Filmes do mês de novembro

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A presa

Eric Valette dirige A Presa, thriller de ação no melhor francês que mostra Albert Dupontel como Franck Adrien, um condenado por assalto a banco cujo dinheiro continua escondido, e acaba confiando demais no seu colega de cela, Jean-Louis Maurel (Stéphane Debac), após suspeitar de sua inocência.

Após a liberdade de Maurel, seguida da visita do ex-policial Manuel Carrega (Sergi López), que há anos o investiga e tem forte convicção de que ele é um pedófilo e serial killer, Adrien descobre que pode ter colocado sua esposa Anna (Caterina Murino) e sua filha Amélie (Jaïa Caltagirone) na mira do maníaco. Desesperado ao não conseguir mais contato com Anna, Adrien foge da prisão no melhor estilo The Silence of the Lambs, à exceção do canibalismo, ainda que o longa-metragem seja repleto de fortes cenas de violência, principalmente quando o protagonista acaba se envolvendo em brigas com outros detentos.

Tendo agora em seu encalço a eficiente detetive Claire Linné (Alice Taglioni), Adrien precisa correr contra o tempo enquanto Maurel, que já se apossou do dinheiro do roubo do banco e tem como garantia a custódia de Amélie, e tem um histórico de perversidade tão denso quanto o do assassino psicótico de The Girl with the Dragon Tattoo, com a ajuda da esposa e cúmplice, Cristina (Natacha Régnier), planta evidências de que todos os crimes que já cometeu foram praticados pelo agora fugitivo e ex-companheiro de cela.

Com um realismo tão tênue quanto o mostrado em O Fugitivo, onde Adrien reprisa cenas absurdas de Harrison Ford, como quando salta de janelas, pontes e trens, e corre enlouquecido em meio a uma via rápida ou entre vários policiais que o perseguem levando tiros que não o impedem de seguir em frente, o filme ainda assim é louvável e eficiente.

Com uma boa linha de raciocínio que conduz o telespectador a um final aceitável, porém, nem por isso, previsível, a película é uma ótima opção para quem busca uma produção estrangeira no melhor gênero ação para fins de quebrar, porém, não abruptamente, a rotina dos estereótipos hollywoodianos, e que tanto quanto o recente Taken, possui um argumento bastante válido que impulsiona o personagem principal, não tão habilidoso quanto Bryan Mills, a seguir desenfreadamente em sua busca frenética. Recomendo!  

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Jane Eyre

Com direção de Cary Fukunaga, a readaptação do romance de Charlotte Brontë, a despeito do excelente elenco, é reconhecidamente inferior à versão televisiva em formato de minissérie estrelada por Ruth Wilson e Toby Stephens, mas nem por isso merece passar por despercebida.

O filme começa mostrando Jane Eyre (Mia Wasikowska) fugindo, e vemos ao fundo o magnificente castelo de Thornfield-Hall. Ela corre por uma colina, chega à costa, e cai aos prantos sobre uma rocha. Quando uma tempestade de aproxima, ela segue sua rota de fuga, e é encontrada desmaiada à porta da casa de Diana (Holliday Grainger) e Mary (Tamzin Merchant), pelo pastor St John Rivers (Jamie Bell), irmão das duas pobres garotas deixadas à miséria com a morte do pai.

Acomodada pelos generosos irmãos, Jane relembra o passado, e em flashbacks vemos como sua infância foi difícil quando, tão logo se tornou órfã, foi enviada para Lowood, um colégio interno extremamente rigoroso. Lá, ela passou por maus bocados, e conheceu a amizade sincera de Helen Burns (Freya Parks), eventualmente vítima fatal de uma epidemia.

