Mad Men : review primeira à sexta temporada

Mad-Men-1Criado por Matthew Weiner, que tem em seu currículo The Sopranos, o qual escreveu e co-produziu ao lado de David Chase, Mad Men é um drama que conta a história de uma das mais prestigiosas agências de publicidade de New York nos idos dos anos de 1960, a fictícia Sterling Cooper Inc., tendo por foco na narrativa a vida, os amores, os sabores e dissabores de um dos mais misteriosos e mais talentodos de seus executivos, Don Draper (Jon Hamm).

Concebida como uma adaptação fiel do universo glamuroso da publicidade dos anos de 1960, Mad Men, que, ao contrário do que possa sugerir o título não quer dizer «homens malucos», mas é termo usado nos idos dos anos de 1950 para designar os profissionais do ramo da publicidade que trabalhavam na Avenida Madison (Madison Advertising Men), é uma produção da Lionsgate Television para o canal AMC, que estreou em julho de 2007, com sétima e última temporada confirmada e previsão de estreia para o primeiro semestre de 2014.

Aclamada, a série já recebeu quinze Emmys e quatro Golden Globes, incluindo o de melhor série dramática, listada ainda no ano de 2013 pela TV Guide como a sexta maior série de televisão de todos os tempos, e a sétima produção televisiva mais bem escrita de todos os tempos, de acordo com o Writers Guild of America.

Elogios à parte, o fato é que a própria concepção da série tem uma trajetória peculiar, o que por si só a torna tão atraente.

Em 2000, enquanto trabalhava na produção de Becker, comédia da CBS estrelada por Ted Danson e Nancy Travis, Weiner escreveu o rascunho do piloto do que eventualmente se chamaria Mad Men. Antes que o projeto pudesse ser viabilizado, porém, David Chase, criador da série The Sopranos, recrutou Weiner para trabalhar com os roteiros do seu drama sobre a máfia transmitido pela HBO, do qual se tornou co-produtor executivo, e Mad Men foi engavetado. Mas Chase mencionou o roteiro escrito por Weiner meses antes aos executivos do estúdio, e passados sete anos, nem a HBO e nem a Showtime mostraram interesse pelo drama de publicidade que se passa nos anos de 1960. Quando The Sopranos chegou ao fim, a AMC entrou no mercado da televisão com um novo modelo de programação e em busca de produções originais, sendo o roteiro escrito por Weiner recebido com bastante entusiasmo.

Filmado na Silvercup Studios, em várias locações na cidade de New York, e no Los Angeles Center Studios, o piloto foi objeto de árdua pesquisa da parte do perfeccionista Weiner, seja no que diz respeito a design de ambiente, de moda, e de tudo o mais que fosse possível para fins de acurácia histórica, bem como permitir ao telespectador um autêntico visual e estilo de uma época. Assim, a ambientação e figurino acabaram se tornando elemento tão essencial na série quanto a coletânea de importantes eventos históricos apresentados, bem como o roteiro e a performance do elenco, tornando-a ainda mais atraente.

Importante frisar que Weiner, que não se limita apenas à adaptação visual dos anos de 1960, também fez questão de reforçar os costumes de uma era. Portanto, não é raro vermos os personagens de Mad Men fumarem e beberem compulsivamente em quase todas as cenas, onde quer que estejam, e mesmo as mulheres, ainda que grávidas. E se hoje em dia muita coisa mudou, como o fato da California proibir o consumo de tabaco em ambientes fechados, tal fato não impede Weiner de se manter no propósito de retratar com fidelidade uma época. Assim, embora vejamos os personagens fumarem cigarros um atrás do outro na série, o que o elenco fuma, na verdade, são cigarros de ervas, tudo em prol da arte, já que na concepção de Weiner, reproduzir um tempo em que a série Mad Men se passa sem que seus personagens fumem «seria uma piada».

Com um orçamento de U$2,5 milhões por episódio, sendo o piloto estimado em mais de $3 milhões, Mad Men tem ainda como inspiração duas produções cinematográficas dos anos de 1967: A Guide for the Married Man e How to Succeed in Business without Really Trying, adaptações dos romances homônimos de Frank Tarloff e Abe Burrows, respectivamente, e ambas estreladas por Robert Morse, que em Mad Men interpreta o co-fundador da Sterling Cooper Inc., Bertram Cooper.

