Filmes do mês de dezembro

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Os Suspeitos

Dirigido pelo canadense Denis VilleneuvePrisoners é um thriller de drama policial como já muito tempo não se via.

Hugh Jackman e Maria Bello são Keller e Grace Dover. Eles são uma família trabalhadora de classe média que começa a história visitando os vizinhos Franklin (Terrence Howard) e Nancy Birch (Viola Davis) para o jantar de Ação de Graças. Ambas as famílias possuem dois filhos, os adolescentes Ralph Dover (Dylan Minnette) e Eliza Birch (Zoe Borde), e as pequenas Anna Dover (Erin Gerasimovich) e Joy Birch (Kyla Drew Simmons). O que deveria ser um tranquilo feriado entre famílias, no entanto, termina em tragédia quando ambas as meninas menores desaparecem sem deixar pistas.

Numa busca frenética, a polícia é acionada, e o detetive escalado para a investigação é Loki (Jake Gyllenhaal), o qual, seguindo as suspeitas da família, vai atrás de Alex Jones (Paul Dano), proprietário de um veículo recreativo misteriosamente estacionado na vizinhança antes do sumiço das pequenas. Descobre-se, porém, que Alex tem a mentalidade de uma criança de 10 anos, e durante o interrogatório, Loki não se convence da sua participação no suposto sequestro, ao contrário de Keller, que, por duas vezes, ouve do suspeito os indícios de que ele sabe o paradeiro das meninas. Não satisfeito com o trabalho do investigador, Keller decide resolver as coisas a seu modo, sequestrando o rapaz para torturá-lo até abrir a boca.

Diferentemente de O Preço de um Resgate, porém, Prisoners é um drama angustiante que tem o carisma e o charme dos personagens de Jackman e de Gyllenhaal em uma trama de mistério no melhor estilo Zodiac com um final redondo que não deixa nem um pouco a desejar. Ainda, impossível não se colocar no lugar de qualquer um dos personagens principais, no qual se tem o desespero de um pai na tentativa de trazer de volta sua filha, ao passo em que o preciso e perspicaz investigador se atém aos fatos e às evidências, as quais, no entanto, cada vez mais o afastam do caminho seguido por Keller, mas que ao mesmo tempo convergem para o mesmo ponto.

Jackman é definitivamente o grande astro do longa-metragem, transpondo para a tela todo o horror de um pai de família que tinha tudo planejado e sob controle no que dizia respeito a todo e qualquer tipo de catástrofe que pudesse se abater sobre os seus, exceto, todavia, a do desaparecimento de sua pequena e inocente filha, do que não é nem um pouco de surpreender uma eventual indicação a um Academy Award por sua inebriante performance.

De outro turno, Gyllenhaal não fica atrás como o detetive Loki, tampouco Paul Dano, que já mostrou a que veio em There Will Be Blood, e que agora é o principal suspeito e também vítima de tortura da parte do personagem de Jackman. Melissa Leo, reprisando sua capacidade de se camuflar e passar despercebida em The Fighter, faz a tia de Alex, e acaba tendo relevância para o desfecho. Sem dúvida, um dos melhores filmes do ano de 2013. Recomendo!

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The New World

Dirigido por Hoon-jung ParkThe New World é mais uma grande surpresa do cinema sul-coreano. Com um estilo maduro, inteligente e instigante, o longa-metragem pode não ser campeão em originalidade, uma vez que evoca nuances não apenas com a produção chinesa Infernal Affairs – adaptada pelo cinema estadunidense no aclamado The Departed – mas também com o clássico de Francis Ford CoppolaThe Godfather.

O filme começa mostrando Seok Dong-chul (Kyeong-yeong Lee), o poderoso chefão de uma organização criminosa chamada Goldmoon sendo vítima do que parece a armação de um acidente que acaba matando-o. Na iminência da transição do controle do maior sindicato do crime sul-coreano, temos Ja-sung (Jung-Jae Lee), o braço direito do segundo homem no comando da organização, Jeong Cheong (Jeong-min Hwang), que disputa agora a presidência da Goldmoon com Jung-gu (Seong-Woong Park).