Após completar dezoito anos, Jane vai embora, e decidida a mudar de vida, responde a um anúncio para a vaga de preceptora no castelo Thornfield-Hall, onde é recebida pela afetuosa Madame Fairfax (Judi Dench), e passa a se tornar responsável pela educação da pequena Adèle Varens (Romy Settbon Moore), protegida de Rochester (Michael Fassbender). Jane acaba conhecendo Rochester de forma inusitada, e quando rapidamente entrevistada por ele, fica evidente o interesse entre os dois.

O tempo passa, a Jane começa a admirar Rochester, mas reservada, jamais deixa transparecer seus sentimentos, e quando o que parece ser o anúncio do matrimônio entre Rochester e Lady Ingram (Sophie Ward) se aproxima, ambos acabam se declarando uma ao outro. A despeito da diferença de idade e status, Rochester pede Jane em casamento, mas antes que a união seja selada, ela descobre que ele é casado, e que sua esposa, Bertha Mason (Valentina Cervi) ainda é viva, porém louca, o que, todavia, o impede de casar. Decidida a não se tornar sua amante, Jane foge.

O filme avança para o presente, onde Jane consegue um lar com a ajuda de St John Rivers, bem como um trabalho como professora em uma de suas escolas. Quando ela descobre que pode ser a única herdeira de um falecido tio, e a oportunidade de uma nova vida surge, Jane se descobre incapaz de amar outra pessoa que não Rochester, e sente-se compelida a voltar a Thornfield-Hall, onde uma desgraça ocorreu na sua ausência.

A película é muito bem feita, e o elenco é efetivamente soberbo, com destaque, obviamente, para Mia Wasikowska e Michael Fassbender, o qual, aliás, confere um senso muito mais de responsabilidade em relação ao seu segredo e não de fardo, bem como, e consequentemente, um amor muito mais sincero por Jane Eyre do que jamais se viu antes. Recomendo!

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Ip Man 2

Com roteiro de Edmond Wong e Chan Tai-Li, Wilson Yip dirige a continuação de Ip Man, e dá sequência à semicinebiografia do mestre Yip Man que, como já mencionado antes, praticante de artes marciais, foi o primeiro a ensinar a técnica Wing Chun e teve como um dos seus mais célebres alunos, o astro dos filmes de artes marciais, Bruce Lee.

Donnie Yen reprisa o papel do protagonista, que agora segue uma vida miserável pós-guerra com a mulher (Lynn Hung) e o filho pequeno. Prestes a ter mais um filho, ele consegue alugar um espaço para começar a dar aulas de Wing Chun. Sem alunos, ele é surpreendido por Leung (Xiaoming Huang), que chega querendo comprovar se o kung fu de Ip Man é mesmo tão bom. Após perder uma luta, não satisfeito, o rapaz traz três outros amigos, e Ip Man derruba todos, os quais passam a tê-lo como mestre. Novos alunos não tardam a aparecer, e sempre complacente com a cobrança das aulas, ao salvar um pupilo de um grupo rival, Ip Man descobre que existem regras para se abrir uma academia de artes marciais em Hong Kong, ao que deve participar de uma competição com todos os mestres da cidade.

Enfrentado pelo mestre Hung (Sammo Hung Kam-Bo), Ip Man consegue entrar na associação, mas forçado a pagar uma tarifa mensal para proteção, acaba tendo seus alunos importunados pelos da escola rival, o que o faz perder o contrato de aluguel. Quando Ip Man consegue começar a ganhar o respeito de mestre Hung, que o vê continuar dando suas aulas na rua, ao ar livre, ele é convidado a assistir a uma luta de boxe. Sem saber que mestre Hung é parceiro de negócios escusos com os ingleses, Ip Man e seus alunos veem o competidor britânico provocar e ofender os lutadores de kung fu na arena. Quando mestre Hung decide honrar a prática da arte marcial num combate com o temível Twister (Darren Shahlavi), a técnica acaba não superando a força, e ele acaba morto na lona.

A fim de honrar a memória do mestre Hung, bem como a prática do kung fu e o povo chinês, Ip Man chama Twister para um combate, e as sequências finais do filme, da luta entre os dois, é um dos melhores e mais tensos momentos do longa.

