Review do episódio #7.01 de Mad Men

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A sétima e última temporada de Mad Men tem início com um monólogo de Freddie Rumsen (Joel Murray) que eventualmente se mostra como a transmissão de sua ideia a respeito da marca de relógios Accutron para uma impressionada Peggy (Elisabeth Moss).

Na sequência, Roger (John Slattery) acorda com o telefone tocando. Ele está dormindo no chão de um quarto bagunçado e repleto de corpos nus. Sua filha, Margaret (Elizabeth Rice), convida-o para almoçarem juntos, e ele aceita.

Na agência SC&P, Ken (Aaron Staton) grita com funcionários em sua sala, e Joan (Christina Hendricks) aparece. Ele reclama sobre seus subordinados, e a instrui para se encontrar com o chefe do departamento de marketing da Butler Calçados, o que a deixa visivelmente empolgada.

Lou Avery (Allan Havey), que apareceu no último episódio da sexta temporada levado por Duck Phillips (Mark Moses) para uma entrevista na SC&P, é agora o novo diretor de qualidade criativa, e discute com a equipe, na qual estão incluídos Peggy, Stan (Jay R. Ferguson) e Michael (Ben Feldman) como estão as carteiras dos clientes Chevy e Accutron. Peggy expõe a ideia para o cliente Accutron, mas Lou a rejeita.

MM_701_MY_1107_0686-v2-935x658Don (Jon Hamm) está se barbeando no banheiro do aeroporto de Los Angeles. Ele sai, e encontra Megan (Jessica Paré), que acaba de estacionar seu conversível. Os dois se beijam, e ela os leva para seu apartamento na cidade.

Enquanto isso, em NY, Ted (Kevin Rahm) está de visita, o que deixa Peggy visivelmente irritada. Jim Cutler (Harry Hamlin) não esconde sua satisfação em tê-lo por ali, e explica que ele faz muita falta.

Em Los Angeles, Don e Megan se encontram com Alan Silver, o empresário de Megan, que se mostra impressionado com Don. Ele revela ao casal que conseguiu colocá-la no piloto de um seriado da NBC, Bracken’s World. Mais tarde, no apartamento, ela está embriagada demais para celebrar com o marido, e vai dormir.

Em NY, Joan encontra com Wayne Barnes (Dan Byrd), da Butler Calçados, em um bar. Ele se mostra surpreso, acreditando que se encontraria com Ken, e faz questão de expressar seu descontentamento ao tratar com uma mulher. Com muita insistência de Joan, ele acaba finalmente revelando sua intenção de focar toda a publicidade da empresa internamente, eliminando a terceirização. Ela lhe pede para não se precipitar até falarem com Ken, e ele concorda.

Peggy chega pela manhã na agência, e encontra Ted na copa. Incomodada, ela chama várias vezes Stan, que aparece, para então Ted ir embora sem que os dois tenham ao menos a oportunidade de falar.

MM_701_1115_0081-935x658Numa delicatessen, Don encontra com Pete (Vincent Kartheiser), que agora está na filial em Los Angeles. Ele está à vontade e bastante entusiasmado na nova cidade, e informa que conseguiu a conta da H. Salt Fish and Chips, mas ninguém na agência em NY parece se importar. Ele então sugere que a visita de Don tem algo a ver com a viagem de Ted a NY, mas ele afasta qualquer conjectura.

Mais tarde, Pete leva Don para conhecer o escritório da SC&P em Los Angeles, e sua corretora de imóveis, Bonnie Whiteside, aparece, mostrando-se nitidamente interessada em Don.

Em NY, Joan se encontra com um professor de negócios na Universidade de Columbia, e em troca de informações sobre planos de comissão, ele concorda em lhe fornecer uma análise oficial para ajudá-la com o cliente Butler Calçados.

Em Los Angeles, entregadores aparecem no apartamento de Megan para deixar uma televisão em cores, presente de Don, o que a deixa furiosa. Eventualmente, os dois fazem as pazes, mas quando vão se deitar, ela se mostra desinteressada, revelando apenas estar nervosa com tudo o que está acontecendo. Na manhã seguinte, porém, os dois estão mais próximos, mas quando diz a Don que tem o dia inteiro ainda para ficarem juntos antes que ele volte para NY, ele lhe diz que tem que trabalhar.

Na viagem de volta a NY, Don se senta ao lado de uma mulher chamada Lee (Neve Campbell), e o interesse de um pelo outro é mútuo. Ela revela ser viúva, e se prontifica a aliviar sua dor quando Don menciona o casamento conturbado. Ao final, no entanto, ele descarta um encontro.

MM_701_1112_0041-935x658No almoço com Margaret, Roger parece animado com o que parece ser uma reconciliação, principalmente quando a filha diz que o perdoa. Ele devolve, dizendo que também a perdoa, mas ela lhe corrige, explicando que ela o perdoa por todas as suas transgressões, desde o divórcio, suas investidas em mulheres mais novas e o fato de fazê-la ter que lhe pedir dinheiro.