No primeiro filme no qual Weiner se inspirou para a criação de Mad Men, A Guide for the Married Man, dirigido por Gene Kelly, Morse interpreta um personagem que vive enganando a esposa (Claire Kelly), e que, descoberto pelo amigo (Walter Matthau), revela a ele como trair sem ser descoberto, o que é bem conveniente no universo de Mad Men, no qual o personagem principal é dotado de inegável sex appeal que o faz jamais se manter na linha no que diz respeito a fidelidade.

No segundo filme, dirigido por David Swift, o veterano ator é J. Pierpont Finch, um executivo de uma agência de publicidade de New York, a Benton & Bowles, Inc., que depois de ler «How to Succeed in Business», segue à risca os conselhos do autor do livro e se junta a uma multinacional na qual acaba eventualmente se tornando o Vice-Presidente da equipe de publicidade, sempre se valendo de meios dúbios e amorais para subir na carreira, como fazer com que a pessoa acima dele acabe sendo demitida ou transferida para outro departamento, o que também não é incomum no universo da série.

Aliado à escrita e adaptação de época impecáveis, Mad Men tem como atrativo personagens extremamente revigorantes e interessantes, os quais, porém, são totalmente desprovidos de qualquer moralidade em meio a um mundo de negócios que, a despeito de sua reprodução numa época de charme e inocência perdida, é o pano de fundo para tramas completamente atemporais.

PERSONAGENS PRINCIPAIS

Don-MMS6_0516_B1Don Draper (Jon Hamm)

Detentor de uma eloquência impecável, ele é diretor criativo e sócio junior da Sterling Cooper Advertising Agency nas primeiras temporadas, e eventualmente sócio da Sterling Cooper & Partners a partir do sexto ano. Protagonista da série, ele é bebedor e fumante compulsivo, e além de um passado misterioso Don também tem uma carreira de sucesso no ramo da publicidade. Casado com Betty nas três primeiras temporadas, seu histórico de infidelidade, aliado ao passado repleto de segredos, acaba comprometendo sua vida conjugal, bem como a relação com os filhos, em especial com a mais velha, Sally, a qual testemunha suas frequentes mentiras. Apesar de ambíguo, Don tem um bom coração, mas amá-lo pode ser a pior forma de fazer parte de sua vida.

Peggy-MMS6_2012_B1Peggy Olson (Elisabeth Moss)

Ela é a nova secretária de Draper no episódio piloto. Inicialmente interessada por Don, acaba mesmo se envolvendo com Pete Campbell. Ao longo da série, a personagem acaba sendo descoberta, e se torna copywriter e importante membro da equipe de criatividade da agência, mas sempre vítima de decisões sexistas inerentes à época. À frente do seu tempo, Peggy desenvolve suas funções sempre no intuito de reconhecimento, principalmente de Draper, a quem ela profundamente admira, tornando-se por vezes sua versão feminina. Mas sonhadora, ela também busca romance, mas nem sempre acaba se dando bem nesse setor.

Pete-MMS6_0041_B1Pete Campbell (Vincent Kartheiser)

Jovem e ambicioso, ele é o executivo responsável pelas contas da agência e, por vezes, ao longo da primeira temporada, antagonista de Don, embora passem a mutuamente se admirar ao longo da série. Casado com Trudy (Alison Brie), ele eventualmente se envolve com Peggy Olson, e é um dos poucos personagens que não fuma. Extremamente competitivo, volta e meia Pete entra em conflito com seus colegas, e num determinado momento acaba traindo a esposa, manipulando e chantageando suas amantes. É evidente sua dificuldade em separar os problemas pessoais do meio ambiente de trabalho, e por vezes ele acaba comprometendo suas funções, a despeito de excelente profissional.

Betty-MMS6_1263_B1Betty Francis (January Jones)

Esposa de Don nas três primeiras temporadas, ela é mãe de Sally e Bobby. Crescida nos subúrbios da Philadelphia, a rainha do gelo com ar de Grace Kelly conhece Don quando trabalhava como modelo em Manhattan. Fadada à uma vida introspectiva como dona de casa, no qual ela é enfadonhamente mostrada no primeiro ano como se fosse parte da mobília da casa, Betty começa a desconfiar das traições do marido, e quando finalmente tem o testemunho de um terceiro, confronta-o, gerando uma sucessão de eventos que culminam em problemas e mais problemas na vida pessoal de Don Draper. Além dos conflitos com o marido, Betty tem muita dificuldade no relacionamento com a filha mais velha, Sally, e em determinado momento, fica nítida a hipótese de que quem realmente precisa de ajuda psicológica é a própria Betty.

