House of Cards : resumo segunda temporada

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Após o incrível final da primeira temporada de House of Cards, no qual Frank Underwood (Kevin Spacey), com a extraordinária sagacidade que lhe é peculiar, prevalece frente à todos os obstáculos que se opõem à sua ascenção na Casa Branca e se torna Vice-Presidente dos Estados Unidos, a produção de  David FincherEric RothJohn P. Melfi e do próprio Spacey, que adapta para o cenário estadunidense a série de livros de Michael Dobbs, inicia sua segunda temporada ainda mais arrebatadoramente.

De forma a garantir uma terceira (e provável última) temporada, a série ainda ganha mais notoriedade após uma menção na páginal oficial do Presidente Barack Obama no Twitter que dá a entender que ele também a acompanha, e o episódio de estreia do segundo ano pega de improviso até mesmo o fã mais preparado e bom conhecedor da história original e da versão britânica de Jeremy Gwilt e Ken Riddington para a BBC. Assim, com um final abrupto de estreia de temporada, House of Cards inova como há muito tempo não se via numa produção televisiva, e desmistifica a premissa de que toda série que começa de forma admiravelmente positiva perde o fôlego após a primeira temporada.

Se o maquiavelismo inerente aos Underwood para alcance de seus objetivos é o que torna House of Cards uma das séries televisivas mais intrigantes de todos os tempos, não fica atrás o fato de que a produção segue de forma ainda mais esplendorosa em seu segundo ato no que diz à reprodução e ambientação do Congresso e da Casa Branca, bem como quanto à recriação de uma trama política adaptada para os dias atuais, e obviamente no que concerne ao próprio desempenho do elenco, especificamente pelos ilustres Kevin Spacey e Robin Wright.

Resumidamente, quanto à narrativa, dando sequência aos eventos havidos ao final do primeiro ano, no qual vimos o mal na sua forma mais elegante quando Frank Underwood se torna Vice-Presidente dos Estados Unidos após diversas manobras antiéticas perpetradas por ele e sua charmosa e astuta esposa, Claire, temos agora um novo desafio para aquele que entra na galeria dos personagens imorais mais aclamados da televisão. Frank tem agora a difícil tarefa de tirar do seu caminho o bilionário Raymond Tusk (Gerald McRaney), amigo pessoal e braço direito do Presidente Garret Walker (Michael Gill), de modo a manipular o homem mais poderoso dos Estados Unidos para uma verdadeira jogada de mestre.

Como se não fosse só isso, ele precisa encontrar um substituto à altura e facilmente influenciável para assumir a função de Chefe da Câmara, ao que encontra na cruelmente pragmática Jaqueline Sharp (Molly Parker) a escolha perfeita, exceto pelo fato de que ela acaba eventualmente se envolvendo amorosamente com Remy Danton (Mahershala Ali), cujo passado como ex-assessor de Frank o leva a ser contatado por Tusk para operar ao seu lado, e obviamente contra os interesses de Underwood.

Tusk, parceiro de negócios do empresário chinês Xander Feng (Terry Chen), torna-se o grande nêmesis de Underwood na segunda temporada, porquanto responsável por obstaculizar suas manobras no intuito de alcançar um objetivo nebuloso na série que acaba se revelando ao final, e que é o seu grande golpe após ter se tornado Vice-Presidente. Nesse longo caminho, no entanto, além das dificuldades impostas pelo bilionário, os Underwood precisam abrir mão de sua intimidade, e são compelidos a vários sacrifícios pessoais, principalmente Claire (Robin Wright).

Após desistir da ideia de tentar ter filhos, com a nomeação de Frank ao cargo de Vice-Presidente, Claire obriga Gillian (Sandrine Holt) a assumir seu lugar na organização em que atua, de modo a se dedicar única e exclusivamente às funções de Vice-primeira-dama. Mas forçada a encarar de frente o passado quando um ex-namorado reaparece agora na figura de um condecorado Comandante Militar, ou mesmo a fazer emendas com ex-amante e fotógrafo Adam (Ben Daniels), sua vida se torna cada vez mais complicada. E quando a intimidade do casal Underwood é totalmente invadida, o passado de Claire acaba se tornando forte aliado para assegurar a boa imagem junto à mídia e permitir que Frank siga com seu plano de derrubada do Presidente.

