Saving Mr Banks : Road to the Oscars

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Saving Mr Banks (2013)****

A semicinebiografia Saving Mr Banks, com roteiro de Kelly Marcel e Sue Smith, bem como direção de John Lee Hancock, conta a desgastante batalha travada entre Walt Disney e a escritora australiana P.L. Travers para a produção de Mary Poppins.

O longa-metragem é um drama familiar que faz jus aos eventos que antecedem o início das filmagens de Mary Poppins, porém em tons mais bem humorados, e mostra Walt Disney (Tom Hanks), após duas décadas tentando cumprir uma promessa feita à filha pequena, na sua complacência de receber Pamela Travers (Emma Thompson) em seus estúdios em Los Angeles para as últimas negociações da cessão dos direitos da fantástica história da babá voadora. O que ele enfrenta, porém, é uma incrível relutância da parte da autora, que se opõe terminantemente a quase tudo o que consta no roteiro, o que eventualmente se revela como apenas e tão somente o desejo de manter intacta aquela que é sua obra de sua vida.

A película começa mostrando Pamela na iminência da falência, ao que finalmente decide, por insistência de seu editor, a ir a Los Angeles para tratar pessoalmente com Disney os últimos detalhes do que será a autorização da adaptação de sua obra. A autora, no entanto, é de extremo e difícil trato, e nada parece lhe agradar, seja a boa companhia do motorista escalado para acompanhá-la durante sua estada, Ralph (Paul Giamatti), a simpática e animada equipe de roteiristas formada por Don DaGradi (Bradley Whitford), Robert (B.J. Novak) e Richard Sherman (Jason Schwartzman), ou mesmo os mimos de Disney, que se vê constantemente obrigado a fazer várias e absurdas concessões em favor da autora para que Mary Poppins possa enfim ser produzido.

A cada empecilho criado por Pamela para que o roteiro seja aprovado, seja em relação às animações, às canções, ao elenco, ao estilo dos personagens e mesmo às cores presentes na película, descobrimos gradativamente o que move sua difícil personalidade a tanto se engajar para tornar a vida de Disney – sempre adorável e tratado por todos os seus funcionários pelo primeiro nome – um verdadeiro inferno.

Se o filme é sobre pais e filhos, enquanto Disney insiste em fazer de Mr Banks o retrato fiel de seu velho genitor, Pamela pretende apenas preservar a lembrança do seu, ao passo em que a audiência acompanha sua dura infância através de flashbacks para então descobrir o pai amoroso e dedicado que teve, na figura do excelente Colin Farrell, mas que acaba fazendo com que a família se mude para a zona rural enquanto sucumbe pelo vício do álcool, ao que entra em cena uma tia distante (Rachel Griffiths) para ajudar a família nos estágios finais da doença que o vitimou, e que é a inspiração para Mary Poppins propriamente dita.

Não demora muito então para a audiência descobrir que Mary Poppins não é aquela que veio para salvar a vida das crianças na história de Travers, mas do próprio Mr Banks, o que dá origem ao título do filme, e que na saga pessoal da autora nada mais é do que a representação dos últimos momentos de vida de seu pai, ao que finalmente é compreendida por Disney. Em Saving Mr Banks, o processo de aprovação do roteiro acaba então funcionando como terapia para a autora, que ao final abdica de suas exigências.

A película é muito bem feita, seja no que diz respeito à cinematografia e à adaptação de época, mas quem definitivamente rouba a cena são Tom Hanks e Colin Farrell, que estão simplesmente soberbos em suas performances, as quais, lamentavelmente, não tiveram o reconhecimento merecido. E embora Saving Mr Banks não seja fiel à realidade, mas uma campanha publicitária da Walt Disney, na medida em que Pamela detestou a adaptação de sua obra, ainda assim o filme funciona como divertimento.

Saving Mr Banks concorre ao prêmio de melhor trilha sonora original pelos Academy Awards.

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