Joan-MMS6_0746_B1Joan Holloway (Christina Hendricks)

Gerente do escritório e da equipe de secretárias nos primeiros anos, e eventualmente sócia da Sterling Cooper Draper Pryce a partir do final do quinto ano, ela tem um relacionamento amoroso de longa data com Roger Sterling. Como Peggy, a quem ela socorre com conselhos ambíguos no primeiro e segundo ano da série, Joan sofre preconceito no trabalho por ser mulher, principalmente quando consegue o contato de um cliente em potencial para a agência na sexta temporada, mas acostumada, supera com elegância e manobras dúbias, conquistando aos poucos o reconhecimento merecido. Com a criação da SCDP, a personagem ganha maior destaque e, após um sacrifício pessoal, acaba se tornando sócia.

Roger-MMS6_0164_B1Roger Sterling (John Slattery)

Sócio senior da Sterling Cooper nos primeiros anos, é também mentor de Don Draper, o qual conheceu numa loja quando da compra de uma estola para sua então amante, Joan Holloway. Seu pai, junto com Bertram Cooper, fundou a agência. Casado com Mona (Talia Balsam) na primeira temporada, ele tem dificuldades no relacionamento com a filha única, Margareth (Elizabeth Rice). Ex-veterano da Segunda Guerra Mundial, Roger é tão mulherengo quanto Don, além de fumante e bebedor igualmente compulsivo. Apesar dos muitos desentendimentos com Draper ao longo da série, inclusive a ponto de em determinado momento os dois efetivamente pararem de se falar até a criação da SCDP, os dois são amigos e por vezes confidentes, embora Roger não saiba o segredo do passado de Don, e seu inabalável carisma e uma vida desprovida de mistérios é o que os torna distintos.

PRIMEIRA TEMPORADAMMS11

Don Draper (Jon Hamn) é diretor criativo e sócio junior na Sterling Cooper Inc. Casado com Betty (January Jones), ex-modelo e agora dona de casa, os dois tem dois filhos pequenos: Sally (Kiernan Shipka) e Bobby (Jared Gilmore). No começo da série, Don e Betty já estão casados há sete anos, e ao longo da temporada é revelado que a personagem de Betty tem um longo histórico de ansiedade que a faz ser submetida a sessões de terapia monitoradas pelo próprio marido, o qual, por sua vez, é extremamente ausente e infiel, valendo-se de encontros no meio da tarde com a amante Midge (Rosemarie DeWitt), na casa da qual por vezes passa a noite sob a justificativa de ter que trabalhar até tarde, sendo impossível deslocar-se de Manhattan até o subúrbio tão tarde da noite.

Bert Cooper (Robert Morse) é o excêntrico presidente da Sterling Cooper Inc., e aparece muito pouco durante a primeira temporada, apenas dando o ar da graça em momentos de grandes decisões que envolvam a agência, na medida em que se afasta cada vez mais dos negócios, deixando-os sempre nas mãos do sócio Roger Sterling (John Slattery), o qual, por sua vez, bom empreendedor, não se envolve com o ramo da publicidade propriamente dita, ao passo em que enfrenta dificuldades na vida pessoal com a esposa Mona (Talia Balsam) e a filha Margareth (Elizabeth Rice), enquanto vive um caso amoroso com a insinuante Joan Holloway (Christina Hendricks), gerente do escritório e da equipe de secretárias.

Pete Campbell (Vincent Kartheiser) é o gerente de contas da agência, e frequentemente apresentado como uma pessoa de gênio forte, e relacionamento profissional tenso e repleto de diferenças com Don Draper. Os dois frequentemente se confrontam nas reuniões de negócios. Jovem e ambicioso, ele é herdeiro de uma abastada família de New York, e se torna responsável por trazer novos clientes para a Sterling Cooper Inc. No primeiro episódio, prestes a se casar com Trudy (Alison Brie), ele acaba se envolvendo com a nova secretária de Draper, Peggy Olson (Elisabeth Moss), que logo no começo mostra que não chegou para brincadeira, desempenhando sua função brilhantemente, e a despeito dos conselhos de Joan, faz de tudo para ser mais do que a moça do cafezinho em tempos de sexismo preponderante.