Diferentemente de seu predecessor, Ip Man 2 não tem como tema a invasão japonesa e a guerra, mas novamente a ameaça é a falta de respeito estrangeira em contrapartida à cultura de um povo, e se o grande desafio para Ip Man é a aceitação e o reconhecimento em uma nova comunidade, ele ainda tem que lidar com a dura realidade de que seu melhor amigo, Chow Ching-Chuen (Simon Yam), acabou desmemoriado após um tiro quando o salvou, mas nem por isso não há o vislumbre da esperança quando reencontra o arruaceiro Kam Shan-Chau (Siu-Wong Fan), que não apenas se redimiu, como passou a admirá-lo.

O filme, tal como o anterior, é excelente quanto à caracterização das lutas, e a despeito do final surpresa, fica a deixa para uma continuação, a qual, todavia, e lamentavelmente, poderá não acontecer com Donnie Yen como intérprete de Ip Man, já que este anunciou não ter interesse em participar do terceiro longa caso Wilson Yip não dirija, e tudo indica que Raymond Wong quer que seu filho, o roteirista Edmond Wong, assuma a direção. De qualquer forma, fica o primeiro e o segundo filme até o momento como as duas melhores semicinebiografias do mestre Ip Man. Recomendo!

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Bronson

O cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn dirige a semicinebiografia de Michael Gordon Peterson, também conhecido no Reino Unido como «Charles Bronson», e que não tem nada a ver com o icônico ator de Hollywood consagrado por filmes como Sete Homens e um Destino e Desejo de Matar.

Bronson é uma produção britânica estrelada por Tom Hardy que conta a história do prisioneiro celebridade de mesmo nome através de um estilo único, sob a forma de monólogo, no qual o protagonista apresenta a uma fictícia plateia trechos de sua vida em flashbacks e com muito humor negro.

Nascido em Aberystwyth, no País de Gales, numa família de classe média respeitável, Michael, que eventualmente adota a alcunha de Charles Bronson, é apresentado como um sujeito muito violento desde pequeno. Após cometer alguns crimes, ele é condenado a sete anos de prisão, período esse se estende por mais sete anos por conta de seu mau comportamento. Posto em liberdade, após se envolver num esquema de lutas clandestinas e no assalto a uma joalheria, em menos de setenta dias solto, ele é novamente encarcerado.

Conhecido por passar a maior parte de sua vida em diversas penitenciárias e manicômios, e por ser o prisioneiro mais violento da Grã-Bretanha, espancando desenfreadamente colegas detentos e até mesmo policiais, Bronson se tornou automaticamente uma celebridade nos idos dos anos de 1980. Atualmente aprisionado no sistema de segurança máxima de Wakefield, Bronson já completou 38 anos de encarceramento, dos quais 35 em regime de isolamento absoluto. Lá, ele escreveu suas memórias, bem como um livro sobre como se manter em forma em espaços apertados.

Suscetível à violência, sem qualquer ambição ou propósito de vida, Bronson, que mais parece se contentar unicamente em ser uma celebridade, mesmo que atrás das grades, é personificado por Tom Hardy de forma estupenda. Com uma transformação física invejável, o jovem ator londrino, que também está irreconhecível como o vilão Bane, em The Dark Knight Rises, transmite ao telespectador o retrato fiel de um indivíduo à margem da sociedade que encontra na prisão o lugar máximo para sua expressão artística.

Resistente à opressão num espírito quase suicida, Bronson, provavelmente num dos melhores desempenhos de Hardy, cujo futuro como grande ator que é parece promissor, não apenas extravasa no meio da pancadaria, mas parece divertir-se com pequenos sequestros dentro do presídio por meio dos quais faz os mais absurdos pedidos, o que mais parece ser o reconhecimento de seu desejo de não estar em outro lugar. Apesar de extremamente violento, o filme é interessante, principalmente por conta do estilo. Recomendo!