Não demora muito para descobrirmos que Ja-sung, na verdade, é um policial infiltrado na organização há mais de oito anos quando finalmente o vemos encontrar com Kang (Min-sik Choi), seu superior direto, e único depois do diretor-geral do departamento de polícia que sabe a seu respeito. Constantemente pressionado por seu superior e na iminência de se tornar pai, Ja-sung pretende sair do caso o quanto antes, mas Kang o alerta a esperar a votação do novo controlador da Goldmoon.

As coisas ficam complicadas quando Kang dá início à operação New World para intervir no processo de seleção do novo líder da organização criminosa, e tirar vantagem da possibilidade de controlar Goldmoon. O chefe de polícia então arma para cima de Jeong Cheong e Jung-gu, mas as coisas não saem como esperado, ao passo em que Ja-sung se vê dividido entre Jeong Cheong, que confia nele com a própria vida, e Kang, que vê nele apenas uma isca para suas escusas operações. No final, acuado por ambas as organizações (a criminosa e a policial), ele precisa tomar uma decisão de lealdade e ao mesmo tempo traição.

The New World é uma surpresa extremamente agradável, embora graficamente de extrema violência. Ainda que não seja tão original, como já mencionado, tem boas qualidades e algumas particularidades próprias. O personagem principal, por exemplo, é a representação fiel do conflito que lhe abate durante toda a narrativa, e num momento clímax, quando ele é forçado a matar uma pessoa para manter a confiança de outra, vemos nitidamente que ele está no seu limite. Jeong Cheong, por sua vez, embora surja no começo quase como um alívio cômico, transforma-se inesperadamente numa mistura de Sonny Corleone e Tony Montana, chegando ainda a ponto de humilhar Beatrix Kiddo em Kill Bill. O desenrolar da narrativa é surpreendente e conducente a um final imprevisível e digno de The Godfather, portanto, de muito bom gosto. Recomendo!!!

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Comer, rezar, amar

Inspirado no romance autobiográfico de Elizabeth Gilbert, o filme Eat Pray Love mostra a jornada de autodescobrimento da escritora Liz Gilbert (Julia Roberts) logo após seu conturbado divórcio.

Embora o filme tenha sido sucesso de crítica e de audiência, eu devo ser uma das poucas pessoas no mundo que não gostou da história e, pior, que detestou Liz Gilbert, bem como tudo o que ela fez com os coitados dos homens que atravessaram seu caminho e acabaram se apaixonando por ela.

O filme começa mostrando a relação da personagem com o marido, Stephen (Billy Crudup). Num dado momento, ela descobre que os desejos de ambos não coincidem e decide se divorciar. Sem qualquer remorso, ela parte para outra, e se envolve com o jovem ator David (James Franco) apenas para preencher o vazio da solidão. Quando mais uma vez Liz se descobre incapaz de fazer parte de uma relação, ela cai fora, e coloca o pé na estrada colocando em seu roteiro justamente o lugar que David sempre sonhou conhecer na Índia, morada de seu guru, como se já não tivesse sido maldosa demais ao expulsá-lo de sua vida como algo descartável.

Na sua viagem de autodescobrimento, ela parte inicialmente para Roma. Lá, ela faz amigos, e seduz um professor de italiano (Giuseppe Gandini). Felizmente, ela toma a primeira (e única) sábia decisão na história toda e o deixa para a nova amiga (Tuva Novotny), que tem muito mais a oferecer do que menosprezo após uma relação fracassada.

Após ter um relacionamento com a gastronomia italiana, Liz parte para a Índia rumo ao templo do guru de David. Lá, ela faz novos amigos, como Richard do Texas (Richard Jenkins), e reflete sobre os erros cometidos com David. Ela lhe escreve e depois lhe telefona só para encontrá-lo pior do que quando o deixou, e a coisa termina sem pé e nem cabeça entre os dois. Num determinado momento, ainda na Índia, Liz reflete sobre sua relação com Stephen, e valendo-se da história de vida de Richard do Texas, supera a falha no casamento.

Rumo a Bali, Liz mergulha em nova fase de meditação, faz novos amigos, e conhece o brasileiro Felipe (Javier Bardem), espera-se, sua última vítima. Os dois se envolvem amorosamente, e quando ele, já traumatizado demais por conta de um fim complicado de relacionamento, descobre-se totalmente disposto a reconstruir uma relação com Liz, ela decide cair fora.

