Review do episódio #1.02 de True Detective

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Um novo elemento na série surge no segundo episódio de True Detective, intitulado Seeing Things. Não bastasse o fato de afastar (ou atrair) as pessoas por conta de suas atitudes provocativas e filosóficas, o personagem Rust Cohle (Matthew McConaughey) também sofre das alucinações que dão origem ao nome do episódio, e que seriam decorrentes do uso de substâncias desde os tempos em que atuava como policial disfarçado no departamento de narcóticos.

Em continuação a The Long Bright Dark, o episódio começa com Cohle e Hart (Woody Harrelson) dando sequência às investigações do assassinato de Dora Lange (Amanda Rose Batz), em 1995. Enquanto Hart tenta se esforçar para conhecer melhor e saber lidar com seu novo parceiro, sua vida conjugal se mostra não muito satisfatória para sua esposa, Maggie (Michelle Monaghan). Como se não bastasse, Hart tem um caso com a assistente de tribunal, Lisa Tragnetti (Alexandra Daddario), e confrontado no vestiário da polícia por Cohle, acaba agredindo-o, revelando quem de fato é a parte danificada da parceria.

Uma pista de uma prostituta de quem Cohle compra barbitúricos para tratar de sua insônia os leva a um rancho no qual Dora Lange esteve por algum tempo antes de ser assassinada. Lá, os dois detetives encontram várias garotas, inclusive menores, que se prostituem. Enquanto Hart confronta a dona do lugar sobre uma das garotas, Beth (Lili Simmons), que aparenta não ter mais do que 16 anos, Cohle encontra o diário de Dora Lange. Antes de partirem, Hart dá algum dinheiro para Beth e lhe diz para escolher outra vida.

No diário de Dora Lange, Cohle e Hart descobrem um panfleto e a localização de uma Igreja, bem como a existência de um homem que a estaria influenciando e que se autodenomina The Yellow King. Os dois então decidem ir até a tal Igreja, e a descobrem abandonada e destruída por um incêndio. Do lado de fora, Cohle vê um bando de pássaros lançar voo, e no céu eles formam o símbolo satânico que estava tatuado nas costas da vítima.

Ao entrarem, os dois detetives descobrem um lugar devastado e em ruínas, e antes que possam concluir pela total ausência de pistas, Cohle descobre uma pintura escondida por vegetação numa das paredes: é a reprodução exata de como Dora Lange foi encontrada morta.

Em 2012, Hart revela aos detetives Maynard Gilbough (Michael Potts) e Thomas Papania (Tory Kittles) mais algumas das excentricidades de seu parceiro, e explica que o tolerava simplesmente porque o achava eficiente, embora não compreendesse o quão lunático parecia ser. Cohle, por sua vez, relata aos policiais como foi a morte de sua filha pequena, e o quanto tal fato prejudicou seu casamento e quase acabou com sua carreira, tanto quanto seu trabalho como policial disfarçado, que completou sua decadência ao tirar tudo o que mais de bom existia nele, tornando-o dependente de substâncias até ser confinado por ordem de seus superiores a um hospital psiquiátrico durante um período de 4 anos.

True Detective segue então com sua temática e clima inebriantes, seja no que diz respeito aos mistérios acerca do assassinato de Dora Lange, seja quanto ao duvidoso caráter de seus personagens. Se no episódio piloto ficou claro que tanto Cohle e Hart são excelente policiais, e talvez até mesmo os verdadeiros detetives e heróis da série a despeito de suas estranhas e bizarras particularidades, Seeing Things surge como um novo ponto de partida no qual descobrimos um pouco mais do lado negro de cada um deles, sobretudo de Cohle.

Enquanto Rust é caracterizado como o bom e eficiente policial que mergulha fundo no trabalho para tentar esquecer as mágoas e os traumas do passado, descobrimos agora que ele tem marcas muito mais profundas e um histórico que o torna uma pessoa de reputação ainda mais ambígua. Seeing Things mostra que ele não apenas se envolveu com substâncias químicas durante sua fase como policial disfarçado após a trágica morte de sua filha, foi internado por longos 4 anos, como também que continuou a usar barbitúricos em 1995. Ainda, embora tenha apontado nas primeiras semanas como parceiro de Hart não gostar de sair para beber com colegas de trabalho, é revelado que ele tem sérios problemas com o álcool. E como se não fosse o bastante, ele sofre de desconcertantes alucinações.

Algumas omissões de ambos os ex-detetives na entrevista realizada em 2012 em contrapartida a tudo o que de fato ocorreu em 1995, por mais insignificantes que pareçam ser nesse primeiro momento, aliado à obscura personalidade de cada um deles, começa a despertar no telespectador a dúvida acerca de sua índole, bem como dá a entender que não demorará muito para que mentiras surjam pela frente por conta dessa mútua dualidade que certamente virá a comprometer a desvelação do caso e os motivos para a sua reabertura por Gilbough e Papania.

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