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The Killing : resumo quarta temporada

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A quarta, e provavelmente última temporada de The Killing, produzida atualmente pelo Netflix, conta com apenas seis episódios, os quais, todavia, não deixam absolutamente nada a desejar no que diz respeito à qualidade e ao clima intenso, intrigante e inovador que a série apresentou ao longo de seus primeiros três anos, e tem início exatamente a partir dos eventos sucedidos em From Up Here e The Road to Hamelin, episódios que encerram o terceiro ano.

Após a estarrecedora descoberta da identidade do Pied Piper, o serial killer responsável pelos assassinatos das jovens garotas de programa na terceira temporada e pelo homicídios que anos antes culminou na prisão, julgamento e condenação à pena máxima de Ray Seward (Peter Sarsgaard), a dupla de detetives, Sarah Linden (Mireille Enos) e Stephen Holder (Joel Kinnaman), precisa agora lidar com um crime cometido ao final do último ano e que os fez sujar as próprias mãos com sangue, ao mesmo tempo em que se envolvem num novo e difícil caso que diz respeito ao violento massacre de todos os membros de uma abastada família de Seattle.

Na season première, Blood in the Water, Linden e Holder ocultam as evidências do crime cometido em The Road to Hamelin, ao mesmo tempo em que dão início às investigações do assassinato de Philip Stansbury (Bruce Dawson), sua esposa, e suas duas filhas. Dessa forma, a quarta temporada se desdobra de forma a tratar paralelamente de duas grandes tramas. Enquanto o casal de protagonistas precisa ocultar a tragédia que poderá destruir suas vidas, há ainda a investigação de um crime repleto de mistérios. A começar, pelo fato de que no local do crime, residência da família, fica constatada a ausência de entrada forçada. Como se não bastasse, o único membro vivo, o filho mais velho dos Stansbury, Kyle (Tyler Ross), aluno não tão brilhante e nada popular num colégio militar, é a principal testemunha. Porém, após um procedimento cirúrgico para salvar sua vida, ele passa a ser acometido por uma grave perda de memória que compromete a lembrança dos eventos havidos na noite do massacre.

Linden e Holder passam então a investigar o caso, e na medida em que as suspeitas do envolvimento do próprio Kyle nos assassinatos em virtude dos maus tratos por ele sofridos se intensificam, a dupla de detetives acaba também encontrando na diretora da academia militar na qual ele estuda, a Coronel Margaret O’Neal (Joan Allen), proteção exacerbada no que diz respeito ao bem-estar dos seus alunos, em especial do próprio Kyle, o que vem a comprometer o curso das investigações. Como se não bastasse, O’Neal se torna tutora de Kyle, e qualquer investida dos detetives para dar seguimento ao caso acaba sendo obstaculizada pela militar, sem contar que outros personagens, como os também cadetes no colégio, Lincoln Knopf (Sterling Beaumon) e AJ Fielding (Levi Meaden), também suspeitos, surgem como elementos interessantes na trama.

Simultaneamente, Linden e Holder tem sua parceria colocada à prova quando Carl Reddick (Gregg Henry) faz uma descoberta que o faz suspeitar das circunstâncias atinentes ao desaparecimento de James Skinner (Elias Koteas) em The Road to Hamelin. Assim, e na tentativa de descobrir o envolvimento de Skinner na série de assassinatos cometidas pelo Pied Piper e na provável falsa acusação de Joe Mills (Ryan Robbins) como autor dos crimes ao final do terceiro ano, Reddick acaba (acertadamente) considerando o próprio envolvimento de Linden e Holder no sumiço de Skinner, o que eventualmente vem a ser corroborado por uma série de fatores que poderá colocar termo à parceria e à própria carreira de ambos.

Não bastasse isso, a vida pessoal dos detetives passa a se tornar ainda mais complicada. A namorada de Holder, Caroline (Jewel Staite), apesar das desavenças havidas na temporada anterior, reconcilia-se com ele e acaba eventualmente descobrindo estar grávida. Já, Jack (Liam James), filho de Linden, e cuja presença no primeiro e no segundo ano era mais intensa e fica de lado no terceiro ato, aparece para visitá-la e informa que provavelmente terá que voltar definitivamente a morar com ela. Antes, porém, ele tenta forçá-la a encarar o passado e superar a dor do próprio abandono quando confrontada por sua mãe (Frances Fisher).

