tentar descobrir qual é a questão a ser respondida para dar lugar à uma competição extrema, o que acarreta numa tensão psicológica exacerbada e capaz de colocar em risco a vida de todos.

Instigante, o filme, que conta com equipe de produção e elenco desconhecido, acaba sendo uma ótima opção em meio ao tumultuado atual acervo de produções hollywoodianas cada vez mais desprovidas de inovação ou imaginação.

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Olympus has Fallen (2013)**

Antoine Fuqua, responsável pelos excelentes Training Day e Shooter, dirige o thriller de ação Olympus has Fallen, que conta a história de um ex-segurança presidencial que se vê como a única salvação para os reféns de um ataque terrorista na Casa Branca.

O longa-metragem começa mostrando o relacionamento quase fraternal entre o Presidente dos Estados Unidos, Benjamin Asher (Aaron Eckhart), e seu segurança, Mike Banning (Gerard Butler). A situação muda drasticamente quando Mike não consegue impedir a morte de Margaret (Ashley Judd), esposa do Presidente, vítima de um acidente. Ele então deixa de ser chefe dos seguranças, cargo esse assumido por seu antigo colega, Forbes (Dylan McDermott).

Assim, afastado, Mike tem que recomeçar sua vida longe dos bastidores do poder, mas acaba se vendo como o único capaz de salvar os reféns, inclusive o Presidente, após um ataque terrorista liderado por forças norte-coreanas na Casa Branca.

Num estilo à la Duro de Matar, Mike precisa resgatar o filho do Presidente, Connor (Finley Jacobsen), que se encontra escondido na parte residencial da Casa Branca, bem como salvar o próprio Presidente e o país inteiro de uma terrível ameaça.

Repleto de clichês e abuso de esteriótipos, o filme deixa bastante a desejar, mas acaba sendo uma ótima opção em se tratando de thriller de ação com cenas plenas de violência e realismo. O elenco é reforçado por Morgan FreemanAngela Bassett e Melissa Leo, os quais, assim como Ashley Judd, aparecem muito pouco.

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El Secreto de Sus Ojos (2009)****

Juan José Campanella dirige O Segredo em Seus Olhos, adaptação do romance La Pregunta de sus Ojos, primeira obra de ficção do escritor argentino Eduardo Sacheri.

Produção argentina de orçamento modesto, o filme conta a história do conselheiro legal aposentado, Benjamin Esposito (Ricardo Darín), que no afã de terminar seu primeiro romance, inspirado num dos casos de homicídio insolúveis do gabinete no qual atuava, decide retornar a Burnos Aires para reencontrar seu amor do passado, sua ex-superiora, Irene Menendez (Soledad Villamil).

Assim, enquanto Benjamin confronta seu passado, o filme ilustra a história com cenas de flashbacks do horrendo estupro seguido do assassinato da professora Liliana Coloto (Carla Quevedo). Ele e seu parceiro, o alcoólico Pablo Sandoval (Guillermo Francella), mergulham na investigação, ao mesmo tempo em que uma nova superiora ingressa no gabinete, Irene, pela qual Benjamin imediatamente se apaixona.

No curso das investigações, com a ajuda do viúvo de Liliana, Ricardo Morales (Pablo Rago), Benajmin e Sandoval chegam a Isidoro Gomez (Javier Godino), amigo de infância de Liliana, e principal suspeito. Mas as coisas ficam complicadas quando, cinco anos após seu julgamento e sentenciamento à prisão perpétua, Benjamin é procurado por Morales, que afirma ter descoberto que o assassino está à solta.

Assim, Benjamin e Irene descobrem que Gomez conseguiu perdão de uma agência governamental representada por um antigo rival de Benjamin, Romano (Mariano Argento). Agora, o assassino serve nas forças especiais do governo, com direito a uso de arma de fogo. Benjamin e Irene tentam reverter a situação, mas são humilhados e ameaçados. Quando Sandoval é morto no que supostamente parece ser o assassinato encomendado de Benjamin, este decide deixar a cidade, descobrindo somente instantes antes que o amor que sentia por Irene era recíproco.

Décadas depois, Benjamin está de volta, e um último reencontro com Irene e Morales irá acalentar toda a sua angústia, seja no que diz respeito aos seus sentimentos, seja no que diz respeito à impunidade de Gomez.

O filme é uma excelente produção argentina que não deixa nem um pouco a desejar, méritos todos da própria narrativa, instigante e intrigante do começo ao fim, portanto, que não merece passar desapercebida!

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