Filmes do mês de julho

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Breakfast at Tiffany’s (1961)*****

Passados mais de cinquenta anos, a adaptação cinematográfica do romance Breakfast at Tiffany’s, de Truman Capote, por Blake Edwards, é ainda hoje considerada uma das jóias mais raras dos tempos áureos de Hollywood, e não poderia ser por menos.

Estrelado pela eterna bela dama do cinema, Audrey Hepburn, aliado a uma irresistível história, não apenas de amor, mas de auto-descoberta na qual uma complexa personagem precisa se redefinir quando confrontada com sua verdadeira identidade, o longa-metragem traz o que de melhor se poderia imaginar da cultura de uma época e de uma Manhattan sofisticada e já sinônimo de conglomerado de pessoas de estilo.

O filme conta a história de Holly Golightly (Hepburn), habitante de um pequeno e parcialmente mobiliado apartamento em East Side. Dona de um gato sem nome e anfitriã de festas absurdamente barulhentas, para horror de seu vizinho, Mr Yunioshi (Mickey Rooney), ela tenta apaziguar suas inquietações com visitas matinais na Tiffany’s, ao passo em que vive de 50 dólares como dama de companhia e 100 dólares semanais para visitas a um ex-mafioso, Sally Tornato (Alan Reed), preso em Sing Sing.

Um dia, sua vida muda completamente com a chegada de um novo vizinho, o escritor Paul Varjak (George Peppard), custeado por uma mulher mais velha que atende apenas pelo apelido de 2E (Patricia Neal). Fascinado pelo estilo caótico de vida de Holly, Paul imediatamente mergulha em sua rotina turbulenta, e após uma festa promovida para o milionário O.J. Balsam (Martin Balsam), acaba encontrando Doc Golightly (Buddy Ebsen), um fazendeiro texano que está em NY para levar Holly, com quem se casou quando ela tinha apenas 15 anos, de volta para o interior.

Com a ajuda de Paul, no entanto, e após explicar que o casamento foi anulado há muito tempo, Holly consegue fazer com que Doc volte para casa sozinho, deixando este arrasado, e fazendo com que Paul conheça um lado de Holly que jamais imaginou antes, afeiçoando-se ainda mais por ela. Mas as coisas acabam se complicando quando ele finalmente declara seu amor por Holly, e ela decide se casar com o milionário brasileiro, José (José Luis de Vilallonga), renegando seus próprios sentimentos.

Diz-se que o filme não apenas tornou Hepburn em ícone, mas imortalizou a trilha sonora de Henry Mancini e Johnny Mercer, e possui mudanças significativas em relação à obra que o originou, inclusive no que diz respeito ao desfecho, eivado de ambiguidade, diga-se de passagem. Porém, os simbolismos e as pistas para o mistério sobre quem realmente é Holly Golightly estão todos lá: o gato sem nome, que representa sua total falta de conexão com todos ao seu redor, os óculos escuros que se prestam para esconder sua alma tortuosa, e claro, seu estilo de vida caótico. Mais do que um filme que nos remonta às histórias vistas nas antigas matinês, Breakfast at Tiffany’s é uma obra inesquecível e inigualável, tanto quanto Hepburn.

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Star Trek into Darkness (2013)****

A despeito das críticas negativas, Star Trek into Darkness, continuação de Star Trek e segundo na refilmagem da aclamada cinessérie iniciada em 1979, com Star Trek: The Motion Picture, confirma a intenção da produção de J.J. Abrams e da equipe de roteiristas formada por Roberto Orci e Alex Kurtzman de conferir um recomeço para a saga e uma nova coletânea de histórias.

Agora, além de trazer novamente o elenco do primeiro filme para reviver os valorosos tripulantes da USS Enterprise, numa provável homenagem à antiga safra de filmes, o longa-metragem também resolve explorar um dos vilões mais temíveis e enfrentados ao longo de toda Star Trek, a série de televisão, e a primeira série de filmes.