Enquanto Peggy vai crescendo na agência, os mistérios acerca do passado de Don Draper vão sendo revelados gradativamente, principalmente quando seu irmão Adam Whitmann (Jay Paulson) aparece. Peter, que acaba descobrindo o segredo de Draper, e almeja uma promoção, ao ter seu pedido refutado pelo mesmo, chantageia-o, mas embora a verdade seja levada a Bert Cooper, o resultado acaba não sendo o esperado. A temporada termina de forma amarga com a vitória de John F. Kennedy nas eleições presidenciais contra Nixon, a promoção de Peggy como copywriter após uma bem sucedida campanha de um cliente voltado para produtos de beleza aliado a uma notícia que a faz perder o chão, e a partida de Betty e as crianças para a casa do pai dela para o feriado de Ação de Graças, bem como o desejo, mas a insolência de Draper de fazer valer a vontade de que as coisas sejam diferentes.

Completam o elenco de apoio da agência, Ken Cosgrove (Aaron Staton), Harry Crane (Rich Sommer), Paul Kinsey (Michael Gladis) e Salvatore Romano (Bryan Batt), com subtramas e histórias que retratam uma época com exatidão.

SEGUNDA TEMPORADA

MMS21

O segundo ano de Mad Men começa com os esforços da Sterling Cooper Inc. para a campanha da Pepsi, ao passo em que Duck Phillips (Mark Moses) convence a agência a se dedicar na conquista de um antigo cliente, a American Airlines, o que vai de encontro com os interesses de Don, que vem dedicando seus esforços e o de sua equipe numa campanha para a Mohawk Airlines.

Enquanto isso, Peggy retorna ao trabalho depois de um tempo ausente e passa a morar com sua mãe (Myra Turley) e irmã (Audrey Wasilewski), na medida em que começa uma relação de amizade com o padre John Gill (Colin Hanks), o qual a ajuda a confrontar o fantasma de uma grande decisão tomada ao final da temporada anterior.

Joan, que rompeu o relacionamento com Roger ao final da temporada anterior, também passa por mudanças, e enquanto transita entre suas atividades e assume a função de secretária de Draper por duas ocasiões, tem sua idade revelada a todos por Kinsey no mural da área do café, o que a faz oficializar o noivado com o atual namorado, o estudante de medicina Greg Harris (Sam Page). Eventualmente, ela é surpreendida com uma atitude inesperada da parte dele na sala de Don, mas mesmo assim Joan segue adiante com os planos do casamento.

Na vida pessoal, Don vive dificuldades com Betty, que se mostra cada vez mais distante do marido ao passo em que começa a praticar equitação num haras onde conhece o charmoso Arthur Case (Gabriel Mann), o qual passa a eventualmente a assediá-la, e quando desconfia mais do marido em razão das conversas com a melhor amiga e vizinha, Francinne (Anne Dudek). Após Don se envolver brevemente com a volátil Bobbie (Melinda McGraw), esposa de um dos mais complicados clientes da agência, Jimmy Barrett (Patrick Fischler), e a descoberta de Betty acerca da sua infidelidade, colocando-o para fora de casa, Don aproveita uma viagem de negócios na California para exílio, ocasião em que reencontra uma ex-amiga, Anna (Melinda Page Hamilton), única pessoa que conhece o inteiro teor de seu segredo, e o telespectador é então apresentado à grande verdade acerca do seu passado.

Enquanto isso, em New York, Roger decide se separar de Mona e propõe casamento à sua amante, a nova secretária de Draper, Jane Siegel (Peyton List). Duck, aproveitando a ausência de Don, tenta se tornar sócio da agência, mas é surpreendido com a recusa de Roger, o que o leva a revelar a executivos da Putnam, Powell e Lowe, uma firma concorrente com sede em Londres, a fragilidade atual da Sterling Cooper Inc., ao que esta se aproxima de Bert Cooper com uma proposta irrecusável, e que acaba sendo aceita. Don então retorna, e sabendo por antecipação do ocorrido, informa que não se submeterá a Duck.

A temporada termina em atmosfera apocalítica, com a crise dos mísseis em Cuba, e quando Peter está com problemas no casamento e diz a Peggy que a ama, esta lhe revela uma dura verdade que o deixa arrasado, ao passo em que Betty, após descobrir que está grávida e considerar aborto, toma uma atitude inesperada após ir a um bar para, em seguida, ao receber uma carta de Don, revelar a ele acerca da gravidez, bem como aceitá-lo de volta.

TERCEIRA TEMPORADA

MMS31

O terceiro ano da série acontece seis meses depois da crise dos mísseis em Cuba. Na iminência de se tornar pai pela terceira vez, Don é atormentado com visões do passado que ele próprio não presenciou, como os abortos sofridos por sua madrasta (Brynn Horrocks), o encontro de seu pai (Joseph Culp) com uma prostituta, seu nascimento e posterior ingresso à casa de seu pai em função da morte de sua mãe.

