Filmes do mês de junho

robocop

Robocop (2014)****

Refilmagem de RoboCop (1987), de Paul Verhoeven, e adaptação do roteiro de Edward Neumeier e Michael Miner por Joshua Zetumer, José Padilha dirige a polêmica versão do policial ciborgue do futuro.

Ambientado numa Detroit City do ano de 2028, o longa-metragem apresenta o público a Alex Murphy (Joel Kinnaman), policial incorruptível do departamento de polícia, e devotado pai de família. Casado com Clara (Abbie Cornish), ele não mede esforços para se fazer presente ao filho David (John Paul Ruttan) ou para cumprir bem seu ofício ao lado do parceiro, Jack Lewis (Michael K. Williams).

No entanto, uma armação promovida por um grupo de policiais corruptos que tenta mantê-lo afastado da investigação que pode comprometê-los, coloca sua vida no exato momento em que Raymond Sellars (Michael Keaton), Presidente da OmniCorp busca um candidato para seu novo projeto de armamento contra o crime nas ruas.

Assim, e após convencer Clara, Raymond se vale do desempenho do eficiente Dennett Norton (Gary Oldman) e do treinamento do psicótico Mattox (Jackie Earle Haley), que transformam o que sobrou do organismo de Alex em um ciborgue apto a combater o crime.

Evidentemente que as coisas se complicam quando Alex é confrontado com sua nova situação e após uma crise nervosa decide investigar sua própria tentativa de assassinato, o que o leva a surpreendentes e inusitadas descobertas.

Diferentemente do sucesso Cult de Verhoeven, a versão de Padilha traz não apenas um RoboCop mais sofisticado, como também com problemas mais concretos e dos quais sua esposa, com a ajuda e o apoio de Norton, tem plena ciência da nova realidade que lhe é imposta, participando ativamente de seu processo de adaptação.

Duramente criticado por ser mais uma refilmagem de um clássico de ficção científica, mas também por suas consistentes alterações, seja no que diz respeito à armadura do personagem ou profundidade do contexto pessoal de Murphy com a presença constante de sua família no seu processo evolutivo como homem-máquina, e também no que se refere à ausência da violência gráfica que tornou a versão original tão única, RoboCop, de José Padilha, acaba sendo uma surpresa agradável por adaptar para o presente uma trama consistente com denotada crítica à ordem política atual.

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A history of Violence (2005)****

A History of Violence conta a história de Tom Stall (Viggo Mortensen), um homem de boas maneiras que mora na pequena comunidade de Millbrook, Indiana, meio-oeste dos Estados Unidos. Ele é um zeloso homem de família, casado com Edie (Maria Bello), e pai de Jack (Ashton Holmes) e de Sarah (Heidi Hayes).

Certo dia, porém, após um ataque aos frequentadores de sua lanchonete por dois perigosos forasteiros, Leland (Stephen McHattie) e Billy (Greg Bryk), Tom se torna herói nacional, e chama a atenção do mafioso Carl Fogarty (Ed Harris), que o confunde com um perigoso assassino, Joey Cusack, e passa a ameaçá-lo e à sua família para que volte com ele para a Philadelphia afim de que ele se reencontre com seu irmão, o chefe do crime organizado, Richie Cusack (William Hurt).

Assim, confrontado por iminentes ameaças ao bem estar de sua família e as dúvidas a que Edie passa a ser submetida, Tom precisa tomar uma grande decisão que poderá custar a sua própria vida.

Inspirado na graphic novel homônima de John Wagner e Vince Locke, David Cronenberg faz um trabalho digno como há muito não se via, e surpreende com uma produção singela, estrelada por um elenco modesto, à exceção de Harris e Hurt, e com violência gráfica na medida e oportunidade exata.

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Die Tür (2009)***

Die Tür, também conhecida como A Porta, é uma produção alemã dirigida por Anno Saul, inspirada no romance Die Damalstür, de Akif Pirinçci, que consta a perturbadora história do famoso artista plástico David Andermach (Mads Mikkelsen), que vê sua vida se transformar após um fatídico evento.

