The Killing : resumo terceira temporada

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The Killing abre sua terceira temporada com trama cronologicamente posterior aos eventos sucedidos no primeiro e no segundo ano da série, e que diziam respeito às investigações do assassinato de Rosie Larsen (Katie Findlay), bem como da tumultuada campanha eleitoral do então candidato à prefeitura de Seattle, Darren Richmond (Billy Campbell).

Com dez episódios, sendo o primeiro e o último com o dobro da duração aproximada regular de 42 minutos, a terceira fase da série, criada e desenvolvida por Søren Sveistrup, inspirada na produção dinamarquesa Forbrydelsen, e produzida pelo Netflix, tem início com o personagem de Stephen Holder (Joel Kinnaman) dando início às investigações de um novo e misterioso caso de homicídio que virá a se tornar a descoberta de vários outros assassinatos supostamente conexos por conta domodus operandi.

holder+reddickJuntamente com seu novo parceiro, Carl Reddick (Gregg Henry), Holder é escalado para comparecer na cena do crime, na qual uma prostituta de 16 anos foi brutalmente assassinada com um corte profundo no pescoço. É revelado que, desde o início da parceria, Holder e Reddick tem em seu histórico a solução de todos os sete casos que lhes foram conferidos. Holder também deixou os maus hábitos de lado, está na iminência de realizar seus exames para se tornar sargento e mantém um relacionamento estável com a advogada Caroline (Jewel Staite).

Mas as coisas estão para mudar para ele quando algo no novo caso chama sua atenção: a similaridade com outro crime investigado anos antes por sua ex-parceira, Sarah Linden (Mireille Enos). Demitida da polícia, ela é agora vigia no porto, tem um relacionamento amoroso com um colega de trabalho muito mais novo do que ela, Cody (Andrew Jenkins), e mantém um relacionamento à distância com o filho Jack (Liam James), que agora mora definitivamente com o pai em Chicago.

Holder decide então visitar a ex-parceira a fim de descobrir alguma conexão mais concreta entre o seu caso e o crime por ela investigado anos antes e que culminou na prisão, julgamento e condenação à pena máxima de Ray Seward (Peter Sarsgaard), o qual, no início da temporada acaba também de ser transferido para a ala do corredor da morte. Ao notar que ambos os casos são semelhantes não apenas pela degolação das vítimas, mas também pela decepação de seus dedos anulares, Linden decide investigar por conta própria, e ao procurar seu antigo parceiro, o agora chefe de polícia, James Skinner (Elias Koteas), reintegra-se à força policial que passa a investigar a série de assassinatos.

sewardParalelamente, a temporada mostra os últimos dias de Ray Seward no corredor da morte. Cínico e violento, ele é uma dor de cabeça para os carcereiros, Becker (Hugh Dillon) e Hendersen (Aaron Douglas), que também tem suas histórias pessoais mostradas na tela, numa clara crítica ao sistema penitenciário estadunidense e ao próprio instituto da pena de morte. Enquanto Becker está há vários anos trabalhando no corredor da morte, e se mostra visivelmente aturdido por um sistema severo e inescrupuloso ao passo em que não se deixa levar pela lábia ferina dos perigosos detentos, Hendersen é o novato que se adapta a uma nova e dura rotina que menospreza a vida humana.

Assim, nesse cenário deprimente, o personagem Ray Seward, condenado à forca, é constantemente provocado por Becker, que até mesmo recita trechos do horror a que ele terá que ser submetido antes de finalmente morrer, ao passo em que faz questão de enaltecer sua própria ambiguidade quando parece sinceramente arrependido e, na verdade, nada mais pretende do que atormentar seu advogado. Aliás, Seward chega ao ponto de conduzir o telespectador a várias dúvidas sobre sua responsabilidade no crime que vitimou sua então esposa e que o condenou à pena de morte, na medida em que reflete sobre perdão e esperança na companhia de seus colegas de carceramento, Alton (Little JJ) e Drexler (Patrick Gilmore).

Na corrida para tentar desvendar a autoria do horrendo assassinato e sua conexão com o crime pelo qual Seward foi condenado, Linden acaba descobrindo, através de um desenho feito pelo filho deste, Adrian (Rowan Longworth), o local da desova para 17 outros cadáveres com as mesmas características que as das vítimas dos dois casos, conduzindo a polícia ao parecer de que o autor é um assassino em série.

holder+bulletAssim, enquanto Linden tenta descobrir e sanar o que pode ter sido um erro com a prisão de Seward, Holder tenta solucionar o caso que lhe foi confiado, ao passo em que se afeiçoa a uma adolescente moradora de rua, Bullet (Bex Taylor-Klaus), a qual, a despeito dos constantes confrontos havidos entre os dois, torna-se sua principal informante após a melhor desta, Kallie (Cate Sproule), desaparecer a ponto de se tornar uma possível vítima do maníaco.