Na agência, muitas mudanças ocorrem com a nova administração ao mesmo tempo em que Joan pede demissão para se dedicar exclusivamente da sua vida de casada com Greg, que acaba não conseguindo se tornar cirurgião e eventualmente se alista no exército. Num momento de tensão no trabalho, Don é abordado por Conrad Hilton (Chelcie Ross), fundador hos Hotéis Hilton, para uma proposta de campanha publicitária. Enquanto isso, Peggy e Pete sentem que não existe mais possibilidade de crescimento profissional para eles na agência, e Duck lhes apresenta uma proposta tentadora, e embora ambos recusem, Peggy acaba se tornando sua amante.

Na vida pessoal, o pai de Betty, Gene Driscoll (Ryan Cutrona) sofre novo derrame, e ele vai morar na casa dos Draper, mas acaba eventualmente morrendo. Algum tempo após o nascimento do filho de Betty, ela e Don voltam a enfrentar problemas de relacionamento, e a despeito de uma romântica viagem para Roma, ela passa a se aproximar mais de Henry Francis (Christopher Stanley), um funcionário do governo que vem a conhecer durante um jantar da Sterling Cooper Inc., ao passo em que Don começa um caso com Suzanne Farrell (Abigail Spencer), professora de Sally.

As coisas ficam verdadeiramente complicadas no nível pessoal para Don após Betty finalmente descobrir a caixa com fotografias antigas que revelam quem ele realmente é, bem como uma certidão de divórcio que comprova que ele era casado com outra pessoa até pouco tempo depois de selarem a união. Ela o confronta, e ele desaba ao relatar todo o seu segredo. Fria, Betty o consola, no entanto, não consegue perdoá-lo.

O final da temporada é marcado pelo pedido de divórcio de Betty e pela descoberta por Don através de Conrad Hilton acerca da compra da Putnam, Powell e Lowe, e consequentemente da Sterling Cooper Inc. pelo escritório McCann Ericson, o que o faz convencer Bert e Roger a apresentarem uma proposta de recompra. Contudo, Lane Pryce (Jared Harris), representante do escritório de Londres em New York, alerta que a situação é irreversível, mas Don o convence, sob a promessa de torná-lo sócio de uma nova agência, a despedi-los, invalidando seus contratos, possibilitando-os, assim, a começar um novo negócio no ramo da publicidade. Recrutados por Don e Roger, Peggy e Pete ingressam na nova companhia, assim como Joan e Harry, e a Sterling Cooper Draper Pryce se instala provisoriamente num quarto de hotel após conseguir boa parte dos clientes e roubar da agência tudo o que precisam.

QUARTA TEMPORADA

MMS41

A temporada começa no final do ano de 1964, e um repórter do Advertising Age  lança a pergunta «Quem é Don Draper?» para um artigo que pretende promover a agência Sterling Cooper Draper Pryce, e Don evita a questão, o que causa conflito entre seus sócios.

A narrativa principal do novo ano da série tem por foco a crise de identidade de Don Draper, logo após o divórcio de Betty. Ele começa a se afundar na bebida, e passa a receber prostitutas de luxo em seu novo apartamento. Completamente perdido no que diz respeito à sua vida pessoal, ele acaba inclusive dormindo com a nova secretária, Allison (Alexa Alemanni), quebrando suas próprias regras, o que faz a garota pedir demissão após descobrir que o caso amoroso não terá futuro e que não sabe lidar com a situação.

Enquanto isso, o relacionamento de Don com a ex-esposa é cada vez mais complicado, e ela não apenas torna difícil seus encontros com as crianças, como também passa a continuamente responsabilizá-lo pelo mau comportamento de Sally, que enfrenta dificuldades na aceitação de Henry como padrasto, e acaba sendo submetida a sessões de terapia. As coisas ficam complicadas quando a garota passa a se encontrar com Glen (Marten Holden Weiner), o filho problemática de uma vizinha divorciada, Helen Bishop (Darby Stanchfield), que no primeiro ano colocou Betty numa situação delicada, fazendo-a decidir se mudar.