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The Man from Nowhere

Escrito e dirigido pelo estreante Jeong-beom Lee, The Man from Nowhere é uma produção sul-coreana no melhor que há em thriller de ação asiático. Com uma trama simples, mas bem estruturada, além de muito violenta, a película se sobressai com um estilo único, aliado ainda ao bom desempenho do elenco, com destaque para o protagonista.

Cha Tae-sik (Bin Won) é o pacato dono de uma casa de penhores. Solitário, ele tem um passado misterioso e a companhia constante da pequena Jeong So-mi (Sae-ron Kim), filha de uma dançarina exótica (Hyo-seo Kim) que mora no mesmo prédio. Viciada em drogas, a mãe de So-mi rouba a mercadoria de uma perigosa organização na boate em que trabalha. Inconsequente, ela envolve Tae-sik quando esconde o que sobrou da droga que roubou na bolsa de uma máquina fotográfica que deixa como penhor.

Quando procurada pelos psicóticos membros da quadrilha de traficantes, ela e a filha acabam sendo sequestradas, mesmo com a droga recuperada. Ainda que não queira se envolver, Tae-sik acaba se vendo forçado a salvar a menina quando os violentos irmãos Man-seok (Hee-won Kim) e Jong-seok (Seong-oh Kim) o obrigam a entregar outra mercadoria para o chefe do tráfico, Oh Myung-gyu (Young-chang Song), e quando ele descobre que a suposta transação é uma armadilha para a polícia, já é tarde demais.

Capturado, não sem antes descobrir que a quadrilha assassinou a mãe de So-mi e que a menina ainda corre perigo porquanto vendida para uma quadrilha de tráfico de órgãos, Tae-sik foge, e passa não apenas a ser alvo dos psicóticos irmãos Seok, como também da equipe do eficiente investigador Park (Jeong Do-won). Quando a polícia descobre o passado de Tae-sik como um ex-agente especial vítima de um atentado que culminou na trágica morte de sua esposa, ele já está a meio caminho de liquidar toda a gangue dos irmãos Seok em busca de So-mi.

Eficiente, embora não muito original, o longa-metragem tem bons momentos. Embora a película comece de forma instigante, com uma boa sequência de ação, somos então introduzidos à lenta construção da relação entre Tae-sik e So-mi. Mas o filme encontra seu ponto de equilíbrio a partir do envolvimento do personagem principal na armadilha perpetrada pelos bandidos que acabam incriminando-o. Movido por um trauma, aliado a um ato que se mostra a gota d’água para uma criança desamparada que vê nele seu salvador, Tae-sik, no melhor estilo Léon: The Professional e Man on Fire, se vê obrigado a sair do anonimato e a usar suas habilidades especiais à la The Bourne Identity e Taken para dizimar um cartel inteiro com fins unicamente de salvar uma inocente.

Apesar de alguns clichês, as cenas de luta de Tae-sik, além do desempenho de Bin Won, são o grande alívio do longa-metragem. Recomendo!

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The Lookout

Em O Vigia, produção independente com roteiro e direção de Scott Frank, coroteirista de Minority Report, A Intérprete e Marley & Me, Joseph Gordon-Levitt, que aqui apenas começa a fase de ouro de sua carreira tal como a conhecemos hoje, interpreta Chris Pratt, um popular jogador de hóquei local que tem o mundo a seus pés até que uma grande tragédia muda completamente sua vida.

O filme começa mostrando Chris com a namorada, Kelly (Laura Vandervoort), e um casal de amigos. Na tentativa de impressioná-los, ele acaba provocando um grave acidente que não apenas causa a morte dos dois amigos, como lhe traz sequelas irreversíveis. Com algumas cenas em flashback do acidente, Chris agora é mostrado com uma árdua rotina diária, na qual ele necessita tomar um punhado de medicamentos e sempre anotar tudo o que deve fazer, esquecendo-se rapidamente de coisas das mais simples.