Outros dramas pessoais e paralelos à trama principal vêm à tona, como a trajetória da negligente mãe de Kallie, Danette Lutz (Amy Seimetz), que, ao descobrir o envolvimento de seu então namorado, Joe Mills (Ryan Robbins), em crimes de pedofilia, e no provável assassinato de adolescentes, incluindo o de sua filha, acaba se esmerando num desespero arrebatador pelas ruas de Seattle na tentativa de encontrá-la. Há, ainda, o refúgio Beacon para jovens moradores de ruas, sob a supervisão do misterioso Pastor Mike (Ben Cotton), cujo antecedente envolvendo o sequestro de uma adolescente o torna antagonista de Linden numa das mais tensas sequências da temporada no episódio Try.

Não fica de lado, ainda, o núcleo envolvendo a personagem Bullet, a qual não apenas garante alguns dos melhores momentos ao lado de Holder, na qualidade de sua informante durante a investigação do desaparecimento de Kallie, como também completa o complicado triângulo amoroso formado pelo casal de adolescentes Lyric (Julia Sarah Stone) e Twitch (Max Fowler), vítimas igualmente potenciais dos perigos existentes nas ruas da maior cidade do estado de Washington. É Bullet, ainda, que avança extraoficialmente na investigação quando localiza uma das jovens atacadas pelo maníaco, Angie (Laine MacNeil), e descobre de antemão quem ele é. Claro, antes que ela possa revelar tal informação a Holder, a garota acaba tendo seu destino cruzado com o do assassino.

bannerNuma das melhores reviravoltas da temporada, porém, e após o caso já ser dado por encerrado com a prisão de Joe Mills, isso em decorrência das evidências existentes contra ele e seu depoimento evasivo e comprometedor, Holder e Linden reconsideram a hipótese de que o autor dos crimes não apenas seria policial, como membro do próprio departamento de homicídios e da força tarefa incumbida de investigar o caso, e a corrida contra o tempo para salvar Seward do corredor da morte ainda é tensa a menos de dois episódios do fim dessa terceira fase da série.

Superior às duas primeiras temporadas, The Killing não tenta aqui reprisar a fórmula dos primeiros anos. Ao invés de deslocar para uma próxima temporada a resolução da trama principal, acaba assim trazendo seu desfecho no episódio duplo final, logo após o arrebatador Six Minutes,que surge como um dos melhores momentos em série na televisão. A poucas horas da execução de Seward, convencida de sua inocência, e estimulada por um Holder, este cada vez mais distante do que o personagem um dia foi nos anos anteriores, Linden esgota todas as suas tentativas para salvá-lo do enforcamento. Num dos momentos mais excepcionais da temporada, Seward finalmente admite o que de fato ocorreu na noite do assassinato de sua esposa para então, após finalmente concordar em receber a visita do próprio filho, ser arrastado pelos carcereiros de volta para sua cela. E é a cena na qual o personagem vê o filho pela janela do prédio antes de sua execução que temos um dos mais notáveis momentos televisivos do ano.

linden+holderMas é decididamente no episódio final, dobradinha entre From Up Here e The Road to Hamelinque a verdade finalmente vem à tona com a grande reviravolta por ocasião do desvelamento da identidade do verdadeiro serial killer. Antes que se possa comemorar um final de temporada de The Killing desprovida de qualquer grande mistério relativo aos crimes investigados, no entanto, ainda que sua autoria seja revelada, um grande cliffhanger que comprometerá a carreira de Linden encerra o episódio final.

Sem sombra de dúvidas, The Killing não perde aqui, em seu terceiro ano, o mojo que a consagrou como uma das melhores séries de thriller policial dos últimos tempos, ao lado de Twin Peaks, Cold Case, FlashForward, Law & Order, Criminal Minds e True Detective, e garante mais uma vez posição de destaque, não somente pelo acerto no enredo, com uma narrativa novamente arrebatadora, como pelo elenco principal, mais uma vez formado por Mireille Enos e Joel Kinnaman, mas também pelo elenco de apoio, como os excelentes Elias Koteas e Peter Sarsgaard, que protagonizam alguns dos melhores momentos do ano.

Fica agora a dúvida para o que podemos esperar da quarta temporada, seja no que diz respeito ao destino de Linden e de seu parceiro Holder, seja no que se refere aos novos personagens, principalmente quando já tem confirmada a presença de peso dos veteranos Joan Allen eJohn Reardon.

As três primeiras temporadas de The Killing estão disponíveis no Netflix, e a quarta temporada estreia dia 01 de agosto.

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