Ainda, Don vai à California, e descobre que sua velha amiga Anna, sem saber, está em avançado estágio de câncer nos ossos, e impedido pela irmã desta de lhe contar a verdade, ele acaba se afastando. Num determinado momento da temporada, Don mergulha numa campanha noite adentro para evitar uma ligação para a California, sabendo que terá más notícias sobre Anna, e arrasta Peggy justamente no dia do seu aniversário. Apesar das confusões, como a briga de Peggy com o namorado, Mark (Blake Bashoff), que rompe com ela após planejar um jantar surpresa no qual ela não foi, e o aparecimento de Duck tarde da noite na agência para mais uma tentativa de fazê-la trabalhar para ele, o que faz com que ele e Don briguem, os dois acabam consolidando um forte vínculo de amizade.

Após a morte de Anna, decidido a tomar as rédeas de sua vida, Don decide reduzir o consumo de álcool, passa a escrever um diário, bem como a fazer natação, ao passo em que começa também a se envolver com Faye Miller (Cara Buono), consultora da agência.

Enquanto isso, após Greg viajar para o Vietnam, Roger e Joan voltam a se aproximar, e ela fica grávida. Sem que Roger saiba, ela decide não interromper a gravidez, e fazer Greg acreditar que é o pai.

Na agência, as coisas não poderiam estar piores quando Roger perde a conta da Lucky Strike, colocando a situação financeira da Sterling Cooper Draper Pryce em maus lençóis. E quando Pete tem a chance de fechar negócio com a North American Aviation, Don é investigado pelo FBI como rotina da companhia, o que o faz, após uma visita de federais à casa de Betty, avisar Pete, que toma providências para impedir que vasculhem seu passado, e opta por abrir mão da conta.

Após um reencontro com uma ex-amante, Midge (Rosemarie DeWitt), quando então descobre que ela se tornou viciada em heroína, e como consequência ainda da perda da Lucky Strike, Don decide escrever um artigo ao The New York Times, por meio do qual anuncia que a Sterling Cooper Draper Pryce não irá mais trabalhar para clientes do ramo do tabaco, o que faz seus sócios acreditarem que ele assinou a sentença de morte para a companhia, virando ainda chacota do concorrente Ted Chaough (Kevin Rahm), que passa a assediar Pete para que se torne sócio em sua agência.

A temporada termina em clima de tensão na SCDP, quando vários funcionários são mandados embora para contenção de gastos, e enquanto Peggy e Ken conseguem salvar a companhia com a aquisição do primeiro cliente após a perda da Lucky Strike, Don viaja com as crianças e sua nova secretária, Megan (Jessica Paré), a qual ele leva na condição de babá de seus filhos após Betty despedir Carla (Deborah Lacey), e a pede em casamento. Após um último encontro com Betty na casa em que moravam, a ex-esposa dá sinais de arrependimento em relação ao divórcio.

QUINTA TEMPORADA

MMS51

A despeito da quinta temporada já começar com problemas quando Don é surpreendido com uma festa de aniversário promovida por Megan, e que o constrange frente aos colegas de trabalho, a química do casal acaba sendo a grande novidade, ao passo em que Betty, que não apenas ganha peso por conta de uma crise de ansiedade como também descobre um tumor na tireóide, faz de tudo para complicar as visitas de Sally (Kiernan Shipka), Bobby (Jared Gilmore) e Gene (Evan Londo) ao pai.

Promovida, Megan passa a ser treinada por Peggy, e acaba se destacando no departamento de criatividade, a ponto de inclusive salvar a conta da Heinz com uma ideia original que deixa Don otimista quanto ao seu futuro. Eventualmente, porém, e após uma conversa com o pai, Emile Calvet (Ronald Guttman), Megan acaba decidindo sair da agência para seguir a carreira de atriz, o que deixa Don visivelmente frustrado.

A adição da temporada é o agressivo e antissocial Michael Ginsberg (Ben Feldman), novo integrante da equipe de criatividade, que se mostra forte rival para  Don e Peggy na agência, mas que revela um passado consturbado. E quando Peggy deixa de considerá-lo uma ameaça, mas vê suas chances de crescimento profissional estagnadas, do mesmo modo em que toma a decisão de morar com o namorado, Abe Drexler (Charlie Hofheimer), considera finalmente procurar trabalho em outra agência, ao que acaba sendo contratada pelo concorrente da SCDP, Ted Chaough, sendo sua despedida de Don um dos melhores momentos entre os dois personagens na temporada.

Enquanto isso, Roger também passa por mudanças. Com problemas no trabalho, quando passa a competir sua posição de relevância na agência com Peter após a perda da conta da Lucky Strike, ele também enfrenta dificuldades no casamento, ao que decide experimentar LSD com Jane (Peyton List) na tentativa de reavivar a relação, mas as consequências acabam sendo desastrosas. Como se não bastasse, ele acaba se envolvendo com a mãe de Megan, Marie Calvet (Julia Ormond).