A película começa com Kirk (Chris Pine) e Bones (Karl Urban) fugindo dos nativos do planeta Nibiru, para o qual a Enterprise foi enviada para uma missão de observação. Contudo, um vulcão começa a entrar em erupção e, na iminência de destruir todo o planeta, Spock (Zachary Quinto) se lança numa missão suicida para desativá-lo. Forçado a quebrar a diretiva Prime, Kirk vai ao seu resgate, revelando a nave aos habitantes do planeta.

Como consequência do relatório de Spock ao comando estelar, Kirk acaba sendo afastado do comando da tripulação pelo Almirante Pike (Bruce Greenwood), que eventualmente se torna o capitão da Enterprise, mas o coloca como primeiro comandante, enquanto Spock é designado para outra tripulação.

Nesse meio tempo, um novo grande vilão emerge: John Harrison (Benedict Cumberbatch), com a ajuda de um oficial Starfleet, destrói o Setor 31 em Londres. Uma reunião é realizada na sede do comando estelar, mas Harrison os ataca e mata Pike. Com a autorização do Almirante Marcus (Peter Weller), Kirk reassume a Enterprise juntamente com Spock como seu primeiro comandante para a captura de Harrison no sistema Kronos, lar dos Klington.

O que se segue a partir do confronto entre parte da tripulação da Enterprise e os Klington até a captura de Harrison é uma sucessão de grandes eventos que segue com a revelação de que o grande vilão é, na verdade, Khan. Assim, e embora Khan acabe eventualmente atuando em parceria a Kirk contra o Almirante Marcus após serem todos vítimas de uma emboscada, seus atos acabam sendo dos mais cruéis quando de um final abrupto que nos remonta a Star Trek II: A Ira de Khan – e que dá a deixa para Star Trek III: À Procura de Spock – exceto pelo fato de que a nova série de filmes NÃO é fiel à original, e a inversão dos papéis de Kirk e Spock na sequência clímax de salvamento da tripulação acaba funcionando como uma boa homenagem, embora o final seja mais feliz, ficando a dúvida para o vindouro terceiro filme.

Negativamente criticado, Star Trek into Darkness serve como um bom exercício do que não se deve fazer ao assistir à refilmagem de uma franquia nos dias de hoje: não criar grandes expectativas, principalmente quanto aos personagens. Se a esperança era a de ver o vilão Khan – imortalizado por Ricardo Montalban – explorado em seu íntimo e na sua crueldade extrema, ainda que o desempenho de Cumberbatch não tenha deixado nada a desejar, o que ficam são os excessos de close-ups de Chris Pine nos momentos mais desnecessários e a presença de um sub-vilão totalmente dispensável, ainda que na pele do sempre excelente e eterno Robocop, Peter Weller.

O filme, no entanto, não é totalmente ruim, seja no que se refere aos efeitos especiais e ao mesmo ao roteiro, além ainda do elenco, que se esforça bastante, com destaque aos demais outros intérpretes dos tripulantes da Enterprise, como a Uhura de Zoe Saldana, o Scotty de Simon Pegg, o Sulu de John Cho e o Chekov de Anton Yelchin, além, obviamente, de mais uma participação especial do Spock do futuro com o lendário Leonard Nimoy, que volta para dar a pista sobre os limites da maldade de Khan. Recomendo!

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O Leitor (2008)****

Stephen Daldry adapta o romance de Bernhard Schlink no aclamado O Leitor, que conta a história de um garoto que inicia sua vida sexual com uma mulher com o dobro de sua idade, a qual reencontra anos depois nos bancos dos réus por prática de crimes de guerra, o que culminará numa sucessão de eventos que os levará a um último encontro.