Enquanto isso, Doug Stamper (Michael Kelly), continua sua preciosa missão de apagar todos os rastros deixados pelo político, ao passo em que se torna cada vez mais obcecado por sua cúmplice, Rachel Posner (Rachel Brosnahan). Sua nova distração, no entanto, acaba desvirtuando-o do caminho da precisão que lhe é inerente, e ele se vê ameaçado por um novo e ambicioso assessor que passa a trabalhar com os Underwood, Seth Grayson (Derek Cecil). Embora a temporada termine de forma diferente para o personagem Stamper em contrapartida à versão original, ainda assim ele acaba pagando o preço por sua conduta.

Freddy (Reg E. Cathey), que na primeira temporada aparece como o dono do restaurante frequentado por Frank e suposto melhor amigo, também ganha mais espaço na temporada com sua história pessoal. Com um passado comprometedor, ele precisa agora sair de cena e se afastar do político.

Quanto à jornalista Zoe Barnes (Kate Mara), cuja relação com Frank na primeira temporada se tornou o grande arroubo na série e ajudou a alavancar os planos do congressista de modo a se tornar Vice-Presidente, sua história não poderia terminar de forma diferente no início do segundo ato. Após compartilhar com seus colegas Lucas (Sebastian Arcelus) e Janine (Constance Zimmer) sua história com o Frank, ela considera a hipótese de voltar a trabalhar para ele, a despeito da suspeita de seu envolvimento direto na morte de Peter Russo (Corey Stoll). No entanto, uma vez que Zoe decide confrontá-lo no intuito de descobrir a verdade, as coisas não acabam muito bem para ela, e o capítulo 14, que marca a estreia da segunda temporada, termina com a sua surpreendente supressão da série num evento que, sem sombra de dúvidas, reflete o quanto House of Cards surge como novo divisor de águas na televisão ao eliminar uma personagem de grande importância logo no primeiro episódio.

Obviamente que Zoe passa a se tornar o menor dos problemas para os Underwood na segunda temporada, mas quando seu envolvimento com Frank já não é mais segredo para seus colegas, novas e paralelas medidas precisam ser tomadas. Enquanto Janine decide fugir, sabendo que sua existência em nada se equipara à tudo o que o político agora tem a perder, Lucas resolve se aliar a um misterioso hacker, Gavin Orsay (Jimmi Simpson). Mas o que o jornalista não sabe, é que Gavin é um ex-criminoso cibernético que agora trabalha para o Governo e, por sua vez, para Frank. Assim, Lucas acaba sendo vítima de uma armadilha, enquanto Gavin volta a dar as caras ao longo da série e, sabendo que Frank está prestes a se tornar o homem mais poderoso do mundo livre, também decide jogar para ganhar com as cartas que tem.

O ápice da segunda temporada, entretanto, é não somente as maquinações entre Frank e Tusk, mas o envolvimento dos Underwood com os Walker. Para dar seguimento aos seus planos de conquista da sala oval, Frank faz de tudo para conquistar a amizade do Presidente, afastando-o de Raymond, bem como de sua assessora, Linda (Sakina Jaffrey), enquanto Claire troca confidências de esposa com Tricia Walker (Joanna Going), e que lhe reverterão em seu favor. Com a perfídia que lhes é peculiar, os Underwood conseguem mais uma vez alcançar seus objetivos ao final da segunda temporada, e ainda salvaguardam sua falsa boa reputação.

House of Cards faz jus ao título de série do momento, e ainda que possua algumas incoerências e falta de realismo inerentes a qualquer trama de ficção, principalmente por trazer à torna os bastidores de um universo repleto de ambiguidades e, em sua grande parte, desconhecido da maioria do seu público, tem como deleite não apenas a magnificência da produção e o distinto desempenho do elenco, mas um enredo inteligente, ousado e imprevisível. Como terminará a saga dos Underwood, não sabemos. Quem conhece a história original tem uma boa noção, mas em se tratando de uma readaptação também produzida por Dobbs, fica o benefício da dúvida acerca da impunidade daquele que é atualmente considerado o mais maquiavélico de todos os personagens da televisão.

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