Filmes do mês de outubro

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Jobs

Cinebiografia de Steve Jobs, cofundador da Apple Computer Inc, com roteiro de Matt Whiteley e direção de Joshua Michael Stern, embora tenha seus bons momentos, é bastante inferior à adaptação de 1999 do livro Fire in the Valley, de  Paul Freiberger e Michael Swaine, que é Pirates of Silicon Valley, e conta os primeiros anos do inventor, empresário e magnata no setor da informática.

Visualmente deleitável e aprazível, Jobs, no entanto, nada mais parece do que uma campanha de marketing da própria Apple. Logo, não é um filme sobre Steve Jobs propriamente dito, caracterizado por Ashton Kutcher, que, convenhamos, embora ligeiramente parecido com o cofundador, ex-presidente e ex-diretor executivo da Apple Inc, deixa muito a desejar como seu intérprete, lembrando que Noah Wyle fez um trabalho muito mais digno e convincente em Pirates of Silicon Valley.

Embora o longa tenha momentos verdadeiramente interessantes, no qual é apresentada a vida acadêmica de Jobs, bem como suas viagens espirituais quando circulava pelo campus da Reed College acompanhando uma ou outra aula como mero observador, e sua interação com as pessoas ao seu redor, comprovando não sua dificuldade de relacionamento e trabalho em equipe como muitos mal interpretaram, mas apenas e tão somente sua incompreensão pelo mundo por estar sempre um passo à frente em relação ao futuro tecnológico, o filme deixa de abordar várias outras questões relevantes em sua trajetória, e que não dizem respeito unicamente ao seu temperamento e à Apple.

A película conta a história de Steve Jobs a partir de 1976, pouco antes de se envolver com o amigo de infância Steve Wozniak (Josh Gad) para a comercialização do computador pessoal como o conhecemos (teclado, tela e computador, todos juntos em um pacote integrado) e vai até 1997, com seu retorno triunfante à companhia que fundou após ter sido abruptamente afastado em 1985. Sobre a criatividade e o temperamento forte de Jobs nos primeiros passos da Apple a cinebiografia cumpre seu papel, mas, como dito, deixa de fora várias outras fases importantes na vida do gênio. O importante episódio do Blue Box que impulsionou a criação da Apple Computer Inc, por exemplo, não é mencionado. O filme parte direto da ajuda de Wozniak para uma versão de Pong quando Jobs trabalhava na Atari, e pelo qual ele lhe deu calote, e segue com o início da relação dos dois com Mike Markkula (Dermot Mulroney), que viabilizou o projeto para o Apple II, o computador pessoal mais bem sucedido da história, vendendo quase 6 milhões de unidades em 16 anos.

A película então dá um salto, e mostra Jobs empenhado no projeto Apple Lisa, nome inspirado na filha que teve com Chrisann Brennan (Ahna O’Reilly), e que só reconheceu anos mais tarde. Afastado da equipe de desenvolvimento do Apple Lisa por ordens da diretoria, Jobs passou a se focar no projeto Macintosh, do engenheiro Jeff Raskin (Brett Gelman), gerando rivalidade interna entre as duas equipes. Apesar do sucesso do Macintosh com a filosofia reafirmada anos depois com iMaciPodiPhone e iPad, Jobs foi afastado da empresa por conta de uma reestruturação planejada por John Scully (Matthew Modine) obstada pelas exigências extravagantes do cofundador da Apple quanto ao design e a estética dos equipamentos, bem como cobranças cruéis de funcionários e parceiros.

Apesar de bem explorar o gênio por trás do inventor e empresário, o filme Jobs também deixa de lado outros importantes fatos que marcaram sua carreira após a fundação da Apple, como por exemplo: o «assalto» ao  Xerox PARC, e que viabilizou a interface gráfica do Apple Lisa, com tecnologia do Xerox Alto; a criação e os percalços de Jobs com a NeXT, e a urgência da Apple em adquirir o sistema operacional então por ele desenvolvido, trazendo-o de volta;  a rivalidade com Bill Gates, muito melhor explorada em Pirates of Silicon Valley; e a aquisição do estúdio de computação gráfica da Lucasfilm por Jobs, o Pixar Studios, cuja parceria com a Disney revolucionou o mercado de filmes em animação 3D antes de seu retorno à Apple, em 1997.