Intenso e agradável, o filme se passa em três fases da vida dos personagens. Num primeiro momento, em 1958, Michael Berg (David Kross) está no auge dos seus 16 anos, e é socorrido pela tiqueteira Hanna Schmitz (Kate Winslet). Após se recuperar de uma febre escarlate, ele decide procurá-la para agradecer, mas acaba ficando fascinado por ela. Dois encontros depois, os dois começam a ter relações sexuais, e os encontros passam a ser incrementados por leituras feitas por Michael à Hanna de clássicos como A Odisséia, The Lady and the Dog, The Adventures og Huckleberry Finn e The Adventures of Tintin. Após ser promovida, Hanna simplesmente se muda sem se despedir de Michael, deixando-o arrasado.

Passado oito anos, Michael é estudante de Direito na prestigiosa Heidelberg. Como parte do programa ministrado pelo Professor Rohl (Bruno Ganz), ele acaba sendo um dos alunos escolhidos para assistir ao julgamento de ex-guardas femininas da SS acusadas de deixarem 300 mulheres e crianças judias morrerem durante um incêndio em uma Igreja após a evacuação de Auschwitz, em 1944. Michael fica surpreso ao descobrir que uma das acusadas é sua ex-amante, Hanna. Durante o julgamento, opiniões de dividem entre os colegas de Michael, que visita um antigo campo de concentração, e a testemunha principal do julgamento, Ilana Mather (Lena Olin), depõe. Michael enfrenta um grande dilema ao descobrir que Hanna omite um fato que pode culminar na sua inocência, e ela é sentenciada à prisão perpétua.

Os anos se passam, e após um casamento fracassado, Michael (Ralph Fiennes) se muda e reencontra os livros que lia para Hanna, ao que decide gravar a releitura de todos eles e enviar as fitas cassete para a ex-amante. Emocionada, ela tenta se comunicar com Michael, mas ele jamais lhe retorna, e quando procurado pela direção do presídio como único contato de Hanna, os dois tem um último, mas nem por isso grandioso reencontro.

O filme é um verdadeiro espetáculo de atuação, principalmente no que diz respeito às performances de Kate Winslet e Ralph Fiennes. A história é igualmente fascinante, mas não chega a ser algo extremamente arrebatador. Como dito, a narrativa é singela, trata de relações humanas, e do outro lado de uma história que todos conhecemos. Diz-se que o filme seria mais feliz se tivesse sido uma produção alemã. Nesse caso, porém, não teríamos a arrebatadora interpretação de Winslet, merecidamente vencedora do prêmio de melhor atriz pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas por sua atuação.

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Ruby Sparks (2012)**

Paul Dano é um jovem romancista de sucesso que, durante um momento de bloqueio literário, acaba encontrando o romance onde menos imagina: através da protagonista feminina de seu próximo livro, que inexplicavelmente aparece em sua vida, e com a qual ele deseja mais do que tudo ter uma relação como sempre desejou.

Dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris, e com roteiro de Zoe Kazan, neta do saudoso e consagrado Elia Kazan, a qual ainda estrela como a protagonista feminina, Ruby Sparks, o filme acaba sendo uma viagem na mente perturbada de um escritor que se encontra em fase de autodesvendamento e melhoramento como ser humano logo após um traumático rompimento amoroso.

A despeito do longa-metragem se tratar de uma comédia romântica, não é difícil notar o quão angustiante é a relação do criador com criatura, e se a ideia é fazer com que o telespectador não tenha a menor empatia pelo protagonista, o fato é que a estreante Zoe Kazan consegue cumprir sua missão. Assim, momentos como quando Calvin, personagem de Paul Dano, revela a Ruby (Kazan) ser ela sua mera criação e, portanto, inapta a agir conforme seu próprio livre arbítrio, fazendo-a, por exemplo, estalar os dedos incessantemente e até mesmo latir como um cachorro é uma das mais desagradáveis cenas que se poderia assistir.

