Review do episódio #4.09 de The Walking Dead

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A estreia da segunda metade da quarta temporada de The Walking Dead acontece com o episódio After, que dá sequência aos eventos sucedidos em Too far Gone. Os muros do presídio não existem mais, e o lugar foi tomado por walkers. O Governador (David Morrissey) finalmente morreu, e os sobreviventes se separaram.

O episódio começa mostrando Michonne (Danai Gurira) caminhando próximo aos escombros do presídio. Ela mata alguns walkers e ao desmembrar e quebrar as mandíbulas de dois deles os torna seus companheiros de viagem pelo exterior, e parte em busca dos demais sobreviventes, não sem antes encontrar a cabeça de Hershell (Scott Wilson) transformada, e desferir-lhe um golpe fatal com sua katana.

Em algum lugar longe do presídio, Rick (Andrew Lincoln) e Carl (Chandler Riggs) seguem por uma estrada. Carl se mostra insolente, e ignora a dificuldade de Rick por conta dos ferimentos sofridos no embate final com o Governador. Os dois então seguem adiante e encontram um restaurante abandonado. Sob os protestos de Rick, Carl dispara com a arma contra a cabeça de um walker que lá estava, desperdiçando munição. Após conseguirem um pouco de suprimentos para viagem, eles seguem em frente.

Ao encontrarem uma casa vazia, Rick e Carl se instalam, e descobrem que já foi saqueada. No andar de cima, Carl sorri ao encontrar o quarto de um garoto repleto de jogos de videogame. Mas seu sorriso desaparece ao ver seu próprio reflexo no monitor, e ele apenas retira o cabo de força da televisão para prender a porta da frente. Arredio, ele agride Rick com palavras, desferindo acusações e indiretas, e chega até mesmo a mencionar Shane (Jon Bernthal). Os dois então se acomodam, e Rick nota a gravidade dos ferimentos que sofreu.

Na sequência, vemos Michonne em um cenário completamente diferente. Ela está em um belo apartamento cortando verduras, enquanto seu marido e seu irmão estão sentados à mesa. O filho pequeno de Michonne surge, e ela o toma nos braços. De repente, seu marido e seu irmão estão aos frangalhos, e discutem sua situação num acampamento para refugiados, supostamente após o apocalipse zumbi. Michonne parece alheia à toda a situação, e continua a discutir os pormenores do jantar que preparavam na visão anterior. Finalmente, eles aparecem desmembrados, e a criança não está mais nos braços de Michonne, que grita e acorda do pesadelo dentro de um veículo abandonado com os dois walkers amarrados do lado de fora. Ela então segue viagem, pegando uma trilha pela floresta após propositadamente ignorar as pegadas de Rick e Carl.

Enquanto isso, Carl acorda e prepara um cereal para ele e Rick, que ainda dorme. Ele tenta acordá-lo, mas seu pai não responde, ao que ele grita e o sacode, mas nada adiante. É então que walkers começam a forçar a entrada da porta. Carl então sai pelos fundos e vê duas crianças transformadas que tentam entrar na casa. Ele os atrai para longe da casa, mas sem perceber, acaba sendo surpreendido por um terceiro walker, e com os três ao seu redor, ele tenta escapar, para então cair ao chão e disparar contra cada um deles, que se amontam sobre ele. Após passar mal, ele se recupera e se declara vencedor do que dá a entender ser um jogo.

De volta à casa, Carl encontra Rick ainda em estado latente. Ele então o acusa de ser um mau líder e de ser o responsável pela morte de todos, inclusive de Judith e de Lori (Sarah Wayne Callies). Ao final, ele declara ser capaz de se virar sozinho e que ficará bem se ele morrer, e mais uma vez sai. Na mesma rua, ao encontrar uma casa aparentemente não saqueada, Carl a invade, e encontra um farto estoque de comida. No andar de cima, ele faz uma pequena exploração, mas acaba sendo surpreendido por um walker que estava preso dentro de um cômodo. Os dois se confrontam, e as balas do revólver acabam, ao que Carl tenta se refugiar num quarto, mas ao não conseguir fugir pela janela, é mais uma vez atacado, e perde o tênis antes de finalmente conseguir aprisionar o walker. Ele ri, e faz uma anotação na porta, mencionando a existência de um morto-vivo ali dentro e de um pé de sapato. Após, orgulhoso, ele se farta de uma lata de pudim no telhado da casa.

