The Walking Dead : Don’t look back

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A partir do próximo dia 09 de fevereiro serão transmitidos pelo canal AMC os oito últimos episódios da quarta temporada de The Walking Dead, produção inspirada na série em quadrinhos homônima criada por Robert KirkmanTony Moore e Charlie Adlard, e adaptada para a televisão por Frank Darabont.

Fazendo um breve retrospecto do início do quarto ano, temos que o balanço geral não deixa dúvidas: entre vários erros, a equipe de produção conseguiu com que alguns acertos se sobressaíssem ao final, e numa primeira parte de temporada que encerrou o arco de histórias no presídio e do principal antagonista na figura do Governador (David Morrissey) – não tão temível quanto nos quadrinhos – podemos chegar à conclusão que também valeram a pena os episódios sofríveis ao longo desse ato inicial. Senão, vejamos.

Embora inconsistente, em 30 Days Without an Accident, que marca a estreia da quarta temporada, temos o vislumbre de uma vida aparentemente normal no presídio, isso em comparação a tudo o que os personagens da série viveram até o momento. E mais: temos Rick (Andrew Lincoln) desincumbido da função de líder. Ao invés de sair em campo atrás de suprimentos, ele agora desempenha tarefas básicas, ao passo em que Hershel (Scott Wilson), Michonne (Danai Gurira), Daryl (Norman Reedus) e Carol (Melissa McBride) instituíram um pequeno conselho diretivo por meio do qual as principais decisões que dizem respeito aos interesses do grupo são tomadas.

Mas a tranquilidade no presídio acaba logo quando, em Infected, uma nova ameaça ao grupo de sobreviventes toma forma através de uma epidemia de gripe. Rick, que desde o confronto com os soldados do Governador em Woodbury ao final da terceira temporada não empunhava uma arma, tem a difícil missão de executar aqueles que foram mordidos por transformados vitimados pela nova doença. Em meio ao caos novos personagens emergem, como Bob Stookey (Lawrence Gilliard Jr.), e as pequenas órfãs Lizzie (Brighton Sharbino) e Mika (Kyla Kenedy), que passam a ter agora a atenção especial de Carol (Melissa McBride). E como se não bastasse o perigo proporcionado pela epidemia dentro do presídio, alguém do grupo misteriosamente extermina a sangue frio dois infectados pela gripe, Karen (Melissa Ponzio) e David (Brandon Carroll).

O longo arco da epidemia de gripe no presídio segue com Isolation, que tem início com o confronto entre Rick e Tyreese (Chad L. Coleman) acerca dos dois assassinatos havidos ao final do segundo episódio. Enquanto Tyreese exige de Rick, na sua qualidade de autoridade policial, uma investigação sobre a autoria dos crimes, o ex-xerife reforça serem outras as prioridades. Mas quando mais pessoas começam a ficar doentes, dentre as quais, Sasha (Sonequa Martin-Green) e Glenn (Steven Yeun), uma expedição liderada por Daryl e Michonne sai em busca de medicamentos, enquanto Rick se esmera para descobrir o autor do crime e faz a surpreendente descoberta de que Carol é a pessoa que executou Karen e David.

Após ter por confirmada a autoria das mortes havidas ao final de Infected, Rick toma uma das mais controvertidas e polêmicas decisões da série em Indifference. Enquanto o grupo liderado por Daryl e Michonne completa a missão em busca dos medicamentos que podem curar os infectados, Rick recruta Carol para uma expedição em busca de suprimentos. Ao encontrarem dois outros sobreviventes, Rick descobre que Carol já não é mais a mesma pessoa que conheceu na primeira temporada. Indiferente não apenas à memória de Sophia, mas também à vida de outras pessoas, ela comprova não possuir mais sinergia com o grupo, ao que Rick toma a decisão de excluí-la, acreditando ser ela uma ameaça a qualquer um na pequena comunidade no presídio.

Após retornar sem Carol, Rick encontra o presídio cuidado apenas por Maggie (Lauren Cohan), já que a expedição de Daryl, Michonne e Tyreese ainda não retornou, e a maioria dos membros do grupo está doente na ala de internamento com Hershell, enquanto outros, dentre os quais, Carl (Chandler Riggs), na ala de isolamento. Assim, como se as coisas não pudessem ficar piores, a cerca externa começa a sucumbir, e quando infectados pela gripe começam a morrer e se transformar a ponto de acatar a todos sendo apenas Heshell a pessoa forte o suficiente para combatê-los, Rick manda Maggie ajudá-los enquanto se encarrega, com a ajuda de Carl, de restabelecer a cerca e exterminar a enorme quantidade de walkers que acaba entrando no presídio. Ao final do episódio Internment, que acaba sendo um dos melhores da temporada, a situação com os walkers se estabiliza, assim como a truncada relação entre Rick e Carl; os doentes são tratados pelos medicamentos obtidos pela expedição de Daryl e Michonne; e eis que o Governador dá as caras enquanto espia a rotina de todos por trás das cercas.