Apesar de tudo, a película cumpre bem seu papel quando Calvin finalmente é confrontado com suas falhas e intolerâncias sobre ele mesmo após um último encontro com sua ex-namorada, a qual revela suas fraquezas, as quais culminaram no fim do relacionamento. Ao final, fica inevitável que o personagem precisa se superar antes de mergulhar numa nova relação, e o filme acaba se tornando um ótimo exercício de auto-ajuda. O destaque, logicamente, fica por conta do ótimo desempenho de Dano.

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Thanks for Sharing (2012)***

Stuart Blumberg escreve e dirige o longa-metragem Thanks for Sharing, que conta a conturbada história de Adam (Mark Ruffalo), ex-viciado em sexo que, passados cinco anos de sobriedade e abstinência total com a ajuda de um grupo de apoio liderado por Mike (Tim Robbins), acaba se relacionando amorosamente com Phoebe (Gwyneth Paltrow), e precisa aprender a lidar e se adaptar a uma nova realidade sem excessos.

Embora o filme tenha nuances de comédia romântica, não demora muito para que descubramos que o ponto nodal é a superação pessoal de diferentes personagens que compõem o grupo de apoio do qual Adam faz parte. Assim, e enquanto Adam tem o apoio total de seu mentor e melhor amigo, Mike, precisa também enfrentar seus próprios medos e angústias pessoais, ao passo em que acaba mentindo para Phoebe sobre seu vício, comprometendo a relação.

De outro lado, há a própria vida de Mike, explorada através do relacionamento com sua esposa, Katie (Joely Richardson), e seu filho, ex-ladrão e viciado em drogas, Danny (Patrick Fugit), que volta para casa depois de alguns anos, e com o qual ele precisa enfrentar uma difícil fase de retomada de confiança, a qual acaba colocando em risco sua própria sobriedade de mais de quinze anos.

O alívio cômico do longa-metragem fica por conta de Neil (Josh Gad), um aspirante a médico que acaba comprometendo seu emprego quando do flagrante de sua superiora. Assim, forçado por decisão judicial a se submeter a um tratamento, ele se junta ao grupo de apoio e tenta superar seus problemas com a inesperada e desafiadora ajuda de Dede (Pink), única mulher participante do grupo.

Mais do que contar várias histórias, o filme acaba sendo uma agradável surpresa ao abordar de forma única o quanto o ser humano é capaz de se superar e de não medir esforços na tentativa de vencer não apenas seus defeitos, como também seus próprios medos.

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Julie & Julia (2009)***

Nora Ephron, responsável por sucessos como When Harry Met Sally, Sleepless in Seattle e You’ve Got Mail, dirige a adaptação do romance autobiográfico de Julie Powell, Julie & Julia e, embora esteja longe de reprisar seus grandes sucessos, acaba conferindo uma agradável e apetitosa história de superação pessoal.

Julie Powell (Amy Adams) trabalha num órgão governamental responsável por auxiliar familiares das vítimas do atentado do dia 11 de setembro de 2001. Infeliz com sua vida, a despeito de um excelente relacionamento com o marido Eric (Chris Messina), ela vê suas amigas desfrutarem de vitórias pessoais e profissionais que a fazem implementar uma meta pessoal: reproduzir durante um ano inteiro todos os pratos da célebre chefe de cozinha e apresentadora de televisão dos idos de 1960, Julia Child (Meryl Streep), registrando tudo em um web blog.

O charme do filme, no entanto, fica por conta não apenas da perseverança de Julie em dar seguimento ao seu projeto, que acaba ganhando repercussão até mesmo na mídia e até mesmo comprometendo sua própria vida pessoal, mas também dos flashbacks da vida de Julia Child e seu marido, Paul (Stanley Tucci), na Paris dos anos de 1950 e de 1960. Assim, enquanto Julie realiza pratos espetaculares em sua cozinha e registra suas peculiaridades para uma imensidão de internautas, vemos a história de Julia, desde quando ela passa a se interessar pela culinária e ingressa como aluna na conceituada Le Cordon Bleu, até o momento em que precisa enfrentar dificuldades e preconceitos para lançar seu livro de receitas francesas para donas-de-casa estadunidenses.