Cinco anos após a morte acidental da filha pequena, Leonie (Valeria Eisenbart), David cai em profunda depressão, e sua esposa, Maja (Jessica Schwarz), não sabendo lidar com a trágica perda, também o deixa. A despeito do apoio do melhor amigo, Max (Tim Seyfi), David está no fundo do poço e parece seguir um caminho sem volta, até que uma noite, ele descobre uma porta escondida num bosque que o leva para cinco anos no passado.

Lá, ele chega no exato dia em que Leonie está prestes a morrer, e sabendo exatamente o que está por vir, ele consegue salvá-la a tempo. Após um comovente momento em que o pai tem diante de si a filha que perdeu há cinco anos, ele precisa lidar com o seu “outro eu” do passado, que ao surpreendê-lo, acaba sendo acidentalmente morto. David então decide enterrá-lo no jardim e viver ali o que deverá ser uma nova realidade junto à esposa e à filha, as quais, porém, ficam perturbadas com suas mudanças de comportamento.

Ao passo em que seu misterioso e sinistro vizinho, Siggi (Thomas Thieme), sugere saber a verdade e seu amigo Max está próximo de descobrir o que de fato aconteceu com o David daquela realidade, a tal porta deixa de se tornar um segredo quando várias outras pessoas também a atravessam na esperança de mudar o próprio futuro, despachando suas versões anteriores de forma violenta e deliberada.

Cabe agora a David, que se apaixona pela Maja do passado, proteger o futuro da mulher e da filha que tanto ama, desafiando o que parece ser uma enorme conspiração promovida por todos na cidade.

O filme é absolutamente incrível, diferente, instigante e enervante, e o desempenho de Mads Mikkelsen é mais do que surpreendente. Vale a pena conferir!

enoughsaid

Enough Said (2013)***

Enough Said é uma agradável comédia romântica escrita e dirigida por Nicole Holofcener , que conta a história de uma mulher divorciada que se vê envolvida amorosamente com o ex-marido de sua nova amiga, mas que acaba mudando sua percepção sobre o homem que acredita amar após conhecê-lo pelas críticas depreciativas de sua ex-esposa.

Eva (Julia Louis-Dreyfus) é uma massoterapeuta que atende em domicílio e que tem como melhores amigos o casal Will (Ben Falcone) e Sarah (Toni Collette). Enquanto tenta se conectar com a filha Ellen (Tracey Fairaway) na iminência desta sair de casa, acaba conhecendo e se envolvendo amorosamente com o gentil e simpático Albert (James Gandolfini). O relacionamento dos dois acaba evoluindo rapidamente, mas as coisas começam a se complicar quando Marianne (Catherine Keener), sua nova cliente, é nada mais nada menos do que a ex-esposa de Albert, e do qual faz comentários íntimos extremamente negativos que acabam influenciando Eva.

Assim, e enquanto tenta conciliar a relação com Marianne e Albert sem que ambos saibam que os conhece, Eva passa a ter alterada sua percepção sobre o namorado a partir das descobertas feitas através de sua nova e carente cliente, da qual não consegue se desvencilhar. E as qualidades que mais admirava em Albert, acabam se tornando defeitos insuportáveis a ponto dela colocar tudo a perder.

Embora seja considerado um filme mediano, Enough Said é extremamente agradável e aprazível, sobretudo pelas ótimas performances, sobretudo a de Gandolfini, neste que é seu penúltimo filme.

Will you meet a tall dark stranger

Will you meet a tall dark stranger (2010)**

Escrito e dirigido por Woody Allen, Will you meet a tall dark stranger conta a história do sexagenário Alfie (Anthony Hopkins), que movido por uma crise de meia-idade, acaba se separando de sua esposa, Helena (Gemma Jones), ao mesmo tempo em que a filha única do casal, Sally (Naomi Watts), enfrenta problemas no casamento alimentadas por dúvidas amorosas.

