The Killing : resumo primeira temporada

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Inspirada na série dinamarquesa Forbrydelsen, criada e desenvolvida por Søren Sveistrup, The Killing tem provavelmente como um dos maiores méritos a possibilidade de contar com uma rara união de grandes roteiristas do gênero thriller policial, que vão desde Veena Sud, de Cold Case; Dawn Prestwich e Nicole Yorkin, de FlashForward; Aaron Zelman, de Law & Order e Criminal Minds; Nic Pizzolatto, de True Detective; a até mesmo o criador da série original, também co-produtor.

Dinâmico e ousado, The Killing inaugura com uma temporada de estreia que se presta para a instauração do primeiro segmento pertinente ao assassinato da adolescente Rosie Larsen (Katie Findlay), e que se estende até o final da segunda temporada, totalizando 26 episódios, sendo que cada um deles representa um dia inteiro na investigação do caso.

Embora a série seja inspirada na mencionada produção escandinava, fãs de Twin Peaks percebem logo nos primeiros episódios uma coletânea de semelhanças entre ambas. Contudo, diferentemente do universo criado por David Lynch, no qual a cidade de Twin Peaks é um lugar pitoresco e surreal habitado por personalidades caricatas e peculiares, fenômenos sobrenaturais estão diretamente relacionados aos crimes lá havidos e a excentricidade e os métodos não convencionais adotados por Dale Cooper (Kyle MacLachlan), agente do FBI responsável pela investigação do assassinato de Laura Palmer (Sheryl Lee), são elementos complementares à trama, The Killing se distancia de sua predecessora pelo clima mais realista e dramático, aliado, ainda, ao estilo único voltado à uma atmosfera mais sombria extraída dos trabalhos dos novelistas Henning Mankell e Stieg Larsson, que inspiraram a primeira versão da série.

ep3-sarah-linden-stephen-holder-2Ambientado na chuvosa Seattle, Washington, The Killing conta com a dupla de detetives Sarah Linden (Mireille Enos) e Stephen Holder (Joel Kinnaman) como protagonistas. Designados para resolver o caso do desaparecimento de Rosie Larsen, os investigadores lidam com a terrível descoberta do corpo da garota no porta-malas de um veículo oficial afundado num lago, logo no episódio piloto.

O que se segue, a partir dos episódios subsequentes, é uma sucessão de descobertas, pistas e depoimentos que os levam a suspeitar de todos à volta da garota, mas também dos envolvidos na campanha eleitoral do candidato à prefeitura, Darren Richmond (Billy Campbell). Assim, e enquanto o ex-namorado de Rosie, Jasper Ames (Richard Harmon), e seu melhor amigo, Kris Echols (Gharrett Patrick Paon), surgem como principais suspeitos nos primeiros episódios, e várias mentiras acabam distanciando os detetives da investigação do caso até novos suspeitos surgirem em cena, um lado mais sombrio da vítima acaba vindo à tona, para surpresa dos pais, Stan (Brent Sexton) e Mitch (Michelle Forbes), que simplesmente perdem o controle de suas vidas com a morte da filha.

Sucessivamente, o envolvimento bastante próximo entre Rosie e seu professor de literatura, Bennet Ahmed (Brandon Jay McLaren), o que o torna também forte suspeito de sua morte, leva o pai da garota, eventualmente revelado como um ex-membro do crime organizado russo na cidade, a tomar uma grave e precipitada decisão que vai abalar ainda mais sua família, como se já não bastasse o desamparo de Mitch em relação aos dois outros filhos menores, Tom (Evan Bird) e Denny (Seth Isaac Johnson), que passam a ser exclusivamente cuidados apenas pela tia, Terry (Jamie Anne Allman).

ep3-sarah-linden-stephen-holderParalelamente, novas descobertas revelam a presença de Rosie num cassino local e a existência de uma vida dupla como garota de programa através de um site para acompanhantes. Tergiversando por várias hipóteses e suspeitos, não demora muito para Sarah fazer a conexão entre Rosie e Richmond num dos momentos mais tensos ao final da primeira temporada, e que acontece entre os episódios Beau Soleil e Orpheus Descending.

Mas ainda que a série trata exclusivamente do caso de assassinato de Rosie Larsen, a vida privada de seus investigadores também não fica de lado. Enquanto Sarah começa a temporada com uma transferência e um casamento em vista com o namorado de longa data, Rick (Callum Keith Rennie), bem como tenta administrar a complicada rotina familiar com o problemático filho adolescente, Jack (Liam James), Stephen, que é novo no departamento, não fica atrás como constante alvo de suspeitas de sua parceira que chega a duvidar de seu comprometimento com o caso. A dinâmica entre os dois, no entanto, acaba evoluindo de forma bastante natural, e o episódio Missing, no qual Sarah precisa lidar com o desaparecimento de seu filho, sela a conexão que os dois tanto necessitavam para seguir em frente.

Considerada uma das melhores séries do gênero da atualidade, The Killing faz jus aos louros obtidos, ainda que vários clichês se façam presentes em determinados momentos. Contudo, o foco em vários núcleos, seja no da campanha de Richmond, seja no da família Larsen, e mesmo no dos detetives Linden e Holder, presta-se como avaliador do caráter de cada personagem, e mesmo como meio de distanciar o espectador da imediata desvelação do caso ao passo em que toma a narrativa menos enfastiante, tornando a série ainda mais interessante.

A primeira temporada, que não encerra a investigação, mas boa parte dela, tem como gancho o atentado contra Richmond logo seguido de sua prisão como principal suspeito, ao mesmo tempo em que Sarah, que parte em viagem com o filho, descobre que a evidência contra ele é falsa.

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