O filme é extremamente agradável e divertido, até mesmo aos não apreciadores da alta culinária, e embora Meryl Streep esteja fabulosa como a muito bem caracterizada Julia Child, quem de fato rouba a cena é Amy Adams e Stanley Tucci.

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The Internship (2013)**

Shawn Levy dirige o roteiro de Vince Vaughn e Jared Stern para essa que nada mais é do que uma verdadeira propaganda da gigantesca Google, com um bom toque de comédia.

Billy (Vince Vaughn) e Nick (Owen Wilson) são dois vendedores de relógios que se veem superados pela era digital e acabam perdendo seus empregos. Enquanto Nick consegue trabalho numa loja de colchões e tem o namorado degenerado de sua Irmã (Will Ferrell) como chefe, Billy descobre que estão abertas as inscrições para estagiário na Google. Sem pensar duas vezes, ele arrasta Nick para que os dois sejam admitidos no programa seletivo, mas mal sabem eles que terão que competir com uma nova geração composta por jovens gênios.

Reprisando a fórmula de Wedding Crashers, Nick acaba se envolvendo romanticamente com uma funcionária, Dana (Rose Byrne), enquanto Billy precisa se superar como derrotista a fim de lidar com o grupo do qual faz parte no difícil processo de seleção.

Filmado no Googleplex, o longa-metragem não deixa de ser divertido, a despeito de cair no humor pastelão inúmeras vezes, e os talentos de Owen Wilson e Vince Vaughan, que repetem a dobradinha do filme de David Dobkin, acabam sendo uma combinação bastante interessante com o elenco jovem.

Longe de ser uma grande produção, o filme é a típica comédia de asneiras com mensagem embutida, e se não vale pelas performances de Wilson e Vaughan, vale ao menos pelos bons momentos de humor.

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Sliding Doors (1998)***

Escrito e dirigido por Peter Howitt, Sliding Doors conta a história de Helen (Gwyneth Paltrow), uma mulher que acaba de perder o emprego e que logo após tem sua trajetória dividia em duas linhas de tempo que dependem dela conseguir ou não pegar o metrô para chegar a tempo em casa para descobrir mais uma desagradável surpresa.

Na primeira hipótese, Helen consegue passar pela porta de correr do metrô, que dá título ao filme, e reencontra James (John Hannah), com quem havia esbarrado no elevador do edifício em que trabalhava instantes antes. Insistente, ele puxa conversa com ela, e cria uma conexão que irá se estender ao longo da narrativa. Mas Helen tem outras preocupações em mente, e só quer saber de chegar em casa e ter o amparo do namorado, Gerry (John Lynch), um escritor que ao invés de estar trabalhando no seu primeiro romance, mantém um caso com a executiva Lydia (Jeanne Tripplehorn). Assim, Helen chega em casa e encontra o casal de amantes e a relação com Gerry termina.

Na segunda hipótese, Helen perde o metrô, não encontra com James, e decide voltar de táxi para casa. Por conta de um congestionamento, ela chega a tempo de Gerry dispensar a amante. Os dois continuam juntos, mas Helen começa a desconfiar do namorado, na medida em que tenta retomar as rédeas de sua vida, e Gerry tenta terminar com a amante, que também não dá moleza.

Enquanto o filme segue com as duas tramas de forma paralela, e vemos Helen seguir rumos completamente diferentes nos quesitos pessoais e profissionais, vão aos poucos surgindo dúvidas sobre qual é a realidade de fato verdadeira, e fica inevitável a torcida para que ela encontre a felicidade ao lado de James, com o qual ela acaba também enfrentando alguns problemas.

Longe de ser uma produção renomada, e de quando Gwyneth Paltrow era ainda pouco conhecida, exceto como a noiva de Brad Pitt, com quem havia atuado quatro anos antes em  Se7en (1995), o filme ainda assim tem seus méritos, como originalidade do roteiro e os excelentes desempenhos de John Hannah, Jeanne Tripplehorn e da própria Paltrow, e acaba sendo divertido e agradável.