Como propaganda para a Apple, o filme funciona de forma infalível. Mas se a ideia era uma cinebiografia do seu cofundador, como tanto apregoa, omitindo sua desenvoltura mesmo quando afastado da companhia que criou, deixa então de ser fiel e completo. De qualquer modo, vale a pena ser conferido. Recomendo!

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Elysium

O cineasta sul-africano Neill Blomkamp repete sua investida na ficção científica tal como o bem sucedido Distrito 9 para uma nova crítica ao sistema político e social numa sociedade do futuro adaptada para o ano de 2154. Diferentemente do filme anterior, porém, em que a temática fazia alusão ao apartheid e uma raça de criaturas extraterrestres inesperadamente presa na Terra, Elysium é mais eficiente ao propor abertamente a separação da raça humana entre os ricos detentores da tecnologia e habilitados a viver no pleno conforto de uma estação especial na órbita da Terra e as massas pobres desprovidas de recursos e condenadas à marginalização em um planeta em ruínas enquanto explorados pelo capitalismo industrial.

Com um sistema de segurança pública de drones para conter a população, solução essa anteriormente apresentada por Edward Neumeier e Michael Miner no brilhante Robocop, de Paul Verhoeven, a trama aborda a desigualdade social no seu máximo, mostrando a população da Terra sem acesso à tecnologia de cura para doenças, o que se torna o ponto nodal para o desenvolvimento da história principal, e ruptura total do conformismo.

Max (Matt Damon) é um ex-criminoso que em liberdade condicional procura agora trabalhar honestamente numa indústria comandada pelo empresário John Carslyle (William Fichtner), detentor do monopólio para a fabricação dos drones responsáveis pela segurança de Elysium. Constantemente abordado por seu passado criminoso, Max tenta levar a vida como pode, ao passo em que vemos flashbacks dele criança, quando lhe foi incutida a ideia de que seria muito especial no futuro. E quando as coisas parecem melhorar na sua vida após reencontrar o amor de sua vida, Frey (Alice Braga), ele é vítima de um acidente na fábrica. Afastado, e com poucos dias de vida, ele pede ajuda de seu melhor amigo, Julio (Diego Luna), e vai ao encontro de Spider (Wagner Moura) a fim de ir até Elysium, onde poderá se curar.

Spider, por sua vez, é o hacker que controla o submundo e a tecnologia. Ele é apresentado como um líder guerrilheiro que envia clandestinamente naves carregadas de passageiros para Elysium a cada abertura do espaço aéreo. Com um passado com Max, em princípio Spider se recusa a ajudá-lo, mas ao descobrir que o rapaz está fadado a morrer em poucos dias, decide lhe dar a missão que espera colocar em prática há algum tempo, e que consiste em instalar no personagem um exoesqueleto robótico com a capacidade de aumentar sua força física, bem como um mecanismo em seu cérebro capaz de roubar as informações de algum habitante de Elysium na Terra, com fins de acessar dados diversos. Max concorda, e decide que a pessoa a ser abordada será John Carslyle.

Paralelamente, a secretária de defesa de Elysium, Delacourt (Jodie Foster), implacável no que diz respeito a proteger a estação-cidade de imigrantes indesejáveis, entra em conflito com o Presidente Patel (Faran Tahir) por conta de suas convicções, e decide, com a ajuda de Carslyle, dar início a um golpe de Estado com fins de instalar uma ditadura a partir do reboot de Elysium. Carslyle então salva em seu cérebro, no melhor estilo cyberpunk de Johnny Mnemonic, todos os dados do protocolo para a reinicialização da estação, mas quando abordado pela gangue de Spider e tem seus dados «roubados» por Max antes de acabar morto, aí que os problemas começam.

Delacourt, que não pretende se dar por vencida, aciona um mercenário na Terra que trabalha sob seu comando, o cruel Kruger (Sharlto Copley), que tanto quanto Carslyle, é caricato, mas necessário. Ele é enviado para ir atrás de Max para a recuperação das informações roubadas, ao passo em que acaba descobrindo e raptando o interesse amoroso do herói, Frey, cuja filha Matilda (Emma Tremblay) está em fase terminal de leucemia, e precisa correr contra o tempo em busca de uma forma de enviá-la para Elysium a fim de obter a cura.

