Review literário : Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice

Interview with the Vampire

A fim de revigorar o espaço de reviews literários aqui do blog, pretendo revisitar alguns livros que já li e gostei, bem como publicar uma breve sinopse com minha opinião pessoal a respeito de cada um deles.

O primeiro dos livros que decidi trazer à lembrança não poderia deixar de ser Entrevista com o Vampiro e a fascinante narrativa do vampiro depressivo em contrapartida a seu vivaz e relativamente cruel criador. Tive a feliz sorte de ler o livro antes de ver o filme, e se você ainda não assistiu o longa-metragem de Neil Jordan, aproveite a oportunidade para fazer o mesmo: você não vai se arrepender!

Escrito por Anne Rice, Entrevista com o Vampiro não é um romance novidade no meio literário. Muitos já leram ou ao menos ouviram falar da sua história ao longo dos anos, seja como referência a histórias de vampiros, seja através da adaptação para o cinema estrelada por Tom Cruise e Brad Pitt. Com seu estilo nada convencional, foi em Entrevista com o Vampiro que surgiu pela primeira vez um dos vampiros modernos mais célebres da atualidade: Lestat de Lioncourt. Narrador, personagem principal e, por vezes, anti-herói na maioria dos romances da saga Crônicas Vampirescas, ele está também presente nas seguintes obras: O Vampiro Lestat, A Rainha dos Condenados, A História do Ladrão de Corpos, Memnoch The Devil, O Vampiro Armand, Merrick, Blood and Gold, Blackwood Farm e Blood Candicle.

Mas é no romance de estreia de Anne Rice, escrito em 1973 e publicado em 1976, com narrativa sob o ponto de vista do personagem Louis de Pointe du Lac, que Lestat conquistou a grande base de fãs da escritora estadunidense. Sua obra se tornou sucesso cult e sua fama se propagou como a melhor escritora do gênero horror gótico com abordagem nessas fantásticas criaturas mitológicas e cuja origem até hoje ainda é incerta.

Em Entrevista com o Vampiro, o leitor é introduzido a um estilo de narrativa bastante peculiar. Num pequeno quarto de hotel em São Francisco, o jornalista Daniel Molloy encontra um sujeito fascinante que lhe concede uma entrevista. Ele se apresenta como Louis, um vampiro de mais de 200 anos de idade. Ele então narra toda a sua história a partir do ano de 1791, quando era dono de uma plantação em New Orleans, Louisiana. Após a morte de seu irmão, Louis relata suas tendências suicidas até finalmente ser encontrado por Lestat, que o transforma em vampiro. É a partir desse momento que as coisas começam a ficar interessantes.

O romance aborda justamente o contraste entre esses dois companheiros de vida eterna. Enquanto o cínico e fatalista Lestat se alimenta dos escravos e consome a riqueza do passivo e atormentado Louis, este se alimenta de pequenos animais, incapaz de se desconectar de suas morais mundanas. Forçados a deixar a fazenda, eles partem rumo à New Orleans, onde Louis finalmente se alimenta de uma humana, a pequena órfã Claudia, que Lestat transforma em vampira, tornando-a parte da família.

Inspirada na filha recém-morta por leucemia, Anne Rice conferiu a Claudia um magnetismo que conquista Louis instantaneamente – a despeito da discordância deste na transformação por Lestat de uma criança em vampiro. A pequena se torna rapidamente uma predadora sob os ensinamentos de seu criador, mas ao longo dos anos passa a detestá-lo quando se descobre uma mulher madura e sedutora presa a um corpo de uma criança de apenas seis anos de idade.

Seus lábios eram vermelhos, seus modos livres, suas madeixas eram amarelas como ouro; sua pele era tão branca quanto a lepra; ela era o pesadelo da vida em morte que enche o sangue humano de frio. – Interview with the Vampire, Anne Rice, p. 155, Livro de poesias de Louis de Pointe du Lac.

As coisas ficam complicadas quando, passados 65 anos, e sem que Lestat jamais lhes revele qualquer coisa sobre suas origens e a existência de outros como eles, Claudia arquiteta sua morte para, livrando-se dele, partir com Louis para a Europa a fim de se conectar com os vampiros do Velho Mundo. Apesar da relutância de Louis, os dois finalmente se livram de seu criador.

Em Paris, sem jamais serem introduzidos por Lestat às regras dos vampiros, eles encontram Armand, um vampiro de 400 anos de idade, bem como seu reduto: o Teatro dos Vampiros, habitado por diversos outros de sua espécie. Não bastasse isso, descobrem o quão repulsivo por eles é considerada a morte de um vampiro por outro, e quando a suspeita da morte de Lestat recai sobre eles, uma sucessão de tragédias acontece.

Embora, à primeira vista, o romance tenha por objetivo explorar o lado bom, heróico e cheio de falhas e aflições do personagem Louis, com o qual qualquer um poderia muito bem se identificar, o resultado final – e provavelmente era exatamente essa a intenção da própria escritora – é de que o leitor acaba mesmo é se deixando conquistar justamente por Lestat, que surge por vezes como o próprio antagonista à evolução do seu companheiro transformado. Ambíguo, amoral e vivaz, notamos, porém, ao final, ser ele o grande protagonista da história.

Atemporal e extremamente original, Entrevista com o Vampiro é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores romances do gênero, e vale a pena ser conferido!

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