Surpreendida com a nova situação, Helena passa a se envolver com o viúvo Jonathan (Roger Ashton-Griffiths), e busca respostas sobre a vida após a morte, enquanto Alfie assume um relacionamento com a prostituta Charmaine (Lucy Punch), que acaba metendo-o em vários apuros.

Enquanto isso, Sally e Roy (Josh Brolin) passam por dificuldades, enquanto ela trabalha arduamente na galeria de arte de Greg (Antonio Banderas) e o marido aguarda ansiosamente a aprovação de sua editora para a publicação de seu primeiro romance. Mas as coisas acabam se agravando ainda mais quando Roy começa a ficar obcecado por Dia (Freida Pinto), a bela e jovem vizinha do apartamento em frente, enquanto Sally passa a se apaixonar por seu patrão.

Embora não seja um dos melhores trabalhos de Allen, o filme rende boas surpresas, e as atuações de Naomi Watts e Gemma Jones são um desafio à parte. Hopkins também não faz feio, embora o personagem seja caricaturado e uma repetição de muito o que já foi visto em outros filmes do cineasta. Aliás, sem desmerecer Hopkins, Allen teria feito melhor, enquanto provavelmente Nicole Kidman teria sido uma melhor parceira em cena como a prostituta Charmaine do que Lucy Punch, o que se cogitava no início das filmagens.

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To Rome with Love (2012)*

Woody Allen dirige, escreve e estrela To Rome with Love, no qual conta quatro divertidas histórias que se passam na capital italiana.

A primeira delas conta a história de Michelangelo (Flavio Parenti) e Harley (Alison Pill), que se encontram por acaso e acabam se apaixonando. A trama consiste então na introdução de ambos às suas respectivas famílias, e as coisas acabam se complicando quando Jerry (Woody Allen), pai de Harley e ex-produtor musical, vem visitá-los, e fica fascinado com o desempenho vocal de Giancarlo (Fabio Armiliato), pai de Michelangelo, ao escutá-lo no chuveiro, e decide fazer de tudo para convencê-lo a se lançar como tenor.

A segunda história tem Roberto Benigni como intérprete de um típico pai de família italiano, Leopoldo. Ele tem sua vida transformada quando, de um dia para o outro se torna uma grande celebridade. Sua tranquilidade acaba de uma vez por todas, e ele precisa lidar com o assédio de fãs, jornalistas e fotógrafos que não o deixam mais em paz.

A terceira história é de Antonio (Alessandro Tiberi), que chega a Roma com sua esposa, Milly (Alessandra Mastronardi), para que ela conheça seus tios. As coisas se complicam quando a moça sai para arrumar o cabelo no salão e acaba se perdendo em Roma, enquanto Antonio é surpreendido por seus tios no quarto de hotel com Anna (Penélope Cruz), uma prostituta que o confunde com outro cliente, e precisa se passar por Milly para evitar uma tragédia familiar.

A quarta história é de John (Alec Baldwin), um famoso arquiteto que está de férias em Roma com a esposa (Carol Alt) e alguns amigos. Durante um passeio no qual pretende revisitar a rua na qual morou há 30 anos, ele acaba se perdendo, e é reconhecido por Jack (Jesse Eisenberg), um jovem estudante de arquitetura que está na cidade com a namorada, Sally (Greta Gerwig). Jack, que nada mais é do que a versão mais jovem de John, precisa lidar com um enorme dilema quando Monica (Ellen Page), melhor amiga de Sally, aparece para ficar uns dias, e os dois acabam se apaixonando.

Longe de ser um dos melhores filmes de Allen, To Rome with Love tem seus méritos, que são as ótimas performances de Baldwin, Eisenberg e Page, e as presenças de grandes astros e estrelas do cinema italiano, como Ornella Muti, Riccardo Scamarcio, Simona Caparrini, Fabio Bonini e Antonino Bruschetta.