Original, porém incompreendido e criticado por supostas incoerências, o filme é um manifesto com nuances em premissas outrora abordadas por grandes autores do gênero ficção-científica, como William Gibson, Isaac Asimov e Phillip K. Dick, e tal como em Distrito 9, faz uma dura crítica a problemas reais e a um sistema político social efetivamente existente e que segue exatamente o curso sugerido na película, com dramaticidade e efeitos gráficos impressionantes. Como bônus, temos as excelentes interpretações e um elenco internacional que não mede esforços para uma boa caracterização de seus personagens, como do próprio Matt Damon e de Jodie Foster, bem como de Wagner Moura, Sharlto Copley e Diego Luna. Recomendo!

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Carnage : O Deus da Carnificina

A despeito do título, que sugere matança e sacrifício, o que é bem peculiar nos filmes de Roman Polanski, Carnage, que é inspirado na peça de Yasmina Reza, nada mais é do que uma comédia de costumes com humor negro na qual o telespectador é apresentado a dois casais que passam o filme todo num único cenário discutindo a melhor atitude a ser tomada quando o filho de um deles agride o do outro, ferindo seu rosto.

O filme começa mostrando uma cena ao longe num parque em Nova York, e sem diálogos audíveis, Zachary Cowen (Elvis Polanski), que segura um bastão, é aparentemente intimidado por um grupo de garotos, ao que decide acertar o rosto de um deles, Ethan Longstreet (Eliot Berger), ferindo-o gravemente no rosto, a ponto de fazê-lo perder alguns dentes.

Na sequência, a estressada agente de investimentos Nancy (Kate Winslet) e o advogado workaholic Alan Cowan (Christoph Waltz) estão na casa da aspirante a escritora Penelope (Jodie Foster) e do vendedor Michael Longstreet (John C. Reilly), para uma reunião a fim de discutir o ocorrido. Quando Nancy e Alan estão prestes a sair, reconhecendo a culpa do filho pelo ocorrido, Penelope e Michael, achando-os extremamente simpáticos, decidem convidá-los para um café, e é aí que os problemas começam. Interrompidos por telefonemas de avós preocupadas e um cliente inoportuno que Alan não faz a menor questão de dar um basta, regras de comportamento social e o verdadeiro desejo de resolver as coisas da forma menos civilizada possível começam a tomar forma quando as quatro pessoas revelam intimidades não apenas profissionais, como também pessoais e conjugais, tudo regado a uma torta supostamente estragada e um bom uísque envelhecido que os faz colidir numa batalha de egos e de sexos.

Embora o filme se passe quase inteiramente no apartamento de um dos casais, tal fato não causa qualquer incômodo, uma vez que a película, em seus 80 minutos, não é nem um pouco enfastiante. Ao contrário, o telespectador é surpreendido com situações sucessivamente absurdas, e por vezes ridículas e engraçadas. Com uma trama que se estabelece em New York – embora filmado em Paris devido aos problemas legais de Polanski que o impedem de viajar para os Estados Unidos -, a película remonta aos primórdios da carreira de Woody Allen, hoje já não tão bem sucedida, e na qual, aliado a um elenco invejável e premiado, tem nos diálogos sua força motriz.

Assim, com sequências hilariantes e surreais, Carnage é uma surpresa totalmente inesperada, quase tanto quanto sua cena final, quando, a despeito do casal Cowan sair enfurecido do apartamento quando agora defende a culpa concorrente dos dois garotos, e Penelope insiste na inocência de Ethan, vemos novamente uma cena no parque, na qual, não apenas surge o hamster que todos julgavam «assassinado» por Michael, como também as duas crianças que agora conversam amigavelmente. Recomendo!

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Ip Man

O filme de Wilson Yip, com roteiro de Edmond Wong e Chan Tai-Li é a semicinebiografia do mestre Yip Man, também pronunciado como Ip Man, e também conhecido como Yip Kai-man, praticante de artes marciais, e o primeiro a ensinar a técnica Wing Chun, tendo como um dos seus mais célebres alunos, o astro dos filmes de artes marciais, Bruce Lee.

Donnie Yen faz um trabalho digno como intérprete de Ip Man, personificando o mestre com perfeição, e fazendo valer seu ensinamento mostrado ao começo da película no sentido de que «a chave é a pessoa».