Embora filho de um importante empresário da cidade (Bruce McGill), ele se é faxineiro de um banco numa cidadezinha do interior de Michigan onde pretende ser promovido a caixa, e também mora com Lewis (Jeff Daniels), um cego que tem grandes planos para o futuro dos dois no ramo de restaurantes. O personagem tenta reavaliar sua vida na medida em que não apenas observa de longe a ex-namorada e visita a família, com a qual já não consegue mais se reconectar, e as coisas mudam substancialmente para Chris após o reencontro com um ex-colega de faculdade, Gary Spargo (Matthew Goode), que lhe apresenta Luvlee (Isla Fisher). A trama ganha então contornos de noir quando ele é seduzido pela amante de Gary e surge a proposta do roubo ao banco no qual ele trabalha.

Assim, quando Chris começa a romper os laços da rotina que tanto repudia na tentativa de reavivar um passado que não existe mais e retomar as rédeas de sua vida, ele fornece informações ao pequeno grupo de ladrões, e assume a posição do vigia que dá título ao longa. As coisas, porém, não saem exatamente como esperado por Chris, que no último minuto desiste de participar do crime, e quando um amigo policial acaba morto, e ele foge com o veículo carregado com todo o dinheiro do roubo, a despeito de sua condição, ele precisa elaborar um plano e correr contra o tempo para salvar o amigo Lewis, agora refém dos inescrupulosos criminosos.

Embora o filme seja consideravelmente lento e enfastiaste nos seus instantes iniciais, quando a trama principal sequer é apresentada, e a proposta do longa-metragem parece mais ser a de explorar não apenas as limitações de Chris, mas também um desejo latente de mudar sua condição, a película acaba se tornando uma surpresa extremamente aprazível. Os destaques, obviamente, são as excelentes interpretações de Gordon-Levitt, que cada vez mais se solidifica como um dos melhores atores da sua geração, e Jeff Daniels, que chega a personificar uma pessoa com limitação visual de forma até mesmo muito mais convincente que Al Pacino em Perfume de Mulher. Recomendo!

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A company man

O estreante Sang-yoon Lim dirige o thriller de ação A company man, que conta a história de Hyeong-do (Ji-seob So), um assassino profissional que aparenta trabalhar numa companhia de fachada e que pretende pedir demissão antes de perder sua alma.

A película começa mostrando Hyeong-do coordenando uma operação com o jovem Ra Hun (Dong-jun Kim), exímio atirador, que entra numa empresa e executa a sangue frio todos os seus oponentes, cumprindo com perfeição o trabalho, até o momento em que Hyeong-do surge para exterminá-lo como queima de arquivo.

Inexpressivo e de poucas palavras, Hyeong-do é o preferido do presidente da companhia, Chairman Jeon (Gook-hwan Jeon), que tem grandes planos para ele. Consequentemente, ele é sempre perseguido por seu supervisor direto, Gwon Jong-tae (Do Won Kwak), que, invejoso, começa a duvidar de seu compromisso com a companhia, principalmente quando não se tem notícia na mídia sobre o corpo de Ra Hun. Quando de uma missão na qual Hyeong-do deixa de executar um colega assassino que acaba dando as caras na companhia após todos acreditarem que ele foi efetivamente morto, e a descoberta de que Ra Hun vive, ele tem seus dias contados.

Como se não bastasse, Hyeong-do acaba se envolvendo com Yu Mi-yeon (Mi-yeon Lee), mãe de Ra Hun, e quando a promessa de uma vida nova começa a se concretizar, ele confia na pessoa errada na busca por ajuda, colocando tudo a perder, desencadeando uma vingança sem volta.