Sinceramente, não consigo imaginar como uma história como essa tenha feito tamanho sucesso. Seriam as viagens? A coragem da personagem de chutar o balde e meter as caras pelo mundo? Quanto a isso, não nego: a ousadia da personagem é admirável. Contudo, no quesito amoroso, só tenho a concluir que Liz Gilbert é uma pessoa egoísta e hipócrita que, além de não saber o que quer da vida, atrai pessoas que acabam se apaixonando por ela e as faz afundar num poço imenso de vazio e tristeza quando simplesmente as descarta. Sofrível, o filme só é aprazível mesmo por conta da bela cinematografia. Não recomendo!

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The Wolverine

Dirigido por James Mangold, The Wolverine traz de volta Hugh Jackman ao personagem que o consagrou, sem, porém, dar sequência direta ao longa-metragem precedente sobre a saga solo do mutante com garras, X-Men Origins: Wolverine, mas sim, ao terceiro e polêmico filme da franquia dos heróis da Marvel, X-Men 3: The Last Stand.

Logo após matar Jean Grey (Famke Janssen) transformada em Phoenix a fim de impedi-la de destruir toda a cidade de New York em X-Men 3: The Last Stand, Wolverine volta para o Canadá e mergulha no anonimato até o momento em que é encontrado por Yukio (Rila Fukushima), que o recruta para uma viagem a Tokyo a pedido de Yashida (Hal Yamanouchi), um sujeito que ele salvou ao final da Segunda Guerra Mundial, após o lançamento da primeira bomba atômica no Japão. Hesitante, ele decide ir visitar o velho amigo em seu leito de morte.

As coisas ficam complicadas quando Wolverine esbarra em Viper (Svetlana Khodchenkova), e descobre que a Yakuza está atrás da neta de Yashida, Mariko (Tao Okamoto), com quem ele acaba se envolvendo. Não bastassem ainda as visões destrutivas de Jean, o herói perde seus poderes mutantes de autorregeneração e cai numa perigosa armadilha.

O longa-metragem, embora bem feito e com efeitos gráficos fantásticos, é uma grande decepção para os fãs do personagem, pois além de vermos Wolverine mais uma vez fragilizado no que diz respeito ao coração, temos uma história de super-herói que deixa de ser super num determinado momento e boa parte do longa-metragem. Ou seja, qual a graça de se assistir a um filme do Wolverine sem poderes?

O elenco até que se esforça, e Hugh Jackman prova que ainda é o Wolverine como o conhecemos no primeiro filme da franquia dos X-Men, mas a narrativa deixa muito a desejar, principalmente quando a decisão do roteiristas é a de seguir um caminho completamente diverso da saga do herói nos quadrinhos que se passa no Japão.

A única boa coisa de The Wolverine acaba mesmo sendo a cena pós-créditos com a presença de dois personagens de peso do universo dos X-Men numa cena extraordinária que ainda dá o gancho para o novo filme da cinessérie dos heróis mutantes, X-Men: Days of Future Past, e só. Portanto, The Wolverine: não recomendo, exceto pela cena pós-créditos!

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Círculo de Fogo

Com história de Travis Beacham e roteiro e direção de Guillermo del Toro, Pacific Rim foi a grande sensação do verão estadunidense em 2013, tendo arrecadado $407,602,905 de bilheteria mundial.

Estrelado por Charlie Hunnam, conhecido do público pela série de TV Sons of Anarchy  – e por ter recusado o papel do protagonista em Fifty Shades of Grey –, o filme tem como mérito apenas e tão somente o nome de Del Toro na produção. Com uma história sem pé e nem cabeça, e deveras confusa para um público bem mais jovem, o longa-metragem é um verdadeiro festival de efeitos especiais centrado em batalhas homéricas entre monstros clonados por criaturas alienígenas do centro da Terra (sim, isso mesmo que você leu!), e que são chamados kaijus, e os gigantescos robôs à la Kyoju tokuso Jaspion e Dengeki sentai Chenjiman, apelidados jaegers.