Enquanto o pano de fundo na película é a invasão japonesa e a devastação da pequena cidade de Foshan durante a ocupação, além de subtramas como a vida reservada de Ip Man em prol de sua família e sua interação com as pessoas da vila, como o empresário e melhor amigo, Chow Ching-Chuen (Simon Yam), além do filho mais velho do dono de um restaurante e grande admirador de Ip Man, mestre Zealot Lam (Yu Xing) e seu problemático irmão, Yuan (You-Nam Wong), ganha forma a importância da arte marcial como uma «arte» propriamente dita.

Ou seja, Ip Man é uma história sobre as artes marciais e seus praticantes, e não exatamente um filme de ação. Enquanto o protagonista questiona o que um praticante dessa arte tem a oferecer em momentos de crise e guerra para ajudar as pessoas, ele é forçado a se submeter a um embate com um general japonês (Hiroyuki Ikeuchi) que pretende provar que o karate é superior ao kung fu ao passo em que sua única intenção é defender a honra dos que o cercam.

E como se invasão japonesa fosse pouco, Ip Man e o povoado de Foshan tem ainda que lidar com os forasteiros do norte liderados por Kam Shan-Chau (Siu-Wong Fan), que no começo do longa derrubam um a um dos principais mestres das artes marciais da cidade a fim de provar seu poder e abrir uma escola local, e que mais tarde, com a guerra, tornam-se um grupo de mercenários que buscam explorar os próprios chineses.

Com baixo orçamento, a película obviamente deixa de mostrar com realismo a dizimação do povoado de Foshan, que perdeu 3/4 de sua população durante a ocupação japonesa, e a despeito de algumas inverdades e incoerências, como o fato de Ip Man jamais ter sido obrigado a participar de um duelo com o General Miura, mas sim, forçado a treinar o exército japonês com sua técnica, o que o fez efetivamente deixar a cidade, o filme é bastante efetivo no que diz respeito à caracterização das lutas, com todo o surrealismo inerente aos filmes chineses do gênero, e no que diz respeito à presença constante do wooden dummy característico do estilo Wing Chun, e cujo design atual é do próprio Ip Man. Recomendo!

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Zeitgeist: O Filme

Produzido e dirigido por Peter Joseph, Zeitgeist: The Movie é um documentário que aborda os seguintes temas: cristianismo, ataques de 11 de setembro; e Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve). Lançado online via Google Vídeo em 2007, com première mundial no 4th Annual Artivist Film Festival & Artivist Awards, o filme possui três partes.

The Greatest Story Ever Told (A maior história já contada) é a primeira parte, e tem por missão um avaliação crítica da religião, em especial o cristianismo. Com argumentos extraídos do livro The Christ Conspiracy, de Acharya S, o filme afirma que Jesus é um mito astrológico, e que a Bíblia não passa de uma miscelânea de histórias baseadas em princípios astrológicos pertencentes a civilizações antigas, e faz uma comparação entre o mito de Hórus e Jesus em relação à representação do movimento do sol e das estrelas, bem como dos símbolos pagãos da era pré-cristã.

All The World’s a Stage (O mundo inteiro é um palco) é a segunda parte do documentário, e tem por finalidade sugerir que os ataques de 11 de setembro de 2001 não apenas eram do conhecimento do governo dos Estados Unidos, como orquestradas pelo próprio, colacionando testemunhos de pessoas que sugerem que as torres gêmeas ruíram não por causa dos aviões, bem como arquivos e reportagens que demonstram a ligação entre as famílias Bush e Bin Laden.

Don’t Mind The Men Behind The Curtain (Não se importe com os homens por detrás da cortina) é a terceira parte, e aponta o sistema bancário mundial como o verdadeiro detentor do poder sobre todos os países a ele associados, responsável pela manipulação da mídia e encenações que culminaram nas duas grandes guerras mundiais, bem como na Guerra do Vietna, na invasão do Iraque e na Guerra do Afeganistão, tudo para fins de lucro, obtenção de petróleo e armamento. O filme ainda descreve a conspiração desses banqueiros para a criação de um governo unificado, com uma moeda unificada, bem como a implantação de um chip localizador e identificador que escravizará a humanidade, que nada fará a respeito, porquanto manipulada pelas ferramentas da mídia e entretenimento.