O filme é efetivamente bom, embora tenha seus momentos de lentidão, como quando da interação de Hyeong-do com Yu Mi-yeon, e mesmo nos seus momentos de reflexão, no qual fica evidente sua tentativa de não mais matar pessoas. Contudo, as melhores sequências são justamente quando o personagem parte para a ação, valendo-se não apenas de seu talento com as armas, mas também na luta. Mais uma grande contribuição do cinema sul-coreano que não pode e nem merece passar por despercebido. Recomendo!

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Midnight in Paris

Owen Wilson estrela o que pode ser considerado um dos melhores trabalhos de Woody Allen. Midnight in Paris conta a história de um jovem escritor estadunidense que, em visita à Paris com a noiva (Rachel McAdams) e os futuros sogros (Kurt Fuller e Mimi Kennedy), acaba mergulhando num universo de fantasia para finalmente se redescobrir e decidir o caminho que deseja seguir.

Romântico, e como a maioria dos filmes de Allen, o longa-metragem é conciso, e narra as aventuras e as desventuras de Gil, escritor não muito seguro de seu talento que parece seguir um rumo pré-definido por sua ambiciosa noiva. Perambulando pelas ruas da capital francesa, contudo, ele acaba encontrando artistas e intelectuais dos anos de 1920, como Zelda (Alison Pill) e F. Scott Fitzgerald (Tom Hiddleston), Ernest Hemingway (Corey Stoll), Gertrude Stein (Kathy Bates), Pablo Picasso (Marcial Di Fonzo Bo), Salvador Dalí (Adrien Brody), T.S. Eliot (David Lowe), Paul Gaughin (Olivier Rabourdin), entre outros, o que mudará definitivamente sua vida.

Entusiasta por uma época esquecida na Paris de quase um século antes, Gil enfrenta as diferenças com a noiva, e acaba se envolvendo com a musa de Picasso, Adriana (Marion Cotillard), para então finalmente descobrir o que decididamente quer fazer de sua vida.

O filme é uma agradável surpresa no que diz respeito a Owen Wilson, que se vê liberto do estigma de ator de comédias, e acaba nos apresentando um personagem denso e sensível. Do mesmo modo, Midnight in Paris é aprazível, não apenas por trazer à tona o universo dos jovens escritores e pintores de uma época glamourosa com deleitável precisão e charme, como também por explorar de forma extraordinária o que de melhor Paris tem a oferecer. Recomendo!

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Cop Land

Escrito e dirigido por James Mangold, a película conta a história de Garrison, uma pequena cidade de New Jersey, localizada após o Rio Hudson, e praticamente habitada apenas por policiais e famílias de policiais, a maioria, envolvida em esquemas de corrupção.

Quando Murray Babitch (Michael Rapaport), um jovem policial de NY mata um suposto criminoso que ele julgava estar armado e vê que sua carreira acabar diante de seus olhos com o ocorrido, ele finge sua própria morte com a ajuda e a proteção de seu tio, também policial, Ray Donlan (Harvey Keitel).

O xerife de Garrison, Freddy Helfin (Sylvester Stallone), sabe dos esquemas de Ray e seus comparsas, mas faz vista grossa no melhor estilo corporativismo, sendo duramente criticado pelo melhor amigo, e ex-policial, Gary Friggis (Ray Liotta). Mas Freddy tem um passado de herói na cidade, quando salvou a vida de Liz Randone (Annabella Sciorra), por quem nutre um grande sentimento, e tem um forte desejo de voltar a fazer o que acredita ser o certo.

A oportunidade finalmente aparece para Freddy quando Moe Tilden (Robert De Niro), agente da corregedoria da polícia de NY, começa a investigar o desaparecimento de Murray, e Ray, temendo ser descoberto e punido por acobertar o sobrinho, decide dar fim ao mesmo.