Hunnam é Raleigh Becket. Ele e seu irmão Yancy (Diego Klattenhoff) são piloto e co-piloto de um desses jaegers num mundo apocalíptico e semidestruído pelos temíveis kaijus. Durante uma batalha, Yancy acaba morrendo, e Raleigh se afasta do serviço para se dedicar à construção. Cinco anos depois, as criaturas estão cada vez mais poderosas, e o poder de fogo contra elas aumentou. Agora existem vários jaergers que as enfrentam, e o controle do surgimento de cada kaiju que emerge das profundezas das regiões abissais do Oceano Pacífico é mais intenso. Contudo, Stacker Pentecost (Idris Elba), líder das operações contra dos kaijus precisa que Raleigh volte a lutar ao seu lado. Ele o recruta para voltar a pilotar o robô no qual seu irmão morreu, ao passo em que o rapaz acaba fazendo inimizades no front no melhor estilo Top Gun.

Assim, Raleigh aceita o desafio de voltar a lutar contra os kaijus e escolhe sua co-piloto: Mako Mori (Rinko Kikuchi), a protegida de Pentecost. A garota, porém, acaba enfrentando problemas quando um trauma do passado a impede de se conectar a Raleigh, uma das medidas para o perfeito funcionamento dos jaergers. Não bastasse isso, dois cientistas muito malucos, Geiszler (Charlie Day) e Gottlieb (Burn Gorman), conseguem se conectar ao cérebro de um kaiju e descobrem que os montros estão em constante e acelerada evolução aprendendo a cada batalha com os jaegers, o que faz com que uma medida extrema seja tomada a fim de acabar de vez com o surgimento das criaturas.

O filme é sofrível não apenas por sua história absurda, que mais parece uma tentativa desesperada de homenagear clássicos japoneses ao invés de impressionar com uma boa narrativa de ficção científica, mas principalmente por tentar explorar o psicológico dos personagens, o que decididamente não tem qualquer necessidade num filme em que o público acaba se conformando com a grande furada que embarcou para ao menos ter alguma diversão com as cenas em que os robôs gigantes chutam os traseiros dos monstros. Some-se a isso o suposto alívio cômico do longa-metragem com os cientistas muito nada a ver e o personagem Hannibal Chau (Ron Perlman), que nos reserva ainda um final surpresa insuperável.

Triste é saber que um segundo filme está a caminho, e que muito provavelmente haverá gente disposta a pagar para ver. Pacific Rim: não recomendo!

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Présumé Coupable

A presunção de inocência é um instrumento jurídico criado pela lei para favorecer o acusado com base jurídica sobre a inferência de que todos são inocentes até que se prove o contrário, isso apoiada na prática de manter em liberdade os criminosos acusados da prisão antes do julgamento. Tal direito, tido como fundamental, é explicitamente incluso nos códigos legais e constitucionais de diversos países. Na França, o artigo 9º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, diz: «Todos são inocentes até que supostamente terem sido declarados culpados e os primeiros artigos do Código de Processo Penal dizem que qualquer pessoa suspeita ou processada presume-se inocente até que a sua culpabilidade tenha sido estabelecida».

No longa-metragem Présumé Coupable, de Vincent Garenq, inspirado na autobiografia de Alain Marécaux, no entanto, esse direito não é respeitado quando do notório Julgamento Outreau, um caso judiciário havido na França entre 2001 e 2005 que envolveu 18 pessoas apontadas como suspeitas da prática de crimes de abuso sexual contra menores.

A película começa mostrando o quotidiano de Alain Marécaux (Philippe Torreton). Ele é casado com Edith (Noémie Lvovsky) e tem três filhos: Thomas (Kevin Tholliez), Sébastien (Loris Rouah) e Cécilé (Charlotte Ghristi). Sua vida muda bruscamente quando, logo numa das primeiras cenas do filme, uma violenta incursão policial se abate em sua casa, onde, sob a acusação do protagonista e sua esposa terem cometido crimes de abuso sexual contra menores, inclusive contra um de seus filhos, Alain é impedido de falar ou se aproximar dos pequenos.

Na delegacia, as coisas não poderiam ser piores. Submetido a terríveis e contínuas sessões de violência física e psicológica para que admita os crimes de que é investigado, Alain se vê numa situação na qual é considerado culpado antes mesmo de ser julgado e sem que hajam provas cabais de seu envolvimento nos crimes que lhe são imputados.