Live Bait é o primeiro do arco de dois episódios que procura mostrar a trajetória do Governador após o confronto entre o grupo de Rick e os habitantes de Woodbury ao final da terceira temporada. Completamente transtornado e desmotivado, ele agora é praticamente suicida, o que faz com que seus dois únicos companheiros de viagem, dentre eles, Martinez (Jose Pablo Cantillo), deixem-no para trás. Por várias semanas, ele caminha e encontra uma pequena família de sobreviventes que mora num apartamento: um pai doente, Don (Danny Vinson), as duas filhas adultas, Tara (Alanna Masterson) e Lilly (Audrey Marie Anderson), e a neta traumatizada, Megan (Meyrick Murphy). Hesitante, o Governador acaba ficando com elas por algum tempo, até que Don morre. Quando ele decide partir, é obrigado a levá-las junto, ao passo em que vai se afeiçoando cada vez por Megan, como se fosse sua própria filha. Ao final, os quatro acabam sendo atacados por vários walkers, mas são salvos pelo novo grupo liderado por Martinez.

Em Dead Weight, o Governador enfrenta uma nova realidade. Aceito no grupo de Martinez, juntamente com Lilly, Tara e Megan, ele agora decide recomeçar com sua nova família. Mas o orgulho o cega quando descobre que nada daquilo se compara ao que um dia foi Woodbury. Ele então decide matar Martinez quando sua liderança é colocada em xeque frente ao que tem agora, ao que o grupo passa a ficar nas mãos dos irmãos Pete (Enver Gjokaj) e Mitch (Kirk Acevedo). Durante uma expedição, o Governador descobre que a fraqueza de Pete como líder pode comprometer a todos, e que se ele continuar ali irá se sobressair e se tornar o que um dia foi em Woodbury, o que deseja evitar a qualquer custo. Após tentar fugir com Tara, Lilly e Megan durante a noite, e descobrir que não existe possibilidade de sobreviverem sozinhos, ele racionaliza e decide voltar para matar Pete e assumir a liderança. O episódio acaba quando a segurança do grupo é comprometida e o Governador sequestra Hershell e Michonne.

Too far gone encerra a primeira metade da quarta temporada com um dos momentos mais esperados na série: o confronto final entre o Governador e Rick para a tomada do presídio. Após sequestrar Hershel e Michonne, o Governador, valendo-se de sua formidável eloquência, consegue apoio de seu novo grupo para trocar os reféns pela segurança proporcionada pelo presídio, expulsando todo o grupo de Rick de lá. Ele então chega armado com um veículo blindado e vários homens e mulheres armados para dialogar com Rick, que se mostra irredutível, mas oferece compartilhar o espaço com eles. Inconformado, o Governador mata Hershell diante de todos e dá voz de comando para ataque, e o que se segue é uma sucessão de tragédias e mortes. Nos instantes finais, um ônibus com boa parte dos sobreviventes, dentre os quais, Glenn, segue por um caminho, enquanto Tyreese e vários outros tomam rota diversa, e Rick e Carl, transtornados com o berço vazio e repleto de sangue de Judith, fogem floresta adentro, na medida em que o presídio é tomado por chamas e walkers e o Governador morre pelas mãos de Lilly.

O que esperar agora?

O quarto ano começou de forma deveras desestimulante, mas acabou surpreendendo nos seus últimos episódios. Se o que fica agora é uma sensação de desconforto frente a algumas baixas e exclusões, há também a hesitação quanto ao futuro de determinados personagens. Se de um lado Rick se mostrou passível na sua busca por autodescobrimento e fortalecimento de contato com a humanidade no início do ano, o que o torna um líder único, como muito bem asseverado por Carol, existe agora o contrabalanço. Mais uma vez tomado por uma tragédia, a de perder o único lugar para o grupo até agora que pode um dia chamar de lar após o apocalipse zumbi, e de também perder mais um ente amado, ele agora precisa se reerguer e se recuperar para o que vem pela frente.

Embora a produção não dê pistas se a segunda metade da temporada irá mostrar a reunião do grupo para tomada de rumo para Washington, o encontro com Abraham e a eventual aparição dos hunters e os novos e perigosos inimigos não transformados, o fato é que os personagens se encontram cada vez mais em reconstrução, e talvez agora seja o momento ideal para o confrontamento apenas com mais walkers e com eles mesmos para uma reorganização pessoal e grupal.

É óbvia a necessidade de Rick, na qualidade de personagem principal, superar-se e reassumir a liderança tão bem executada nos primeiros anos, a despeito de algumas (ou várias) decisões tidas como controversas de sua parte. Afinal, mais do que uma série que conta a história de um grupo de pessoas em meio a um apocalipse zumbi que precisa diariamente lutar pela sobrevivência, temos aqui também um drama que mostra o quão baixo pode chegar o ser humano num mundo devastado e não mais civilizado e a necessidade de resgatar a humanidade dentro de cada um para fortalecimento dos propósitos. Se em algum momento Rick acredita não ser forte o bastante para os massacres desse novo e aterrador mundo, é exatamente isso o que o torna a pessoa mais qualificada para fazer o que de melhor o ser humano ainda tem a oferecer, ainda que o caminho seja longo e árduo.

E que venha a segunda metade da quarta temporada!

 

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