Se desde o primeiro ano, The Killing foi uma série sobre assassinatos, o reflexo das desgraças mundanas na vida de famílias inteiras e de pessoas comuns, e o trabalho de investigação de dois excelentes detetives com vários problemas pessoais, fica agora mais em evidência que a série na verdade sempre foi sobre os próprios personagens Sarah Linden e Stephen Holder, bem como a superação pessoal de seus problemas e de sua conturbada relação. A confidencialidade e a cumplicidade dificilmente conquistadas entre ambos ao longo da primeira e da segunda temporada passa a ser alvo de grande abalo nesse último ano quando da investigação dos assassinatos dos Stansbury e do provável envolvimento de Kyle, aliado às investidas de Reddick no homicídio de Skinner e que podem colocá-los atrás das grades. Comprometidos até o pescoço, os dois enxergam poucas perspectivas e tem apenas um ao outro quando consideram a desafortunada possibilidade de perderem tudo aquilo pelo qual batalharam.

Diferentemente dos três primeiros anos, a quarta temporada de The Killing mostra o pior e o melhor de Linden e Holder, embora seja o lado sombrio de cada um deles que fica mais em evidência. O envolvimento emocional de Linden com os casos que investiga a faz mais uma vez chegar ao extremo, enquanto Holder não fica atrás quando o assunto é perda de controle ao revisitar maus hábitos e sabotar sua própria felicidade. Assim, o episódio final, intitulado Eden, magnificamente dirigido pelo aclamado cineasta Jonathan Demme, é uma das mais belas obras-de-arte da televisão paga, na qual uma dupla de detetives chega ao extremo de suas convicções morais e pessoais para a resolução de um crime, ainda que os méritos sejam quase todos das brilhantíssimas performances de Mireille Enos e de Joel Kinnaman, aliado aos ótimos desempenhos de Joan Allen e de Tyler Ross no que diz respeito ao surpreendente desfecho do caso dos assassinatos dos Stansbury.

Se a série, criada e desenvolvida por Søren Sveistrup, inspirada na produção dinamarquesa Forbrydelsen, e inicialmente produzida pela AMC tiver o quarto ano como sua temporada final, conforme anunciado, isso a despeito do final propositadamente deixado em aberto no que diz respeito ao destino da dupla de protagonistas, os fãs podem se dar por satisfeitos com a dignidade com a qual Linden e Holder, ao final, encontram a tão almejada paz nos últimos instantes da série, ao mesmo tempo em que finalmente superam não apenas seus traumas e problemas pessoais, como também o difícil e conturbado relacionamento havido entre ambos ao longo de todos os quatro anos.

Embora The Killing possa ter perdido um pouco de força ao longo de sua segunda temporada, diz-se, por conta do formato e da demora na resolução do assassinato de Rosie Larsen (Katie Findlay), é uma série que  merece ser conferida, consagrada como uma das melhores no gênero suspense policial, ao lado de Twin Peaks, Cold Case, FlashForward, Law & Order e Criminal Minds, além de influenciar a igualmente bem sucedida True Detective. Tanto quanto a narrativa fustigada em seu ano de estreia, mas especificamente em sua terceira temporada, The Killing revigora o gênero como nunca se viu em seu provável último ano de transmissão, e mostra mais uma vez Mireille Enos e Joel Kinnaman protagonizando uma epopéia caótica que os fará extrapolar seus próprios limites.

As quatro temporadas completas de The Killing estão disponíveis no Netflix, sem previsão de renovação para um quinto ano.

um comentário

  1. ALGUÉM POR FAVOR ME EXPLICA!!!!!!!!!ACABEI DE ASSISTIR O ÚLTIMO CAP. DA 4 TEMPORADA….COMO O KYLE TOCAVA O PIANO QUANDO MATOU SUA IRMAZINHA???????AS CORDAS NAO HAVIAM SIDO CORTADAS PELA OUTRA IRMA MUITO TEMPO ANTES?NAO ESTAVA TAO EMPOEIRADO QUE NAO FOI POSSIVEL NEM COLHER AS DIGITAIS????? COMO ENTAO ELE TOCAVA NA NOITE DO CRIME????????????????????

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