Considerado um dos maiores escândalos judiciais na França, com a opinião pública, a imprensa e até mesmo o Presidente Jacques Chirac a condenarem o erro brutal que resultou na destruição de diversas vidas ao longo de quatro exaustivos anos de encarceramento e julgamentos – e que somente veio à tona quando a única mulher a acusar os apontados pelos crimes admitiu na Corte de Assises, em Paris, ter cometido um engano – o filme, em estilo documentário, acaba se tornando um retrato fiel do sofrimento a que fora submetido o protagonista, com imagens impactantes e claustrofóbicas do sistema penitenciário francês.

Philippe Torreton tem desempenho estupendo como Alain Marécaux, e consegue representar com dignidade a transformação física e psicológica do personagem, vítima das lacunas do sistema judiciário francês que permitiu a prisão de inocentes antes de seu julgamento. Recomendo!

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The debt

Dirigido por John Madden, e com roteiro de Assaf Bernstein e Ido Rosenblum, The Debt conta a história de três agentes do Mossad que viajam para a Berlim Oriental em 1965 a fim de capturar um médico nazista e submetê-lo a julgamento na Corte de Israel. As coisas não saem exatamente como esperado, e trinta anos depois eles precisam revisitar a mentira que contaram quando um deles descobre a nova localização do criminoso de guerra.

Com cenas de flashback que vão e vem, temos Jessica Chastain como Rachel Singer no ano de 1965. Ela se une a David Peretz (Sam Worthington) e Stephan Gold (Marton Csokas) em Berlim Oriental para sua primeira missão: capturar o criminoso de guerra Dieter Vogel (Jesper Christensen), que agora opera numa clínica obstétrica.

Em 1997, passados trinta anos, a filha de Rachel (Helen Mirren) com Stephen (Tom Wilkinson), Sarah (Romi Aboulafia) recém lançou um livro narrando os fatos da captura do alvo. Na noite de estreia do livro, Rachel lê para a plateia o trecho em que, sozinha, no apartamento em Berlim, em 1965, foi atacada por Dieter Vogel, solto de suas amarras, deixando-lhe a cicatriz horrível que tem rosto. Os dois lutam fisicamente, e quando ele foge, ela vai até a varanda e dispara com a arma, matando-o.

Pouco depois, ela se encontra com o ex-marido, Stephen, agora cadeirante, e ele lhe revela que David (Ciarán Hinds) morreu, atirando-se em frente a um ônibus. Chocada, Rachel o confronta, e fica sabendo que David descobriu a atual localização de Dieter Vogel. Stephen informa a ex-mulher que ela deverá ir até Kiev, na Ucrânia, para encontrá-lo através de um jornalista que conhece o hospital onde ele está internado, e que deverá terminar a missão não concluída logo após descobrirmos que o trecho do livro lido por ela instantes antes foi, de fato, uma grande mentira, pois o criminoso conseguiu escapar.

A contragosto, Rachel decide ir para não manchar o nome de sua filha, bem como para honrar a memória de David. Nesse ínterim, cenas do passado vem à tona, e descobrimos que a relação entre os três agentes não apenas era tensa por conta do triângulo amoroso que acabou se formando, como também pela inexperiência em campo da parte de Rachel.

Embora o filme tenha várias lacunas e falhas, e por vezes sejam irritantes os constantes deslizes de Rachel no curso da operação e que a colocam a perder por mais de uma vez, como o envolvimento amoroso com David, aliado ainda ao exagero de alguns aspectos, como a estereotipia de Vogel, a história acaba sendo interessante. O final é um tanto quanto absurdo, mas válido. Recomendo, com ressalvas: mero divertimento.

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Scrooged

Dezembro não poderia passar sem um bom filme de Natal, não é mesmo? Ainda que Scrooged não seja tão original, porquanto inspirado em A Christmas Carol, de Charles Dickens, rever essa produção fantástica de Richard Donner é mais do que uma sessão nostalgia, é a certeza de que não se fazem mais filmes natalinos como antigamente.

Bill Murray – em sua melhor forma – estrela o longa-metragem como o personagem Frank Cross. Ele é o frio e ambicioso executivo de uma emissora de televisão que prepara a transmissão ao vivo de uma adaptação do conto de Dickens em plena véspera de Natal. Solteiro, e sem qualquer conexão com a família, Cross pouco se importa se seus funcionários têm outros planos para o Natal, e faz a equipe inteira de produção dar o sangue para que a transmissão seja bem sucedida com altos índices de audiência.