Embora o filme tenha passado um tanto quanto despercebido na época do seu lançamento, é uma produção que realmente surpreende. Com um elenco de primeira, que reúne ainda Cathy Moriarty, Edie Falco e vários outros rostos conhecidos do universo de Sopranos, a película é o grande reflexo do que seria a carreira de Mangold: filmes densos com personagens complexos como há muito não se via, com destaque para os subsequentes Girl, Interrupted, Identity e 3:10 to Yuma. Além do mais, Stallone está imbatível em sua performance e transformação física. Recomendo!

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Get the Gringo

Estranho, porém interessante, e com um estilo que nos remonta ao aclamado Payback, Mel Gibson – que após os escândalos e acusações de crime de racismo e antissemitismo dificilmente voltará a ver o sol brilhar como antes quando estrelou sucessos como Maverick, Braveheart, Ransom, Conspiracy Theory, Lethal Weapon 4, entre tantos outros – retorna com Get the Gringo, dirigido por Adrian Grunberg, e cujo roteiro é também de sua autoria.

A coprodução mexicana de baixo orçamento, lançado diretamente em DVD, e com um elenco pouco conhecido, provavelmente à exceção de Dean Norris, que fez uma pausa em Breaking Bad para uma breve ponta no início como o chefe de polícia de fronteira, acaba, no entanto, sendo uma surpresa um tanto quanto inesperada, o que pode ser a confirmação do retorno do grande astro de Mad Max, ainda que pelas bordas.

Gibson faz um ladrão que cruza a fronteira entre Estados Unidos e México com mais de 2 milhões de dólares em dinheiro. Capturado por policiais corruptos, ele acaba não sendo entregue para as autoridades estadunidenses, e é colocado no que se pode chamar de a pior prisão terceiro-mundista. Para sobreviver na prisão, que mais parece uma pequena cidade sem regras, exceto para seu suposto prefeito, Javi (Daniel Giménez Cacho), o personagem de Gibson, que esconde um passado misterioso, vale-se de suas habilidades especiais para passar a perna em todos que possam lhe representar perigo.

Nesse meio tempo, ele acaba eventual e acidentalmente se afeiçoando a um garoto (Kevin Hernandez), com mesmo e raro tipo sanguíneo de Javi e, portanto, único apto a lhe doar o fígado para um futuro transplante. Ciente de tal fato, a mãe do garoto (Dolores Heredia) faz o possível e o impossível para evitar a desgraça prestes a se abater sobre o filho. Quando o personagem sem nome de Gibson se torna alvo de Javi, ele elabora um plano para acabar com seu domínio, salvar o garoto e a mãe, bem como recuperar o dinheiro que lhe foi roubado pelos policiais mexicanos.

O longa-metragem está longe de uma superprodução como as que Mel Gibson estrelou no passado, antes de selar seu destino com palavras estúpidas de ódio, mas certamente representa o que de melhor o ator ainda tem a oferecer mesmo com recursos escassos. Espera-se que ele possa retornar como o astro que um dia foi, independentemente de estrelar apenas em produções independentes. Recomendo!

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The Last Tycoon

Chow Yun-Fat estrela o longa de Jing Wong, que conta a história do gangster Cheng Daqi, o qual consolida seu poder em Xangai após afiliar-se a um agente secreto corrupto, Mao Zai (Francis Ng), e ao mafioso local, Shou Ting Hong (Sammo Hung Kam-Bo), de cuja esposa, Ling Husheng (Li Yuan), se torna amigo.

O filme mostra a trajetória de Daqi em forma de flashbacks, e descobrimos que ele tem dois grandes amores em sua vida: Ye Zhiqiu (Quan Yuan) e Bao (Monica Mok). Ye Zhiqiu é seu amor de infância. Ele a conhece no vilarejo onde more antes de se mudar para Xangai. Lá, os dois se reencontram e vivem uma vida a dois enquanto ele se torna gradativamente um dos homens mais poderosos e perigosos da cidade. Uma fatalidade faz com que os dois se afastem por escolha de Ye Zhiqiu, que acaba se casando com outro homem. Daqi acaba então se envolvendo com a artista Bao.

