Review do episódio #7.05 de Mad Men

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Em continuação a The Monolith, Mad Men segue com The Runaways, e mostra não apenas as mudanças gritantes de uma nova era e sua influência nos personagens, como também, e finalmente, o retorno do personagem Don Draper (Jon Hamm) como realmente conhecemos.

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Stan faz uma descoberta sobre Lou

Stan (Jay R. Ferguson) encontra cópias de quadrinhos de Scout’s Honor feitos por Lou (Allan Havey) na máquina da Xerox na SC&P, e mostra para toda a equipe de criatividade.

Mais tarde, no banheiro da agência, Lou escuta a piada de Stan e Mathis (Trevor Einhorn) sobre seus quadrinhos, e acaba se exaltando na reunião, defendendo seu trabalho e expulsando todos de sua sala, ordenando, ao final, que fiquem todos até depois do expediente como represália.

No fim do dia, Don entrega seu trabalho a Lou e pede que libere os demais. Ao perceber que Don está de partida, com viagem marcada para Los Angeles, Lou recusa seu pedido e ordena que ele também fique. Porém, mais tarde, ele está indo embora e passa pela sala de Don, que trabalha conforme ordenado, e diz que o projeto pode ficar para segunda-feira.

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Ginsberg enlouquece

O computador providenciado por Harry (Rich Sommer) e Cutler (Harry Hamlin) começa a atormentar Ginsberg, que grita na frente de todos para o equipamento, o qual emite um ruído que o impede de trabalhar.

No sábado, ele está na SC&P trabalhando, e coloca lenços de papel nos ouvidos para tentar abafar o som do computador, e sai para pegar mais café. Nesse momento, ele encontra Lou e Cutler falando na sala do computador. Sem ser visto, ele os observa de longe, e corre de volta para sua sala.

Mais tarde, Ginsberg vai até o apartamento de Peggy, e revela que estava na SC&P e que flagrou Lou e Cutler no que parecia ser um encontro secreto. Ele então sugere que os dois são homossexuais e que o computador está tornando todos homossexuais na agência. Finalmente, ele lhe pede para deixá-lo trabalhar ali, enquanto ela assiste televisão com seu vizinho. Após adormecer no sofá, Peggy acorda com Ginsberg lhe dizendo que o ruído do computador o está afetando, tornando-o homossexual, e que ele precisa fazer sexo, ao que a força a lhe dar um beijo. Mais do que depressa, Peggy o coloca para fora.

Na semana seguinte, ele entra no escritório de Peggy e lhe dá um presente como pedido de desculpas. Ela abre a caixa, e grita horrorizada, ao que ele informa ser seu mamilo. Apavorada, ela sai da sala, e faz uma ligação da mesa da secretária. Pouco depois, ele é levado amarrado à uma maca.

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Betty mostra porque é uma mãe mal amada

Após preparar um jantar em casa, em meio a alguns amigos, Betty (January Jones) expressa sua opinião sobre a Guerra do Vietnã, contrariando o posicionamento de Henry (Christopher Stanley), que se enfurece.

Mais tarde, os dois tem uma discussão acalorada, e Bobby (Mason Vale Cotton) escuta tudo.

Por conta de um incidente no colégio interno, Sally (Kiernan Shipka), que feriu o nariz após uma briga com tacos de golf, passa o final de semana em casa. Betty se enfurece com o fato dela estragar o nariz e ter que se submeter a uma rinoplastia, mas Sally devolve no sentido de que não há necessidade de tanta exaltação, já que não é um aborto, e Betty a manda para o quarto.

À noite, Bobby vai ao quarto de Sally e pede para ir embora junto com ela, pois não quer mais ficar ali. Os irmãos se deitam juntos para dormir, indiferentes às regras de Betty, e o mais novo informa que viu a mãe discutindo com Henry, e que acha que os dois podem se divorciar.

Na segunda-feira, Henry pede desculpas a Betty por tê-la embaraçado na festa, e ela lhe diz que está cansada de todos dizerem o que ela deve fazer.

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Alguém do passado de Don deixa Megan com ciúmes

Don recebe a ligação de Stephanie (Caity Lotz), sobrinha da falecida Anna Draper (Melinda Page Hamilton), que informa estar grávida e precisando de ajuda em Los Angeles. Ele pede que ela vá ao apartamento de Megan (Jessica Paré), onde poderá encontrá-la ao final daquele mesmo dia. Na sequência, ele liga para Megan e informa que irá para Los Angeles naquele final de semana, explicando sobre Stephanie, e pedindo que a deixe à vontade.

Por conta do fato de que precisa trabalhar até mais tarde na sexta-feira, Don telefona para Megan, e informa que só poderá vê-la na manhã seguinte. Nisso, Stephanie, que chegou e já está instalada, conta a Megan como ficou grávida e sozinha. Megan diz que não contará nada a Don, mas Stephanie revela não se importar já que conhece todos os segredos dele. Frustrada com tal revelação, Megan decide lhe dar um cheque de mil dólares para se livrar dela e, notando seu desconforto, Stephanie aceita e vai embora sem esperar por Don.