Tudo parece estar perfeito para que Cross consiga agradar Preston Rhinelander (Robert Mitchum), presidente da emissora, bem como estragar o Natal de todos que trabalham para ele, inclusive o coitado Eliot Loudermilk (Bobcat Goldthwait), funcionário que ele demite sem qualquer piedade na véspera natalina. Mas as coisas ficam complicadas quando – tal como o personagem do conto de Dickens, o rabugento e ranzinza Ebenezer Scrooge – Cross é assombrado por três fantasmas que o fazem reavivar a chama do Natal.

O filme se torna então numa epopéia sobre desprendimento material e consideração para com o próximo de forma bem humorada e, por vezes, quando da visita do Fantasma do Natal Futuro (Chaz Conner), assustadora. Vemos então Cross reviver o passado com o Fantasma do Natal Passado (David Johansen), onde descobrimos o sacrifício feito em prol da escolha pelo sucesso, qual seja, abdicar de um relacionamento com a única mulher que amou, Claire (Karen Allen), bem como ser chutado, beliscado e esbofeteado pelo Fantasma do Natal Presente (Carol Kane), que lhe mostra como as pessoas que ele conhece estão passando sua véspera de Natal, enquanto ele está só e afundado no seu egoísmo.

O melhor mesmo acaba sendo a visita do Fantasma do Natal Futuro, quando Cross finalmente confronta sua própria mortalidade e descobre que da vida nada se leva. Ele então se reconcilia com o espírito natalino e comove o telespectador com a boa mensagem transmitida na película. Um dos melhores filmes de Natal que vale a pena ser conferido! Recomendo!

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Trading Places

Se Scrooged é uma boa pedida no que diz respeito a filmes natalinos dos últimos 25 anos por transmitir a mensagem de amor e paz ao melhor estilo à la Charles Dickens, Trading Places, traduzido para o português como «Trocando as Bolas», dirigido por John Landis, é outra agradável revisitação aos filmes natalinos adultos dos idos da década de 1980.

Estrelado por Eddie Murphy, quando ainda era desconhecido do público, bem como por Dan Aykroyd, Denholm Elliott e Jamie Lee Curtis, o filme conta a divertida história de dois homens completamente diferentes que tem suas vidas forçadamente trocadas para fins de valer uma aposta feita entre os caprichosos irmãos Randolph (Ralph Bellamy) e Mortimer Duke (Don Ameche).

Louis Winthorpe III, interpretado por Aykroyd, é o esnobe homem de negócios que trabalha na firma de comodities Duke & Duke. Noivo da igualmente rica e esnobe Penelope Whitersponn (Kristin Holby), ele jamais passou por dificuldades na vida. Os irmãos Duke, acostumados a discordar dos assuntos mais triviais, decidem então apostar se uma pessoa educada na alta sociedade teria condições de se sair bem caso perdesse tudo. Eles então armam para que Winthorpe seja despedido da firma, perca sua casa e todos os seus bens, bem como recrutam o morador de rua desleixado e boca suja Billy Ray Valentine (Eddie Murphy) para trabalhar em seu lugar.

O que acontece com Winthorpe é uma sucessão de tragédias, tal como previsto pelos irmãos Duke, ao passo que Billy Ray acaba surpreendendo ao simplesmente se transformar numa pessoa respeitável e trabalhadora. E enquanto Winthorpe é preso, perde a noiva, enlouquece, e acaba nos braços de uma prostituta oportunista, Ophelia (Jamie Lee Curtis), com a qual acaba se envolvendo amorosamente, Billy Ray se destaca na firma e descobre os podres financeiros dos dois sócios fundadores. Na tentativa de reaver sua honra e seus bens, sem saber do envolvimento dos irmãos Duke e do fato de Billy Ray também ser uma vítima da trama, Winthorpe pretende fazer de tudo para desmascarar aquele que acredita ser um usurpador.

As coisas ficam mais divertidas quando o ex-mordomo de Winthorpe, Coleman (Denholm Elliott) e o próprio Billy Ray se unem ao milionário arruinado e sua nova namorada para armar contra os irmãos Duke.

Embora o tema natalino não seja o forte do filme, sendo apenas o pano de fundo para os loucos eventos que sucedem na vida dos dois personagens principais, a película não deixa de ser uma ótima pedida para a época do Natal. Recomendo!

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