Review do episódio #4.12 de The Walking Dead

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The Walking Dead segue com Still, episódio centrado nos personagens Daryl (Norman Reedus) e Beth (Emily Kinney), lembrando aqui, que mais do que mortos-vivos e apocalipse zumbi, a série inspirada nos quadrinhos de Robert Kirman é sobre pessoas e relacionamentos num mundo em que não existe mais civilização.

O episódio começa com Daryl e Beth emergindo da floresta para a estrada. Eles encontram um veículo abandonado, e ao escutarem ruídos de walkers que se aproximam, escondem-se no porta-malas. Ali, eles passam a noite em alerta, sob uma forte tempestade e uma provável horda de errantes que atravessa aquele caminho. Pela manhã, não há mais ruídos e nem tempestade, e os dois saem, recolhem tudo o que encontram de útil e partem.

De volta à floresta, Beth prepara um acampamento com sinalizadores de aproximação feitos com calotas e uma fogueira, enquanto Daryl tenta caçar alguma coisa. Ele descobre que suas flechas estão ficando podres, e consegue capturar uma cobra. Enquanto comem, Beth se mostra inquieta. Ela menciona que jamais bebeu antes, e que precisa de álcool. Indiferente, Daryl continua a comer, e ela se levanta e diz que vai encontrar algum lugar onde possa encontrar bebida.

No caminho, ela encontra alguns walkers, mas consegue despistá-los, para então ser encontrada por Daryl. Ela se sente aliviada por tê-lo sempre cuidando dela o tempo todo, mas fica aborrecida quando pergunta o que ele sente sobre tudo o que aconteceu e ele continua em silêncio. Furiosa ao voltar ao acampamento, ela diz que não pretende passar o resto dos dias comendo cobras, e segue adiante em busca de uma bebida.

Não demora muito para os dois descobrirem um campo de golfe e, mais adiante, um country club abandonado. Mas há walkers rondando o lugar, e Beth, seguida por um relutante Daryl, entra no lugar. Logo na primeira ala, eles encontram alguns errantes enforcados que tentam, infrutiferamente, desvencilhar-se. Daryl colhe alguns objetos de valor, sob protesto de Beth.

Quando walkers começam a se debater na porta, eles decidem seguir para explorar o lugar. Na cozinha, Beth encontra uma garrafa de vinho, mas surpreendida por um errante, ela acaba destruindo-a ao espancá-lo na cabeça. Daryl vai ao seu resgate, mas ela consegue despachar o morto-vivo sozinha. Numa loja, Beth encontra algumas roupas limpas, e troca de blusa. Eles continuam a explorar o lugar, quando então um relógio de pêndulo começa a badalar, chamando a atenção de vários walkers que começam a emergir.

Os dois fogem, mas se veem encurralados num vestiário. Daryl atira uma fecha, e depois se lança desenfreada e violentamente a atacar os errantes com um taco de golfe. Horrorizada, Beth apenas observa.

Com todos os walkers despachados por Daryl, os dois seguem em frente, e finalmente encontram um bar. Beth, no entanto, encontra apenas um licor de pêssego. Daryl começa a jogar dardos contra as fotos dos fundadores do clube, e Beth cai aos prantos sem ao menos tomar um gole da bebida, provavelmente ao lembrar-se do pai morto. Daryl pega a garrafa e a joga ao chão, dizendo que ela precisa de uma bebida de verdade. Os dois então saem, e ele a leva para uma cabana que explica ter encontrado juntamente com Michonne (Danai Gurira).

Lá, Daryl lhe apresenta moonshine (cachaça), e a faz provar. Ela não aprova o gosto, mas continua a tomar da bebida. Ela o convida para se juntar a ela, mas Daryl não se mostra interessado em se embriagar, enquanto cerra as janelas com madeiras. Um walker aparece do lado de fora, mas eles o deixam por não representar perigo.

Beth insiste fazer com que Daryl se abra, e quando ele relata que o lugar parece com a casa onde morou com o pai e o irmão, ela finalmente consegue fazer com que ele beba um pouco com ela. Não demora muito para Beth fazê-lo se submeter a um jogo da verdade no intuito de tentar descobrir o que ele fazia antes do apocalipse zumbi. Ele fica furioso quando ela sugere que ele era criminoso, e começa a ofende-la e a fazer ruídos, que chamam a atenção do errante que está do lado de fora. Beth pede que ele pare, mas ele a toma pela mão e tenta fazê-la aprender a usar seu crossbow.

Quando a garota finalmente mata o errante com uma faca e o acusa de não se importar com tudo o que aconteceu e não tentar encontrar os outros, Daryl devolve dizendo que todos estão mortos, e que jamais os encontrarão. Ele então desata a chorar ao mencionar que poderia ter feito muito mais para impedir o pior, inclusive para salvar Heshel (Scott Wilson). Beth o abraça.

À noite, os dois ainda bebem, e ele finalmente revela que antes do apocalipse zumbi não fazia nada além de andar à toa com seu irmão Merle (Michael Rooker). Beth, por sua vez, compartilha o sonho de ver Maggie (Lauren Cohan) e Glenn (Steven Yeun) terem um filho, e que seu pai pudesse viver o bastante para ver o neto e que morresse em paz, e sem dor, cercado por todos que o amavam. Ao final, ela pede que Daryl continue forte, e que ele será o último sobrevivente. Os dois então decidem partir, mas não sem antes queimar a casa, e o episódio termina.

Provavelmente um dos episódios mais fracos dessa segunda metade da quarta temporada de The Walking Dead, Still se presta unicamente para explorar uma dupla nada convencional. Enquanto Daryl sempre se via cercado dos elementos mais fortes do grupo, e com os quais mais se identificava, como Rick (Andrew Lincoln), Carol (Melissa McBride) ou Michonne, Beth podia não passar de uma princesa criada sob os cuidados e a superproteção do pai e dos irmãos. Mas se o que os torna diferentes é um bloqueio de comunicação, num mundo devastado é o que os complementa.

Visivelmente desiludido, Daryl tem as qualidades de um sobrevivente natural, no entanto, combalido por um senso de derrota, ele não consegue se apegar a um rasgo sequer de esperança, ao passo em que a jovem e vivaz Beth não pretende se entregar, mas não para continuar viva, como racionalmente teoriza com seu parceiro de viagem ao apontar que não irá durar muito, e sim para manter a mente sã.

Episódio um tanto quanto enfastiante, Still vem com alento para fazer o telespectador se lembrar que The Walking Dead não é uma série de televisão sobre mortos-vivos e a luta pela sobrevivência, e sim a história de pessoas comuns tentando manter a sanidade num lugar inóspito.

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