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Prelúdio de um Beijo (1992)**

Inspirado na peça de Craig Lucas, Norman René dirige Prelúdio de um Beijo, que conta a história do casal Peter (Alec Baldwin) e Rita (Meg Ryan), desde o momento em que se conhecem até quando se casam, bem como a grande e surpreendente reviravolta instantes antes de sua tão esperada lua-de-mel.

A despeito de sua pessimista visão sobre a vida, Rita acaba conquistando Peter, o qual conhece numa festa na qual os dois tem Taylor (Stanley Tucci) como amigo em comum. Eles se apaixonam imediatamente, e decidem se casar. Porém, no dia do casamento, algo acontece. Em algum outro lugar, Julius Blier (Sydney Walker), um setuagenário com os dias contados e que vive sob os cuidados da filha única, Leah (Kathy Bates), foge de casa, e acaba entrando na festa de recepção de Peter e Rita.

Inesperadamente, Julius se impressiona com o olhar de felicidade de Rita, e antes de partir, decide cumprimentá-la com um beijo nos lábios. O céu se fecha, e quando ele é levado embora ao ser reconhecimento como intruso na festa, Rita está completamente mudada, para espanto apenas de Peter, que passa a lua-de-mel no Hawaii com uma completa estranha, que só quer saber de aproveitar a vida ao máximo.

Quando voltam de viagem, não demora muito para Peter então descobrir que a Rita com a qual está vivendo não é a mesma pela qual se apaixonou, e após uma briga, que a faz sair de casa, ele acaba encontrando Julius, que lhe revela ser Rita, tendo sido possuído por ela a partir daquela troca de beijo no dia do casamento.

Fantasias à parte, o filme acaba sendo bastante agradável, não apenas por presentear o telespectador com um Alec Baldwin e uma Meg Ryan interessantíssimos em inicio de carreira, bem como por apresentar duas personalidades distintas, sofridas e angustiadas que trocam de lugar e que passam a adotar uma percepção diferente em relação à vida sob o olhar um do outro.

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The Private Lives of Pippa Lee (2009)**

Rebecca Miller dirige e escreve The Private Lives of Pippa Lee, que conta a história de uma mulher que, após ser forçada pelo marido muito mais velho a se mudar para os subúrbios, decide refletir sobre sua vida, na medida em que é acometida por estranhas crises de sonambulismo.

Pippa Lee (Robin Wright) é a esposa do abastado Herb (Alan Arkin), com quem tem dois filhos, Ben (Ryan McDonald) e Grace (Zoe Kazan). Quando o casal se muda para os subúrbios, ela começa a refletir sobre sua vida como atualmente é, ao mesmo tempo em que conhece o instrigante Chris (Keanu Reeves), filho de sua vizinha Dot (Shirley Knight), e a presença constante dos amigos Mike (Mike Binder) e Sandra (Winona Ryder) só parecem atrapalhar.

Paralelamente, o filme mostra flashbacks da juventude conturbada de Pippa (então na pele de Blake Lively), especialmente de sua relação com a mãe, Suky (Maria Bello), dependente de barbitúricos, até sua saída de casa e envolvimento com a dominatrix Kat (Julianne Moore), que a faz participar de vídeos caseiros com outra amiga. Eventualmente, ela acaba se tornando uma errante e encontra Herb, então casado com a possessiva e ciumenta Gigi (Monica Bellucci). Os dois tem um caso, e Gigi toma uma atitude drástica que irá justificar toda a existência de Pippa ao lado de Herb.

O filme está longe de possuir uma narrativa estimulante, embora tenha umas reviravoltas bem interessantes, e as performances de Robin Wright e Maria Bello é que acabam sendo o grande arroubo, tornando a película extremamente aprazível por si só, o que já vale a pena ser conferido.

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