O documentário é deveras interessante, e se você é cristão fervoroso provavelmente vai se enfurecer com a avaliação que compõe a primeira parte. Reflexivo e aprofundado, o longa-metragem é basicamente fruto das teorias conspiratórias sobre uma suposta Nova Ordem Mundial, e se o telespectador não for receptivo a nova interpretações daquilo que por anos foi subjugado pelos instrumentos de comunicação em massa, seguramente não se sentirá à vontade.

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Darling Companion

Filmes com animais são sempre muito eficientes quando o objetivo é mostrar falhas pessoais e relacionamentos humanos deficientes. Em Darling Companion, não poderia ser diferente, o que, aliado a um elenco estelar, e direção e roteiro do veterano, e sempre excelente, Lawrence Kasdan, acaba se tornando extremamente aprazível.

Beth Winter (Diane Keaton) resgata um cachorro ferido no acostamento de uma rodovia, e quando adotá-lo não é uma opção, ela lhe dá o nome de Freeway e o leva para casa, a contragosto da família. O animal se integra à rotina da casa, e quando Grace (Elisabeth Moss), a filha mais nova, casa-se com Sam (Jay Ali), o charmoso veterinário de Freeway, enquanto o marido, Joseph (Kevin Kline), é um cirurgião distraído para os problemas de casa e extremamente absorvido no trabalho, resta a Beth apenas e unicamente a amizade e a companhia do cachorro.

As coisas, no entanto, ficam complicadas quando todos viajam à Utah para o casamento de Grace, e Joseph inadvertidamente perde Freeway na floresta quando os recém-casados e a maioria dos convidados já foram embora, para desespero de Beth. O relacionamento com o marido, que já era deveras complicado, fica pior ainda. Solidários ao sofrimento de Beth, enquanto Joseph só quer saber de voltar para o trabalho, a cunhada Penny (Dianne Wiest) e seu namorado, Russell (Richard Jenkins), decidem ficar para ajudar nas buscas, assim como o sobrinho Bryan (Mark Duplass), cujo interesse, na verdade, é na proprietária do chalé onde todos estão hospedados, Carmem (Ayelet Zurer).

Assim, embora o filme tenha como foco a busca por Freeway em meio às montanhas e florestas do Colorado, a trama acaba se concentrando nos conflitos entre as pessoas envolvidas na busca. Beth, que resiste participar das buscas com Joseph, acaba, contudo, reaproximando-se do marido, ao passo em que este também muda suas prioridades após o que parecia apenas uma promessa à filha. Russell, por sua vez, não muito bem visto por seu futuro enteado, Bryan, acaba se revelando o companheiro ideal para sua mãe, enquanto Carmem especula as diferenças com seu interesse amoroso, e este só quer saber de correr riscos.

O filme é bastante interessante, pois tem por foco as relações humanas, e os problemas inerentes a cada um em contrapartida à sua meia-parte. Diane Keaton e Kevin Kline são eficientes ao transpor a problemática do casal de meia-idade separado pelo tempo e pelas diferenças que precisa reaprender a se compreender e a amar, enquanto Diane Wiest e Richard Jenkins se tornam uma espécie de alívio cômico como o casal perfeito, e Bryan e Carmem são a representação da nova geração no que diz respeito a relacionamento. Sensível, o filme é uma boa dica para os amantes de dramas familiares. Recomendo!

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Painted Skin: The Ressurrection

Painted Skin: The Ressurrection pode ser resumido em uma única frase: é uma incrível produção gráfica visual na qual o telespectador deve abrir mão de suas crenças e simplesmente se permitir aproveitar de uma experiência fantástica do cinema chinês desde Crouching Tiger, Hidden Dragon.

A película conta a história de fantasia do demônio-raposa Xiaowei (Xun Zhou), que já atravessou milênios de vida, e que recém-desperta de um sono profundo de séculos sai em busca de um coração livremente entregue para finalmente alcançar a mortalidade tão almejada. Com a ajuda do demônio-pássaro Que’er (Mi Yang), ela precisa seguir uma trilha na qual é obrigada a se alimentar de corações humanos até finalmente ser encontrada por um guerreiro que lhe salva a vida, mas que vem mais tarde a descobrir que se trata da Princesa Jing (Wei Zhao).

