Review literário : Coma, de François Gilbert

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«Coma» é o romance de estreia de François Gilbert, jovem escritor québécois, que também é membro da Ligue d’Improvisation Montréalaise (Liga de Improvisão de Montréal), instrutor de Yoga e professor dos ateliers de comunicação oral para imigrantes na UQÀM – Université du Québec à Montréal.

O romance, curto em suas 119 páginas, mostra toda a paixão deste entusiasta por linguagem descritiva e amarrada pelo continente asiático, onde viveu por algum tempo, bem como por diferentes culturas, o que provavelmente justifica sua fluência em diversos idiomas e seu envolvimento com o programa de integração a imigrantes no Québec.

Considerado por amigos, colegas, conhecidos, alunos e ex-alunos uma pessoa extraordinária, dotada de magnetismo pessoal inabalável, François é extremamente contagiante também na fala, o que se projeta de forma fidedigna nas páginas de «Coma», primeiro romance depois de sua colaboração a Danielle Chastenet em sua obra «Femme romaine au début de l’Empire», e de ser o autor do prefácio em «L’ homme D’armes Au Moyen Age a La Fin Du XVe Siecle», de Florent Renaudin.

A obra de François é um trabalho de ficção rica de significados, poética, e por vezes tocante e turbulenta, que conta a história de Kikuchi Sâto, um jovem de 19 anos solitário e taciturno com um passado misterioso. Sem residência fixa, ele se instala temporariamente em Shangai, onde vive tranquilamente longe de olhares curiosos, embra seja um estranho num outro país.

Um dia, ele é procurado com o pedido de ajuda para reanimar Ayako, uma antiga amiga de infância que está em coma desde um ato irreparável. Dividido pelo impasse de reviver uma tragédia esquecida e manter-se silente, Kikuchi decide voltar para Tokyo, onde reascende a chama de um amor antigo. Os dias passam, e o leitor é envolvido num emaranhado de lembranças e dúvidas que se tornam um turbilhão de pensamentos incompreensíveis quando então entra em cena Yoshi, irmão de Ayako.

O livro é pura filosofia, onde amor, identidade, morte e metafísica se misturam. Lacônico, François se revela um escritor extremamente maduro e promissor para sua idade, com uma escrita extremamente visual e imaginativa, repleta de sensualidade e mistério que se destaca na literatura québécoise, e que não pode de forma alguma passar despercebida.

Quem teve o prazer de conhecê-lo pessoalmente, como eu, sabe exatamente o quanto seu nome ainda irá ecoar como o grande ser humano e o talentoso escritor que é.

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