Review : The Amazing Spider-Man 2

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The Amazing Spider-Man 2 é o lançamento do verão estadunidense que, diferentemente de Captain America: The Winter Soldier, teve uma recepção do público tão notadamente acalorada e ambivalente quanto a do reboot de Man of Steel no último ano.

Excepcionalmente distante de todos os seus predecessores, e com alinhamento consequentemente dissociado da franquia de Sam Raimi, estrelada por Tobey Maguire, o longa-metragem, segundo da refilmagem da nova saga do herói aracnídeo dirigida por Marc Webb, segue com roteiro de Alex Kurtzman, Roberto Orci e Jeff Pinkner, e dá nova dinâmica ao personagem extraído dos quadrinhos criados por Stan Lee e Steve Ditko, bem como à narrativa propriamente dita.

O ponto forte do filme, e que é de longe tratado nos primeiros minutos de película, mas ao longo da trama, é a resolução do mistério envolvendo a morte dos pais de Peter Parker (Andrew Garfield), trazida à baila de forma um tanto quanto nebulosa em The Amazing Spider-Man por motivos bastante óbvios, e que dizem respeito ao desenrolar da história envolvendo os Osborn. Assim, e ao contrário do que Peter e sua tia May (Sally Field) passam a crer, Richard (Campbell Scott) e Mary Parker (Embeth Davidtz) morreram vítimas de uma conspiração envolvendo o governo e a Oscorp, que aparece agora com mais força.

Mas o que talvez aproxime o filme de Webb com o de Raimi é a trama amorosa do personagem, desta vez com sua primeira paixão de adolescência, Gwen Stacey (Emma Stone). Os percalços românticos enfrentados pelo futuro fotógrafo do Daily Bugle não são exatamente os mesmos vividos na saga cinematográfica anterior, mas os dilemas estão basicamente todos lá. Ao final de The Amazing Spider-Man, vimos que o herói não conseguiu cumprir a promessa feita ao capitão de polícia, George Stacey (Denis Leary), em seus últimos instantes de vida, de ficar longe de sua filha. Ao contrário, ele deu continuidade ao relacionamento com Gwen, ainda que sua dupla identidade pudesse culminar na exposição de perigo à amada. Claro, a loirinha também é teimosa, e acaba se envolvendo em inúmeras situações que comprometem sua vida. Assim, a consciência de Peter pesa antes que as coisas fiquem complicadas, mas principalmente quando o fantasma do papai Stacey dá as caras volta e meia, fazendo com que o casal sofra com idas e vindas que só não são mais cansáveis que as do personagem com a Mary Jane de Kirsten Dunst na primeira trilogia.

Porém, o que torna o longa-metragem infinitamente superior aos demais filmes, especialmente a Spider-Man 3,é a forma como é bem trabalhado seu enredo, por mais complexo que seja. Enquanto no último filme da cinessérie dirigida por Raimi a história desandou justamente pelo acúmulo de tramas e subtramas e a inclusão indesejada pelo próprio cineasta, mas exigida pelo estúdio, do vilão Venom, em The Amazing Spider-Man 2 o excesso de personagens e a história elaborada é justamente o que torna o filme tão dinâmico. Assim, e sem pormenores, Webb consegue conciliar um enredo no qual o personagem precisa não apenas desatar os nós com seu passado e que dizem respeito à morte dos pais, como também precisa lidar com o recém-chegado Harry Osborn (Dane DeHaan), amigo de infância que aparece com uma surpreendente prova de amizade. Não bastasse isso, Peter precisa decidir sua vida amorosa, ao passo em que enfrenta ainda três super-vilões. Se Spider-Man 3 foi uma decepção total ao se deter nos detalhes e se perder na incoerência, o segundo filme da saga de Webb consegue se superar e enxuga em apenas duas horas e meia o que Raimi levou três filmes para contar, sem se tornar nem um pouco enfastiante, e provando que não é a quantidade de vilões que compromete um filme.

Assim, temos Peter enfrentando Aleksei Sytsevich (Paul Giamatti), que se torna eventualmente o super-vilão Rhino, enquanto precisa correr contra o tempo para chegar à sua formatura. Ainda, há o regresso de Harry Osborn (Dane DeHaan), com quem Peter não tinha contato há mais de 10 anos, que volta para se despedir do pai, Norman (Chris Cooper), consumido por uma doença que o deixou com o aspecto de duende-verde. Em que pese Norman não ter chegado a se tornar a primeira versão do infame vilão, tal como nos quadrinhos e na primeira trilogia, sua perversidade está toda lá quando anuncia o fatídico igual destino do filho, que deve agora dar continuidade na busca pelo tratamento, o que o levará a eventualmente se tornar o Duende-Verde ao mesmo tempo que sua amizade com Peter será combalida.

Aliás, fazendo novo paralelo à cinessérie de Raimi, é com muita precisão que Webb desenvolve a trama entre Peter e Harry. Em apenas um único filme, a dinâmica entre os dois personagens ganha novos contornos, não tão extensos e fatigantes quanto a protagonizada por Maguire e James Franco. Se a morte de Norman reaproxima os personagens como se não tivesse havido um distanciamento de 10 anos entre eles, a relação passa a sofrer oscilações a partir do momento em que Harry descobre que talvez o sangue do Homem-Aranha pode salvá-lo da morte certa, e Peter é o único, como seu fotógrafo ocasional, capaz de contatá-lo. Ciente do perigo que sua amostra de sangue contaminada pode expor Harry – e nem tanto com o fato de que a mesma poderá comprometer sua identidade – Peter consegue, com muito pesar, esquivar-se dessa obrigação, o que lhe acarretará consequências tão desastrosas (porém, mais coerentes) quanto o desejo de vingança de Harry pela morte do pai na trilogia anterior.

Claro que todo filme de super-herói tem suas falhas, e The Amazing Spider-Man 2 não poderia ficar impune com seu vilão Electro. A despeito da excelente performance de Jamie Foxx como Max Dillon, o personagem parece estar lá tanto quanto Flint Marko (Thomas Haden Church) está para Spider-Man 3. Ainda que a história de Dillon acabe sendo coerente dentro do raciocínio do longa-metragem, que envolve não apenas o lado comprometido do Homem-Aranha como super-herói máximo ao salvá-lo e se tornar seu objeto de adoração, mas também o aspecto desumano nos projetos e pesquisas realizados pela Oscorp, Electro acaba sendo um exagero que só não é dispensável por complementar o arco envolvendo o Duende-Verde.

The Amazing Spider-Man pode não ter sido o início feliz de uma nova franquia do herói aracnídeo, provavelmente em virtude da devoção dos fãs do personagem aos trabalhos de Sam Raimi e Tobey Maguire nos filmes anteriores, ou talvez por ser considerado uma cópia descarada do primeiro da franquia anterior, mas The Amazing Spider-Man 2 surge como contrabalanço e, prestando-se como divisor de águas entre duas diferentes e incríveis adaptações, acaba conferindo leveza não apenas com a performance atenuada de Garfield em contrapartida à intensidade de Maguire, como também com o romance genuíno do personagem com Gwen Stacey, sem o desgaste mostrado nos filmes anteriores. Além do mais, o dinamismo elevado se sobressai com uma trama menos absorta e com sequências de ação ainda mais pontuais que só nos fazem esperar ansiosos pelo terceiro filme, provavelmente com Mistério, que volta a dar o ar da graça ao final, e Gata Negra, que já aparece no longa-metragem como a assistente de Harry, Felicia Hardy (Felicity Jones), ou talvez com um cross-over com a nova franquia dos X-Men, a julgar pela cena pós-créditos.

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