Michonne, por sua vez, continua a seguir seu caminho com seus walkers desmembrados. Ela então nota uma errante que se assemelha a ela, e se sente desconfortável. Aos poucos, ela começa a reparar em cada um dos walkers que caminham ao seu redor, e então decide atacar todos eles. Ao final, resta apenas uma pilha de mortos-vivos decapitados.

À noite, Carl está descansando próximo ao sofá onde Rick permanece imóvel. De repente, a mão do ex-xerife começa a se mover de forma involuntária e convulsiva. Carl empunha a arma acreditando que o pai está se transformando em walker, e quando Rick escorrega do sofá emitindo grunhidos, ele começa a chorar para então largar a arma e dizer não ser capaz de fazê-lo. Mas Rick o chama pelo nome, e emerge da penumbra para dizer ao filho que não saia da casa, pois ali é mais seguro. Carl então apoia a cabeça do sonolento pai em seu colo, e lhe diz estar com medo. Sua bravata então desaparece e ele começa a chorar como uma criança, dizendo aos soluços não ser capaz de ficar sozinho.

Na manhã seguinte, Michonne, que decidiu fazer o caminho de volta para seguir as pegadas de Rick e Carl, faz o mesmo trajeto que os dois. Ela encontra o restaurante de beira de estrada, e segue em frente.

Na casa, a relação entre Rick e Carl está mais amena, e o ex-xerife promete que pretende fazer tudo diferente desta vez, e reconhece que o filho não é mais uma criança. Nisso, Michonne, que passou pela casa onde Carl deixou um recado na porta de um dos cômodos, finalmente os encontra, e os vê pela janela sentados ao chão. Ela sorri, e bate à porta.

Longe de ser uma epopeia, o episódio que marca a estreia dos últimos oito episódios da quarta temporada acaba sendo uma boa surpresa. Aos não fãs de Carl, no entanto, acaba sendo apenas mais uma relação de motivos para o desferimento de mais ódio ao personagem. Otimistas dirão, contudo, que temos ai um momento que nos faz lembrar o que todos deixaram para trás antes do apocalipse zumbi de Robert Kirkman, e que Carl, um dos personagens principais de After, é, acima de tudo, uma criança, tal como demonstrou com suas lágrimas após toda a intimidação e fanfarrice durante o estado de latência de Rick.

E se Carl não agrada a muitos dos fãs da série como personagem, pode-se dizer que ele é apenas tão odiável quanto os próprios telespectadores que não entendem o rumo dos acontecimentos. Num dado momento, ele acusa Rick de todas as tragédias havidas em sua vida, e chega ao ponto de acusá-lo de mau líder, algo que, convenhamos, muitos que assistem à série concordariam. Aos trancos e barrancos, o garoto até que se sai bem nas enrascadas em que se mete, e tem motivo de sobra para se sentir orgulhoso e se chafurdar numa lata de doce. Contudo, ao final, ele admite que não é forte o suficiente ou mesmo capaz de seguir sozinho em frente, e reconhece precisar de Rick.

Se The Walking Dead vai seguir mais uma vez por esse caminho, no qual o ex-xerife precisa agora reassumir sua posição de líder natural frente aos perigos de um mundo civilizado destruído, impondo moralidade e pensamento são, certamente teremos pela frente bons episódios e a garantia de muito mais do que jamais poderíamos esperar de uma produção televisa, lembrando sempre, e mais uma vez, que o universo de Robert Kirkman é sobre pessoas simples, com seus defeitos e fraquezas, que tentam sobreviver e manter seus princípios num mundo em que não existe mais qualquer senso de humanidade.

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