The Wolf of Wall Street : Road to the Oscars

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O Lobo de Wall Street (2013)*****

Com roteiro de Terence Winter e direção do aclamado Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street, inspirado na autobiografia homônima de Jordan Belfort, conta em suas três horas de duração a história do jovem filho de contadores que se torna corretor de ações em Wall Street, funda sua própria corretora, a Stratton Oakmont e, eventualmente, acaba preso por fraude e lavagem de dinheiro.

O filme não teria nada demais se fosse apenas a transposição para as telas de uma história real, mas o fato, é que The Wolf of Wall Street é a adaptação em tons de comédia de uma vida repleta de exageros, excessos e vícios, simplesmente porque seu protagonista possui uma dependência insaciável não apenas por drogas e mulheres, mas por tudo o que faz, e não consegue parar até ser finalmente preso.

Jordan Belfort, excelentemente interpretado por Leonardo DiCaprio, desiste de uma carreira estável para se tornar milionário em Wall Street. Lá, ele conhece Mark Hanna (Matthew McConaughey), que se torna seu mentor. Após o Black Monday, ele decide procurar trabalho em outra coisa, até que acaba numa pequena corretora em Long Island. Com seu talento, ele consegue fazer uma pequena fortuna rapidamente, o que chama a atenção de seu vizinho, Donnie Azoff (Jonah Hill), que se junta a ele para abrirem sua própria corretora, a Stratton Oakmont, que se torna destino para vários jovens ambiciosos após uma reportagem de Roula Khalaf, atual editora internacional do Financial Times, que o denomina como um «Robin Hood às avessas».

Enquanto Jordan fica cada vez mais rico na medida em que mergulha numa vida de festas, sexo e drogas, e conhece aquela que virá a se tornar sua segunda esposa, Naomi Lapaglia (Margot Robbie), o agente especial Patrick Denham (Kyle Chandler), começa a investigar seus esquemas de fraude e lavagem de dinheiro. Advertido por seu investigador particular, Bo Dietl, ele consegue abrir uma conta na Suíça em nome da tia de sua esposa (Joanna Lumley), e com a ajuda do corrupto banqueiro, Jean-Jacques Saurel (Jean Dujardin), valendo-se de um absurdo esquema de transferência em espécie.

Ávido por conquistas, convencido por seu pai (Rob Reiner) e advogado (Jon Favreau) a se afastar dos negócios e a entregar o controle da Stratton Oakmont a Donnie, ele até inicia o discurso de despedida na firma, mas não consegue abrir mão daquilo que o move. Dois anos depois, com a prisão de Saurel em Miami, Florida, por um crime não relacionado aos seus esquemas de fraude, Belfort é delatado e é preso por Dunham durante a gravação de um infomercial.

Embora o longa-metragem mostre um desfecho diferente para Donnie, eis que na vida real Belfort entregou todos os seus cúmplices, inclusive o amigo e vice-presidente da Stratton Oakmont, a produção é impecável, e vale-se até mesmo da aparição do próprio Jordan Belfort na última cena, como o apresentador da palestra em Auckland. Quanto aos exageros, às cenas de nudez, sexo e uso contumaz de drogas não poderiam estas ser mais oportunas para a adaptação de uma trajetória de vida efetivamente desregrada e repleta de exageros.

Em relação à depreciação de The Wolf of Wall Street por alguns críticos que apontam o filme como a irresponsável glorificação de um criminoso que levava uma vida de forma imoral e pervertida, aliado ainda ao fato de que a película não mostra as reais vítimas dos esquemas de fraude de Jordan Belfort, bem como ao seu conteúdo explícito e linguagem pesada – o que o torna o longa-metragem com o maior número de vezes em que a palavra f*** é dita, até mesmo mais do que Cassino – mas, sobretudo, por mais uma vez Hollywood transpor para as telas a premissa de que finanças é como sexo, drogas e rock ‘n’ roll, a verdade é que Scorsese é um gênio: tudo o que vemos em The Wolf of Wall Street é apenas e tão somente uma sátira aos exageros incontroláveis, sejam eles quais forem, enquanto os verdadeiros bandidos são as instituições financeiras, e se a audiência não sabe enxergar isso, então é hora de reavaliar seus conceitos.

The Wolf of Wall Street é, sem dúvida, um dos melhores filmes do ano de 2013, e se não for o vencedor dos merecidos prêmios de melhor filme e melhor direção pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, isso diante do fortíssimo concorrente 12 Years a Slave, deverá ao menos, e seguramente, levar a estatueta de melhor ator principal para DiCaprio, que mais uma vez é o grande arroubo com sua estupenda performance nessa que é sua quinta dobradinha com Scorsese.

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