Quando da invasão japonesa, Daqi tem seus aliados divididos, e enquanto precisa cumprir uma promessa feita a Ling Husheng, descobre uma nova chance de reviver seu grande amor com Ye Zhiqiu, ao passo em que sofre a separação de Bao, que, por sua vez, torna-se companheira de seu grande inimigo, Mao Zai.

O filme tem cinematografia e direção de arte impecáveis. O destaque, obviamente, é para Chow Yun-Fat, muito embora o intérprete de Daqi mais jovem, Xiaoming Huang, também não deixe nada a desejar, assim como seu guarda-costas à la «Luca Brasi», Huai Lin (Hu Gao). Embora a trajetória amorosa de Daqi tenha um final inesperado, a película é um verdadeiro deleite visual e histórico. Recomendo!

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Hitchcock

A semicinebiografia de Alfred Hitchcock, inspirada no livro de Stephen Rebello, com direção de Sacha Gervasi tem por único mérito as grandes performances de Anthony Hopkins e de Helen Mirren, intérpretes de Hitchcock e sua esposa. E só.

O longa-metragem mostra parte da trajetória de vida de Hitchcock e sua esposa Alma Reville, especificamente quando do envolvimento do cineasta considerado o Mestre do Suspense na produção de seu maior clássico, Psycho. O objeto da película, no entanto, é basicamente mostrar a importância de Alma na vida pessoal e profissional de Hitchcock, que, aqui, já havia dirigido mais de 60 filmes e almejava se lançar a uma forma de suspense diferente da qual estava estigmatizado.

Com a recusa do orçamento do presidente da Paramount, Barney Balaban (Richard Portnow) para a adaptação do romance de Robert Bloch, Hitchcock se viu obrigado a hipotecar sua casa. A despeito das discussões, Alma sempre se mostra a pessoa que mais o apoia em seus projetos, ao passo em que também busca novos desafios pessoais, como trabalhar ao lado do amigo Whitfield Cook (Danny Huston), o que causa ciúmes doentios em Hitchcock.

O longa-metragem também homenageia os envolvidos em Psycho, como o roteirista responsável por sua adaptação, Joseph Stefano (Ralph Macchio), bem como o próprio elenco, Anthony Perkins (James D’Arcy) e Janet Leigh (Scarlett Johansson), escolhidos com a ajuda de Alma, além, obviamente, de Vera Miles (Jessica Biel), uma das ex-das-muitas-musas-loiras do cineasta, cuja obsessão é também explorada em forma de ciúmes.

Apesar de uma semibiografia fraca, que deixa um pouco a desejar no que diz respeito à explorar Hitchcock como de fato ele era, o longa-metragem prefere seguir um rumo em tons mais de humor negro, em clara alusão ao seu estilo em Alfred Hitchcock Presents. Num dado momento, no entanto, o telespectador se vê até mesmo confuso nas cenas entre Hitchcock e Ed Gein (Michael Wincott), autor dos homicídios que inspiraram o personagem Norman Bates, para, ao final, concluir que Hitchcock não era esquizofrênico tal como essas sequências sugerem, mas o ardoroso e enigmático homem que se envolvia em absoluto em seus projetos.

Embora o filme seja provocativo no que diz respeito à relação entre Hitchcock e Alma, e procure mostrar uma vida supostamente inteira de fidelidade conjugal apesar das inúmeras ameaças, deixar de lado o que viria eventualmente a ser a investida amorosa do cineasta a uma de suas futuras musas, Tippi Hedren, durante as filmagens do longa-metragem seguinte a Psycho, The Birds, acaba sendo a desmistificação da proposta da película em sua mensagem final. Porém, ainda assim vale a pena ser conferido, especialmente pelas soberbas performances já anunciadas de Hopkins e Mirren. Recomendo!

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