Na manhã seguinte, Don chega ao apartamento de Megan em Los Angeles, e encontra Amy (Jenny Wade), sua amiga. Megan aparece e as duas o convidam para sair. Ele pergunta por Stephanie, e Megan explica que ela decidiu ir embora antes, revelando que só estava ali pelo dinheiro, e que ligaria para ele tão logo chegasse a Oakland. Don fica visivelmente frustrado, e Megan e Amy o deixam.

À noite, durante a festa no apartamento de Megan, Amy se aproxima de Don, e alguém começa a dançar sensualmente com sua esposa. Ele os observa, mas não parece preocupado. De repente, Harry aparece com sua suposta amante, e Don o convida para sair para beber.

De volta ao apartamento de Megan, Don vai direto para o quarto. Amy vai atrás dele e tenta seduzi-lo. Megan lhe pede para beijá-la. Ele se mostra desinteressado, e Megan o beijo, e depois ele beija Amy. As duas se beijam, e na manhã seguinte Don acorda com Megan e Amy na cama.

Na manhã seguinte, Stephanie liga para Don de Oakland, e ele lhe diz que quer cuidar dela e do bebê. Em seguida, ele diz a Megan que precisa ir embora mais cedo para lidar com a informação obtida de Harry.

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Don planeja seu retorno triunfal

Após saírem da festa de Megan, Harry e Don vão a um bar, e o primeiro lhe diz que o respeita muito, apesar das mudanças na agência. Harry enfatiza que Don deveria estar em Los Angeles ao invés de Ted (Kevin Rahm), repetindo o que parece ser um entendimento majoritário no sentido de que Ted se tornou inútil. Por fim, ele revela a Don os planos de Lou e Cutler para conseguirem a carteira da Philip Morris, ao que o farão ser desligado da SC&P, provavelmente por conta da carta aberta que enviou para publicação anos antes ao The New York Times.

Nos últimos instantes do episódio, Don entra numa sala reservada em um restaurante onde Lou, Cutler e executivos da Phillip Morris estão reunidos para um encontro de negócios. Todos ficam surpresos com sua vinda inesperada, e ele se mostra ansioso por fazer parte da aquisição da carteira. O executivo da Phillip Morris explica, no entanto, que a empresa terá problemas em trabalhar com o homem que acabou com seus negócios após a publicação da carta na qual critica as empresas de tabaco no The New York Times. Don, por sua vez, anuncia que escreveu tal documento para salvaguardar os interesses da SC&P, e que será estrategicamente bom para eles trabalharem com alguém que conhece os dois lados da operação.

Após a reunião, Lou e Cutler estão furiosos com Don. Lou diz que ele é incrível, ao que Don agradece, e quando Cutler lhe pergunta se ele pretende com isso melhorar sua imagem na agência, Don parece não se importar, e o episódio acaba.

Mais focada no desenvolvimento pessoal dos personagens do que nas suas relações pessoais e profissionais, ou mesmo no avanço da própria SC&P como agência de publicidade nos vindouros anos de 1970, a primeira parte da sétima temporada inaugura o que parece ser a tentativa de mostrar o lado oposto de cada personagem. Ao final de cada episódio até agora transmitido, o que fica é a nítida sensação de que o Don Draper das primeiras temporadas não era tão ruim assim, mas é Dick que o torna mais humano.

Se Peggy e Joan (Christina Hendricks) eram contra o retorno de Don, e o veem como ameaça aos negócios da SC&P, temos aqui apenas duas mulheres que enfrentaram vários dilemas pessoais e profissionais, que lutaram para conquistar seu espaço no mundo dos homens, e que tem muito mais a perder do que qualquer um na agência. Não seria de surpreender, no entanto, que, ao final, ambas acabassem fundando sua própria agência.

Betty sempre se apresentou como a mulher feita para ser a típica dona-de-casa, mas sempre com anseios maiores. Quando tentou retomar sua carreira de modelo, foi obstaculizada por Don, e eventualmente acabou caindo nos braços de Henry, que nitidamente fez dela sua esposa modelo para acompanhá-los em eventos políticos. Ao longo de sete anos ela nada mais foi do que mero objeto de decoração, fumando, bebendo e confundindo-se com a mobília da casa enquanto remoia pensamentos e sentimentos, tornando-se, ao final, uma mulher amarga e uma mãe débil. Em The Runaways, porém, ela mostra que está cansada do silêncio e que pretende virar o jogo, no que parece ser a mudança mais radical da temporada, uma vez que a personagem jamais evoluiu.

Megan, por seu turno, parece perdida. Embora seus sentimentos por Don sejam claros, ela parece querer resgatar algo inatingível, e a vinda de Stephanie mostra o que de pior ela poderia imaginar, e que é justamente o fato de que jamais o terá completamente, uma vez que Dick é uma pessoa totalmente diferente, e que de tempos em tempos precisa emergir.

A um episódio do final da primeira metade da última temporada, Mad Men mostrou o caminho final da evolução dos seus personagens. Don chegou várias vezes ao fundo do poço no plano pessoal, mas jamais tão fundo como agora no aspecto profissional. Se em The Runaways ele consegue finalmente tirar proveito de uma oportunidade que poderá valer seu retorno triunfal, ainda que não saibamos o que de fato ele pretende junto à agência que lhe deu as costas por tanto tempo, podemos ter a certeza de que ao final ele terá que encontrar um ponto de equilíbrio, o que possivelmente lhe acarretará mais alguns sacrifícios pessoais.

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