Peter, por seu turno, também tem seus maus momentos na temporada. Agora morando no subúrbio, ele passa a sentir falta da vida agitada da cidade até encontrar Beth Dawes (Alexis Bledel), esposa de Howard (Jeff Clarke), com quem faz o trajeto de trem até Manhattan todos os dias. Os dois tem um caso tórrido, mas a relação acaba de forma conturbada.

Joan, agora mãe de Kevin, filho ilegítimo de Roger, acaba sendo surpreendida com a notícia de que Greg (Sam Page) se alistou como voluntário para mais um ano no Vietnam, o que a faz mandá-lo embora de sua vida e do filho. Ela ainda acaba enfrentando um grande dilema quando Herb Rennet (Gary Basaraba), um dos associados da Jaguar, surge com uma proposta indecente, e a contragosto de Don, convencida por Lane, acaba se tornando sócia da SCDP após se submeter a um grande sacrifício pessoal.

Lane, por seu turno, não fica atrás quando o assunto é problemas. Ao descobrir ser devedor de uma grande quantia em impostos quando da transferência de fundos para os Estados Unidos, e tentar impor um esquema de distribuição de bônus de final de ano, que acaba sendo vetado na reunião de sócios, ele resolve roubar dinheiro da agência falsificando a assinatura de Don num cheque. Descoberto, Lane é confrontado por Don, e acaba sendo forçado a pedir seu desligamento da companhia com a promessa de discrição quanto ao caso, mas orgulhoso demais para voltar para a Inglaterra, ele acaba tomando uma decisão drástica, que faz Don refletir e alucinar sobre a morte de seu meio-irmão, Adam (Jay Paulson).

O final da temporada mostra as realizações de cada um dos personagens principais. Após o encontro final com Beth, Pete volta para os braços de Trudy, que decide abrir mão do sonho da vida no subúrbio para finalmente voltarem a morar em Manhattan. Peggy consegue um rápido deslanche na carreira na CGC, e comemora sozinha num quarto de hotel. Roger, em mais uma viagem de LSD, admira nú a cidade de NY da janela do escritório. Por fim, Don acompanha Megan na gravação de um comercial nacional, e ao deixá-la, vai a um bar, onde é perguntado por uma mulher se ele está sozinho, ao que ele devolve o olhar com uma expressão ambígua.

SEXTA TEMPORADA

MMS61

A sexta temporada cobre os acontecimentos do ano de 1968, e mostra os assassinatos de Martin Luther King Jr e de Robert F. Kennedy, bem como o confronto entre a polícia e os manifestantes em Chicago durante a Democratic National Convention.

O ano começa mostrando Don e Megan de férias no Hawaii, e a nebulosa reação daquele quando a esposa é abordada por uma fã e convidada a dançar no palco. Quando chegam de viagem, descobrimos que ele se tornou exatamente o que era nas primeiras temporadas, um marido infiel, eis que passa a se relacionar com Sylvia (Linda Cardellini), esposa de Arnold Rosen (Brian Markinson), seu vizinho. O relacionamento de Don com Sylvia é tórrido, e seu término bastante traumático, fazendo-o afundar na bebida, envolvendo inclusive Sally, que testemunha um momento íntimo do pai com a amante. Sally, por sua vez, acaba se tornando mais introspectiva em relação aos pais, encontrando seu cano de escape, porém, ao final da temporada, quando Betty decide matriculá-la numa escola para moças, e a garota volta a se relacionar com Glen Bishop (Marten Holden Weiner), e passa a experimentar um pouco de rebeldia.

Pete e Trudy continuam com a casa no subúrbio, mas ele agora também tem um apartamento em Manhattan, o qual se torna lugar para encontros com suas amantes. E quando ele se envolve com a esposa do vizinho e Trudy descobre, as coisas ficam complicadas, e ela o coloca para fora de casa. Separado, e com problemas com a mãe, Pete também acaba se tornando desleixado com os clientes quando não consegue conciliar a vida pessoal e o trabalho. Quando surge a oportunidade de se reerguer com um novo cliente após o afastamento de Ken, Pete acaba se complicando por conta de uma presepada de Bob Benson (James Wolk), com o qual ele passa a ter problemas quando o confronta acerca da verdade sobre seu passado.