Love is all you need

Love is all you need (2012)***

Den skaldede frisør é uma comédia romântica dinamarquesa escrita e dirigida por Susanne Bier, que conta a história de Ida (Trine Dyrholm), uma cabeleireira em final de tratamento quimioterápico, e que está na iminência de visitar a filha Astrid (Molly Blixt Egelind), que irá se casar na Itália.

Antes de viajar para o Mediterrâneo, porém, Ida descobre que Leif (Kim Bodnia), seu marido, está tendo um caso com sua assistente contábil, Thilde (Christiane Schaumburg-Müller). Complacente, ela decide assumir que a culpa é sua doença, e embarca sozinha para a Itália, onde encontrará Leif no dia seguinte. A caminho do aeroporto ela acaba esbarrando em Phillip (Pierce Brosnan), um viúvo que coincidentemente é pai de Patrick (Sebastian Jessen), seu futuro genro, o qual passa a implicar com ela o tempo todo.

Na Itália, as coisas ficam ainda mais tensas quando Astrid começa a repensar a ideia do casamento, na medida em que Patrick parece mais interessado em um dos ajudantes da cerimônia (Ciro Petrone), e Leif aparece para a festa com a amante, enquanto Ida e Phillip acabam se aproximando até o ponto em que fica inevitável o envolvimento amoroso de ambos, inclusive para a ciumenta e tresloucada ex-cunhada de Phillip, Benedikte (Paprika Steen).

Produção de baixo orçamento, e elenco praticamente desconhecido do público internacional, à exceção, obviamente, de Pierce Brosnan, Love is all you need acaba sendo uma excelente surpresa, especialmente pela boa e positiva mensagem de vida e de que todos tem direito a uma segunda chance de ser feliz.

Flash Gordon

Flash Gordon (1980)**

Adaptado dos quadrinhos de Alex Raymond, Flash Gordon, considerado um dos maiores sucessos da época, e recentemente lançado em Blue-Ray, conta a história do jogador de futebol americano, Flash Gordon (Sam J. Jones), que acaba se envolvendo em inúmeros perigos no planeta Mongo para o qual é enviado após uma chuva de meteoros.

Dirigido por Mike Hodges, o longa-metragem conta ainda com o veterano Max von Sydow como intérprete do temível Imperador Ming, Melody Anderson como o interesse amoroso do herói, Dale Arden, Topol como o cientista maluco, Hans Zarkov, bem como Timothy Dalton como o Princípe  Barin, Brian Blessed como o Príncipe Vultan, Peter Wyngarde como Klytus e Ornella Muti como a Princesa Aura. Produzido por Dino De Laurentiis, o filme não chega a ser uma grande produção, convenhamos, especialmente a julgar pela época e os escassos recursos para a realização de um filme de ficção científica, e a película parece mesmo é querer pegar carona nos sucessos de Star Wars (1977) de George Lucas, Star Trek: The Motion Picture (1979) de Robert Wise e até mesmo Superman (1978) de Richard Donner.

Apesar de repleto de clichês, tomadas e figuro de Danilo Donati que remontam a filmes como Barbarella (1968) e Logan’s Run (1976), o filme é bastante fiel à sua versão em quadrinhos, na qual o herói precisa salvar a Terra das forças malignas do tirano Ming, ao passo em que enfrenta os perigos proporcionados pelos habitantes e estranhas formas de vida em Mongo.

Embora o filme sugira uma continuação em sua cena final, é lamentável que o estúdio tenha deixado passar essa possibilidade. Por outro lado, louvável é descobrir que Sam J. Jones, por muitos confundido por Dolph Lundgren, é até hoje homenageado como o herói, como recentemente o foi no filme Ted, e não seja mais lembrado como segunda opção a Arnold Schwarzenegger, que originalmente interpretaria o personagem, e só não o foi por conta do sotaque austríaco.

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