Protegida pela Princesa, Xiaowei descobre que ela esconde um grande segredo: marcada por uma cicatriz que lhe deformou parte do rosto, ela sofre em silêncio o amor que acredita não correspondido por seu protetor, Huo Xin (Kun Chen). A bruxa-demônio então considera não necessitar exatamente do coração de um homem, tal como pretendia, mas o da própria princesa, e num jogo de conveniências, as duas acabam selando um terrível acordo quando do surgimento de um casamento forçado com o Príncipe Tian Lang (Morgan Benoit).

Com a ajuda de um feiticeiro de um reino vizinho (Fei Xiang), que acaba sendo o alívio cômico do longa-metragem, Huo Xin descobre a tempo de se tornar definitivo o resultado o pacto feito entre a Princesa e o Demônio, e o final do filme é uma sucessão de acontecimentos com muita ação e um final espectacular.

O filme é um conto de fadas com mitos orientais e no qual heróis e vilões, embora desejem coisas distintas, acabam se fundindo na ambiguidade. Aqui, não existe o bom e o mal propriamente ditos, e embora a definição da demônio-raposa seja a de um ser perverso, ela deseja apenas e unicamente poder novamente aspirar o perfume das azaleias, enquanto a Princesa prefere abrir mão do reino em troca do amor do capitão do seu exército.

Painted Skin: Ressurection é tido como a continuação de Painted Skin, inspirado no romance homônimo de Songling Pu, e que, embora tenha o mesmo elenco, apenas Xun Zhou reprisa aqui seu papel como Xiaowei. Recomendo!

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Running with Arnold

O longa-metragem de Dan Cox intitulado Running with Arnold parecia ser a proposta de uma interessantíssima documentação da progressão da vida de Arnold Schwarzenegger desde os seus primeiros anos em Thal, Styria, Austria, onde nasceu, o deslanche de sua carreira como atleta, fisiculturista e ator, até sua conquista política como Governador eleito no Estado da Califórnia. A película, no entanto, não passa de uma crítica grotesca à pessoa de Schwarzenegger.

O filme oscila mostrando cenas da juventude do futuro astro hollywoodiano, suas conquistas pessoais e profissionais, sugerindo, no entanto, e de forma pérfida, uma sede por poder sem limites por parte do austríaco, fazendo-o inclusive parecer uma verdadeira representação do mal na tela, e que vão desde a conquista por um físico perfeito, o casamento com uma das mais belas mulheres do mundo e membro de uma das mais importantes famílias dos Estados Unidos, e a idolatria do maior número de pessoas possível, como se isso pudesse ser algo ruim.

De fato, o que Running with Arnold propõe é unicamente difamar Schwarzenegger e condenar o Partido Republicano por encorajá-lo a uma encenação eleitoral tal como o foi em relação a George W. Bush. Propaganda negativa contra o astro, o documentário ridiculariza ainda sua campanha eleitoral, e apela ao dar destaque a um suposto passado duvidoso de Arnold, trazendo à tona não apenas escândalos sexuais, como as acusações das 16 mulheres que se disseram vítimas de abuso sexual por parte do ator, como também sua suposta simpatia por Adolf Hitler, e o engajamento de seu pai no Partido Social Nacionalista Alemão, em 1939, numa tentativa frustrada e desesperada de influenciar a audiência, fazendo o telespectador inclusive refletir e temer uma possível candidatura à Presidência, com alusão a Ronald Reagen.

Embora o filme seja uma verdadeira enganação ao promover o que deveria ser a apresentação da cinebiografia de Arnold Schwarzenegger com a apresentação de imagens e testemunhos diversos e imparciais, o documentário de Cox, narrado por Alec Baldwin, que teria inclusive processado a produtora para retirar seu nome e sua parte do longa-metragem por conta das insinuações do envolvimento da família Schwarzenegger com o nazismo, não passa de uma grande perda de tempo, porquanto desprovido de fatos, deixando à livre interpretação do público sobre o que Schwarzenegger realmente representa, quando, de fato, pode-se concluir que o longa-metragem é pobre e não cumpre seu papel como deveria, o de ser efetivamente um documentário. Não recomendo!

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