Frustrado, ele volta para o quarto de hotel onde uma mulher nua na cama o espera. Ao lado dela, no entanto, há outro homem dormindo. Ela informa que não se importa se ele estava com outra pessoa, pois em sua cama todos são bem vindos. Ele se deita do seu outro lado e os três dormem.

Na SC&P, Lou revela a Peggy que gostou da ideia original de Freddie para o cliente Accutron, mas que já concordou com outro conceito para a campanha publicitária. Enquanto isso, Clara (Alexandra Ella), a secretária de Ken, parabeniza Joan, informando-a que o dono da Butler Calçados concordou encontrá-los para uma reunião na agência, o que a faz perceber que Barnes não aceitou aguardar sua nova investida. Mais do que depressa, ela entra na sala de Ken, que não está lá, e pede a Clara uma ligação para Barnes. Ela explica que internalizando a publicidade da empresa ele estará competindo com a SC&P, e não contra outra empresa de calçados, e ele lhe pergunta o que deve então fazer uma vez que já agendou a reunião. Joan pede que ele diga que a SC&P cancelou a reunião para revisar seu plano estratégico, e ele concorda. Mais tarde, Ken agradece por sua intermediação, mas acredita que o caso já esteja perdido, mas ela não se dá por vencida.

MM_701_JA_1104_0688-935x658Peggy pede a Stan novos projetos para o Accutron a fim de fazer com que Lou mude de ideia, mas ele grita com ela no sentido de que ninguém se importa com coisa alguma.

Em seu apartamento em NY, Don assiste o discurso inaugural do então Presidente Richard Nixon. Freddie aparece trazendo sanduíches, explica que Peggy adorou sua ideia para a campanha Accutron, e que Don o está ajudando muito a deslanchar com sua carreira. Ao final, porém, ele encoraja Don para que largue mão de ser mais um Cyrano e que arrume um trabalho para os dois. Don explica que continua sendo pago pela SC&P, mas Freddie dá a entender que eles não se importam mais com ele, já que vários meses se passaram e ainda não pediram que ele voltasse.

O episódio termina com Peggy encontrando seu irmão Gerry (Jerry O’Donnell) cochilando no sofá após resolver um problema dela com os inquilinos e, ao ser deixada só, desatando a chorar, e Don reflexivo na fria e escura varanda de seu apartamento.

Time Zones inaugura o que se tem chamado de o fim de uma era, seja para os personagens, seja no que se refere a uma década inteira retratada na série. Tendo como ponto de partida alguns meses após os acontecimentos ao final da sexta temporada, descobrimos que Peggy não se curou do doloroso rompimento com Ted, o qual, juntamente com um revigorado Pete, está agora tocando a filial da SC&P em Los Angeles. Não bastasse isso, ela encontra resistência da parte de seu novo diretor criativo, e parece mais uma vez ter emperrado na carreira, provavelmente lamentando ter estragado tudo com Don e com Ted, os únicos que a respeitavam e acatavam suas ideias, porém, por motivos diferentes.

Enquanto isso, Joan, outra grande representante do núcleo feminino na série, parece finalmente ter encontrado a oportunidade que tanto esperou. Após a investida na aquisição do cliente Avon, e a saia justa na qual se viu por tentar passar a perna em Pete na temporada anterior, ela agora consegue intermediar a manutenção de um grande cliente, e parece estar no caminho certo para adquirir o respeito tão almejado e merecido.

Roger, no entanto, segue na contramão, e parece mais destrutivo do que nunca. Não bastasse a difícil e complicada relação com a filha, ele parece continuar com seu comportamento arredio e irresponsável, bem como provavelmente com suas viagens alucinógenas e envolvimentos com prostitutas, agora hippies.

Don, por sua vez, diferentemente do que faz parecer ao longo de todo o episódio de estreia e perante todos os personagens com os quais interage, não retornou à SC&P, e continua afastado. Ou seja, mais uma vez ele está mentindo. Porém, operando anonimamente através de Freddie, temos o que parece ser uma tentativa desesperada de não ficar ocioso sem jamais desacreditar que voltará para a SC&P ou um momento de redenção no qual faz com que Freddie use suas ideias como se fossem dele. No plano pessoal, embora sua relação com Megan tenha aparentemente se ajeitado entre o final da sexta e o início da sétima temporada com ela trabalhando em Los Angeles, e ambos provavelmente vivendo na ponte aérea, os flertes e os assédios continuam, e ainda que não o tenhamos visto investir em um novo caso extraconjugal na première, tudo leva a crer que não demorará muito para o personagem pular a cerca. Por outro lado, a serenidade com a qual Don inicia a temporada é rara, e talvez tenhamos ai um bom e produtivo ano para o galante publicitário. Se os relacionamentos familiares fracassados não o ensinaram alguma coisa, é provável que o balanço na sua vida profissional poderá transformá-lo. Ou não?

É sabido que, assim como Breaking Bad, a sétima e última temporada de Mad Men será divida em duas sub-temporadas de sete episódios cada, e cujas histórias serão fechadas e densas, segundo declarado pelo criador da série, Matthew Weiner. Resta, assim, aguardar para conferir como então será o desenrolar dessa primeira metade e o eventual desfecho da trajetória de Don Draper e o futuro da SC&P e de todos os seus talentos.

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