Na agência, o representante da Heinz Baked Beans traz o representante da Heinz Ketchup, potencial novo cliente, mas um conflito de interesses entre os dois torna a campanha da SCDP obscura e insatisfatória demais, fazendo com que a Cutler, Gleason and Chaough acabe se sobressaindo, tornando Peggy elemento cada vez mais forte na agência concorrente, ao passo em que se torna extremamente ditatorial como líder da equipe de criatividade e objeto de fascinação de Ted Chaough. Como se não bastasse, um reunião de negócio entre Don e Herb Bennet termina com a rescisão do contrato entre a SCDP e a Jaguar, o que deixa Joan revoltada, ao mesmo tempo em que Pete acaba perdendo a conta da Vicks Chemical Company após encontrar seu sogro num prostíbulo.

Otimista, porém, Don vai até Detroit após um encontro de Roger com um executivo da GM, por meio do qual descobre o interesse em uma nova campanha para o Chevy. Lá, ele encontra Ted Chaough, que também tem planos de conquistar o mesmo cliente, e os dois, sabendo que sozinhos não terão qualquer chance em conseguir um contrato, decidem fundir a SCDP e a CGC em uma única agência, e acabam conseguindo a conta da gigante dos veículos, o que deixa Peggy devastada com a possibilidade de voltar a trabalhar com Don, ainda que na função de chefe da equipe de copywriters.

Após a fusão, Don percebe a dinâmica entre Peggy e Ted, e descobre que os interesses de dele por sua ex-secretária vão além de sua admiração profissional, ao que ele decide dar um basta constrangendo-os em frente ao representante da Fleischmann’s durante uma reunião de prestação de contas para uma campanha publicitária.

Na vida pessoal, além dos conflitos de Don com Megan, e que dizem respeito à sua carreira como atriz, afastando-os gradativamente, aliado ao arrebatador envolvimento dele com Sylvia, o telespectador descobre mais segredos do passado da vida do personagem, como o fato dele ter sido criado em um bordel logo depois da morte do pai. E não bastassem os problemas com os filhos, que o tornam cada vez mais alvo de chacotas como um pai nada exemplar, Don ainda acaba tendo um revival com Betty, a qual mostra ter superado sua fase de ansiedade, ressurgindo como mulher desejada e cheia de autoestima, embora nem mesmo por isso menos problemática quando visível ainda seu problema de autoridade com Sally e Bobby.

Os últimos episódios da temporada mostram Joan conseguindo um contato com um cliente em potencial (a Avon), e sua tentativa de não envolver Pete para legitimar seu status de sócia; a mudança no nome da agência para Sterling Cooper & Partners; a decisão de Don, mesmo após prometer a Megan que se mudariam para Los Angeles para trabalhar como local junto ao novo cliente Sunkist, de enviar Ted em seu lugar, afastando-o assim de Peggy; a revelação de Don após uma bem sucedida apresentação de campanha ao cliente Hershey’s Chocolate acerca de sua infância num prostíbulo e que a empresa não precisa de publicidade; a reaproximação de Pete e Trudy pouco antes de sua também mudança para Los Angeles, bem como a de Roger e Joan, na tentativa dele participar mais da vida do filho; e o afastamento temporário de Don da agência como punição pela perda da campanha da Hershey’s Chocolate.

SÉTIMA TEMPORADA

A sétima temporada de Mad Men ainda não estreou, mas confirmada como a despedida de Don Draper aos fãs da série, e por decisão da AMC, tal como aconteceu em Breaking Bad, o último ano será dividido em duas sub-temporadas com sete episódios cada: a primeira metade terá início com o episódio «The Beginning», e será transmitida ininterruptamente a partir de abril de 2014, enquanto a segunda parte marcará o final da série com o episódio «The End of an Era», provavelmente remetendo o telespectador para o final da década de sessenta e início dos anos de 1970, com transmissão somente na primavera do ano de 2015.

Apesar do entusiasmo de Matthew Weiner com a decisão da emissora, ao fundamento do desenvolvimento de uma história potencialmente boa para o desfecho da série com a divisão do último ano em duas fases, por outro lado os fãs terão que ser pacientes para saber como finalmente terá fim Mad Men. Saber quais as consequências da super-exposição do passado de Don Draper, e se todo o seu segredo será trazido à tona, bem como se o personagem encontrará a paz de que tanto precisa para se livrar da sua conturbada história de vida, e quem serão as pessoas ao seu lado para consolidar (ou não) sua nova fase, é o que todos os fãs da série mais aguardam.

Deixe um Comentário